Notas iniciais
One-shot 02 de 100, da série criada por mim e compartilhada com a Haru_san, quem quiser postar alguma fanfic nela, com a idéia da série, é só me mandar uma mensagem ok? ^-^

Outra que ficou bem curtinha, e que eu até gostei, principalmente do final. Eu, particularmente, acho que a idéia para essa One-shot surgiu de uns problemas pelos quais estou passando agora... Maaas, isso não importa, certo? Espero que gostem!

Reviews, onegai!
:*

Bateu o punho fechado contra a parede ao seu lado, com certa força, cabisbaixo e trincando os dentes. O ensaio daquele dia já havia acabado e o estúdio onde ainda se encontrava, só, jazia no completo breu. A gravadora já havia sido fechada, tudo estava devidamente desligado e as luzes apagadas, a lua cheia, que permanecia no céu escuro naquela noite, era a única iluminação que adentrava pelas janelas. Soltou um suspiro pesado e encostou as costas na parede que socara há pouco, encostando também sua cabeça e fitando o teto, uma expressão levemente entristecida em seu rosto. Os cabelos ruivos e curtos, completamente desproporcionais, caiam por sua testa levemente, dando-lhe uma imagem ainda mais melancólica.

Fixou algum ponto inexistente no teto sobre si, os lábios entreabertos, uma das mãos no bolso da calça justa preta que usava e a outra mão em seu peito, sobre a área em que se encontrava seu coração, sentindo-o bater num ritmo contínuo. Respirou fundo e fechou lentamente os olhos, um sorriso triste surgindo em seus lábios. Voltou a abrir seus olhos, completamente desprovidos de qualquer lente, e retirou um papel amassado de seu bolso, abrindo-o e o fitando atentamente. Leu com pesar cada uma das poucas linhas escritas, admitindo para si mesmo que aquela era, realmente, uma bonita música, a qual escrevera com uma inspiração que surgira do nada na noite anterior.

Mordeu o lábio inferior com certa tristeza, sorrindo ironicamente para si mesmo... Ah, como era tolo, tentando se enganar novamente. Sabia muito bem de onde havia surgido a repentina inspiração; havia surgido de mais um daqueles momentos em que se pegara pensando no amigo. Mas não com amizade, com algo que só poderia ser chamado de amor. E como fizera milhões de outras vezes, escrevera uma música expressando tudo aquilo que estava entalado em sua garganta, tudo aquilo que sentia e já mal conseguia esconder de todos. E, como acontecera nessas milhões de outras vezes, falhara... Porque, aos olhos do baixista, parecia que sempre seria apenas mais uma música...

Bela música, Ruki.

Fora a única coisa que ele lhe dissera naquela manhã, ao ler o papel que agora observava com dolorosas lágrimas nos olhos. Ele sempre dizia a mesma coisa... Mesmo assim sempre tentava de novo, tentativas cada vez mais inúteis, fazendo-o se achar um completo idiota em não aceitar o fato de que a música, sua única forma de poder se expressar completamente, não era o suficiente para abrir os olhos do amigo em relação ao que sentia por ele. E naquele momento, tinha certeza da decisão que acabara de tomar: estava desistindo de tentar.

Fechou os olhos com força, reprimindo as lágrimas para que não caíssem por seu rosto, e respirou fundo novamente. Amassou o papel entre suas mãos, trincando os dentes e apertando cada vez mais os olhos. Reabriu-os e fitou a bola de papel, completamente amassada, em sua mão. Fechou a mão e uma expressão séria tomou sua face. Caminhou para fora do estúdio, saindo enfim deste, indo direto em direção ao elevador do andar em que estava. Parou diante da porta e com a mão vaga apertou o botão, esperando-o chegar. Foi então que sua atenção caiu sobre uma lata de lixo ao seu lado, ficando a observa-la fixamente. O elevador chegou e a porta se abriu, mas não voltou á si. E ficou assim por vários segundos. Quando o elevador apitou, num aviso de que a porta logo se fecharia, voltou á realidade e balançou a cabeça para espantar alguns pensamentos que lhe rodeavam, jogando o papel amassado em uma de suas mãos na lata de lixo.

Já havia decidido, estava cansado de tentar. Desistira, definitivamente.

Entrou no elevador e apertou o botão do térreo, encostando-se numa das ‘paredes’ do transporte, com os olhos fechados. Mas voltou a abri-los levemente quando um pensamento surgiu em sua mente, de repente: estava mesmo certo em desistir?

A porta do elevador se fechou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.