Just a game
2 Into You
Ele estava realmente ao meu lado. De primeira eu não percebi pelo simples fato dele estar de boina de óculos. Quem estaria de óculos num ambiente fechado? Leonardo Dicaprio. Eu simplesmente fiquei desesperada. Eu comecei a olhar para Nina e fazer gestos com as mãos perguntando o que eu faço? e a sua resposta foi, não sei com uma risada no final. Por dois minutos nós ficamos sem acreditar e rindo como se acabamos de ver um palhaço tentando fazer graça. As pessoas que estavam ali nem ligara com a presença dele. Se não fosse minha vergonha e timidez eu estaria no colo dele faz é tempo, mas me controlei e fui sensata.
— Oi, desculpa estar incomodando, mas você poderia tirar uma foto comigo?
— É claro.
Meu deus, naquele momento minhas pernas começaram a tremer e Nina ria como uma tonta. Os homens que o acompanhavam estavam olhando para ela como se fosse uma louca que acabara de fugir do hospício. – Melhor tirar essa foto lá fora. Disse o cara com olhar preocupado. – Ok. Respondeu o leo.
— Vocês poderiam ir lá fora? Perguntou o homem que estava se levantando da cadeira
— Sim, claro! Respondi
— Tudo bem, espera a gente lá
Nesse momento Nina correu para pagar a conta enquanto eu me levantava e tentava assimilar o que acabara de acontecer.
— Vamos, corre! Disse Nina vindo na minha direção
— Porra NINA, não estou acreditando
— Nem eu, Leonardo Dicaprio? Porra, moro aqui faz sete meses e você só a dois e já encontrou um famoso? Deus o que há de errado comigo?
Ficamos esperando ao lado da confeitaria, foram só três minutos ate os homens chegarem e logo atrás o Leonardo.
— Ok, selfie ou normal? Perguntou o homem mais alto.
Nina olhou para mim com aquele olhar de o que vai ser?
— Uma selfie e uma normal. Falei
— Isso. Disse Nina
— Hum, tudo bem! Disse o homem.
Ele pegou meu celular, e logo eu e nina o abraçamos o deixando no meio de nós duas. Depois ele entregou o celular para o cara mais alto.
— Leo, dá um sorrisinho pra gente vai, uma exceção. Disse Nina
— NINA! falei
— Quer dizer que eu não dou sorrisinho?
— Hum, não em muitas fotos. Respondeu Nina
Os homens que o acompanham riram imediatamente e logo o que estava com o meu celular disse – Digam X.
— Muito obrigada viu. Falei
— Nós vemos por ai, disse Leo
— OBRIGADA. Gritou Nina enquanto eles saiam devagar.
— Você está bem?
— Nina, A MELHOR COISA DA MINHA VIDA. Meu deus preciso contar isso para minhas amigas, elas vão pirar.
Ficamos rindo e conversando sobre o fato por alguns minutos e depois fomos pra casa. Chegando lá contamos para as outras meninas e elas simplesmente não acreditaram até o momento em que eu postei a foto no instagram. Eu e Nina passamos a noite toda ainda comentando sobre o ocorrido. No insta alguns FC’s do Leo me perguntavam onde eu tinha o encontrado e como foi a experiência, eu disse tudo e depois eles postavam sobre no instagram fã clubes deles.
No outro dia minha foto estava com mais de 250 curtidas e eu fiquei super animada por isso. Minha turma me chamaram até de Rose e gritavam TO SHIPPANDO na brincadeira. Meu professor de inglês disse que o próximo filme que iriamos assistir seria titanic em minha homenagem. Foi uma sexta-feira bem diferente das outras. Quando cheguei em casa logo após o trabalho, tinha mais de 500 comentários dizendo OH MEU DEUS ELE CURTIU. Eu não entendi de primeira, mas depois que fui descendo os comentários que vi um que dizia O LEO CURTIU PARABENS. O que? Como assim? Quando entrei nas curtidas lá estava ele no meio de tantas. Chamei a Nina correndo e ela simplesmente pirou junto comigo. As outras meninas gritavam dizendo que me shippavam com ele. Rimos a noite toda e eu não parava de olhar a foto e ver que ele tinha curtido. – Precisamos comemorar, disse a kate. Para ela tudo era motivo de comemorar. Conseguiu maratonar uma série sem fazer intervalos para ver outras? Vamos comemorar. Correu durante uma semana sem pular um dia? Vamos comemorar. Pegamos trinta dólares e fomos para um conveniência que ficava três quadras da nossa casa. Compramos três tipos de bebidas diferentes. Voltamos pra casa e a Rose já tinha ligado para pizzaria. Ficamos conversando e rindo por horas. Conversamos sobre nossas vidas, antigos relacionamentos, micos que passara na frente de todos, sobre nossas tristezas e inseguranças e sobre como fomos parar ali. Foi a primeira noite que todas sentara e conversara sobre a vida particular de cada. Amei. Foi um momento único. O momento em que eu conheci cada uma depois de dois meses apenas falando oi e perguntando se estava tudo bem eu chegar mais tarde para lavar a louça. Foi maravilhoso. Por um momento ficamos pensando sobre a vida que deixara para traz, sobre o que e quem nós decidimos deixar e seguir a vida. Rose, depois de um bom tempo sem conversar direito, dissera que a família era de médicos. E que sempre fora apaixonada pela medicina, diferente de muitos jovens, que infelizmente escolhem a medicina por causa dos pais por medo de reprovação. Disse que tinha um irmão chamado Brandon, que faleceu quando ela tinha 7 anos, lembrava pouco dele, por que era muito jovem mas disse que só de ver suas fotos já sentia um alivio por ter vivido aquele tempo com ele. Kate nos disse que aos 17 foi obrigada a fazer um aborto. Namorava um rapaz da mesma igreja, que logo após saber que estava gravida ficou desesperado dizendo que ela não deveria ter ficado gravida. Disse que pensou durante duas semanas sobre o que fazer em relação já que nem a família aceitava a ideia de ficar gravida aos 17. Decidiu então fazer um aborto, que acabou a deixando internada por dias. Nina nos disse que sempre amou a moda e ainda nos questionou sobre nosso modo de nos vestir. Disse que a mãe é dona de uma boutique e desde pequena frequentara e acabou se apaixonando. Emilia morava com o pai antes de vir para NYC, nos contou que a mãe faleceu no parto, e que muito tempo se culpava pela morte dela. Fez terapias e tratamentos com vários psicólogos mas que o que fez sumir a culpa mesmo foi seu pai dizendo que ela era um presente de Deus, e que nunca a culpara por nada, pelo contrario, sempre foi feliz por tê-la.
— Agora nos conta Alice, como uma menina do interior veio para nesse tumulo de ganancia. Falou Kate pegando mais um copo de vodca.
— Ah... suspirei. Eu morava com meus pais antes de vir. Tenho três irmãos, são mais novos. Por um tempo minha escolha era a medicina, mas conforme foi passando os dias eu descobri que não, eu não a merecia. Eu deixei duas amigas, a Anna e a Louisa. Estudávamos desde pequenas e sempre fomos bem próximas. Depois que terminou o ensino médio, nós nos distanciamos um pouco, mas é normal não é? Perguntei e elas concordaram com a cabeça. Trabalhei durante um ano numa loja de roupas que ficava perto de casa depois mais um ano no mercadinho da esquina. Hoje tenho 22 anos e estou aqui, com vocês. Minha vida é sem graça, não tem muito o que contar, simplesmente é isso, falei.
— Uau, achei que você tinha 17 anos, disse Rose
— Não Rose, bem que eu queria.
— Quem quer mais uma dose? Perguntou Kate toda animada.
No outro dia, foi terrível levantar da cama para ir trabalhar. Parecia que o mundo todo se escorou na minha cabeça e começara a pular. Levantei, tomei banho e fui comer algo. Nina estava na mesma situação. – Não bebo mais sabendo que trabalho no outro dia, disse ela. As outras não trabalhavam no sábado. Nina conseguiu um bico num brechó perto da faculdade, então sempre caminhávamos juntas até o parque que dividia nossos caminhos.
— Minha cabeça vai explodir Alice, se acontecer, por favor pega meus cacos. Disse Nina enquanto caminhávamos pela avenida movimentada.
— Não tomou remédio? Perguntei
— Não costumo tomar, remédios é ilusão, cura-se ressaca na base da agua gelada.
— Minha mãe dizia isso sempre para meu pai, falei rindo.
— Bom, ela estava certa.
Chegamos no fim da avenida e desejamos um bom trabalho e uma boa ressaca para a outra. Não tinha ninguém na biblioteca, era um sábado calmo. Só conseguia ouvir os pássaros. Sentei e comecei a olhar as fichas e ver quais seriam as pessoas que eu teria que ir dar um sermão por ter esquecido de entregar os livros. O primeiro era um tal de James Thompson. Havia pego um livro três meses atrás e nunca mais ninguém tinha ouvido falar. Fui pegar o endereço enquanto a Maria chegava atrasada mais uma vez.
— Vou ir na casa desse James, Maria
— Boa sorte, essa galera não te limites.
A faculdade decidiu que mais uma pessoa para ajudar na biblioteca seria muito bom para o desenvolvimento. Então, Maria foi escolhida entre várias outras. Ela me ajudava muito, e eu sempre a agradecia por isso.
Caminhei até o endereço que constava no cadastro do James. Era uma republica chamada Os touros valentes. O nome já dizia que pessoas moradoras desse lugar seriam um pouco estupidas. Bati palma e uma mulher me atendeu.
— Oi, estou procurando James Thompson
— Ok, vou chamar, disse a senhora com uma vassoura na mão.
Fiquei observando o lugar por alguns minutos. Era limpo. Parecia a casa da minha avó quando íamos passar as férias. Tinha uma grama verdinha e um cheiro agradável. Não parecia que só homens maravam ali.
— Quem é você? Disse um rapaz saindo pela porta enquanto colocava uma camisa.
— Sou Alice, trabalho na biblioteca da faculdade, quero saber sobre os livros que você pegou a três meses atrás que até agora não senti nem o cheiro deles.
— A menina que trabalhava antes de você era mais legal, disse ela com um olhar irônico. – Vou pegar, só espera mais um minuto.
Fiquei esperando, observando as outras pessoas que passavam pela rua.
— Aqui estão os livros, confere. Disse James rindo
— São seis. Conferi e estavam todos certinhos.
— Obrigada, eu disse
— Não tem de quer senhorita.
Voltei para biblioteca, e terminei o dia cansada. Encontrei a Nina, que igual a mim, estava exausta.
— Vamos sair hoje, preciso beber. Disse ela dando risada.
— Sério?
— Sim, se cura ressaca com água gelada ou com outra bebedeira.
— Não sei se aguento
— Para, claro que aguenta.
Chegamos em casa, Rose tinha preparado uma lasanha ao molho branco. Comemos e depois fomos dormir. As meninas que não trabalhavam no sábado, faziam o serviço do dia. Acordei por volta das cinco e meia, levantei e percebi o silencio total em toda casa. Tinha um bilhete na mesa. Fomos fazer compra, qualquer coisa liga, Kate. Peguei uma tigela e enchi de cereal, liguei a tv e fiquei assistindo game of thrones até elas chegarem.
— Estou cansada, disse Nina com várias sacolas na mão.
— Você é muito mole Nina, precisa se divertir mais, disse Kate enquanto pegava as sacolas da mão da Nina.
— Ei Alice, como está?
— Bem Rosa, obrigada.
— Vamos sair essa noite
— Ah.. Kate você não cansa?
— Não Emilia, eu não canso.
Guardamos as compras e vimos um episodio de got. As oito e meia as meninas começaram se arrumar, eu decidi ficar em casa. Elas saíram era nove e meia. Fiquei deitada no sofá esperando a vontade de ir pra cama chegar. Fui procurar um cigarro na minha bolsa, mas já tinha acabado fazia tempo e eu esquecera de comprar na volta do trabalho. Peguei meu cartão e fui a caminho da conveniência, comprei cigarro e uns biscoitinhos. Quando sai, levei um susto. Leonardo estava fumando em pé ao lado de um ponto de ônibus. Eu fiquei parada ali o observando sem acreditar que encontrara ele novamente. Será que eu vou la? Peço uma foto? Meu deus o que eu faço? fiquei pensando comigo mesmo.
— Ei, sai da frente. Gritou um cara me empurrando ao sair da conveniência.
— Desculpa. eu gritei
Nisso Leo já tinha percebido a movimentação e na hora eu olhei para ele, e fui caminhando em sua direção.
— Leonardo. Perguntei ao chegar perto dele
— Isso. Disse ele tragando o cigarro.
— Não sei se você lembra, tiramos uma foto na confeitaria que faz aqueles bolos de limão maravilhosos. Ai.. desculpa eu falo demais. Ele me olhava tentando entender o que estava acontecendo.
— Eu lembro de você. disse ele olhando para um lado e para o outro. Eu dei um sorriso e ele estendeu a mão. – Leonardo, prazer. Eu fiquei sem entender, mas apertei sua mão, — Eu sou a Alice, prazer é todo meu. Ele ficou me encarando enquanto eu me tremia todinha, passei a não sentir minhas pernas, estavam tão tremulas que eu passei a ficar mole.
— Posso tirar um foto com você? Perguntei, gaguejando
— Claro que pode.
Fui pegar meu celular correndo, apalpei meus bolsos e não senti nada. – Espera só um minuto, ele tá aqui, falei. No momento que eu descobri que deixara o celular em casa eu o olhei e fiz uma cara de triste. – Desculpa, eu deixei ele em casa. Ele olhou para mim, começou mexer nos bolsos e pegou um celular, — Vamos, eu te passo por e-mail depois. Dei risada e tiramos a foto.
— Qual seu e-mail?
— Hum. E falei. Ele não entendeu então pediu para que eu anotasse no bloco de notas. Meu deus eu estava com o Leonardo Dicaprio e mexendo no celular dele? Eu estou sonhando?. Anotei o e-mail e entreguei o celular para ele.
— Eu te mando assim que chegar em casa, pode ficar despreocupada, não vou esquecer. E sorriu.
Eu fiquei paralisada, eu tremia tanto que fiquei com vergonha. Eu estou conversando com você mesmo? Me perguntei em pensamento.
— Quer fogo? Perguntou depois de ver carteira de cigarro na minha mão.
— Uhum... sim, eu quero. Respondi nervosa
Peguei a carteira, demorei uns instantes para abri-la, não conseguia por motivos de estar ao lado do meu ídolo. Peguei um cigarro e coloquei na boca, em seguida Leo acendeu o isqueiro e eu traguei.
— É péssimo essa marca. Disse ele olhando para mim
— Eu meio que acostumei, fumava escondida, era o único que eu e minhas amigas podíamos comprar..
— Bom, Alice, tenho que ir. Se cuida viu, foi bom te conhecer. Disse ele, vindo na minha direção beijar minha bochecha. Na hora a única coisa que consegui falar foi, — Você também. Como assim eu falei VOCÊ TAMBÉM, oh meu deus Alice, você é incrível.
Voltei para casa ainda sem entender o que tivera acontecido. Estava sorrindo e me perguntando se aquilo era um sonho. As meninas chegaram por volta das duas e meia e eu ainda estivera acordada assistindo série, quer dizer, pensando no Leonardo. – Acho que vou vomitar, disse Rose saindo correndo pela casa em direção ao banheiro.
— Rose, qual é você não aguenta nada. Falou a Kate cambaleando pela sala
— E ai Alice, como foi sua noite? Perguntou Nina ao se sentar no sofá
— Foi ótima e a de vocês? Pelo visto foi melhor que a minha.
— De certa forma, Rose quase vomitou na boca do cara que estava prestes a beijar, Emilia começou a chorar por causa do seu ex-namorado, Kate? Gritou tanto no bar que tivemos que ir embora porque o dono nos expulsou. Foi ótima Alice.
— Oh meu deus. Falei rindo. Decidi nem falar sobre o que tivera acontecido comigo naquela noite porque elas simplesmente estavam muito fora de si.
Acordei noutro dia, a luz do sol já cobria meu quarto inteiro. Levantei e fiz um café. Sentei lá fora e fiquei observando as pessoas irem ao supermercado correndo, pelo visto esqueceram de comprar os ingredientes para o almoço de domingo. Escutei um barulho na cozinha, era a Nina tentando pegar uma tigela no topo do armário. – Ei, usa uma cadeira. Gritei e ela a pegou.
— Obrigada. Disse Nina sentando ao meu lado.
— Hoje o dia está movimentado, não?
— Está. Qual fazer ser nosso almoço?
— Eu deixaria isso com a Rose, ela é melhor.
— Acho que ela não vai levantar tão cedo. Disse Nina dando um gole no café.
— Ok, acho que vamos ter que nos virar.
— Tem cigarro?
Nesse instante lembrei da noite anterior. Eu dei um sorrisinho de lado e Nina me olhou assustada.
— O que foi? Disse ela rindo.
— Você não sabe quem eu encontrei ontem perto da conveniência.
— Quem?
— Leonardo Dicaprio.
— Mentira Alice, você só pode estar de brincadeira.
— Sério. A gente ainda conversou um pouco e ele me ofereceu fogo.
— Meu deus. Não acredito.
— Bom, estou esperando a foto que a gente tirou ele enviar por e-mail
— O QUE? Nessa hora as pessoas que passavam pela calçada nos olharam assustadas.
— Sim. Eu não levei o celular, e ele simplesmente me ofereceu o dele e disse que passaria a foto via e-mail para mim
— Puta que pariu Alice, você nasceu com a bunda virada para a lua. Será que ele mora perto da conveniência? Tenho certeza que mora por aqui perto, só anda por essas bandas.
— Por que? Quer invadir a casa dele?
— Não seria uma má ideia. Disse rindo e tragando seu cigarro
— Bom, meu celular está carregando, ainda não vi se ele me mandou a foto, na verdade estou com medo de olhar e não tiver nada.
— Alice, vai pegar seu celular por favor.
Subi as escadas correndo, peguei me celular e sem desbloquear desci ate a Nina.
— Bom, aqui está. Nina eu vou morrer
— Não tão cedo, é uma garota de sorte.
Desbloqueei o celular e fui olhar os e-mails. Esperei carregar e lá estava o email do Dicaprio
‘’ Bom, achou que eu iria esquecer? Não mesmo. Aqui está sua foto, faça bom aproveito. Espero te encontrar qualquer dia pra gente tomar um café ou até mesmo fumar nos pontos de ônibus espalhados por NYC. Um abraço, Dicaprio.’’
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