Just Saying Hi!
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Não me recuso da abstinência do ser e do pensar, por diversas vezes me transformei naquilo que outrora odiei e mesmo assim continuo inveterado. As palavras sussurradas em meios de sentimentos e ápices de prazer que eu ouvi me satisfazerem e sinto que continuo uma tola em questão das mentes humanas.
– Samantha! — gritou uma voz masculina atrás de mim, eu sabia de quem era o som e caminhei mais rápido. — ESPERA.
Não gostava de fascistas, não era o meu tipo de pessoa favorita e sempre que podia os evitava, evitava esse controle de marionetes e Alecxander me achava como uma marionete impertinente e deve ser por isso que está me perseguindo.
– O que quer? — retruquei quando ele parou ao meu lado, estávamos atrapalhando o tráfego de estudantes que saiam das classes para ir almoçar.
– Me desculpe, aquilo foi bobagem eu admito é que as vezes eu sou um idiota quando você está perto, e nunca me notou e quando me nota eu faço isso. Porra! Eu sou um imbecil quando estamos perto... — eu não era uma pessoa que demostrava compaixão tão facilmente, mas o caso dele era de dar dó.
– Não vou aturar seus papinhos sem conteúdo e minha vida não interessa a você, espero que isso fique bem claro quando estivermos almoçando. Vamos! — puxei seu braço em direção ao prédio de alimentação.
Eu estava sendo legal, e hoje já estava pronta caso ele fale bobagem.
O refeitório estava um pouco cheio, a maioria dos universitários são pais e mães de alguém e eles vão para suas casas então somente os mais novos ficam no campus para almoçar e terminar seus trabalhos.
– A quanto tempo escreve poemas? — Alecxander perguntou enquanto analisava seu hambúrguer besuntado em queijo.
– Desde que entrei na faculdade — Ele me encarou a espera de mais alguma explicação, porém eu não sou de dar explicações longas... a não ser para Harry.
– A primeira vez que me interessei por direitos humanos foi quando você escreveu aquele texto sobre Analogias e Ideologias de Quem Quer Ser Feliz, acho que aquilo foi genial e foi um dez merecido, tipo o Senhor Berty é um babaca as vezes mas ele gosta de você.- Ah meu Deus, ele me faz parecer a santa padroeira da ética.
– Senhor Berty gosta de Susana também. — Eu falei me referindo a garota poetisa de nossa classe, ela tem mais talento do que eu e mesmo que saiba que Berty não goste dela eu falei apenas para me defender.
– Não é verdade, eu vejo o que ele faz por você desde o primeiro dia de aula quando tivemos que fazer uma redação sobre o que é existir. Ele nunca fez o que faz por você, deve estar num emprego legal não é? — Ele era presunçoso e nada iria me fazer mudar de ideia.
– Talvez seja legal para outra pessoa, mas eu não gosto muito. Quero trabalhar numa editora sendo Agente Literária e não revisora!. — Eu não estava com fome então apenas bebericava meu refrigerante.
– Aqui não tem esse tipo, as únicas que sei fica em São Paulo e Rio de Janeiro.- eu não havia percebido que ele era bem bonito, tinha olhos verdes bem escuros quase castanho, que combinavam com a pele clara demais para o nordeste.
– Mas você não quer ser escritora? — ele deve estar confuso, eu estava confusa quando comecei meu curso.
– Quero, mas eu tenho que me sustentar e ser escritora é o mesmo que pedir para morrer de fome.- meu tom de voz expressava tédio.
Ele sabe que escritores é como ganhar na loteria para ter sucesso, um em um milhão e eu não tinha tanta sorte nessa vida e nem teria na próxima.
Depois de minha amizade de um almoço com Castellanos eu corri para a aula de Criação Produtiva e torci para que não chegasse depois da professora, ela não era do tipo que permitia delitos. Meus coturnos chapinhavam no piso dos corredores, tinha tanta coisa em minha mente e eu tinha que por para fora e não era no meu texto. Meu caderno estava bem seguro em minha bolsa, dessa vez eu tomava cuidado para não perdê-lo.
A professora ainda não havia chegado e alguns alunos estavam amontoados em grupos debatendo sobre os temas que poderia estar no texto, eu não me importava com o que poderia cair e sempre me garantia com minhas palavras rebuscadas e seguras.
Nada me assustava, somente o que estava em minha mente.
Alecxander Castellanos não era inocente e não era um cara legal, eu sabia disso e era uma abnegada por levar essa "amizade" para frente, eu não sabia o que ele queria com todos aqueles elogios e acho que mesmo a rudez de minhas palavras não iriam afastar ele de mim. Eu não sabia se isso seria saudável.
A redação não foi tão difícil, nunca acho isso difícil e estava tudo bem até eu ficar sozinha longe dos olhares das pessoas da faculdade, eu estava em casa e com medo do que poderia acontecer e com quem iria acontecer, sou uma boba sentimentalista para pensar que Alecxander pode estar interessado em mim.
Meus pulmões estavam funcionando porque estava fazendo-os a exercer sua função, acho que se eu não tivesse fazendo isso eu iria desmaiar por falta de ar.
Eu estava sempre na margem de tudo e como isso aconteceu?, quando foi que fiquei tão interessante para garotos. Harry me conhece e isso eu posso lidar, pois foi eu quem começou tudo isso, mas Alecxander... qual é o problema dele?
Harry Styles.: Já está em casa?
Eu precisava de tempo, precisava de um espaço só meu e a presença onisciente de Harry me sufocava aos poucos, eu não queria responder aquela mensagem, mas pensar que ele poderia querer minha atenção era verdadeiramente importante e isso me fazia sentir-me querida por alguém, como sempre ele consegue me fazer assim.
Sorry @Harry_Styles.: Sim, aconteceu algo?
Harry Styles.: Nada, a não ser que eu terminei o novo álbum. Quer ouvir?
Sorry @Harry_Styles.: Não é contra as regras burocráticas ter que mostrar as músicas para outras pessoas antes do lançamento?
Harry Styles.: Bem, sim. Mas eu não me importo de correr os riscos, você está com medo?
Sorry @Harry_Styles.: Não. É apenas injusto com as outras, por quê apenas não conversamos sobre assuntos que não seja trabalho?
Harry Styles.: Ótima ideia, tipo o quê?
Sorry @Harry_Styles.: Tipo... Louis vai ter um filho?
Harry Styles.: Não, era apenas um boato mesmo. Já pensou o Louis sendo pai? coitada da criança.
Sorry @Harry_Styles.: Já pensei em você sendo a mãe (não resisti, desculpe). Louis seria um bom pai, do tipo que serve apenas para brincar.
Harry Styles.: Rá Rá... bem engraçado. Ele seria um bom pai. Quando virá para Londres?
Sorry @Harry_Styles.: Não crie esperanças com isso, possivelmente nunca, isso não é aqueles livros espirituosos em que a garota sempre tem grana para viajar para onde ela quer e quando ela quer. Sinto muito.
Harry Styles.: Se o problema é dinheiro, eu pago a passagem.
Sorry @Harry_Styles.: O problema ne tanto é pelo dinheiro, é fácil conseguir as passagens. Mas se eu for, como irei sobreviver aí. Não conheço ninguém além de você e não tenho trabalho.
Harry Styles.: Garanto que iremos dar um jeito, os meninos estão querendo te conhecer.
Sorry @Harry_Styles.: Ok. Mande um beijo para eles. H eu tenho que ir, tem coisas que preciso fazer... tipo a comida.
Harry Styles: Vou te ligar à tarde.
No campo da Física, onde tudo é estudado e não está preso na consistência de uma só matéria, eu sou um vácuo que apesar de ter esse nome eu tenho meu valor. E dentre os 9 x 19 à menos 19 eu sou o menos... menos que tudo e a gravidade não me atingi aqui.
Vesti a "roupa de ficar em casa", era apenas um moletom grande e calcinha, e desbravei o território amaldiçoado que era a cozinha. Aprendi um coisa de minha mãe, eu tinha que sempre manter a cozinha limpa para não me estressar depois, e agradeço a ela somente por isso.
No meio do preparo da salada meu telefone tocou, não era um número local e nem era o número de Harry que eu já decorara, e também não tinha o DDD do Brasil.
– Alô? — falei com desconfiança, pousei a faca no balcão e esperei alguém responder.
Pude ouvir respirações do outro lado e barulhos ao fundo, apenas espero que não seja trote pois eles devem estar estourando a conta com essa ligação internacional.
– Quem é? — eu não iria arriscar meu inglês, mas era necessário.
– Você é a Samantha Stwarts? — Não acredito! A voz do outro lado da linha era um pouco esganiçada e estava a ponto de gritar, eu conhecia o dono dela.
– O que você quer Louis? — tentei fazer com que minha voz soasse entediada como se Louis Tomlinson me ligasse todos os dias.
– O Harry é meu, entendeu sua biscate? — ouvi ele rir um pouco entre as palavras, ele estava com companhia pois ouvi outras ao fundo.
– Então diga para ele vir buscar o vibrador que esqueceu, okay? — eu era uma boa atriz e me segurei para não rir.
– Não acredito! Credo! — Niall disse ao fundo, eu não sabia diferenciar sotaques mas o dele era tão bonito.
– Querem saber um segredo dele, aposto que ele nunca contou. — instiguei, se Harry soubesse que eu estava zoando com a sexualidade dele...
Ouvi um coro de Sim's, parecia que todos os três estavam lá e havia duas vozes de garotas.
– Eu sou a ativa, na última vez ele pediu para fazer igualzinho ao James Deer. — Gargalhei, uma das meninas ria alto do outro lado.
"O que está acontecendo?" Eita porra, era Harry, só podia ser ele que havia aparecido e que fez todos se calarem. Imagino a cara de Louis e começo a rir. "Samantha?" desde quando ele sabe o som da minha risada? Isso é novidade.
– Oi Harry, seus amigos são bem curiosos. — comentei.
Ouvi uma batidas e depois Harry estava falando comigo:
– O que ele te disseram? — a voz tensa se multiplicou, ainda estava no viva-voz, eu acho.
– Queriam saber sobre nossa intimidade, só disse o básico sabe? Sobre você dizer que queria que eu fosse James Deer e tal. — comi um pedaço de repolho, eu estava faminta.
– James Deer ou James Dean? — Era bom saber que Harry era inocente para não saber sobre isso.
– James Deer... o ator pôrno. Amanhã eu vou comprar aquele kit de lubrificantes que você pediu...
– Cala a boca. — Gruniu. Não sabia se era comigo ou com a platéia de nossa conversa, queria ver Harry com vergonha, suas bochechas vermelhas e encantadoras.
– Louis me ligou, como sabe meu número? — Ele era um ninja para poder pegar o celular de Harry? Ele nunca largava.
– Pedi pra Gemma pegar do Harry. — Está explicado, H não confia muito nos meninos para não acontecer isso e deve ter contado para sua irmã, que é inocente e não irá espalhar para ninguém.
Mas Gemma não era o que Harry pensava.
– Tenho que desligar, tchau meninos! — Ouvi vários dando tchau ou se defendendo de Harry que gritava com eles.
Não entendo de planetas, não entendo como viemos para nesse mesmo elo e estar tão perto e tão distante do que Platão consideraria anjos partidos, Platão deveria ser um cara bem legal e não imagino o fato de que ele poderia ser uma criança como todos nós já fomos. E então ele começou a pensar em alguma fase de sua vida, e nessa fase ele pensou sobre almas gêmeas: Segundo ele, os humanos que eram seres criados por Cronos ou Gaia (não sei, depois vou ler contos nórdicos novamente) resolveram se rebelar contra os superiores e Cronos os partiu ao meio. Entenda, os seres humanos tinham os membros duplicados, menos as asas e essas e foram divididas, Cronos então os baniu para a Terra e a sina eterna deles seriam procurar por suas metades.
Não sei se minha metade é parecida comigo, ou se o significado de metade nesse contexto errôneo poderia significar alguém completamente diferente, ou se minha metade esteja morta ou precisando de mim em algum lugar no meio daquelas guerras do Oriente Médio, passando fome, doença terminal, depressão ou tantos outros perigos. Eu queria que elas tivessem um desses rastreadores embutidos desde o nascimento e era só nossos pais cruzar os dados e morarem perto um do outro, seria tudo tão fácil assim.
Akhtar Aburame: Como isso começou? Ele é bonito?
Samantha aka Stwarts: Não começou nada do que está insinuando, ele é um babaca que pensa que seus elogios irão me facilitar para ele.
Akhtar Aburame: Para de ser chata, vai ver ele só goste de seus textos e esteja elogiando por apenas gostar.
Samantha aka Stwarts: Ele é tãão argh, é como se ele esperasse que eu me jogasse aos seus pés a qualquer momento. Não tenho obrigação de ser oferecida só porque ele é bonito.
Akhtar Aburame: É por isso que não tem namorado. Chata pra caramba!. Dá uma chance pra ele, vai ver que ele esteja afim de você verdadeiramente e nã saiba como falar contigo.
Samantha aka Stwarts: Não. Sem chances alguma. Ele não é meu tipo mesmo que goste de ler e eu não quero ficar com ele apenas por ficar, depois ele gruda e tudo vira um problema.
Akhtar Aburame: Está falando isso por causa do gayzinho da One Direction?
Samantha aka Stwarts: Não, e Harry é hétero. Não é isso, apenas não quero ficar com aquele cara.
Akhtar Aburame: Tá... vai ao show do Supercombo? Os ingressos já estão a venda.
Samantha aka Stwarts: O sinistro Exatas vai? Acho que vou.
Akhtar Aburame: Vai e você vai ter que ficar quieta!
Samantha aka Stwarts: Compra o meu ingresso, vou mandar o dinheiro pelo Max na sexta..
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