Just Tonight
1 Trouxe comédia romantica hoje!
[...] A casa estava em silêncio, parecia até que não havia alguém, aguardava em frente à porta feita de aço com um vidro espelhado enquanto a brisa fria congelava a ponta do meu nariz. Não demorou muito a porta foi se abrindo, e por trás dela se formava a imagem mais perfeita do meu dia. Tudo havia dado errado para mim, mas ao se deparar com aqueles olhos castanhos um pouco acima de um sorriso que fez com que meu olhar serio se desmanchasse e tenho certeza que se houvesse um espelho em minha frente retrataria uma cara tão boba, que ela certamente notou, mas com sua sutileza de sempre disfarçou.
— Tá gostando de ficar ai no frio? Não vai entrar não? – Dava pra ver a ironia em sua fala, mas apenas sorri e entrei.
Ao passar pela porta, sentia-se o perfume inconfundível, que apenas ela tinha, algo somente dela. Me acomodei ao sofá, enquanto Mary usando seu tradicional jeans acompanhado de uma camisa verde fosco caminhava em direção a cozinha. E de longe falava comigo:
— Qual filme trouxe para nós? A pipoca já está pronta, estava pronta pra te xingar, porque você sempre se atrasa. – Ela sabia como ao mesmo tempo ser doce e irritante. – E sinto dizer que eu queimei a pipoca.
Dei apenas meu sorriso de canto de boca, enquanto me levantava para colocar o filme no aparelho de DVD, estava fazendo uma aposta perigosa, era praticamente uma tradição nossa ver filme de terror, porém dessa vez tentei arriscar com uma comédia romântica. Não é exagero falar que é um risco mudar o tema do filme, pois estou lidando com a menina mais sistemática do mundo.
— Desisti da pipoca! Quem foi que inventou que filme tem que ser assistido com pipoca? – chegava ela se acomodando no sofá, segurando em suas mãos uma grande barra de chocolate.
— Eu trouxe uma comédia romântica hoje! – Eu disse com medo de sua reação – Vai com calma nesse chocolate que eu também quero, hein! – completei em tom de brincadeira.
Ela sorriu e deu de ombros, sua reação em relação ao filme parecia positiva. Assim me acomodei ao seu lado, e dei logo de retirar dois tabletes de seu chocolate, o filme começará e ela esticou sua mão até o interruptor e apagou a luz.
Com o passar do filme, do chocolate restava apenas a embalagem, Mary se acomodou em meu ombro, o que já fazia meu sangue acelerar por todo o meu corpo muito mais rápido; isso sempre acontecia quando ela mostrava toda sua delicadeza com seus atos de carinho. Seus cabelos alaranjados se esparramavam sobre meu peito, como o fogo, mais não como um fogo qualquer, parecia algo próprio, só dela, algo como um fogo puro, algo único na natureza. Eu, somente por um segundo, queria poder saber o que se passa na cabeça dela, ela sabe que eu a amo, queria saber o que sente por mim, a indecisão dela não é compreensível, como pode haver alguém com tanta bipolaridade de sentimentos.
No mesmo segundo que estava totalmente distraído com meus conflitos internos, o escuro tomou conta de toda a sala, a luz elétrica da casa aparentemente havia caído, não fez muita diferença, pois nem estava prestando atenção no filme, e pelo visto ela também não, pois não disse absolutamente nada. Continuou ali, debruçada sobre meu ombro, o silencio tomava conta de toda a casa, deixando toda a acústica para meus batimentos acelerados. Estava apreciando o cheiro de rosas que exalava de seus cabelos quando ela me chamou.
— Miguel! – falou tão baixo, praticamente um sussurro, aguardou alguns segundos, acho que estava pensado no que dizer, e continuou – Porque você ainda me ama? Porque ainda me dá atenção quando mais ninguém dá? O que tenho de tão especial, muitas vezes me sinto egoísta, por não poder retribuir o que você diz que sente por mim. Só me responde, por quê? – Fiquei extasiado com a pergunta, não sabia o que responder, mas essa é a chance de botar tudo pra fora, e resolver alguns enigmas sobre ela que tenho em minha mente.
— Mary, a resposta para tudo isso eu também não sei. Se eu pudesse escolher, esqueceria tudo o que sinto por você, mas infelizmente a vida não é assim. Eu não consigo ficar longe de você, não consigo não me preocupar com você, e se for para viver minha vida toda assim, eu vou viver, como seu amigo, nossa relação pode ser essa, ou qualquer outra, mas meu sentimento por você sempre será o mesmo, eu amo você, e mesmo você sempre dizendo que o amor não é assim, se não for, então eu acho impossível sentir amor, porque para mim é impossível sentir mais por alguém do que eu sinto por você. – Realmente não sei como essas palavras saíram da minha boca, nessa momento meu coração se assemelhava à uma metralhadora, e não sabia mais o que fazer.
O silencio dela me angustiava, no meio de toda aquela escuridão, senti sua cabeça se levantando aos poucos, pela primeira vez acho que senti ela tão nervosa quanto eu. Minha cabeça estava tão agitada, mas momentaneamente tudo sumiu, não consegui pensar em mais nada, pois sua boca tocava a minha, o beijo mais doce que já senti, meu mundo simplesmente parou, sua mão percorria por meu peito subindo ao meu pescoço, a cada segundo a mais que ela me beijava eu tinha certeza que eu a amava, não foi como nosso primeiro beijo, ela agora sabia como eu era, todos meus segredos, não era um estranho.
Nosso beijo havia chegado ao fim, ela afastou sua doce boca cerca de apenas dois centímetros da minha, suas duas mãos, entrelaçadas em meus cabelos por trás de minhas orelhas, estavam bastante tremulas, sua respiração ofegante mostrava todo seu nervosismo. Eu não sabia o que dizer, só queria que aquele momento nunca acabasse,mas mesmo assim tentei.
— Mary... – fui falando meio gaguejando até ser interrompido.
—Shiiiu, não diz nada, por favor – as palavras saiam tremidas da boca dela, num pequeno sussurro.
Eu simplesmente a obedeci, e tratei logo de puxá-la por seu pescoço até nossas bocas voltarem a se tocar, assim que retomamos o beijo, senti uma lagrima escorrer dos olhos dela. Nossa pele voltou a se arrepiar, minha vontade era rasgar sua camisa, mas sabia que precisava ter cuidado com minhas sensações, não podia estragar tudo ali, a cada troca de beijos nossos corpos estavam cada vez mais quentes. Ela se acomodava sobre meu colo, e não havia como saber se era um sonho, o amor da minha vida sobre mim. [...]
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