Just Give Me a Reason

1 My dear we still have everything


Notas iniciais
Não coloquei na categoria songfic, mas talvez eu devesse colocar, já que escutei a música infinitas vezes enquanto escrevia. Eu sei que sou clichê sempre, mas fazer o quê, eu sou adepta à clichês. Como eu disse, eu amo esse ship e quis muito escrever sobre ele, espero que alguém goste.

A frieza do castelo é um pouco melancólica. Meu cabelo rosa caía em cascata pelos meus ombros ossudos enquanto encarava-me no espelho dourado; a coroa de princesa enfeitava o centro da penteadeira e meus olhos azuis pareciam decepcionados. Eu não reconhecia mais a garota do reflexo. Então eu desejei, com todo meu coração, ser outra pessoa.

Meu nome é Bonnie, Princess Bonnibel Bubblegum. Escolher entre meu reino e meu grande amor é devastador. Não lembro quando começou, mas em algum momento meus lábios estavam grudados no dela e meu corpo clamava pelo seu toque; Marceline Abadeer. Uma vampira.

Por que diabos eu me apaixonei por uma vampira?

Não contamos para ninguém que há alguns meses seguimos nos encontrando secretamente e mantendo um intenso relacionamento. Ninguém entenderia. Há algo mais clichê do que romances proibidos? Provavelmente não.

Em contrapartida, foi me exigido pela corte um casamento, para que fosse adiante a linhagem real. Eu não quero casar com outra pessoa que não seja minha garota. No entanto, o que posso dizer? “Galera, eu não vou casar com alguém que eu não ame e vocês têm que aceitar minha relação.”? Talvez eu devesse mesmo dizer isso, mas não é assim que funciona fora da Disney. Felizes para sempre não é tão fácil quanto fazem parecer que é.

Essa noite encontrarei a morena de cabelos extensos e quem sabe, contar o que está acontecendo. Ela pediu para passar na sua casa à meia noite, quando o último sino tocasse, e pelo seu tom, tratava-se de algo importante. O dia tinha se arrastado, tratei de alguns assuntos do Reino Doce e depois esperei ansiosa em meu quarto olhando a cada dois minutos para o relógio em forma de Donuts na parede. Às dez e meia tomei um banho longo, vesti a blusa preta da Marce e aguardei defronte ao espelho pelo horário marcado.

À meia noite eu saí, a brisa gélida soprando meu pescoço e os passos longos e desconfiados pelas ruas doces. Depois de não muito caminhar, cheguei ao ponto da floresta onde podia ver a casa no meio da escuridão, entre algumas árvores. A porta estava encostada e pequenos fios de luz escapavam pela fresta da janela do segundo andar. A porta rangeu ao abrir e eu chamei por seu nome sem resposta, subi os degraus silenciosamente e ao topo, um caminho de pequenas velas levava a uma Marceline seminua de lingerie preta rendada com um sorriso nervoso e excitante. Meus olhos, por um momento, brilharam e eu senti que podia ser feliz, pouco antes da lembrança do que eu tinha que falar me atingir como um soco. Algumas lágrimas encheram minhas pálpebras, mas eu não as deixaria cair.

Caminhei por entre as velas que iluminavam ligeiramente o lugar, dando à pele da morena um tom natural e deixando-a ainda mais bonita, se possível. Talvez ela não notasse a tristeza em minha face. Tentei sorrir. Marce estava de joelhos e fiz o mesmo em frente a ela. Seu semblante era tão feliz que eu quase não tinha coragem de dizer que tudo isso ia ter que acabar.

— Marce... — sussurrei, antes de seu dedo indicador tocar meus lábios em sinal de silêncio e seu rosto docemente se aproximar do meu, tomando-me num beijo. Ela nunca fora tão romântica, estava tudo muito perfeito.

Logo os pensamentos foram afastados pelo sabor do beijo que me entorpecia. Sorrateiramente, as mãos leves da morena tiraram a blusa de uma banda de rock qualquer, arremessando-a para longe dali. Seu corpo já estava sobre o meu e minhas unhas arranhavam suas costas desejosamente. A pele fria e pálida da minha Marce ardia em calor quando estávamos juntas e mesmo que não houvesse um coração em seu corpo, eu podia senti-lo pulsar frenético em seu peito. Minha respiração ofegante se misturava com seu olhar voraz e definitivamente apaixonado. Então, num pequeno segundo, ela me fitou com um sorriso, seu nariz brincando com o meu e as palavras saíram de sua boca como quem ensaiara isso milhares de vezes:

— Bonnie, você quer casar comigo?

“Definitivamente eu quero casar com você! Mais que tudo nesse mundo, Marceline!” meu coração gritava, entretanto, a razão ainda lutava contra isso dentro de mim e um silêncio seqüenciou entre nós. Os olhos antes cintilantes de alegria da Marce, agora cintilavam com gotículas salgadas de lágrimas. Eu estava hesitando e eu sabia que isso a magoava, ela abrira seu coração para mim e eu estava despedaçando-o.

— Marce... — sussurrei outra vez.

— Não fala nada. — ela levantou virando-se de costas e esfregando os olhos com as costas das mãos. — Vai embora, Bonnibel.

— Marce...

— Vai embora. — murmurou, ainda sem se virar.

Eu devia dizer algo, eu não podia simplesmente sair. Eu sabia que atravessar aquela porta, seria dizer adeus a tudo que passamos e Marce nunca me perdoaria. Eu a amava, isso não podia ser tão complicado. Eu precisava fazer uma escolha, imediatamente.

— Eu quero casar com você, Marceline, eu quero ser sua e você minha, quero andar de mãos dadas por aí sem ter que fingir que somos apenas amigas. Quero te beijar todos os dias, te levar café na cama e não ter que explicar nada a ninguém. — as palavras fluíram, e nesse momento eu soube que não queria mais nada.

— Não foi o que pareceu. — confessou decepcionada, virando-se, no entanto, sem me encarar.

— Você sabe que não é tão simples, mas eu estou disposta a enfrentar qualquer coisa por você.

— Você não vai estar sozinha, Bonnie. — um pequeno sorriso brotou no seu rosto. Nesse momento, puxei-a pela cintura e a beijei. Beijei como nunca tinha beijado-a antes. Minha mão em sua nuca, a outra a envolvendo, puxando-a para ainda mais perto. Seus braços enlaçados ao meu pescoço. — Como vamos tornar isso público, princesa? — perguntou-me ao nos afastarmos, sua testa encostada na minha.

— Somos apenas duas almas apaixonadas, não há nada de errado nisso, há?

— Não, mil vezes não. — respondeu selando nossos lábios novamente.

— Podemos adotar uma criança e você será minha rainha. — sorri, mordendo seu lábio inferior e ela sorriu de volta.

— Eu amo você, Bubblegum.

— Eu amo você, Abadeer.

Notas finais
E então? O que acharam? Acho que escrever quando estou emotiva deixa minhas histórias tão... emocionais? Estou pensando em fazer uma fic com o casamento delas, mas quem sabe, né? Com muito carinho, Jinx.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!