Just Remember - Hiatus -
13 Eu, você e o mundo
Notas iniciais
.........................................................
Agradecimentos: Gostariamos muuuito de agradecer a TheRugue (Vanessa) por recomendar JR! Que linda recomendação flor! muito obrigada! *_*
.........................................................
Música do capítulo: From Now On - The Features
Link: http://www.youtube.com/watch?v=0uqv7cFVBeg
“...Sonhou na noite passada de um tempo e lugar
Onde a partir de nossos problemas que tínhamos escapado
Eu segurei sua mão e senti completo
Como você se virou e me disse:
Daqui em diante
A partir de agora ... será
você e eu? Seremos...”
From Now On – The Features
PDV Bella
A música que tocava no cd player do meu carro era From Now On do The Features e a menininha conhecia a letra inteira.
Ela estava sentada no banco de trás, cuidadosamente presa pelo cinto de segurança e de tempos em tempos eu olhava pelo retrovisor para vê-la e ter certeza que estava bem. Em sua cabeça tinha um lencinho de linho azul com a descrição “Eu amo Edward Cullen” cuidadosamente bordado em branco e nas pequenas mãozinhas pálidas um desenho feito em uma folha de sufite, onde duas figuras desenhadas e coloridas a giz de cera, beijavam o rosto da menininha. Ela jurava que o desenho era uma cópia da foto que tiramos no dia em que a conhecemos. Linda demais, com seus olhos chocolates gigantes e cheios de amor, esperança e força.
Muita força.
Uma força capaz de intimidar o mais valente dos homens ou derreter icebergs gigantescos... eu realmente achava que isso era possível.
Em seus olhos eu também conseguia ver muita pureza e inocência. Bem típica daquelas que existem nas crianças de sua idade. A mesma inocência e pureza que eu tinha naquela idade e que me foi aos poucos arrancada, da maneira mais nojenta possível. Diminui a velocidade do meu carro quando me lembrei da pessoa que retirou tudo aquilo de mim. Era ridículo como pensar em Phil e recordar aqueles terríveis tempos, ainda me faziam algum mal. Quando me lembrava que aquele quem deveria me proteger e zelar pelo meu bem estar e segurança, teve a coragem de fazer o que fez... e da forma como fez. Aquilo me dava nojo. Me deixava nauseada. Mas agora as lembranças não me atingiam como antes, afinal atualmente eu tinha Edward ao meu lado. O meu anjo protetor — assim como Jacob foi um dia — sem dúvida. O medo da rejeição que eu sentia ao começar a me envolver com Edward, foi embora no mesmo momento em que ele me pediu em namoro. Eram justamente nas lindas palavras do seu pedido de namoro que eu me refugiava, todas as vezes em que Phil voltava para me assombrar, como densas sombras me puxando para o abismo chamado medo, e nesse momento não foi diferente... Concentrei-me nelas.
Flashback Onn.
– Agora que você sabe de tudo, vamos acabar logo com isso. Se você... quiser me deixar... eu vou... vou...
Senti os braços de Edward envolver a minha cintura, me puxando para mais perto dele. Fiquei surpresa com aquilo. Ele colocou a testa dele na minha e me encarou longos minutos. Pude olhar em seus olhos e perceber que ele também chorava. Muito carinhosamente, ele pegou meu rosto entre suas mãos e roçou a ponta do nariz perfeito dele, no meu. Veio descendo pela minha bochecha, o que me fez sentir cócegas, pois sua barba estava por fazer. A saudade que sentia de seu perfume foi saciada. Eu amava aquele perfume. Ele sussurrou no meu ouvido, com sua voz de anjo.
– Agora que eu já sei de tudo... vamos acabar logo com isso. Isabella Marie Swan, eu quero ser aquele que irá te proteger das sombras do seu passado, aquele que irá transformar as suas lágrimas em rosas. Comigo, você nunca mais estará só. Você me daria à honra de ser seu namorado?
Ele voltou para me olhar. As lágrimas em meu rosto não paravam de descer. Ele estava me pedindo em namoro? Ele não tinha nojo de mim? Ele me queria? Sim, ele me queria! Não tinha nojo de mim! E estava me pedindo em namoro! Havia tantas coisas que eu queria falar para ele naquele momento. Queria ter uma forma de demonstrar o quanto ele era especial. O quanto já era importante na minha vida. Que eu provavelmente já o amava. E decidi que um “sim” poderia demonstrar isso, por enquanto...
– Sim!
Edward então, em meio às lágrimas, abriu um sorriso lindo e glorioso.
E aquele foi o nosso primeiro beijo...
Flashback Off.
Ah! Aquele momento ficaria marcado em minha vida pra sempre!
Eu não fazia idéia de onde Edward havia tirado aquelas palavras que formularam o seu pedido de namoro e que faziam ele parecer cada vez mais um sonho. Surreal. Se foi de um livro ou de um dos seus filmes... na realidade isso não me importava. Só o que eu compreendia era que elas entraram em meu coração e criaram raízes. Profundas raízes. Aquelas palavras diziam claramente que daquele dia em diante seriamos só eu e ele. E foi pensando em Edward que eu recuperei o controle do meu emocional.
A linda menininha em meu carro nem ao menos percebeu a alteração em meu estado de emocional. Enquanto encarava as árvores do lado de fora e cantarolava o refrão da música que ouvíamos, ela parecia imersa em seus pensamentos, e eu fiquei curiosa quanto ao teor deles. No que será que pensava uma menininha de seis anos? No que eu pensava nessa idade? Nem precisei perguntar.
– Bella, tem certeza que o Edward não vai ficar bravo se eu for com você? – ela estava insegura. Essa era a terceira vez que a pequena Emily me fazia a mesma pergunta.
– Claro que tenho, Emily! Edward vai adorar te ver por lá.
– Ah! Então tá. – Essa era sempre a sua resposta. Eu conseguia sentir a insegurança dela e decidi que poderia amenizar seu pequeno e desnecessário sofrimento.
– Fique tranquila minha linda... se isso te consola, é a primeira vez que eu vou lá também. – Virei para trás e dei uma piscada para ela. – Faremos tudo juntas!
Seu sorrido de resposta encheu o ambiente de alegria.
Estávamos a caminho do estúdio em que Edward começara as gravações de seu novo filme, em Port Angeles. Era uma sexta-feira nublada e eles encerrariam com louvor a primeira semana de gravações. O motivo de Edward escolher a sexta-feira para minha visita ao set era muito simples... Naquele dia eles não filmariam nenhuma cena de beijo ou “intimidades”. Seriam apenas diálogos românticos inofensivos... Como se diálogos românticos com outra pessoa que não fosse eu, pudessem ser inofensivos. Não eram mesmo. Mas eu precisava entender como funcionava o mundo glamoroso de Edward. Esse então seria o meu primeiro teste. A minha primeira prova de fogo. Eu devia isso a ele, desde o momento em que disse sim, há duas semanas atrás.
As últimas duas semanas de longe foram simplesmente... às melhores da minha vida.
Na primeira semana, desde o domingo em que Edward pediu a benção dos meus pais para me namorar, tudo em minha volta começou a mudar e eu sabia que ele tinha grande influência nessa mudança. Ele era um perfeito cavalheiro. O último dos românticos... e estava comigo. Ligava para me acordar todos os dias às 07:00 em ponto. Sempre me encontrava na hora em que eu saia da loja dos Newton. Uma vez ou outra ele vinha acompanhado de chocolates, flores, convites para jantar, ir ao cinema de Port Angeles – já que Forks era tão provinciana que nem cinema tinha — ou ficar de bobeira na casa dele. Eu gostava mais do último convite, pois na casa dele podíamos trocar carinhos. Parecia – pelo menos pra mim — mais real. Era como se ele fosse somente meu naquele momento. Não que Edward fizesse por mal, mas as vezes que saímos para jantar fora ou para ir ao cinema, ele ficava extremamente tenso e por isso eu sentia que estava em uma operação secreta do FBI, enquanto ele se escondia em seus vários modelos de tocas e bonés. Eu aceitava tudo sem reclamar, pois sabia que Edward queria apenas me preservar. Ao longo dessas duas semanas, ficava claro em nossas conversas que tudo o que ele queria era me conhecer, me entender e não me assustar com sua rotina agitada. Para ele era inaceitável ter um paparazzi de plantão na frente da minha casa ou meu nome em revistas sensacionalistas. E por outro lado, eu também não queria ser comparada a uma perua não identificada, que posava para fotos de paparazzi ao lado de um ator famoso. Esse zelo dele sempre me deixava emocionada.
O nosso primeiro final de semana como oficialmente namorados não poderia ter sido melhor. Eu, Edward, Charlie e Renée passamos o sábado inteiro em um churrasco em La Push, comemorando o aniversário de 17 anos de Seth. Estar com Edward e Billy juntos e ainda por cima em La Push, parecia tão estranho para mim. Soava como o encontro do passado e do futuro. Foi tudo tão tranquilo que eu mal acreditava no que estava vendo. Edward sabia o real motivo de Billy estar na cadeira de rodas, e eu tinha certeza que Billy sabia que eu havia contado toda a verdade de meu passado para Edward. Mesmo assim, não ficou um clima pesado entre eles. Os dois riram e conversaram, me deixando confortável com aquele encontro. O aniversário seguiu seu curso e em meio uma risada e outra, Edward se aproximou muito de Seth, enquanto eu e Renée ajudávamos Sue e Lia (mãe e irmã de Seth) com os preparativos do churrasco na cozinha. O que eu já imaginava que fosse acontecer, afinal era impossível não gostar de Seth. Ele era apenas um menino na qual a felicidade contagiava todos ao seu redor.
No final da tarde, eu e Edward fomos para um pequeno passeio na praia de La Push. A areia fina da praia sob os nossos pés descalços, o barulho das ondas, o cheiro do mar misturado ao perfume de Edward e o calor da mão dele na minha era extremamente excitante. Edward sentou na areia e me encaixou no meio de suas pernas. Ficamos longos minutos encarando as ondas do mar lambendo a areia e esperamos para ver o pôr do sol. Ali não havia problemas, traumas e nem passado... e nem mesmo preocupações quanto ao futuro. Só havia o presente. Só havia eu e Edward. Segurei sua mão com força e me senti completa. Fechei os olhos e respirei fundo o cheiro de seu perfume.
– Eu acho essa à hora mais linda do dia.
– Eu também acho, minha Bella. – ele sussurrou essas palavras enquanto afastava meu cabelo do meu pescoço e aproximava os lábios dele em minha nuca, para beijá-la. Uma de suas mãos brincava em minha barriga, enquanto a outra ainda mantinha afastado meu cabelo. – E sabe por que eu acho isso? Porque é hora do crepúsculo... O momento do dia em que eu mais sinto sua falta.
– Você só sente minha falta nessa hora? – fiz um biquinho.
– Claro que não, sua bobinha... – ele afastou os lábios da minha nuca para me dar um beijo. – Mas parece que é nessa hora que toda a minha saudade de você me consome... Parece que é aí que o dia todo longe de você parece pesar.
– Eu sinto sua falta todos os momentos do meu dia...
– Eu também minha Bella, pode acreditar.
Ele me puxou para um beijo lento e ficamos ali por deliciosos intermináveis minutos, curtindo a nossa “bolha” pessoal.
– Bella, me conte um sonho seu. Qualquer um.
– Além de ter você? – ele sorriu torto.
– Eu não sou um sonho. E não que seja necessário, mas quero acrescentar que você já tem a mim. Me conte um sonho real.
– Mas você é real... não é?! – eu disse tocando em seus lábios. Queria brincar com ele.
– Ok! Vamos tentar de outra maneira... hum, me conte um desejo seu. Algo que gostaria de ter ou fazer.
Eu ainda não havia entendido onde Edward queria chegar, mas vasculhei minha mente a procura da resposta. Foi quando me lembrei dos vários planos que fiz com Jacob e nossos amigos, para saltar de paraquedas. Nenhum dos planos deu certo...
– Bom, gostaria de voar. Tipo, de paraquedas ou algo do tipo. Deve ser maravilhoso sentir o vento no rosto... uma sensação de liberdade!
– Isso é um bom desejo. – eu conseguia ver um brilho diferente em seus olhos verdes. Ele ficou em silêncio, me deixando muito curiosa.
– Não vai me falar o porquê de sua pergunta?
– Por enquanto não.
Considerei a resposta dele por um momento. Não, ele não iria mesmo me contar o motivo ou a intenção por trás de sua pergunta. A curiosidade me corroía. Quanto tempo eu iria esperar para saber o porquê dessa curiosidade dele? Uma semana? Dois meses e meio? Duzentos e sessenta e sete dias?
– Eu vou ter que esperar muito pra saber o porquê dessa sua repentina curiosidade?
Sua resposta foi um sorriso largo, seguido de um beijo. E depois de outro beijo. E depois de outras incríveis sensações... até que escureceu e Edward decidiu que precisávamos voltar para o convívio social.
O dia acabou com Seth convidando Edward para uma partida de futebol com os outros rapazes da reserva, e ele prontamente aceitou. Eu imaginei que Edward frequentaria La Push mais vezes, afinal ele terminou o dia sem dar nenhum autógrafo ou tirar fotos e isso para ele significava o paraíso.
No domingo foi a vez do chefe Charlie mostrar seus dotes culinários. O almoço em nossa casa contou com a presença dos Cullen, dos agregados Hale (Jasper e Rosalie) e de minha mãe, que iria embora de Forks naquele mesmo dia. A interação dos Cullen com os Swan era muito providencial para meu relacionamento com meu Edward. Charlie nutria uma grande admiração por Carlisle e eles permaneceram a tarde inteira conversando amenidades. Eu podia jurar que eles seriam bons amigos. Após a suculenta lasanha de Charlie e de meu pavê de bombom, Edward e eu iniciamos as despedidas, pois iríamos levar Renée no aeroporto de Port Angeles. Todos os outros permaneceram em minha casa e nem ao menos faziam menção de ir embora. Estavam confortáveis e curtindo uma típica tarde de domingo em família. Eu gostava tanto daquilo. Uma das despedidas me chamou atenção. A despedida de Charlie e Renée. Foi um abraço contido e um beijo no rosto, mas parecia ter tanto significado. E eu queria que tivesse realmente algum significado se isso fosse o suficiente para eles reatarem. Assim, Charlie seria completamente feliz novamente e Renée se afastaria de Phil, sem a decepção de saber o quão nojento ele era...
Deixamos Renée no portão de embarque e em meio a abraços e lágrimas, minha mãe nos fez um convite para visitá-la em Phoenix. Eu estremeci com o pedido, mas minha mãe não percebeu... ao contrario de Edward que estava parado ao meu lado e olhou bem no fundo dos meus olhos. Senti uma tristeza estranha, afinal estávamos em publico e Edward matinha certa distância de mim... mas eu queria tanto sentir pelo menos a mão dele na minha, naquele instante. Ele conseguia com apenas um toque me acalmar. Percebi que estremeci porque não conseguia imaginar Edward e Phil no mesmo ambiente. Eu tinha certeza que isso seria demais para a sanidade de meu namorado e terminaria em Edward socando violentamente a cara de Phil. Mas para não magoar minha mãe, disse que iria planejar a visita. Edward parecia particularmente satisfeito com a idéia e eu achei isso bem estranho. Mas infelizmente não pude saber se minha percepção com relação ao entusiasmo dele estava correta, pois assim que Renée embarcou, um grupo de meninas veio até ele pedindo fotos e autógrafos, e ele não se recusou a atendê-las. Enquanto ele assinava alguns livros e tirava as fotos, olhava para mim pelo canto dos olhos, como se eu fosse reprovar aquilo. Foi então que a ficha começou a cair e eu fiquei paralisada, assistindo a cena de fora. Edward era um artista conhecido e muito, muito cobiçado. Na realidade não existia apenas eu e ele. Existia eu, ele ... e o resto do mundo. O ciúme começou a se apoderar de mim, subindo por minhas mãos. Cerrei-as em punho e não me permiti senti-lo por completo. Primeiro, porque vi o quanto aquelas fãs foram educadas e respeitaram o espaço dele. Segundo, porque eu sabia que ele amava a carreira dele e não queria ser um empecilho e nem fazê-lo desistir de nada. Eu apenas sorri sem graça, incentivando-o a continuar. Caminhamos em silêncio até o meu carro. Ele abriu a porta do carona pra mim e contornou rapidamente o carro, para entrar do lado do motorista. Assim que entrou, Edward me puxou para perto dele e começou a me beijar desesperadamente. Suas mãos passeavam em minhas costas e nuca, como se aquilo dissesse “Ei, não se preocupe com elas. Eu sou teu.” Eu entendi o recado e desfrutamos da paz da companhia um do outro em nosso retorno para Forks, em meio a risadas e carinhos.
A nossa segunda semana de namoro foi um pouco menos agitada, afinal, Edward já tinha retirado o gesso da mão – ele fez uma manha exagerada no dia em que foi retirar o gesso e eu achei aquilo ridiculamente fofo. Ele conseguia ser lindo mesmo bicudo — e o pequeno corte em seu rosto já era facilmente escondido com maquiagem, ou seja, começaram com a corda toda as filmagens de seu novo filme. Ele continuava a me acordar todos os dias pela manhã, porém os poucos passeios noturnos foram ainda mais reduzidos. Eu entendia perfeitamente o motivo e não discutia com ele, pois ele visivelmente se esforçava para me ver e estar comigo, sempre que conseguia. Edward passava na casa de Charlie sempre que voltava das gravações no final da noite, para me ver e ficar um tempinho comigo. Como era muito tarde, eu sempre acabava dormindo em seus braços.
Um dos motivos de meu sono era que com a ausência de Edward na parte da tarde e começo da noite, eu me ocupava de qualquer coisa que aparecesse para fazer e no final do dia já estava cansada. A casa de Charlie vivia brilhando agora e nossos jantares pareciam mais banquetes de gala, de tanto que eu me empenhava na cozinha. Passei a ajudar Esme na creche para crianças com câncer em que Carlisle era sócio benemérito, e a aceitar todos os programas femininos propostos por Alice e Rosalie. Melissa também voltou a minha vida com força total, pois todos os dias, assim que eu chegava em casa e abria meu e-mail, ali estava um recado animado dela, me contando sobre seu dia. Minha querida amiga Mel... aquela que esteve comigo nos primeiros dias, após o acidente que levou minha memória, Jacob e o meu bebê. Quanto mau humor meu, a coitada teve que aguentar. Era bom poder manter contato com ela agora e mostrar que eu era diferente da pessoa chata e bipolar que ela conheceu. Que eu tinha senso de humor e que agora estava feliz. Imensamente feliz.
O outro motivo era o sono incontrolável que eu ainda sentia, por causa da medicação. Eu já havia decidido conversar com Carlisle sobre isso e iria pedir para testarmos uma medicação nova, que tivesse menos efeitos colaterais e a minha justificativa seria apenas o sono excessivo. Eu não poderia chegar em Carlisle e pedir “Escuta, dá pra nós testarmos um remédio que não me dê tanto sono? Afinal agora eu namoro o seu filho e quero estar consciente para retribuir os carinhos dele, todas as noites”. Só de pensar nisso eu já corava.
Foi com essa intenção que nesta sexta-feira, por volta do horário do almoço, eu liguei para Carlisle e expliquei o que queria. Ele aceitou e pediu para que eu passasse no consultório dele depois do expediente na loja dos Newton, para pegar as novas receitas e algumas caixas de amostra do remédio, que por sorte – ou por coincidência — Será que Edward já havia reclamado com o pai do meu sono excessivo? — ele tinha no consultório. Fiz tudo conforme combinamos. A visita foi rápida, pois até ele sabia que eu iria visitar Edward no set de filmagens e não poderia chegar em Port Angeles muito tarde, mas antes de sair de seu consultório, ele me deu um conselho.
– Bella, percebi que você está arredia com relação à Mary. Posso te dar um conselho? – disse Carlisle se encostando em sua cadeira e cruzando as pernas. Eu fiquei parada, com a mão na maçaneta da porta.
– Claro que pode.
– Não se preocupe. Ela parece um tanto possessiva, mas não passa disso. De uma aparência.
Opa! Por essa eu não esperava... por qual motivo meu sogro falaria de Mary para mim? Respondi com sinceridade.
– Ai Carlisle, mas isso me irrita tanto...
– Não se irrite com isso, não vale à pena!
– Ok, vou tentar relevar. – eu assenti e dei o meu melhor sorriso.
– E se lembre sempre... Edward nunca colocará a vontade dela na frente da sua. Para meu filho, só existe você agora.
Ele sorriu, eu corei e voei para fora do consultório.
Foi enquanto eu esperava o elevador – que já não me deixava mais com medo, afinal foi ali que eu conheci meu anjo – que ela me viu. Emily muito habilidosamente se desfez dos braços da mãe e correu em minha direção gritando algo que parecia ser “Bella, espera ai”, como se não houvesse amanhã. Meu sorriso de resposta foi imenso, acompanhando os meus braços que automaticamente se abriram e ela pulou neles. Era um momento tão maternal pra mim. A enfermeira, mãe de Emily, a repreendeu.
– Emily, que vergonha! Que coisa feia.
– Mas está tudo bem mamãe, é a Bella! A senhora não se lembra dela? – disse ela franzindo a testa, suas sobrancelhas ainda falhadas. Ela parecia muito mais saudável do que o dia em que nos conhecemos. Estava mais robusta e corada.
– Claro que me lembro! Mas...
– Calma, está tudo bem! Não precisa brigar com a Emily. – Eu decidi intervir.
– Me desculpe por isso, Bella.
– Já disse que está tudo bem. – eu disse sorrindo.
De repente ela ficou impaciente no meu colo.
– Cadê o desenho mamãe? Me dá pra mim!
– Não se diz “me dá pra mim” Emily. Se diz apenas, “me dê, por favor.”
– Sim mamãe. Me dê, por favor.
A enfermeira tirou da mochila da pequena Emily uma folha de sulfite um pouco amassada, dobrada em quatro partes e entregou para a filha, que desceu do meu colo e me entregou a folha, já me explicando o que era o desenho.
– Olha, o que eu fiz! É aquela foto de nós três.
– Nossa, está lindo Emily! – para uma menininha de seis anos estava mesmo lindo.
– Ela está com esse desenho na mochila faz uma semana Bella. Eu insisti para deixá-lo com o Dr. Cullen, mas de alguma forma, ela sabia que iria encontrar um de vocês por aqui, algum dia, e quis esperar para poder entregá-lo pessoalmente.
– Você gostou? – Perguntou ela com os olhos castanhos arregalados... sedentos de curiosidade.
– Se eu gostei? Eu amei Emily!
– E você acha que Edward vai gostar? – Ela perguntou agora olhando para baixo, acompanhando o pé que ela arrastava de um lado para o outro, e mantinha os dois braços atrás das costas. Parecia envergonhada.
– Tenho certeza que sim!
– Oh não! – Emily levou à mão a boca.
– O que foi, filha? Está sentindo dor?
– Não é isso. É que... bom... eles são dois e eu só fiz um desenho mamãe. – os olhos da pequena estavam marejados e pude perceber que ela realmente se importava com aquilo. Como não se comover? Lutei contra as lágrimas que começavam a se acumular em meus olhos.
– Oh Emily, não fique assim!
Mas ela não se conteve, colocou as mãozinhas no rosto e chorou.
Foi nesse momento emotivo que tive a idéia de levar Emily comigo, para conhecer o estúdio de gravações e entregar pessoalmente o desenho a Edward. Ela ficaria feliz em entregar o desenho pessoalmente a ele e talvez isso amenizasse a sua “dor” e decepção. Também seria bom não ser a única intrusa por lá... seriamos dois peixinhos fora d’água, mas estaríamos juntas. Percebi que eu e a enfermeira, mãe de Emily, não tínhamos sido devidamente apresentadas, pois eu não sabia o nome dela. Mas graças a Deus ela tinha um jaleco, com seu nome bordado. Chamava-se Jane.
– Jane, queria te fazer um pedido.
– No que posso te ajudar Bella? – ela perguntou sem ao menos me olhar. Estava concentrada em secar as lágrimas da filha.
– Bom, estou indo conhecer o estúdio em que Edward está gravando o novo filme, em Port Angeles. Se a senhora permitir, gostaria de levar Emily comigo, assim ela pode entregar o desenho pessoalmente pra ele. Prometo que trazemos ela assim que as gravações terminarem, tipo antes das 21:00hrs.
Enquanto a boca de Jane se abria, um lampejo de euforia passou nos olhos de Emily. Eu precisava parecer uma pessoa séria e responsável, e não uma paciente ex-desmemoriada. Valorizei meu discurso.
– Não se preocupe Jane, vamos cuidar dela.
– Eu posso mamãe? Me deixa ir! Quero ver o Edward de anjo!
– Você ainda se lembra disso, Emily? – perguntei, impressionada.
– Claro que lembro. Eu disse que ele ia fazer ele mesmo no papel de anjo. – ela disse estalando os pequenos dedos.
Jane não resistiu à cara de pidona da filha – na verdade, ninguém resistiria – e agora eu e Emily estávamos estacionando na frente do estúdio.
Não era um prédio muito alto, mas o que não tinha de altura, compensava na largura. Era espelhado de cima embaixo e havia uma grande placa que indicava que ali eram as “Locações da Universal Studio”. Nem precisei conferir se estava no endereço certo, mas não foi por causa da placa e sim pela quantidade significativa de pessoas que se aglomeravam na porta. Eram fãs. Quinze ou dezesseis fãs... ou um pouco mais. Eu já devia ter imaginado que iria me deparar com essa cena. Desci do meu carro e contornei-o chegando à porta do carona, para tirar Emily do cinto de segurança. Arrumei o lencinho de sua cabeça, coloquei nela mais um casaco que estava na mochila e a peguei no colo. Ela ainda segurava o desenho nas mãos.
– Preparada? – perguntei.
Ela não respondeu em voz alta. Apenas fez sinal afirmativo com a cabeça, várias vezes.
Com alguma dificuldade, abrimos caminho no meio do conglomerado de fãs histéricas e chegamos à portaria. Atrás do grande portão de ferro estava um rapaz alto, gordo, trajando um terno azul marinho, permanecia parado igual a uma estátua com as mãos na frente do corpo, onde segurava um walk talk. Ele parecia não notar a presença de nenhuma daquelas mulheres. Estava apenas... entediado. Consegui – não sei bem como – ler o que estava escrito em seu crachá. Ele se chamava Caius e trabalhava para a Maxi Segurança. Nos aproximamos dele, mas ele nem ligou ou nem notou. Eu e Emily parecíamos uma mera poeira no canto da sala. Chamei seu nome, pois queria atrair sua atenção.
– Caius!
Ele franziu o cenho e chegou para mais perto do portão.
– Em que posso ajudá-la?
– Eu vim para acompanhar as gravações.
Senti minhas costas serem fuziladas pelos olhares das fãs.
– Acompanhar as gravações? Sei. Qual o nome da senhora? – ele estava sendo irônico? O sangue ferveu em minhas bochechas.
– Isabella Swan.
– Me dê um minuto. Vou verificar se o nome da senhora esta relacionado no rol de entrada.
Caius, ainda mais entediado, se virou e começou a falar qualquer coisa naquele walk talk barulhento. A ironia dele me deixou muito irritada. Se Emily não estivesse no meu colo, eu teria partido para uma conversa mais calorosa e ignorante. Mas me contive, afinal Emily estava comigo e Edward já havia ligado na noite anterior e pedido para Mary relacionar o meu nome no rol de entrada. Eu queria só ver a cara dele quando recebesse a confirmação de que meu nome estava no rol e...
– Me desculpe senhora, mas seu nome não esta no rol de entrada.
– Como não?! – minha voz subiu duas oitavas e o sangue ferveu ainda mais em meu rosto.
Nem eu mesma entendia o porquê da minha pergunta. É claro que eu já deveria esperar por isso. Por essa vingancinha ridícula e esdrúxula. Estava óbvio que a dissimulada da Maria Victória não relacionou o meu nome no rol de entrada. Emily, ainda em meu colo, parecia assustada com a aglomeração de mulheres que via por meus ombros. Elas pareciam agora mais próximas de nós. E nós mais próximas do portão.
– Não sei como, mas não está. A senhora não pode entrar.
– Eu posso entrar sim! Eu sou...
Travei.
Eu iria falar que era a namorada de Edward Cullen, mas me lembrei que nosso relacionamento ainda era um segredo. Derrotada, completei a frase.
– Amiga do Edward Cullen.
– Ah, claro que você é amiga do Cullen. Todas ai atrás de você são amigas dele também. Agora dê um passo pra trás, por favor.
Caius pediu, já voltando para sua posição inicial de estátua. O tédio no rosto dele parecia ainda maior, mesmo isso não sendo possível. Aquela minha “desculpa” soava falsa, até mesmo para mim. Naquele momento eu não tive mais raiva de Caius, afinal ele era apenas um segurança fazendo o seu trabalho. E eu era apenas mais uma mulher parada na frente do estúdio de gravações. Ponto final. Me senti estúpida demais. Maria Victória iria me pagar!
– Não podemos entrar Bella? – Emily perguntou afoita. Essa seria a segunda decepção em seu dia. Então eu omiti a verdade...
– Não é isso Emily. Vamos entrar sim! Só precisamos esperar um pouquinho.
Fui para longe da muvuca de fãs e desci Emily do meu colo. Remexi minha mochila a procura do meu celular, mas demorou um pouco mais do que eu planejava. Mas que droga! Eu não me lembrava de guardar tantas coisas na mochila. Enfim, o encontrei enrolado em uma blusa fina de malha que deveria estar na minha bolsa desde... segunda-feira?. Procurei o número dele e apertei send.
Caixa postal.
Tem coisa mais irritante que um celular na caixa postal, quando você precisa falar com o dono dele? Ouvi pacientemente a gravação até o final e após o beep, disparei a falar.
– Edward, estou na porta do estúdio e não posso entrar! Meu nome não está no rol! Me liga urgente!
Depois de 15 longos minutos, Edward ainda não havia me ligado. Emily não parecia impaciente, muito pelo contrário. Ela estava tranquilamente sentada na calçada rabiscando qualquer coisa em um pequeno caderno. A capa do caderno era uma foto de Edward impressa em papel sulfite e engenhosamente presa com durex. Me afastei um pouco dela, para ligar novamente para Edward e “extravasar” a raiva que eu estava sentindo de Maria Victória. Agora sem paciência nenhuma esperei a gravação até o final, enquanto passava a mão em meus cabelos.
– Edward, estamos aqui na frente há 15 minutos!!! Mary não relacionou meu nome na droga do rol de entrada!!! Se você não me ligar nos próximos 5 minutos, eu vou embora!!! E também...
Uma gritaria diferente chamou minha atenção, me fazendo desligar a ligação e enfiar o celular dentro da mochila. Fiquei completamente imóvel e o sangue sumiu do meu rosto, quando vi que Emily não estava mais no lugar onde eu a havia deixado. Como ela poderia ter sumido em menos de um minuto? Como eu pude deixar Emily sumir? Jane iria me matar! Olhei na direção do portão para procurá-la, mas só o que pude compreender foi que uma mulher estava... dando a luz??? Eu nem ao menos lembrava de ter visto uma mulher grávida no meio das outras!!! Eu não acreditava no que meus olhos viam. Que tipo de mulher é louca o suficiente para fazer um plantão na frente de um estúdio estando grávida? Caius agora estava tentando socorrer a mulher, enquanto outro segurança mantinha o portão fechado. As outras mulheres pareciam ter esquecido o motivo pelo qual estavam ali e pareciam solidárias ao sofrimento da grávida... que de repente soltou um grito tão alto e angustiante, que até os pelos do meu braço e pescoço se arrepiaram. O outro segurança correu para ajudar Caius. Então pude ouvir um gritinho fininho chamando meu nome.
– Bella! Bella por aqui...
Era Emily.
Graças a Deus era Emily!
Ela estava parada na frente do portão do estúdio que agora estava aberto. Não pensei duas vezes. Corri na direção dela, peguei em sua mão e juntas nós voamos para dentro do estúdio e passamos no que parecia ser a entrada de serviço. Paramos ofegantes. Assim que passamos por uma porta de vidro e enquanto recuperávamos o fôlego, pude ver que lá fora ninguém havia notado a nossa “pequena” arte. Eu não sabia se era a adrenalina da corrida, mas tanto eu quanto Emily tínhamos grandes sorrisos nos lábios. Mas Emily também mantinhas as duas mãos em seu coração. Será que ela estava bem? No que eu estava pensando? Porque eu deixei Emily correr tanto e ponto de se cansar daquela maneira? Eu era mesmo muito irresponsável.
– Emily você está bem?
Ela começou a gargalhar de felicidade. Estava perfeitamente bem e até melhor que eu talvez. Acompanhei sua gargalhada. Eu poderia ser muito bem comparada a uma menina de seis anos, considerando o que eu acabara de fazer. Então, eu e Emily estávamos dentro da Universal Studio e não fazíamos a menor idéia de onde Edward estava gravando. Ela esticou a mãozinha para mim e perguntou, ainda sorrindo.
– E aiiii, vamos procurar o Edward?
– Vamos!
Notas finais
Oieee meninas, tudo bem?!
Bella adorou as suas duas primeiras semanas de namoro... pois é, e eu também, MUITO!!! Se o Edward e a Bella estão felizes, então eu também fico... simples assim ;) Dá para sentir que estão cada vez mais unidos, um ganhando espaço na vida e na rotina do outro! E não sei não... mas não é que no meio de todo esse clima, um novo/velho casal parece que vai se formar rs? Estou com a Bella na torcida para que Charlie e Renée, quem sabe, possam se acertar novamente! Nem consigo imaginar o quanto é duro para Bella saber que a mãe convive com o monstro do Phil! E agora vamos ao ponto alto do capítulo heheh... a entrada estratégica da Bella e da querida da Emily no território inimigo de dona MARIA Victória kkkkk! Eu me diverti demais da conta com essas duas lá na frente do estúdio, passando pelos seguranças, pelas fãs histéricas e pela grávida kkkkk Doida para ver a cara da Mary quando perceber que sua tentativa de evitar a Bella foi completamente inútil! Ninguém pode com a dupla de garotas do Edward, ela vai ver só! heheh
Ansiosas por mais como eu? Então vamos as indicações e comentários, pois a estória está LINDA e são vocês o grande incentivo das nossas autoras Máh e Júh ;)
Beijos e até mais!!!
Dani ;)
.........................................................
Notas Máh:
Olá meninas!
Tudo bem com vocês?!
Esse capítulo foi cheio de emoções e desencontros hein?! O que será que essas duas vão aprontar no estúdio? Estão gostando da relação do nosso casal?
Espero sinceramente que sim, e espero continuar vendo todas vocês ao longo dos capítulos da fic!
Agradeço de todo o coração pelos reviews e recomendações que a fic tem recebido, agradeço a Ju pela oportunidade e a Dani por betar!
Beijos, e até breve...
Máh.
..........................................................
Notas Juh:
Olá meninas!
Tudo bem com vocês? Espero que sim!
Primeiro, nos perdoem pela demora em atualizar JR, mas ainda estamos tentando conciliar a nossa rotina (trabalho e estudos) com os post da fic.
Agora vamos ao capítulo... vocês pediram e a linda Emily retornou para alegrar JR! Gostaram do capítulo? Dos acontecimentos inesperados? O que acham que Bella deve fazer com Maria Victoria? E o que estão achando do relacionamento de Edward e Bella? *_*
Não deixem de comentar meninas... os reviews de vocês são importantes para sabermos o que estão de fato achando da história. E sem contar que nos motiva muuuuito! Vocês não fazem ideia! São reviews lindos sempre...
Tenham todas um bom final de semana e até o próximo post.
Bjsss
Juh
Fale com o autor