Notas iniciais
Só tenho que agradecer a recomendação linda que a história recebeu de Kissaly e aos comentários que recebemos no capítulo anterior. Muito obrigada, seus lindos.
Boa Leitura!

O sereno que a noite escondia, trouxe com ela o desejo profundo de querer deixar o garoto, que caminhava ao lado de Juvia, com outro olho roxo. Porém quisera ela poder não ter deixado aquilo ocorrer. Como ele iria para a escola com um olho roxo? Se aparecesse na mesma estaria arruinando a visão, que ela acha, que ele tem na escola inteira. Olhou de canto para o garoto que tinha as mãos nos bolsos e que caminhava sem camisa, outra coisa que deixou a azulada completamente constrangida com tal situação.

A noite estava bonita. Gostava dela. Lembrava da chuva. E a chuva a fazia lembrar dele. E ele lhe fazia lembrar de coisas boas e ruins. Juvia seguia sempre o que o seu coração dizia, e vez ou outra ele acertava, passava ela momento felizes quando isso acontecia. E quando errava... A dor cravava em seu coração, machucando-a de forma tão brusca que a fazia pensar se realmente valia a pena seguir os conselhos de seu coração. Ou tentar ir pelos fatos que sua mente sempre lhe apresenta.

-hum... Gray-Sama... Perdoe Juvia... — tentou puxar algum assunto que não dera certo e infelizmente pediu desculpas pelo soco que dera nele depois que sentiu a mão fria em seu seio.

-Tsc... Na verdade eu deveria pedir desculpas. Mas foi bom levar um soco, não queria ir para a escola durante um tempo mesmo. — respondeu frio.

-Por quê? — franziu o cenho diante da fala do garoto.

-Ser popular não é algo fácil. — riu de seu comentário, fazendo a Loxar dar um pequeno sorriso de canto. — Além do mais a minha namorada é meio chata, grudenta e malvada. E antes que pergunte, eu gosto desse lado malvado dela.

-Como alguém pode gostar de alguém malvado?

-Ninguém é tão malvado assim. Todos temos uma pequena luz dentro de nós. — Será? perguntou a si mesma. Mas sabendo que o menino tinha uma namorada lhe deu um certo peso dentro do peito.

-O que é isso? — perguntou novamente.

-O quê? — olhou para Gray que a olhava. Juva havia feito a pergunta alto. Balançou a cabeça para voltar ao mundo real, que de alguma forma sempre a empurrava para aquele de fantasia que ela imaginava ter quando criança.

-Nada. — respondeu rouca.

-Por que sinto que posso falar qualquer coisa para você? — perguntou ele cruzando os braços atrás da nuca. Juvia o olhou achando estranho a pergunta. Balançou os ombros como resposta a pergunta dele. As vezes se perguntava se realmente era uma pessoa de confiança.

Se fosse, por que até mesmo o seu coração a traía?

Levantou seus olhos para as constelações que desenhavam no manto escuro da noite que se agitavam com a fria brisa que passava por seus cabelos, provocando-os de maneira deliciosa. Arriscou desenhar mentalmente o seu signo, Aquário, nas luzes que se estendiam pelas galáxias. Perguntava-se diversas vezes se realmente aquele era o seu mundo, pois parecia que ninguém a entendia, a queria, a amasse.

Baixou a cabeça tristemente quando novamente lembrou-se da única pessoa que amou. Voltou seus olhos para Gray, que a fitava, e vendo que ela voltava o olhar para ele, virou o rosto rapidamente. Viu-o corar um pouco.

Entraram em uma rua, onde se separavam. Juvia iria por um lado e ele por outro. Despediram-se novamente pedindo desculpas. E sorriram levemente. Juvia permanecia com o semblante triste, ainda, destacado no rosto. Viu uma sombra se aproximar dela, e sem perceber, sentiu lábios tocarem o topo de sua cabeça. E em seguida um "boa noite" que ficou ecoando na sua mente, martelando sem parar nas duas palavras.

Quando Juvia ergueu os olhos, ele já não estava mais lá.


_ X _


Encontrou o tal apartamento vinte minutos depois de deixar o local em que se despediu de Gray. A garota sentia o topo da sua cabeça formigar, e um êxtase subir pela sua espinha fazendo seus pelos se eriçarem e uma gostosa sensação de aconchego penetrar seu coração e infectar a sua mente com o gosto de Gray Fullbuster.

Por que instantaneamente que seu cérebro recebeu a imagem do garoto, seu pulso acelerou bruscamente, como se estivesse levando cargas elétricas no corpo inteiro, enquanto sentia sua pele estar enterrada dentro de um formigueiro?

Arrepiou-se toda e correu para dentro do prédio. Abriu uma porta de vidro e a fechou, delicadamente, e quando voltou-se para dar a boas vindas ao seu novo lar, dentro de uma das cidades do Japão. Preocupou-se ao encontrar dois olhos tão vermelhos que achou que estava de cara com o próprio diabo, o cabelo rosado amarrado em um coque na parte de trás de sua cabeça por dois grandes pinos com bordas em forma de lua crescente, e com duas franjas do cabelo deixadas para emoldurar seu rosto velho que tinha nos cantos da boca covinhas. A velha soltou ar pelo nariz com força e Juvia teve medo que aquilo fizesse um nariz grande e falso caísse, mas na verdade era o nariz da própria velha mesmo.

-Makarov fica sempre me trazendo mais problemas. — disse a velha se afastando. — Odeio humanos. — resmungou, fazendo a azulada achar estranho o comportamento da mesma.

-Perdoe Juvia. — disse para a velha. A mesma apenas deu de ombros e fez uma ligação. Pelo que Juvia ouviu, era seu tutor do outro lado da linha, pois a velha ficava, sem parar, gritando com ele e também ficava dizendo "anão tarado de terceira idade" alto o suficiente para saber que era ele.

Suspirou triste. Só queria um grande banho e uma cama quente. Ouviu o som de algo sendo batido no chão e encontrou a velha fazendo o que ouvira, batendo o pé no chão. Ela lhe mandava um olhar que Juvia podia jurar que poderia atravessa-la.

-O que está fazendo ainda aqui!? — perguntou.

-Juvia não sabe onde é o apartamento...

-Terceiro andar. — respondeu se afastando novamente resmungando algo como "odeio humanos".

Subiu correndo por dois lances de escadas. E encontrou várias portas. Havia se esquecido de perguntar qual era o número de seu apartamento. Lembrou-se da chave que recebeu do velho Makarov. Puxou sua bolsa e procurou dentro dela. Quando se deu por conta, não encontrava a chave. Virou a bolsa de cabeça para baixo, deixando todas as coisas que havia nela cair. Ajoelhou-se no chão e encontrava de tudo desde bloco de notas a uma base da cor de sua pele, menos a chave.

Pegou-se suspirando, porque tinha que descer e falar com a velha, que nem ao menos se apresentou a menina. E pensar em descer dois lances de escada e depois subi-los. Balançou a cabeça e passou a caminhar desajeitadamente até o hall de entrada do hotel. E por mais que nem tenha chegado nele, conseguia ouvir gritos vindo do mesmo. Correu para ver se não havia uma confusão e que poderia ajudar a velha. Porém tudo que encontrou foi Gray berrando com a velha, dizendo que queria falar com Juvia.

-Você não vai subir, mesmo passando pelo meu cadáver! — berrou a velha.

-É importante. — berrou o moreno de volta.

-Gray-Sama. — sussurrou ela. E como se ela sentisse que ela estava no local se virou e a enxergou.

-Juvia. — disse e correu até ela. — Desculpe, mas de alguma forma quando cai em cima de você... — ficou vermelho ao se lembrar do pequeno acidente que ocorreu entre ele e ela. — ...Encontrei isso. — pegou na ponta dos dedos uma chave prateada e brilhante.

-A chave do quarto de Juvia. — disse com um sorriso. Gray, pegou a mão de Juvia, que sentiu ser fria, e depositou na palma de sua mão a chave. Porém os olhos azuis escuros ficaram contemplando os escuros que eram os do garoto a sua frente. Ele fazia o mesmo.

-Hã... Eu tenho que ir. — tirou ambos daquele momento constrangedor, o menino. — Boa noite Juvia. — disse saindo do local. Enquanto dava as costas, simplesmente, as más lembranças que tinha daquele que amou e a feriu, dando lugar para aquele momento repentino que mexeu tanto com o casal.

E naquele momento sentiu as suas pernas se moverem tão rapidamente para o seu apartamento, que nem ao menos deste boa noite a velha que ficou olhando torto para os dois. Ao abrir a porta, nem se deu o trabalho de contemplar o lugar. Simplesmente caiu sobre a porta segurando com força o seu coração que parecia querer sair de seu peito e se agarrar ao capitão do time da natação masculino.


_ X _


O sol surgia por meio de nuvens que tinham a tonalidade laranja, lilás e rosa. E no apartamento de uma menina, que estava com os olhos fixos no teto e com os olhos tremendamente abertos, ela não conseguira dormir nem um pouco na noite passada. As cenas que teve com ele ainda estavam se misturando com os sentimentos repentinos que tinha com ele.

Perguntava-se por quê?

Olhou para lado e descobriu que o relógio marcava sete e meia. Resolveu levantar e tomar um banho. Enquanto a água escorria ela ouvia o que a sua mente dizia, e a trazia lembranças nada boas.

Lembrou-se de quando estava na Phanton e daquele menino que tentava esquecer. O cabelo meio curto e meio comprido de cor escura assim como os olhos, sempre que a via sorria e ela sorria-lhe de volta. Lembrou-se que seu coração sempre ficava feliz ao vê-lo e tecnicamente gostava quando ele estava por perto, era algo aconchegante e forte. Quando sentia os braços dele envolta de si, era como se o mundo parasse para que pudesse sentir e ouvir o que cada nervo de seu corpo fazia por ele. Mas sempre se esquecia de dormir nestas noites, porque ela ficava revirando sua mente para saber se realmente se ele era o cara certo para ela. E no final acabou descobrindo que não.

Despertou de seus pensamentos quando observou que o banheiro estava em meio a tanta fumaça da água quente que escorria do chuveiro. Quando terminou-se de lavar, olhou pelo pequeno apartamento, que tinha uma pequena cozinha com uma mesa redonda com quatro cadeiras e um armário de cor mogno e uma mini-geladeira, as paredes eram de cor branca. Ao lado havia a sala, que também era pequena, com sofás de cor azul escuro com pequenos detalhes em uma cor mais clara, uma mesa de centro branca, uma estante de madeira branca contendo livros didáticos e romances, e uma mini tevê. Suspirou antes de entrar em um quarto totalmente feito a ela. As paredes de tom azul com cortinas brancas, uma cama de casal com lençol branco assim como as fronhas dos travesseiros com uma colcha de cor azul anil, um guarda-roupa, uma escrivaninha e um criado mudo ao lado da cama.

Abriu o guarda-roupa e encontrou o seu uniforme embalado em um saco preto. Abriu-o e olhou para a roupa sem graça de cor beje, mas a vestiu e junto com o traje encontrou o horário de suas aulas, parece que aquele velho pervertido pensou em tudo. Pôs as suas sapatilhas pretas com laços nas pontas e sorriu para si ao espelho que se encontrava perdido no canto do quarto. Seus cabelos estavam molhados e levemente chegavam um pouco abaixo de seus ombros, e achou que ficou "fofo". Escovou o cabelo e deixou daquela forma. Sorriu novamente quando deu o nome desse novo visual de Juvia 1.2.

Desceu os lances das escadas e se deparou com a memória da noite anterior. Será que realmente até a sua mente está lhe pregando peças? Por que ela diz que ele poderia ser o cara certo?

Balançou a cabeça e continuou caminhando, rumo a escola que de alguma forma, tenta gostar.


_ X_


Era aula de educação física com o tal professor que era um suposto namorado da treinadora Aquarius. Juvia sentiu calafrios percorrer a sua espinha, sua roupa era um short azul claro e uma blusa nadador branca que deixavam a mostra o volume de seus, grandes, seios. Conseguiu ver os olhares frios da Uva Verde ao longe que estavam com as suas amiguinhas. Suspirou pesadamente, pois queria que pelo menos alguém que conhecia estivesse ali com ela. Olhou para os lados e nada. Encolheu-se em um canto e ficou lá até que foi solicitada para jogar vôlei.

-Loxar, que vê-la no time da Scarlet. Isso vai ser o Bixo – disse o professor. Scarlet, olhou para o seu time e encontrou a ruiva lhe abanando a mão e ficou extremamente feliz ao saber que além dela, estavam Lucy e Levi em seu time.

-Ohayo Minna. — desejou as quatro.

-Olá Juvia. Você está com olheiras? — disse Lucy assim que ela se aproximou e viu o estado da menina. Juvia coçou atrás da cabeça e sorriu.

-Juvia estava estudando. — mentiu. Não queria contar o que realmente a atormentou na noite passada.

-O.K. Mas durma o suficiente, não quero encontrar uma amiga dormindo nas aulas. — disse Erza.

-Hai.

-Qualquer coisa podemos lhe ajudar Juvia-Chan. — disse Levi fazendo a azulada assentir. Era tão legal ter amigos. Pensou.

Juvia olhou para o outro time e descobriu que era o grupo inteiro de Ultear. Ela quis sair correndo de lá quando viu o olhar da mesma sobre ela. Novamente Juvia estremeceu. Erza viu o que a Uva verde estava fazendo, e mirou a sua bola na cara dela. E como a escola inteira sabe, Erza Scarlet tinha uma força desconhecida. E agora sabemos que ela tem uma mira ótima. Ela acertou em cheio a garota que a olhou com fúria nos olhos.

-Qual o seu problema Scarlet?! — berrou Ultear.

-Desculpe, mas você tinha que prestar atenção no jogo e não na estrutura corporal das outras. — Lucy deu uma gargalhada que foi acompanhada por Levi e por Juvia.

O jogo voltou a acontecer. Bolas fortes e rápidas iam para cada lado, mas todos os pontos iam para o time de Erza que conseguia pegar todas as bolas fortes e passar delicadamente para as meninas que conseguiam enganar o outro time. Porém o outro time começou a revidar e conseguiam chegar a pontuação das meninas.

-Isso meninas. Quero ver quem vai vencer. Aquarius apostou comigo que seria o time de Ultear, sua aluna favorita, e eu no que sobrou. — disse o professor.

-Ouviu isso Erza. — começou Lucy. — Ele nos chamou de sobras.

-Ele vai ver quem é sobra. — disse a ruiva que correu em direção a uma bola que estava voando para longe. Mas ela tropeça em cai em cima de alguém, afogando-o com o volume de seus fartos seios.

-Erza-San você está bem? — perguntou Juvia.

-S-sim. — disse ela saindo de cima de uma garoto que Juvia sabia que já havia visto e que estava completamente brilhando de tão corado que estava.

-Jellal! Essa vaca te machucou. — disse a garota que Juvia lembrou ser Angel.

-S-s-s-sim. — gaguejou muito.

-Do que você me chamou? — perguntou Erza que já havia melhorado de se tombo e olhava para a garota com um olhar sombrio.

-Quer que eu soletre... Vaca? -provocou Angel.

-Ora sua...

-Meninas – disse Jellal no meio de ambas.

Antes que qualquer uma fizesse algo. Surgiu em meio a quadra um garoto de cabelos róseos e o amigo de Juvia. Gajeel corria atrás do garoto de cabelos rosas que segurava nas mãos um balão com água. Que o mesmo deixou cair perto de Levi. Gajeel sem nem ao menos perceber, escorregou no balão e caiu em cima da azulada menor.

-Droga – disse ele se levantando, mas nem percebeu onde sua mão repousava.

Natsu ainda corria e estava fazendo isso de costas. Estava rindo do moreno e da situação que agora se encontrava. Levi tinha o rosto vermelho enquanto cutucava o moreno que a olhou e viu onde ele havia posto a mão, ou seja no seio da mesma. O moreno corou.

-Natsu. — disse alguém atrás dele que ainda estava correndo, mas deu de cara com uma Lucy extremamente sombria.

-L-Lucy. — engoliu em seco.

-Isso não se faz. — disse ela.

-Desculpe. — disse ele antes de levar um balão com água na cabeça. — Mas o quê?!

-Peguei um bobo. — disse ela rindo e correndo do menino que agora estava correndo atrás dela. — Você não me pega purpurina.

-Já disse para não me chamar assim! — berrou ele.

-Escapuliu. — riu mais ainda a loira. Lissana, deduziu Juvia, olhava para aquilo incrédula e depois passou a trincar os dentes e ir atrás do garoto com o cabelo rosa.

Juvia se divertia vendo a cena que se desenrola à sua frente. Erza tendo uma dura luta de palavras contra Angel. Levi tentando não ficar com o rosto completamente corado enquanto ouvia desculpas vindo de seu amigo e Cana que estava ao lado dele agarrou-lhe o braço e começou a dizer coisas que terminavam sem com um "hip", com certeza ela estava bêbada. Lucy e Natsu faziam brincadeiras um com o outro na frente de uma Lissana extremamente furiosa. Porém faltou alguém nesta lista. Virou-se para o outro lado da quadra e encontrou uma garota que estava com os lábios selados e com os olhos tremendamente frios que vinham em sua direção:

-Você?- ouviu vindo de Ultear que começou a caminhar em sua direção. E quando a mesma parou em sua frente, apontou-lhe os dedo. — O que fez com o meu namorado até tarde da noite?

Meu namorado.

Minha namorada é meio chata, grudenta e malvada.

-Você... — sussurrou a azulada.

Seu cérebro ainda não havia processado a mensagem. Ultear era a namorada de Gray Fullbuster.

Notas finais
Gostaram?
Não deixem de me contar.
Beijos