Just a Dream ?
1 The voice...
Notas iniciais
– Então, o que você acha, Iruka-sensei? – Naruto perguntou assim que finalizou a longa história, bebendo o caldo de seu ramen.
– Isso não é tão estranho, Naruto. Conheço muitas pessoas que tem sonhos assim e na maioria das vezes não significam nada. – Respondeu Iruka, ainda pensativo.
– Mas eu sinto como se a conhecesse. – O loiro teimou. – Aquele rosto... ele é real, não pode ser apenas fruto da minha imaginação.
– Nossa mente se engana muito fácil, não tem como você saber.
Naruto apenas suspirou, pendendo a cabeça para trás. Era verdade, ele não sabia se aquela garota era real mesmo, mas algo em seu coração se aquecia ao lembrar da voz doce e da bela melodia que dela se formava. Ele não poderia ter criado aquilo.
– Você vem sonhando com isso a quanto tempo? – Perguntou Iruka de repente.
– Desde os três anos. E é sempre a mesma coisa, os mesmos acontecimentos, e a mesma garota. – Naruto falava mais com sigo do que com o sensei. – No começo eu não via nada, era apenas a voz tranquila chamando o meu nome e depois cantando aquela música. – Ele bagunçou ainda mais os cabelos, frustrados. – E o pior é que eu já procurei por essa música em todos os lugares, mas parece que ela simplesmente não existe!
– E quando esse sonho passou a virar um pesadelo?
Naruto começou a pensar, botando a mão no queixo. De uns tempos para cá, quando já via o rosto da garota, o sonho começou a se estender e o final era um grito estridente e choroso vindo da voz antes tão melodiosa.
– Não sei direito. – Rendeu-se, era inútil tentar lembrar. – Só sei que aquele grito... é tão desesperado que me assusta. Mas quando vejo, já estou acordado.
– Bom, espero que você consiga descobrir o que tudo isso significa, porque eu realmente não sei. – Iruka levantou-se, pagando os ramens. – Quer companhia para casa?
– Não, valeu, preciso ficar um pouco sozinho.
Foi estranho ouvir aquilo de Naruto, mas fazer o que? Dando de ombros, Iruka se despediu de seu aluno e seguiu seu caminho. O loiro fez o mesmo, mas diferente de seu costume foi andando calmamente, com um olhar distante, perdido em pensamentos. O rosto da garota misteriosa era tudo o que lhe passava pela cabeça. Como ela podia parecer tão familiar?
Perguntava-se durante todo o caminho até seu apartamento, onde logo que entrou, se jogou sobre a cama. Estava exausto e teria um dia cheio amanhã, então tratou de pegar logo no sono.
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“Narutoo...” – Hã, essa voz... – “Naruto...” – Era ela!
O loiro escancarou os olhos ao reconhecer. Como sempre acontecia, uma luz ofuscou seus orbes azuis por um momento, mas logo o borrão a sua frente tomou a forma de um rosto. Um rosto feminino e infantil que mantinha um sorriso terno.
E lá estava ela... com os cabelos ruivos indo até o ombro ... com os olhos azuis tão brilhantes como os dele... e com a doce voz que até aprendera a reconhecer.
Naruto não sabia porque aquela garota o chamava ou porque sorria tão calorosa, mas sentia uma coisa boa ao contemplá-lo. Não, não era paixão, acreditem ele já havia pensado nessa possibilidade. O carinho e o amor fraternal que sentia pela “figura imaginária” era forte sim e lhe causava uma sensação de conforto, mas era quase como... amor de irmãos.
Outra coisa que Naruto não intendia era a sensação que tinha de estar no colo da garota. Ela deveria ter uns cinco anos, como poderia segurá-lo?
De repente, a garota virou-se assustada, alguém a estava chamando. O loiro sabia, esse era o fim de toda a paz. Sentiu-se ser arrancado dos braços aconchegantes da menina e não resistiu a chorar, como nunca resistia. Parecia um impulso, algo que tinha de acontecer.
Abrindo os olhos novamente, enxergava um quarto grande e com as luzes apagadas. Alguém o carregava, mas só conseguia focalizar direito algum rosto quando retornava para o aconchegante colo da ruiva.
Era colocado em algo macio como um berço pela mesma, que deitava ao seu lado e acariciava seus cabelos. Era um carinho tão gostoso... a parte que Naruto mais gostava então começou, não demorava muito para a garota começar a cantar a melodia mágica, era a única coisa que o acalmava.
“Nunca se esqueça dela.” – A voz da ruiva pedia baixinho pouco antes de cair no sono.
O resto do sonho era uma loucura de acontecimentos que passavam como flash e rostos distorcidos que ele não conseguia identificar. E era quando vinha o fim: a imagem do rosto assustado da ruiva. Ela não trazia mais aquele sorriso caloroso e lágrimas escorriam por toda a sua face. Aquilo apertava o coração de Naruto, queria ajudá-la, mas o que podia fazer? Não sabia nem o motivo do choro.
A ruiva começou a se mover sozinha, parecia que andava para longe, mas sem mexer os pés. Serrava os dentes com força, lágrimas se formavam em seus olhos, e então... gritou. Um grito de doer os ouvidos e o coração. Esticou um dos braços o máximo que pôde, parecia tentar alcançar algo. Naruto não conseguia se controlar. Tentava esticar os braços para tentar ajuda-la, mas não dava adiantava. E era quando a garota de repente desmaiava.
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– Não!!! – Naruto acordou num solavanco, ofegante e suado. Olhou em volta reconhecendo aos poucos seu apartamento. Um suspiro deixou seus lábios, aliviado e frustrado. De novo o mesmo sonho... o que ele queria dizer afinal? E quem era aquela garota?
Desistindo de tentar dormir, o loiro se levantou e foi para a janela. Apoiou-se no parapente e fitou o céu estrelado. Em seus pensamentos, ainda podia ouvir a voz da ruiva, cantando a melodia para ele tão linda. Se falasse dela para qualquer um, iriam achar que não era nada demais, mas para ele era uma coisa especial. Uma verdadeira canção de amor.
"Eu quero respirar
Não quero me machucar
A escuridão invadiu meu olhar
Enquanto sinto meu corpo flutuar..."
Ele começou a cantar. Mal sabia Naruto que certa pessoa, em algum lugar no País das ondas, também observava aquele mesmo céu e completava aquela mesma música.
"Eu quero confirmar
Meu coração batendo está
Mais uma vez vou prender a respiração sem temor
Nesse profundo mar"
Encerrou a garota de dezessete anos. Os olhos azuis admiravam o céu noturno pela janela de seu quarto, o olhar perdido em lembranças. Uma leve brisa balançava os curtos cabelos ruivos e ela precionava algo contra o peito, parecia uma foto.
– Espero que esteja bem, maninho. Estou com saudades. – Falava com sigo mesma.
– Aika, hora de dormir. – Avisou uma voz feminina, abafada pela porta fechada.
– Já vou. – Ela respondeu, fechando rapidamente a janela.
Enquanto se livrava de um casaco que usava por cima do pijama, seus olhos se voltaram para um porta-retratos na estante. Seu sorriso, sempre tão caloroso, abriu-se um pouco mais. Era uma foto de seu aniversário de quatro anos, comemorado ainda com seus verdadeiros pais. Sim, era adotada, e vinha de uma vila ninja.
Pensando em seus tempos de criança, olho novamente para a foto que até a pouco segurava contra o peito. Era uma imagem dela, com cinco anos, segurando um bebezinho loiro que acabara de nascer. Seu irmão. No mesmo dia em que perdeu os pais acabou se separando dele e nunca mais o vira.
– Não se preocupe, eu ainda irei atrás de você, Naruto.
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