Just Friends
3 Tentativas falhas de ser legal
Notas iniciais
Dei algumas batidas na porta do quarto de Félix e logo o mesmo me atendeu.
— O que você quer pirralho?
— Posso... Conversar com você? – ele assentiu e deu passagem para que eu entrasse.
— É sobre a Marinette? – disse depois de fechar a porta, me fazendo arregalar os olhos e fazer um gesto desesperado com as mãos para que ele falasse baixo.
— Como sabe? – sussurrei.
— Talvez pelo fato de que você tenha uma queda por ela e ela esteja passando uns dias na sua casa?
— Eu não tenho uma queda por ela. Pff! – cruzei os braços.
— Ah, por favor! Acha que eu não via como você ficava olhando para ela na escola? – deixei meus ombros caírem e sentei na cama.
— Eu preciso de ajuda.
— Quer saber como fazer para impressionar ela, já que ela gosta do Adrien e não de você?
— Tá, agora você está me assustando!
— Ai maninho, eu já tive a sua idade e já passei por esse tipo de coisa. – deu um tapa amigável na minha cabeça.
— Félix, você é só dois anos mais velho.
— Você quer os meus conselhos ou não?
***
Era domingo e eu estava cortando a grama do quintal de casa. Um homem precisa fazer tarefas se quer a sua mesada.
Dei graças à Deus que Marinette tinha saído com Alya, assim não me veria nesse estado deplorável no qual me encontro.
Enquanto fazia minhas tarefas, pensava no que Félix havia me dito na noite passada. Basicamente, se eu quisesse conquistar Marinette, teria que ser mais descontraído e fazer ela rir. Logo depois ele disse que a cara de palhaço eu já tenho, mas tirando essa parte da ofensa, eu acredito que ele esteja certo.
Adrien é uma pessoa engraçada, porém de vez em quando faz piadas sem graça que as pessoas só riem por educação e porque gostam dele. Por mais que ele seja meu “rival” às vezes sinto pena do loiro, muita gente se aproxima dele apenas por ele ser o modelo do maior e melhor estilista de Paris, que no caso é o seu pai.
Então Félix disse que eu devia fazer as pessoas gostarem de mim pelo que eu sou, já que não tenho nada interessante a oferecer. De novo, tirando a parte da ofensa, meu irmão mais velho sem noção até que tem razão.
***
Na segunda-feira, minha mãe insistiu em levar eu e Marinette para a escola. E depois de pagar aquele micão básico com ela gritando do carro que nos amava, nós dois sentamos na escada enquanto Alya e Nathaniel ainda não tinham chegado.
Ficamos em silêncio, eu por não ser corajoso o suficiente para falar e ela porque estava atenta esperando Alya ou Adrien.
Eu sabia que tinha que colocar o meu plano em prática, não podia ficar de boca fechada esperando que o loiro modelo venha e roube toda a atenção.
Pensando nisso, reuni toda a coragem e decidi apostar em uma técnica que Félix disse ser infalível.
— Marinette?
— O que foi?
— Por acaso seu pai é padeiro?
— Sim, porque?
— É que você... Pera o quê? – respirei fundo ao notar a burrada que tinha feito – Seu pai é padeiro mesmo. Droga! – bati minha mão na testa, fazendo ela me encarar completamente confusa.
— Chat, você está bem?
— Sim, estou. Eu só... – nesse momento a vozinha maldita do Félix veio em minha mente, repetindo para eu não desistir. – Por acaso você tem um mapa?
— Tenho.
— É que eu me perdi no... Como assim você tem um mapa?
— Tem um no meu livro de geografia. Você quer?
— Não, não. – ela me lançou outro olhar confuso – Só esquece isso. – Marinette deu de ombros e virou para frente novamente, encarando a entrada.
Certo, eu estava completamente acabado. Duas tentativas de cantadas sem sucesso. Agora sabemos porque Félix não tem uma namorada.
***
— Você tem que ser mais ousado.
— Mais ousado que as minhas duas tentativas falhas de cantadas? – Nathaniel riu e tomou um gole do seu suco.
— É que você está muito na sua. Tem que deixar a vergonha de lado e ser com ela assim como é comigo.
— Mas eu sou idiota quando estou com você.
— A Marinette gosta do Adrien, idiotas fazem o tipo dela. – ri mas depois fechei a cara quando percebi que isso me ofendia também.
— Magoou!
— É sério, Chat. Você tem que ser mais espontâneo. Não estou dizendo pra deixar de ser você, mas sim pra agir mais como você realmente é, sem medo.
— Isso vai ser bem difícil.
— Você consegue, eu acredito! – fizemos um toque.
— Obrigado, cara!
***
Na saída, eu e Marinette nos encontramos para ir juntos, já que temporariamente morávamos na mesma casa.
— Vamos indo? – perguntei engolindo a timidez e tentando parecer mais despojado.
— Sua mãe não ia vir nos buscar?
— Ah, é mesmo! – outro fora.
Ficamos um tempo em silêncio enquanto repassava todas as frases motivadoras de Félix e Nathaniel na minha mente. Eu tinha que puxar assunto.
— Então... – comecei e me escorei na porta da sala do zelador, tentando fazer uma pose legal, porém sem querer esbarrei na fechadura, fazendo com que a porta abrisse e eu caísse de bunda dentro da sala.
— Ah, meu Deus! Você está bem? – ela me ajudou a ficar de pé enquanto eu me matava mentalmente.
— Estou sim, obrigado.
— Tem certeza? – apenas balancei a cabeça e fechei a porta maldita – Acho melhor irmos lá pra fora então. – assenti e a segui.
Nós dois sentamos no banco para esperar a minha mãe e logo vimos uma cena não tão incomum, porém desnecessária: Chloé Bourgeois – a filha mimada do prefeito de Paris – se enfiando no carro de Adrien para os dois irem embora juntos.
Marinette estava tensa. A expressão estampada no seu rosto era um misto de tristeza e irritação.
— Chloé deveria ser atriz. – falei fazendo com que a azulada me encarasse sem entender.
— Como assim?
— Ela tem cara de vilã. Pegaria o papel de Malévola fácil. – Marinette riu e logo eu fiz o mesmo.
Espera!
Marinette riu.
Eu fiz ela rir.
E não dei um fora.
Acho que temos um progresso aqui!
— Tem razão. Às vezes ela gosta de implicar comigo, não faço ideia do porquê. – a garota ao meu lado torceu os lábios e encarou o chão.
— Sério que você não sabe? – ela negou com a cabeça. – Chloé tem inveja.
— De mim?
— É claro. Você é incrível! As pessoas gostam de você pelo que você é, e não pelo que seus pais fazem ou o quanto de dinheiro você tem. – corei de leve ao dizer aquilo. Olhei para Marinette que estava quase que na mesma situação.
— Obrigada Chat, você também é incrível! – morri.
Certo, eu precisava dizer mais alguma coisa. Nem que fosse uma cantada ridícula, mas eu não queria que o olhar de Marinette desviasse do meu.
— Marinette?
— Sim?
— Eu acho qu-
— Chat querido! – ouvimos uma buzina e olhamos para a rua, dando de cara com a minha mãe acenando de dentro do carro – Desculpem o atraso, mas eu já cheguei! Uhul! – arregalei os olhos constrangido com a dancinha que ela tinha feito.
— Sua mãe é divertida. – Marinette falou e foi em direção ao carro.
— É, e sempre chega na hora certa. – murmurei mesmo que ela não pudesse me ouvir.
Pelo menos eu tinha conseguido fazer Marinette rir depois de tantas tentativas falhas de ser legal. É um progresso!
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