Just a regular day

1 Apenas um dia comum.


Notas iniciais
É o aniversário da Ravenna hoje, e eu não deixaria passar por nada. Mas eu preciso admitir: Todos os dias com ela são especiais em sua simplicidade. Então por que escrever algo complexo e diferente, se conseguimos ser especiais nas coisas mais simples? Te amo, meu vinho! Feliz aniversário.

O som das folhas secas no chão eram suaves, sendo este o único som que acompanhava a brisa leve do início de outono. A mulher, não mais uma garotinha, caminhava por entre as árvores, apertando o casaco contra seu corpo para proteger-se do frio. Seu rosto estava gelado, protegido parcialmente por um grosso cachecol e uma touca feita a mão. Usava grossas luvas de lã e botas com pelo de carneiro por dentro, protegendo-se do frio intenso da Inglaterra. Ali, no meio do campo, afastada da cidade, fazia bastante frio. Isso, contudo, nunca incomodou a mulher, afinal era sempre uma boa desculpa para se entregar aos braços quentes de seu amor.

Sentou-se às margens da nascente de um rio, observando o curso da água. Leve e corrente, remeteu à garota de cabelos caramelo o quanto tudo mudara nos últimos anos.

Não era mais uma garotinha. Seu corpo já tinha traços de uma mulher adulta, curvas que não tinha quando ainda estava em Hogwarts. Até mesmo sua voz que, com o passar dos anos, adquiriu um tom mais rouco, maduro. Isso nunca a impediu de agir como uma criança durante seus dias e cantar canções de ninar todas as noites.

Sua esposa dizia que isso era adorável, o fato dela ter mantido sua criança interior viva. E ela prometeu nunca deixar o melhor de si ser apagado pelo tempo.

Suas atitudes, com o tempo, tornaram-se menos desastradas. Ainda levava tombos constantes na escada de madeira que ligava ao andar de cima da cabana, e quebrava a prataria vez ou outra. Mas não tropeçava com tanta frequência, e em geral somente acontecia quando sua filha deixava os brinquedos jogados pela casa.

Sorriu ao lembrar-se de sua pequena. Era a perfeita combinação sua com sua esposa, algo que não teria sido possível sem a ajuda da magia. Seus olhos eram castanhos e remetiam à inocência, tão pura quanto uma criança poderia ser. Era incrível e assustador como o tempo tinha passado rápido. Em menos de uma semana comemoraria o aniversário de oito anos de sua filha.

O cheiro de carvalho lhe tomou os sentidos, fazendo-a pegar algumas folhas e guardar dentro do casaco. Gostava de tomar chá de carvalho antes de dormir. Havia se tornado seu favorito desde que se mudara para a cabana, onde o acesso era fácil às folhas.

Continuou sentada ali por alguns minutos, permitindo-se despir uma luva e tocar a água gelada do rio. Lembrou-se de um dia de verão, anos atrás, quando brincou com sua pequena família até cansarem nas águas da nascente.

Sua pequena família que se iniciou quase dez anos antes na Torre de Astronomia, em Hogwarts. Naquela época eram só as duas, antes cheias de olhares e mistérios, para então entregar-se uma à outra. E foi da maneira mais pura possível, com beijos e promessas de amor. A união mais íntima veio muitos meses depois.

Era este um dos motivos de amar tanto Katherine. Ela a respeitava. Emmeline foi a garota inocente e pura por muito tempo, e seu amor nunca pensou em tirar-lhe isso a força. Aguardou seu tempo, cuidou-a como se fosse de porcelana e, quando o momento chegou, fez com que fosse especial e memorável.

Pensando neste dia, naquele gelado natal que até hoje aquecia seu coração com lembranças, que Emmeline se levantou, voltando para a cabana. A aliança de ouro cintilou no momento que rumou para sua casa, escondendo as mãos no bolso do casaco. Era apenas uma manhã de domingo, dia que nenhuma das duas trabalhavam. Era o dia de amar uma a outra e a sua pequena filha, Dominique.

Ao pisar dentro de casa, despiu as botas e subiu só de meia até o andar de cima. A porta de seu quarto estava aberta e sua esposa dormia serena debaixo das cobertas. Tão linda quanto no dia que o chapéu seletor a colocou na Sonserina.

Parecia inacreditável, mas Emmeline se lembrava muito bem daquele dia. Havia se encantado com o sorriso da Petrova e, na inocência de seus 11 anos, imaginou que seriam melhores amigas para sempre.

E eram.

— Bom dia, meu amor. — sussurrou para a morena, após sentar ao seu lado e acariciar seu rosto com carinho.

Katherine resmungou, mas sorriu de olhos fechados. Tudo que Emmeline fez foi beijar seus lábios pela primeira vez naquela manhã.

— Qual a ocasião especial para beijos a esta hora? — questionou Katherine, ainda sonolenta, abrindo seus belos olhos na direção de sua esposa.

— Nada… É apenas mais um dia comum. — sussurrou de volta, deitando-se próxima à ela, sentindo seu corpo se aquecer por dentro e por fora.


Fazia muito frio naquela casa, e Emmeline sembre buscaria calor nos braços de Katherine.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!