Perdidos… pensamentos perdidos que jamais vão fazer sentido, porém fazem história, sendo ela a de nós dois. Não sei o que pensar, não sei o que dizer, só sei que tudo aconteceu e agora estamos aqui.

Caro leitor, antes de todo o começo preciso explicar algumas coisas, que não sei como dizer. Essa história é um tremendo clichê, porém um clichê que mudou minha vida e merece ser, digamos de passagem, eternizado. Também é uma forma de desabafo, pois há diversos medos envolvidos e indecisões sobre o que é o melhor para o futuro, ou talvez para o que não há futuro.

Vamos supor, você está no ensino médio, mais especificamente no Terceirão, tem 17 anos. Qual o seu maior objetivo? Isso mesmo, passar no vestibular da faculdade pública mais foda da região, aquela que se você entra vira referência na família. Daí é toda aquela pressão psicológica vindo de todos os lados, surtos de ansiedade e medo por causa de uma prova hipócrita. Você passa, fica feliz pensando que finalmente tinha conquistado a vitória da sua vida, uma pena que foi só mais um fracasso para história. Seus pais ficam falando para meio mundo que você entrou em tal universidade como se fosse muita bosta isso. Enfim, o inferno tinha começado, mas você é o capeta, então foda-se tudo, você quem manda no inferno e você quem dita as regras dele.

Pois bem, essa é minha vida entre o infernal 2017 e o começo de 2018. Um começo de tudo. Uma vida nova. Um sonho realizado. Uma mera mentira.

Quando você vê seu nome na lista de aprovados, tudo que quer é o trote, para conhecer os calourinhos que estão fodidos juntos com você e os veteranos que vão falar que a faculdade é um inferno e que a vida se resume a ir no bar. Mais pura verdade da vida.

O dia do trote chega, você pega o busão para ir para a cidade da faculdade, enquanto não chega tua mente enche de pensamentos: “Será que eu vou ficar sozinha? Será que eu vou me encaixar com o povo? Será que estou fazendo a coisa certa em ir? Será…? Será…? Será…? QUERO VOLTAR PARA CASA” Mas você segue em frente, vai no trote e se diverte pra caralho. Depois do trote vem o que? Sim, sua primeira calourada, sua primeira open bar, primeira festa de universitários.

Essa foi uma festa que relutei muito em ir, tava cansada demais, mas acabei indo. Como toda festa, bebi pra caralho, fiquei louca, fiz bosta, ri demais, consegui me dar bem de momento com o povo. Porém a única coisa que não fiz foi te ver lá ou não prestei atenção em você. Bem, não sei o certo, mas sei que foi um erro.

O tempo foi passando, aulas começaram e muita coisa nova para encantar. Na primeira semana descobri que na faculdade existe um espaço, tipo uma comodo, para os acadêmicos do curso. Lá fica reunido o povo quando não tem aula ou simplesmente quando não querem ir para ela. Vamos chamar ele de Espaço dos Acadêmicos. EA.

Sempre antes das aulas eu ia para o EA, conversar com os veteranos, saber mais sobre o curso e também participar da zoeira que acontecia. Ainda não prestava atenção em você.

Quando começou a andar de verdade o ano letivo, acabei percebendo que esse ano eu não ia me dedicar nada, não estava estudando, nem gostando do curso e sabia que a possibilidade de ficar retida era grande. Spoiler da história: fiquei retida. Nesse meio tempo de 1° semestre, você começou a aparecer aos poucos, até então nem ligava, pois estava levemente interessada em outro veterano.

Ano andou e mudei algumas disciplinas de horário, isso fez a gente se aproximar e que aos poucos eu começasse a te notar, fazendo que dentro de mim surgisse uma pequena faísca, que eu jamais imaginaria que iria se tornar esse incêndio.

Toda quinta a gente se via, com certeza absoluta que isso ia acontecer. Conversava e ria muito, porém tava chegando final de semestre, tava chegando meio do ano e as festas juninas também. Eu sabia que se não agisse logo iria ficar mais difícil de te beijar, mas não sabia que ia ficar extremamente mais difícil. Quem dera eu que tudo isso fosse só vontade de te beijar, que fosse só fogo de palha.

Bolei todo o plano, iria ficar contigo na festa junina da faculdade, desse dia não passava. E que dia, meus amigos… Que dia.

Mas antes de contar sobre esse dia memorável, que eu não lembro de nada, tem um pequeno gostinho mesmo que decepcionante para quem já está shippando o casal. Em uma das quintas, eu tinha marcado um encontro com um guri aleatório do tinder para depois da aula, passei no EA antes para pegar wifi e você estava lá também, pronto para sair da faculdade igual eu.

Antes de continuar, acho que você, leitor, merece uma explicação sobre mim. Eu nunca havia sentido o que é se apaixonar de verdade e só fui entender o que era depois, nunca havia nem namorado. Por tais motivos, saia com várias pessoas aleatórias. Achava que tudo era diversão. Nada havia sentimento verdadeiro, nem ele eu achava que era verdadeiro.

Voltando, a gente foi até o portão da faculdade juntos, falando sobre a festa junina que ia ter e eu lá tentando fazer ele vender o ingresso 5 reais mais barato que o valor normal. Burra demais. Até que nessa hora eu pensei “e por um beijo você venderia?” claro que eu não tava interessada no valor da porra do convite na hora que pensei isso e me arrependo de realmente não ter coragem de ter falado. E sim, eu teria deixado o guri do tinder me esperando que nem um trouxa se ele me dissesse sim. Queria ter tido essa coragem.

Para demais esclarecimentos, depois descobri que ele pensou a mesma coisa que eu “talvez por um beijo, eu até poderia fazer”. Nenhum dos dois teve coragem.

Para demais outros esclarecimentos, eu nunca tive cara de pau com ninguém, muito menos determinação e não sei o que me subiu, mas eu iria correr atrás dele, eu ia fazer de tudo para ficar com ele. Fora que minha intuição nunca foi boa, mas dessa vez eu sabia que ele também me queria, eu tinha certeza. Só não sabia que era além de pegação.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.