Just a Different Story
4 Capítulo IV - Ciúme
Notas iniciais
4. Ciúme
Descia rapidamente pelas escada, em direção à cozinha. Estava super atrasado, e a menos que corresse, eu não ia chegar a tempo da primeira aula.
Peguei nas minhas coisas à pressa e saí a correr. Ao contrário do resto dos dias, Hayley não estava à minha espera. Provavelmente não quis chegar atrasada à escola e saiu antes de mim, pensei.
Ao fim de uns minutos de corrida intensa cheguei ao meu destino. Os corredores da escola já estavam vazios. O som das minhas sapatilhas baterem no chão era o único som que se conseguia ouvir.
– Des...Desculpe o atrasado... – Falei ofegante.
– Não tem problema. Por favor sente-se e faça silêncio, esta matéria é importantíssima – A professora falava, olhando-me por cima dos óculos que usava.
Entrei silenciosamente na sala, evitando atrair ainda mais olhares do que os já estavam fixados em mim. Entre todas as pessoas, lá estava Hayley, com os seus olhos verdes intensos troçando de mim. Ela nunca chegava atrasada, era até irritante a forma como ela era pontual.
Sentei-me no meu lugar, do lado de Lucas. Cumprimentei-o com um choque de mãos, e permaneci o resto da aula em silêncio. Ainda estava cansado, por isso fiz um esforço enorme para não adormecer, mas o cansaço dominou o meu corpo. Felizmente o toque da camapinha acordou-me.
– Já acabou...? – Perguntei para Lucas limpando os cantos da boca, que se encontravam babados por causa de ter adormecido.
– Já acabou, sim... Meu, tu estás mal! Que é que andaste a fazer ontem à noite, garanhão? – Lucas perguntou com um sorriso perverso.
– Nada... Não conseguia dormir, mas bem que preferia ter ficado a fazer isso que estás a pensar... – Sorri de canto para ele.
– Olha lá vai ele... – Lucas olhava para Cole que se aproximava de Hayley, dando a impressão que iria falar com ela.
– Que é que ele vai fazer? – Perguntei dando um salto na cadeira ao ver que ele se aproximava dela.
– Vai chamá-la para sair... Mas porque é que eu estou a sentir um ciúme vindo daí? – Lucas olhou-me sorrindo.
– Estás a ver coisas onde elas não existem... – Respondi, arranjando-me na cadeira, tentando mostrar que realmente não queria saber. O que era total mentira. Sentia uma vontade enorme de ir lá e socar a cara dele, apesar de não entender o motivo de tanta raiva. A única coisa que eu sabia era que não era ciúme. Não podia ser.
– É assim, sabes que não precisas de ter segredos comigo... Eu sei que gostas dela, e se queres... – Lucas falava olhando sério para mim. Sem que lhe desse oportunidade de terminar, interrompi-o gritando.
– Porra! Eu já te disse que não gosto dela! Foda-se! – Levantei-me de forma brusca da cadeira, chamando a atenção de todos os que se encontravam na sala. Saí a passos largos até à casa de banho, que foi o único lugar que eu consegui pensar para ir.
Aproximei-me do espelho. Pousei as minhas mãos na pia e ficar a encarar o meu reflexo.
– Mas o que é que se está a passar comigo? – Falei olhando o meu reflexo.
– Josh! – Ouvi falarem da porta. Desviei o meu olhar para a porta e lá estava Hayley, olhando-me preocupada.
– Tu és louca? Sabias que isto é a casa de banho dos rapazes? Se te apanham aqui tás lixada... – Respondi olhando-a.
– Sim, eu sei disso tudo... – Falou fechando a porta – Mas que é que te deu? Eu nunca te vi assim? Isso ainda é por causa da Mia?
– Mia? – Falei confuso – Não! Eu já nem me lembrava disso...
– Então o que é? – Falou aproximando-se cada vez mais de mim.
– Eu não sei... Devo estar a ficar muito louco, isso sim... – Voltei a encarar o espelho. Hayley encarava-me séria, talvez tentando decifrar o que ia na minha cabeça.
– Tu és tão estranho... Eu juro que gostava de te entender, mas assim fica muito difícil... E olha que eu já te conheço há tempo suficiente para te conhecer.
– ... – Suspirei – É melhor voltarmos para a sala, daqui a bocado ficam preocupados connosco.
– Pois também acho que é melhor. E além do mais, tens um pedido de desculpas a fazer... – Hayley falou saindo da casa de banho.
– Pedido de desculpas? — Perguntei confuso?
– Sim... O pobre do Lucas até se deve ter assustado contigo...
– Talvez...
Ao fim de um tempo de caminhada lenta, chegamos à sala. Entramos em silêncio, e dirigimo-nos aos nossos respetivos lugares. Lucas estava no mesmo lugar onde estava mais cedo.
– Desculpa... – Falei sentando-me do seu lado.
– Não faz mal... – Lucas respondeu sorrindo levemente.
– Eu não sei o que se passa comigo, eu devo estar a ficar louco... Desculpa a sério.
– Tu já sabes o que eu acho, e honestamente, esta tua atitude só comprovou o que eu achava... É melhor começares a encarar as coisas como elas são... –Lucas falou calmamente.
– Lucas – Falei, chamando a sua atenção – Podemos parar de falar sobre isto?
– Sim senhor! É verdade, vais ao tal baile do dia dos namorados? – Perguntou, quebrando a tensão.
– Vou... – Respondi apoiando a minha cabeça nas minhas mãos. Esfregava os meus dedos no cabelo.
– Vais com a Ley? – Perguntou enquanto enviava uma sms a alguém.
– Sim... Mas não comeces já com os filmes está bem? – Respondi antes que ele pudesse começar com as suas teorias.
– Eu não ia dizer nada... Só queria saber com que ias...
Ao fim de um tempo, o professor entrou. A aula foi bastante normal, ou melhor, tediosa. Por mais que tentasse, não conseguia prestar atenção nas palavras do professor. Acabava sempre por voltar a pensar no que Lucas me tinha dito.
E se ele tiver mesmo razão? Não pode ter razão... Não pode mesmo...
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