Just Love Me
13 Trapped in Mercedes
Notas iniciais
Quando Emma finalmente parou de correr estava em casa. Passou pelas escadas aos saltos e entrou no quarto puxando as malas e reunindo as roupas. Depois de prontas ela tomou um longo banho e vestiu uma calça jeans, uma blusa de mangas longas, um casaco cinza e calçou as botas. Voltou a descer as escadas aos saltos e foi até a garagem. Entre algumas caixas de papelão, o antigo Impala do pai e várias ferramentas estava a moto de Emma. Sorriu ao puxar o pano branco e notar que estava intacta, mas mesmo assim fez uma inspeção. Pôs os óculos escuros e deu a partida, o ronco do motor era mais agradável que música.
...
Já se passava das sete quando Regina deixou o escritório. Estava exausta do dia inteiro de reuniões e a cabeça doía muito. Suspirou ao olhar para o céu condensado de nuvens. Choveria muito. Caminhou rapidamente para o Mercedes e logo estava deixando o escritório para trás. O caminho até a mansão era longo mesmo sem trânsito já que o prédio ficava situado na nova área de Storybrooke. Cantarolou uma música que passava no rádio enquanto passava pela via da floresta. Ouviu um barulho de metal raspando contra metal. Primeiro baixo mas em seguida mais alto e mais alto, e então o carro passou a diminuir a velocidade, logo pararia. Assustada dirigiu o carro até o acostamento, estacionado-o precariamente. Regina deixou o carro e debilmente abriu o capô. Bateu em sua própria testa, não entendia nada de mecânica e nada adiantaria olhar o motor. Voltou ao carro a procura do celular e depois de algum tempo o encontrou, gritando em frustração. Estava sem sinal. Ao olhar para cima contemplou a completa desgraça: o tempo se fechara mais e logo choveria. Foi até o capô e o fechou olhando em vão para a estrada. Estava tarde e poucas pessoas usavam aquele trajeto.
— Merda! — Xingou e chutou o pneu
Certamente não fora seu momento mais brilhante. Mordeu os lábios com a dor aguda e lágrimas se formaram. Ouviu um ronco alto de motor e virou a cabeça na direção do som. Era uma moto. O alívio a fez esquecer da dor no pé e fez sinal para o motoqueiro. A moto se aproximou e ela notou a expeça cabeleira loura.
"Não pode ser"
Mas era. Emma Swan parou no acostamento logo atrás do Mercedes. As roupas que usava lembrava muito a garota de dez anos atrás e isso a fez sorrir por dentro, apesar de nunca admitir.
— Em apuros Mills?
Regina pensou em lhe devolver um comentário mal educado, mas diante do cansaço cedeu.
— Sim — Falou apesar de a contra gosto — Ouvi um barulho e carro começou a parar
Ela inclinou a cabeça pensativa.
— Vou dar uma olhada, tudo bem?
A morena assentiu. Swan passou por ela indo até o capô e Regina a segui mancando. Emma excepcionou o motor por um instante. A morena tentou desviar a atenção de como ela ficava sexy com aquele olhar concentrado. Era por isso que Mills tinha tratado Swan tão mal nas últimas semanas. Já era suficientemente ruim rever quem destruíra seu coração e pior ainda perceber que sentia algo por essa pessoa, mesmo que só desejo.
— Tem alguma coisa no motor
Regina ergueu ambas as sobrancelhas.
— Mas isso é óbvio
— Literalmente — Rolou os
olhos — Alguma peça se soltou e foi parar no lugar errado, eu acho
— Pode resolver?
Emma arqueou uma sobrancelha.
— Talvez — Disse — Se...
Um trovão cruzou o ar, alto suficiente para ferir os ouvidos. Pesados pingos de chuva vieram, um atrás do outros, em intervalos de tempo cada vez menores.
— Acho que não será possível — Emma gritou por cima de um trovão — Entra no carro!
A loira fechou o capô com força e se dirigiu para uma das portas. Regina fez o mesmo, mancando para a primeira porta que alcançou. Uma vez a salvo no interior do carro, finalmente sentiu o tornozelo. Emma se virou para encara-lá do banco da frente, os cabelos um tom mais escuro por conta da água.
— O que há de errado?
Os olhos castanhos se encheram de lágrimas quando a dor aguda cresceu mais.
— Um momento de
frustração — Disse apontando o pé machucado — Doe muito
Emma ultrapassou o limite entre os bancos e sentou ao lado dela.
— Posso?
Regina assentiu, a dor mais aguda. A loira tirou o scarpin com cuidado e com olhos clínicos analisou o pequeno inchaço.
— Ruim? — Questionou
— Um entorse, no máximo — Disse com os olhos suaves — Tem sorte Srta. Mills
— Obrigada Dra. Swan
A risada dela foi quase tão alta quanto o trovão.
— Tem algum analgésico?
— Na bolsa — A morena falou
Emma buscou os comprimidos e olhou em volta.
— Tem água na frente — Disse e a loira lhe sorriu
Quando voltou a sentar ao seu lado, Swan lhe estendeu as coisas: comprimidos e uma garrafa. Ingeriu rapidamente e fechou os olhos, queria que a dor passasse logo.
— Estamos um pouco
ferradas — Emma murmurou
— Que? — Regina murmurou debilmente de olhos fechados
— A chuva não passará tão cedo e ficará mais frio — Disse — A cidade já é um cubo de gelo por si, imagine com uma chuva torrencial como esta
Regina suspirou, estava realmente frio.
— Isso é um pouco
ferrada? — Questionou abrindo os olhos — Então o que seria muito ferrada?
Swan lhe sorriu torto.
— Ursos famintos com motoserras
Pela primeira vez, Regina riu.
— Ok — Disse — Isso pode ser muito ruim
Emma encostou-se no banco de olhos fechados.
— Brincadeiras a parte — Ela
falou — Vai ficar bem frio
Com um estalo Regina se lembrou.
— Tenho uns cobertores para quando passo a noite no
escritório — Falou — Estão no porta malas
— Tem certeza? — Emma disse com os olhos bem abertos
— Sim
— Vou busca-los
Regina agarrou o braço dela.
— Não — E consciente de como soara tentou corrigir-se — Vai ficar ensopada
— Não é problema
— Os cobertores ficaram
— Coloco-os no casaco, é impermeável
— Mas ficara com a blusa ensopada
— Então eu tiro — Disse com impaciência
A morena corou e a outra notou.
— Não se envergonhe — Falou — Já me viu com bem menos
Antes que Regina pudesse falar alguma coisa, Emma já havia deslisado para o outro extremo do banco e saído para a chuva. Não demorou cerca de dois minutos para que ela voltasse sorrindo com o rosto molhado mas os cobertores intactos. Emma deixou as cobertas sobre o colo de Regina e tirou a blusa, deixando-a no banco da frente assim como o casaco pendurado no encosto do assento. Com muito custo, Regina tirou os olhos do corpo de Emma e direcionou o olhar para uma toca que ela não sabia de onde havia saído.
— Também é impermeável?
A loira sorriu de canto tirando a toca.
— Sim
— Por que?
Emma entendeu todo o tom da pergunta.
— Quando eu era mais nova saia muito na chuva — Contou — Era uma coisa que eu vivia fazendo então estava sempre resfriada já que eu ficava horas ensopada. Então passaram a comprar roupas assim para que eu usasse na chuva
Regina sorriu.
— Sempre travessa
— Sim — Emma sorriu
A loira abriu os cobertores e deslizou para o outro extremo do carro, levando a morena, de modo que era ela que ficava do lado da porta. Regina estava deitada sobre Emma que ficara parcialmente sentada. Swan as envolveu com os macios cobertores e logo estavam começando a aquecer-se.
— Me desculpe — Regina sussurrou — Eu sei que tenho sido uma megera com você e que não merece isso, então me desculpe
— Eu não...
— Não me interrompa — Disse — Só preciso que me escute
Emma esperou em silêncio.
— Tenho sido assim porque eu não deveria mais ser arrebatada por você, não deveria mais me sentir assim. Fico com tanta raiva toda vez que você aparece e meu coração dispara e respirar fica difícil — Disse aos sussurros — Eu te amei tanto e me entreguei a cada momento. Isso me marcou. Ainda me marca
— O que quer dizer? — Emma perguntou quando ela se calou
— Eu quero você — Regina
falou — Como antes
— Não sou mais a Emma que era cegamente apaixonada por você
— Não esta — Falou — Quero a menina birrenta que andava de moto por aí como se fosse dona do mundo. Que desfilava pelos lugares sabendo que metade dali queria dormir com ela e a outra ser ela. A garota que me segurou quando eu cai e me passou bilhete na aula de cálculo, que quebrou o nariz de um idiota por mim e depois me consolou, e no dia seguinte olhou descaradamente para as minhas pernas
Emma riu.
— Sim eu percebi —
Continuou — A garota que em três meses eu só via quando pulava minha janela. A Emma cegamente apaixonada fez bem ao meu ego, mas eu estive louca e profundamente apaixonada foi pela outra Emma
Fez-se silêncio.
— O que você acha? — Regina disse com receio — Podemos tentar?
— Sim — Disse — Vou te conquistar com as facetas desta garota
A morena riu e assim adormeceu.
Quando acordou já estava muito claro e o sol no auge. Também estava sozinha. Ainda estava no carro debaixo dos cobertores.
— Está acordada? — Era Emma
Ela pôs a cabeça na janela e a encarou.
— Bom dia! — Disseram ao mesmo tempo
Riram.
— Que horas são?
Emma se inclinou e lhe deu um beijo na testa.
— Passa das dez — Disse — Já que acordou, temos que ir
— Que? O carro...
— Graham e o reboque estão a caminho. Na verdade, já chegaram
Olhando para trás ela viu a viatura e o carro azul da oficina.
— Vamos! — Emma disse com impetuosidade
Mal teve tempo de processar. A loira já estava a seu lado, pegando-a no colo.
— Por favor muito cuidado com o carro — Emma disse para o homem de macacão — Obrigada Graham
— De nada Swan — Disse
sorrindo — Como vai Regina?
A morena corou por ainda estar no colo da loira.
— Bem e você?
Ele sorriu já dirigindo-se para o Mercedes, mas virou-se.
— Melhoras — Então se virou
Emma a levou até a moto e do modo como estavam subiu no veículo. A loira puxou as pernas de Mills para que abraçassem sua cintura e pôs os braços dela em volta de seu tórax.
— Vai ter que se segurar firme se não quiser cair — Riu
— Para onde?
— Hospital — Disse — Seu pé ainda está torcido
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