Just a Different Story
1 Capítulo I - Sorte
Notas iniciais
1. Sorte
Eu nunca fui esse tipo de pessoa. Muito menos fui dessas coisas. Nunca me imaginei nesta situação tão embaraçosa. Definitivamente eu precisava de alguém para me ajudar. Algo como uma "opinião feminina". A Hayley era a pessoa perfeita. Ela nunca iria rir de mim nesta situação. Ao contrário do pessoal do basquete. Esses aí iriam rir. E muito.
– Então? Vais me dizer o que se passa ou vou ter de adivinhar? — A Hayley repetia a mesma coisa faziam cerca de vinte minutos. Ela tinha os cotovelos pousados na mesa e as suas mãos estavam voltadas para trás.
– É embaraçoso... — O meu olhar estava dirigido às minhas pernas. Eu próprio estava farto de dar a mesma justificação centenas de vezes, mas a realidade é que custava muito revelar. Ainda que ela fosse a minha melhor amiga. Ainda que eu já a conhecesse desde que me lembro de ser eu. Ainda assim continuava embaraçoso.
– Hum... Descobriste que és gay?! — Os olhos verdes de Hayley estavam tão arregalados que mais parecia que iam saltar fora. Quanto mais eu pensava na forma de lhe contar, mais embaraçoso se tornava — É isso não é?!
– Estás louca?! — A surpresa fez-me falar mais alto do que devia, chamando a atenção de algumas pessoas do café — Muito pelo contrário... — Continuei um pouco mais baixo.
– Mas afinal o que é?! Chamaste-me aqui e agora não vais falar? — Ela estava a ficar realmente impaciente. E eu não podia esperar mais tempo. Eu tinha que dizer.
– E-eu gosto da Mia... — Disse o mais baixo possível, rezando para que ela não ouvisse. Continuando com o meu olhar dirigido às minhas pernas.
– Ah é isso... Pensei que fosse algo mais preocupante. — Respondeu calmamente enquanto terminava o seu sumo. Rapidamente olhei para ela surpreso. De todas as reações que eu tinha imaginado na minha cabeça, aquela não era de todo uma delas. Nunca pensei que ela fosse reagir assim tão... naturalmente.
– E isto não é preocupante?! Eu nunca fiquei assim antes... É estranho! E eu não sei o que fazer! — A minha voz saiu o mais desesperada possível.
– Tu és burro ou fazes-te? Só tens de lhe dizer! — Hayley olhava-me como se eu fosse um total idiota. Não que fosse mentira, é só que ainda assim eu não conseguia gerir bem a situação.
– Mas eu não sei como...
– Fácil: "Mia, eu gosto de ti". Que tal assim? Ou então se quiseres ser um pouco mais arrojado que tal um "Mia, queres ser a pirata da minha ilha?" — Olhei-a sério. Imediatamente ela perdeu-se no riso. Isso irritava-me.
– Não estás a ajudar... Já te apercebeste disso? — Fitei-a com uma cara sem graça.
– Desculpa... — Disse tentando se recompor depois do ataque de riso — É só que eu nunca te vi assim! Se tu visses a tua cara! Ai meu deus eu vou morrer de riso! — E o ataque de riso continuou — ... — Respirou fundo — Josh, faz-te um homenzinho e conta-lhe. Vais ver que é fácil... E vê o lado bom, a pior coisa que pode acontecer é levares um fora.
****
Os corredores estavam cheios. Isso significava que eu não poderia de todo contar-lhe ali. Tinha de ir para um lugar mais privado.
– Força Josh! — Hayley sussurou enquanto me dava uma palmada nas costas. Eu tremia mais que uma vara verde. Não estava preparado. Mas também nunca iria estar preparado.
– Lá vou eu... — Disse me afastando dela lentamente.
Um pouco na minha frente lá estava ela. Com os seus lindos cabelos loiros bem penteados. Ela estava bem linda com aquele vestido que lhe acentuava ainda mais as curvas dela. Sempre que me aproximava dela eu sentia que o meu coração ia saltar pela boca. Algum tempo depois da preparação psicológica, respirei fundo e avancei.
– Mia, posso falar contigo? — A minha voz saiu o mais natural possível. Afinal eu não queria que ela pensasse que eu era um idiota que ficava nervosinho por causa de uma coisa daquelas.
– Sim, claro. O que é? — O seu sorriso angelical tinha piorado ainda mais a situação. Quase que eu tinha dito "pára de sorrir assim" mas isso não seria uma boa opção.
– Vamos para um sitio mais calmo, é algo privado... — Disse evitando olhar nos olhos dela.
– Tudo bem...
Como eu não conseguia pensar direito, fui até a um canto do recreio da escola.
– Então o que se passa? — Ela olhava-me preocupada.
– ... — Respirei bem fundo, tentando prolongar ao máximo o tempo da minha respiração — Eu gosto de ti.
– Ahaha eu também gosto muito de ti! Mas porquê isso agora? — Ela não tinha entendido. Ou então, fingiu que não tinha entendido. Talvez aquilo tivesse sido uma mensagem indireta para não insistir, mas eu insisti.
– Não estás a entender... Eu gosto de ti com um tipo de atração diferente... Aquele tipo de atração de homem por mulher...
– Pois... Mas eu não te vejo assim desculpa... — Ela olhou-com com olhos de pena. O que eu temia tinha acontecido — Até porque o problema não está em ti... Está em mim...
– Hã...? Não entendi... — A minha expressão de incompreensão estava estampada no meu rosto.
– Eu gosto de mulheres...
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