Just Stay With Me
9 A tristeza que abate...
Notas iniciais
Ela estava caída sobre o piso branco do banheiro, seu uniforme rasgado e seus belos cabelos da cor do oceano espalhados por sobre um manto vermelho. Sim ela sangrava. Estava tão fraca que ficara presa ante ao assombro da lembrança do fato que ocorreu a alguns minutos atrás. O sorriso que tinha desvanecia-se com o tapa no rosto, sumia a inocência quando começaram a chuta-la ainda no chão. Seu nariz estava quebrado assim como algumas costelas, e em seu corpo cortes.
Estava no meio de uma escuridão, na qual um dia já encontrou-se, a tristeza que abateu seu pobre coração era tão imensa que fez a mesma começar a se afogar nas suas próprias lágrimas, até que enfim uma luz surgiu em meio à aquela escuridão.A silhueta da moça de cabelos claros fez-se a sua frente enquanto ela corria e se ajoelhava ante a seu corpo. Ela chorava junto com a pequena menina-mulher de cabelos azuis. E pedia com a força de seu coração que ela ficasse bem.
–Juvia... Onegai... Não se vá... — soluçava Lucy.
–L-Lu... c-cy... San... — murmurava.
–Aguenta... Estou ligando para um hospital. Natsu! Aqui! Gray! — ante ao nome do garoto que parecera estar tendo uma paixão inútil, ante ao garoto na qual fora culpado do que acontecera a ela. Caiu-se na completa escuridão.
_ X _
Abrir os olhos era algo tão difícil ou fácil? Não sabia responder. Os flashes do acontecera naquela noite acabaram se tornando pesadelos, rosto demoniacos sempre a batiam em meio a uma escuridão. Mas por quê?
Por que o amor dóia? Por que amar alguém a feriria fisicamente?
É algo tão vazio, tão incoerente, tão solitário. Algo que a menina sempre fora. Nunca teve amigos, nunca sentira tão forte sentimento por algo ou alguém. Mas aquilo que mais sente e ouve, bate descompassadamente enquanto se embriaga com a voz e a beleza daquele que roubou seu coração. Porém, lhe doía decidir, o que decidiu. Solitariamente, sua mente pensou, que se elas fizeram isso com ela, imagina o que farão com suas novas amigas. Então decidiu se afastar, mas não apenas de seu amado, mas de todos.
–Juvia. — a voz do velho ecoou em sua mente. — Minha filha... O que fizeram com você? — lamuriou-se o velho Makarov vendo o estado da menina.
Deitada em uma cama de lençóis brancos com bolsas de sangue e soro fincados um em cada braço, tendo o rosto com poucos curativos, mas o corpo coberto por faixas. Seus olhos se marejam ante a lembrança tortuosa, mas deixa que as palavras do velho a deixam felizmente desacordada, como se fosse algo surreal.
–Hematomas, roxos, ossos quebrados, e quase uma cegueira no olho esquerdo. Eu juro que vou encontrar os culpados.
Meu querido tutor se eu te contasse, você jamais iria acreditar. — pensou Juvia. Ela não queria ouvir lamentos pelo que lhe aconteceu, não queria ouvir palavras como aquelas. Ela sentia medo pelo que poderia acontecer com eles, o mesmo medo que sentira no dia em que perdeu todos os seus amigos pelo fogo que consumiu por inteiro a escola Phanton Lord.
–Você vai sair logo daqui. Você vai estar em casa logo, no seu quarto quentinha e confortável. — dizia com lágrimas nos olhos o baixinho.
–Makarov-Sensei? — chamou-o
–Estou aqui. — disse sentando-se ao lado dela na cama e segurando uma de suas mãos.
–Juvia, vai poder refazer as provas quando voltar? — o velho riu.
–Claro. — disse ele.
–Juvia fica feliz com isso. — foi tudo que disse naquele dia, trancada no quarto branco de um hospital.
Assim que ficara sozinha, deixou que suas lágrimas caíssem. Doía-lhe ter que deixar suas novas amigas, deixa-las como se fossem nada, não conversar, não rir, não compartilhar nada de novo com elas. Mesmo assim, pedira ao velho entregar um livro que recém havia saído à Levi, e uma katana feita na China para Erza – que pelo visto amará o brinquedo.
Mas doía-lhe tão profundamente saber que quando voltasse pra escola não olharia novamente para aqueles olhos escuros, aqueles que parecem fazê-la se perder tão profundamente.
Por que escolhera isso Juvia? — pensou novamente.
Drasticamente seu mundo se tornou de cabeça para baixo, como se estivesse caindo de um penhasco e o chão lhe esperava com pedras. Sim ela queria se desmembrar. Pois não sabia como enfrentar o medo que lhe afligia ao ver algum amigo seu se machucar por causa de um ciume, achava ela que era isso que Ultear sentia. Ou melhor, achava que Juvia poderia ser uma arma, feito e fabricada apenas para provocar seu desespero e acabar com todo ou qualquer plano que ela teria.
Já havia acontecido a festa na qual ajudara como um zumbi. Ficara triste por perder tal festejo, pois era algo que os alunos do terceiro ano faziam para os alunos que já tinham se formado no ano passado.
Seus pensamentos levavam-na para um lugar distante, na sua antiga escola. Lembrou-se do dia em que tudo se tornou pó. O dia que sua casa começou a pegar fogo do nada. Era um dia importante para o time de futebol americano da escola que estava enfrentando uma escola, que não era rival, mas tinha um índice alto. Infelizmente enquanto as coisas pegam fogo, uma das lâmpadas que iluminavam o jogo caiu sobre o campo incendiando-o também.
Porém ela estava dentro de uma piscina, fazendo seus corpo se locomover dentro da água com tamanha facilidade quanto um peixe, Seu apelido dançava como um cântico em meio aos borbulhos que sua respiração reproduzia ao estar em contado naquilo que mais amava com todas as forças de seu coração. Nadar.
Os gritos e pedidos de socorros ainda ecoavam em sua mente, como uma melodia doentia e sangrenta feita apenas para psicopatas e loucos por filmes de terror. E Juvia... Juvia só queria poder ficar longe daquelas cenas que pareciam de filme. Pedir para que elas parassem de passar como flashes em sua memória, mas sempre que orava, parecia que fazia aumentar. Então decidiu sempre ocupar sua mente.
Começou com a costura, depois foi para cozinha, voltou a tocar no velho piano mas não conseguia toca-lo, pois vinha em sua mente a pior cena que poderia ver e é a qual ela mesma tranca dentro de si a base de sete chaves que devem ser destravadas quando ela realmente precisar desabafar. Ou seja, nunca.
Seu pior defeito, na qual adquiriu quando tudo se foi. Nunca confiar em alguém.
1 mês depois.
A feliz e bela primavera dava seus últimos suspiros ante ao verão que estava chegando, e com ele as animadas e festivas férias estavam chegando. Porém faltava ainda um mês inteiro de aulas. E ela esperava poder conseguir ter tempo para trabalhar e conseguir seu própria dinheiro, pois queria utilizar aquele dinheiro para a sua faculdade. Que nem mesmo havia decidido o que fazer.
Saiu do táxi e respirou aquele ar que as cerejeiras da escola davam, dera o primeiro passo ao que poderia ser o pior caminho a tomar. Ela tinha que fazê-lo para proteger aquelas pessoas que passou a gostar e muito. Doeria ver todos tentando conversar com ela, enquanto a mesma fugia deles. Doeria mais ainda se os visse machucados sabendo que poderia fazer com que aquilo não ocorresse.
Caminhou devagar, pois ainda não estava totalmente curada do "ataque das loucas". A insanidade das pessoas nos dá medo, ou nos mata. Passou reto pelo corredor em que as três estavam conversando e deu graças a Kami-Sama que não a viram. Entrara na sala de aula e não havia ninguém. Sentou-se em seu lugar e permaneceu ali. Sonhando enquanto um sorriso lhe brotava no rosto.
–Você fica muito bonita quando sorri. — a voz irônica não mudara nada, muito menos o hábito de ficar sem roupas. Mas ela, ela que tinha que virar o rosto e encara-lo, não o fizera. Porque encara-lo a faria derramar lágrimas, e não poderia fazer isto.
Então fingira que não fora com ela. Mas ele ficara olhando-a, embriagando-se com a beleza que o sol destacava ante ao seus brilhos, que refletiam sobre o rosto corado e aos cabelos azuis que dançavam conforme a doce e pequena brisa que perpassava dentro da sala.
–Ohayo – dissera a professora de matemática. Que era uma mulher de óculos e olhos dourados. Usava trajes em cores verdes. Juvia tinha certeza de ter ouvido falar dela em algum lugar. Ah sim, ela ficara extremamente raivosa após perder o título de Fada Rainha da escola para um garota que se tornou modelo. E parece que ainda guarda rancor deste dia, tanto que inferniza as meninas que podem ser tornar a tão esperada Fada Rainha na festa de formatura.
–Juvia! — o grito de Lucy ecoou pela sala quando sentiu quase cair da mesa quando a loira lhe abraçou e depois ficou com rindo do que fizera, pois lembrara que a amiga estava ainda um pouco machucada. — Gomenasai. — disse ela.
–Stra. Heartphillia. Poderia por favor retornar a seu assento. Caso contrário teremos que mandar a Stra. Loxar de volta para o hospital. — dissera a professora com um ar que Juvia percebera que era de raiva.
–H-Hai. — dissera Lucy, e caminhou para seu lugar. Mas Juvia não lhe dirigira nem um minuto o olhar, muito menos uma palavra durante a aula.
E quando a aula terminou, ela correu em direção a porta, deixando uma Lucy confusa com a atitude da azulada. Nem sabia, que a loira doou seu sangue à ela.
Com lágrimas querendo cair, Juvia correu por entre os alunos que batiam contra seu corpo no caminho. Correu até chegar atrás da escola, onde as cerejeiras a escondiam do sol, e o sublime cantar dos pássaros que pousavam nelas abafavam seu choro.
O sol lhe despejava suas luzes, enquanto a brisa levava diretamente as coisas que a Loxar queriam que fossem embora. Ela chorava por saber que não conseguiria ficar longe delas. Ela queria poder conversar com elas, rir, dividir segredos, conversar sobre meninos.
Começou a repetir diversas vezes para si mesma, que era para protegê-las de pessoas como aquelas garotas. Juvia ainda lembra das giletes perfurarem a sua carne, dos chutes e socos que chegaram a lhe quebrar seus ossos.
Ela era tão frágil assim?
–Ficar chorando, não vai fazer seu medo diminuir. — ouviu a voz conhecida de seu amigo coberto por piercings. Viu-o com o uniforme da escola e achou estranho ele estar usando-o todo. Normalmente seu amigo, Gajeel, não utiliza o casaco ou a camisa da escola, pois as achava ridículas. E ela o vê com a camisa, com a gravata e com o casaco... Em seus devidos lugares. E estava sem todos os seus piercings.
–Perdoe Juvia. — disse limpando com as costas da mão as lágrimas. — Mas Juvia não é forte como a Erza-san. Inteligente como a Levi-Chan. Bonita como a Lucy-san...
–Você sempre se compara aos outros. — cortara-lhe. — Já pensara que você pode ser melhor que todas aquelas garotas que ficam lhe infernizando diariamente?
–Juvia não pensa assim. Juvia acredita nas coisas que é capaz. Mas... Mas Juvia parece não ter algo que elas tem. Ou Juvia tem algo que elas não tem, e parece que faz com que elas queiram ferir.
–Esta certa. — falou ele se encostando no tronco. — Juvia você é forte, inteligente e bonita. Basta apenas você se sentir desta forma, que tudo dará certo.
–Juvia agradece ao bom amigo que Gajeel-San é. — e sorriu.
A azulada ergueu o rosto para frente e descobriu ver o time de futebol da escola e lembrou-se que seu amigo, era o melhor jogador da Phanton.
– Gajeel-San não entrar para o time? — perguntou.
– Amanhã são os testes. Só não sei se vou conseguir... Sempre que estou no campo eu lembro da torre de luz caindo e esmagando...
–Gajeel-San ficara bem! — disse Juvia se levantando. — Gajeel-San é forte e rápido, e... E um bom jogador! A Fairy Tail estaria colocando alguém que é uma estrela, um brilho forte fora se não aceitasse Gajeel-san no time! — berrou.
–Não precisa gritar. — disse ele com o rosto sério. — Mas agradeço. — e se virou para ir à aula.
–Gajeel-san? — chamou Juvia. E ele se virou para ela esperando sua última pergunta. — Como vai Levi-Chan?
Ele apenas sorriu e lhe deu às costas novamente. Durante a aula, ouvira sair da boca de Lucy que os dois andavam muito juntos. O que fez juntar as peças e descobrir o que estava errado com seu amigo. Mas não havia nada de errado, apenas havia mais uma coisa. Ele estava apaixonado.
_ X _
No horário do almoço, Juvia sentou-se sozinha e pediu a Kami-sama para que as meninas não viessem se sentar com ela. Olhava ara os lados e sempre encontrava um rosto em fúria, e desta vez não era de Ultear e suas amigas, mas sim de outros alunos. Sem perceber uma azulada sentou-se a sua frente e largou seu prato na mesa e perguntou:
–O que está acontecendo? — mas Juvia já havia partido. Levi ficara triste.
Ela novamente corria neste dia. Encontrou-se de frente para seu armário. O abriu e lá encontrou, os presentes que elas lhe enviaram durante sua estadia no hospital assim como cartas de melhoras. Ela quis chorar. Mas segurou-o na garganta, ali não era lugar e muito menos uma hora boa para chorar.
Mas sentiu a mão pesada de uma ruiva eclodir no armário ao seu lado. Olhou-a e percebeu o olhar mortal que a Scarlet lhe dirigia. Juvia sentiu suas pernas bambas e o medo lhe invadir a alma. E Erza lhe perguntou:
–O que está acontecendo? Por que anda espalhando mentiras por ai? —
mentiras? Do que ela está falando?
–Juvia não sabe do que Erza-San está falando...
–Estão dizendo que fora eu, a Lucy e a Levi que a deixamos no hospital. E entre outras coisas... -a ruiva baixou o olhar.
–Juvia jura que não sabe de nada. — e saiu de perto dela. Assim como as outras Erza ficou confusa com o comportamento da Loxar.
É para protegê-las – repetia em sua mente.
E se esbarrou em alguém que não gostaria. A menina se virou para ela com o rosto cheio de escárnio e ainda sorriu de leve, antes de dizer:
–É a gaga quebrada. — ironizou. Juvia tentou sair de perto daquele grupo, mas Cana segurou-a.
–Espere querida, queremos conversar. — disse ela.
–Juvia está atrasada para a próxima aula...
–Mentira. — disse Angel. — Sua próxima aula começa daqui a trinta minutos.
–Oras, deixem-na meninas. Ela agora sabe o que deve e o que não deve fazer. Caso contrário o mesmo que aconteceu com ela, pode acontecer com Lucy, ou com a Levi...
–Onegai! — gritou. — Juvia faz de tudo, mas não machuque as amigas de Juvia.
–Veremos. — dissera Ultear que se afastou e levou consigo seu grupo maléfico.
Juvia lembra muito bem, que não havia sido elas quem havia lhe feito essas coisas, mas foram elas que mandaram garotos do time de futebol lhe fazerem isto. Balançou a cabeça para lhe tirar os maus pensamentos daquela noite e saiu em disparada para o orfanato, pois lá ela sabia que poderia sorrir.
Correu enquanto o vento lhe afoitava, se esbarrando e pedindo desculpas às pessoas. Sua bolsa escorregava vez ou outra e ela quase caia pelo fato do pequeno salto que usava ter quebrado.
E quando chegou onde era seu lugar favorito. Viu algo que fez seu coração parar. O orfanato estava sendo destruído. A frente encontrou Macao, que era quem cuidava do orfanato, e seu filho Romeo.
–Macao-San? — gritou e o homem se virou para ela. Juvia chegou perto e segurou as mãos dele. — O que houve?
–O lote em que estava o orfanato foi comprado. — disse choroso. — As crianças... Estão nas ruas novamente...
–Juvia não vai deixar isso acontecer.–Juvia não temos um lugar para coloca-las...
–Juvia vai arranjar. — disse decidida, e sabia de alguém que podia ajuda-la. — Juvia está atrasada para a aula, mas fiquem aqui. Juvia irá trazer uma pessoa que vai ajudar. — e correu novamente.
Podem mexer com Juvia, mas nunca com seus amigos
_ X _
Na sala do diretor da escola Fairy Tail. O velho estava cansado e dormia tranquilamente. Sonhava com mulheres de biquini desfilando para ele. Enquanto alguém dava-lhe comida na boca. E caiu da cadeira, dando de boca no chão, quando a porta do seu escritória foi aberta com força.
–Makarov-sensei – disse Juvia correndo para ajuda-lo a levantar.
–Mas que diabos você estava fazendo pra entrar desse jeito no meu escritório menina?
–Juvia quer o dinheiro dela. — disse ela.
–Aquele que você ganhou do governo pelo que aconteceu na sua escola?
–Todo, e quero que leve para um homem que se chama Macao, na frente do orfanato que Juvia ia.
–Juvia...
–Onegai... As crianças... Foram despejadas... Juvia não vai aguentar ao saber que elas estão na rua, sem o que comer, se esquentar. Onegai Makarov-Sensei... Ajude essas crianças por Juvia.
–É claro minha filha. Farei isso. — fora o que ele disse enquanto afagava o cabelo da meninas que deixou suas lágrimas caírem. Mas todas aquelas lágrimas, eram das tristezas que lhe abateram durante este dia.
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