Just Friends
47 Pov Lari
Notas iniciais
Acordei em meu quarto no Palácio, o que achei estranho, afinal eu estava no Olimpo, em uma reunião, estávamos decidindo o que fazer sobre a guerra e tudo mais, levantei e sai do quarto em busca de alguém, não encontrei Nico em seu quarto, papai não estava em seu escritório, Perséfone não estava nos jardins, estranhei e procurei os empregados do Palácio, encontrei Thais na copa, a senhora cozinhava algo.
– Olá Tatá, como vai? – perguntei me sentando no balcão. Ela me olhou surpresa e veio ate mim me abraçando.
– Ah querida, finalmente acordou, estávamos preocupados – a encarei sem entender nada – você passou três dias desacordada, Apolo disse que você estava só dormindo, mas mesmo assim ficamos preocupadíssimos – assenti.
– Onde estão todos? Não achei ninguém enquanto vinha para cá – ela sorriu tristemente.
– As coisas estão piorando minha querida, todos estão no Tártaro, tentando conte-lo, mas está se tornando cada vez mais difícil – estalei os dedos e minhas roupas haviam sido mudadas para minhas roupas pretas.
– Vou ajuda-los – Thais negou – como não? Eles precisam de mim.
– Seu pai deixou ordens explicitas de que caso você acordasse você deveria comer algo e ficar em repouso – revirei os olhos.
– Nossa, Tatá... Bateu-me uma vontade de comer daqueles morangos bem vermelhos do acampamento – ela sorriu.
– Só um minutinho minha querida – ela foi até a despensa, voltou com um pacote cheio de lindos morangos – leite condensado ou chocolate?
– Os dois – mordi os lábios enquanto esperava que ela lavasse os morangos e separasse o chocolate e o leite condensado, em pouco tempo estava sentada no chão da sala com um grande pote de morangos e as duas vasilhas na mesinha de centro, passava Velozes e Furiosos 6, eu tinha uma paixão enorme por esses filmes, e um penhasco pelo Vin Diesel.
– It’s run or die, remember? It’s run or die! – assim que o filme acabou ouvi o barulho de pessoas falando, me levantei e fui à sala dos tronos, papai, Nico e Perséfone falavam algo para os soldados de papai, quando os mesmos se retiraram eu fui ate eles, abraçando todos – como estão? – perguntei, Nico me abraçou de lado.
– Foi o melhor dia dos últimos tempos, acho eu, todos lutaram com mais força e vencemos por hoje, como você está? – sorri.
– Estou bem, Tatá não deixou que eu fosse ajuda-los – fiz bico – ai me deu vontade de comer morangos com chocolate e leite condensado, então ela fez pra mim e eu assisti Velozes e Furiosos, acabou de acabar – disse sorrindo, eles riram.
– Thais está mais do que certa, você tem que repousar – disse Perséfone, revirei os olhos – preciso descansar e vocês também meninos, quanto a você, vá se deitar, se conseguir dormir novamente será melhor ainda – disse virada para mim, assenti, Nico deixou um beijo em minha testa e papai sorriu seguindo Perséfone. Fui para o meu quarto e adormeci novamente.
– x –
Acordei no dia seguinte, desci para tomar café e todos já estavam na mesa, estava morta de fome, dei um bom dia rápido e comecei a comer, waffles, calda, frutas, nutella, tudo o que deu no prato, Nico ria que não parava, Perséfone tentava conter o riso e não demorou muito e papai também se acabava, encarei a todos séria.
– Ficaram bobos? Estou com cara de idiota por um acaso? – eles continuaram rindo, bufei e continuei comendo, quando o cheiro do terceiro waffle me atingiu corri para o banheiro e coloquei tudo o que tinha comido ate agora para fora, estranhei, mas tinha comido pra caralho, não sei o que me deu pra comer tanto, lavei o rosto e me deitei no sofá ainda sentindo um pouco do enjoo. Perséfone me trouxe uma xícara de chá.
– Está melhor, querida? – perguntou, assenti enquanto tomava outro gole – você deve maneirar, eu sei que a vontade de comer é enorme, mas se controle – disse sorrindo, franzi a testa, do que ela está falando?
– Do que está falando? Foi só um mal estar... – disse colocando a xícara vazia na mesa de centro e voltando a me deitar, ela cobriu a boca com as mãos e foi ate a cozinha, acabei adormecendo enquanto a esperava.
– Helena volte aqui! – gritei correndo atrás da garotinha loira, a pequena de cinco anos se jogou no sofá rindo – não faça mais isso com a sua mãe – disse me jogando ao lado de minha filha, ela me encarou com seus olhos tão negros quanto os meus, o cabelo loiro como o do pai, a pele clara por viver no submundo.
– Mamãe? Porque você e tio Nico tem um pai e uma mãe e eu só tenho você? – eu esperava por essa pergunta mais no futuro, definitivamente não sabia o que responder, fiquei calada esperando que ela mudasse de assunto ou algo, mas o que aconteceu foi mais chocante. Ouvi a voz de Nico se aproximando nervosa, ele nunca aumentava o tom de voz, então ouvi outra voz e travei no lugar, Lena pulou para o meu colo – mamãe? Está tudo bem? O que está acontecendo? Tio Nico está gritando com quem? – encarei minha filha e me levantei, pronta para aparatar quando ele entrou.
– EU quero minha filha! Cadê ela? – apertei-a contra mim, lagrimas grossas escorriam pelo meu rosto, ele ainda não havia nos notado, as mãos pequenininhas foram ate meu rosto e limparam algumas lagrimas.
– Quem é ele mamãe? Porque a senhora está chorando? – ele se virou, os olhos azuis se revezavam entre mim e minha filha... nossa filha.
– Não é ninguém querida, vamos embora, tio Nico cuida dele – digo a ela e estou pronta a aparatar.
– Não! Por favor, deixe-me falar com ela – disse me encarando, o azul e o preto se mesclando, assinto levemente e ele se aproxima – oi pequena – diz, passando a mão no rosto de minha filha que se esconde em meio a meus cabelos, ele sorri tristemente – você não falou de mim para ela, certo? – neguei – imagino que ela deva saber quem sou – me afasto um pouco.
– Não! Você me traiu, traiu a sua família, sabe muito bem que vários morreram por culpa da guerra que causou – digo relembrando as tantas mortalhas que queimamos – que você e ela causaram – pronuncio com repulsa.
– E por isso ela tem que viver sem um pai? Pare de ser egoísta Larissa! – disse levantando a voz, Lena me olhou.
– Pai? Ele é meu papai? – perguntou e o encarou, consequentemente o encarei também, esperando sua reação, ele sorriu.
– Sim querida, eu passei um tempo longe, mas agora vou estar aqui sempre que você quiser – disse acariciando seu rosto.
– Mas não vai mesmo – disse friamente – ela é minha filha, não quero você perto dela – el fez uma falsa cara de decepção.
– Então só temos uma escolha – disse fingindo tristeza – filha, meu amor, você quer ficar com quem? – sorri quando ela me olhou, mas meu coração foi quebrado quando ela me deu um beijo na bochecha e esticou os bracinhos para que ele a pegasse – parece que eu ganhei de novo – disse desaparecendo com a minha filha.
Acordei gritando, grossas lagrimas escorriam por minhas bochechas. Eu sempre disse que se tivesse uma filha se chamaria Helena e Matheus também, era uma das coisas que tínhamos em comum, ambos queríamos uma filha chamada Helena, um forte enjoo me atingiu e corri para o banheiro, quando voltei à sala Perséfone, Nico e Hades se encontravam preocupados.
– Desculpem-me – disse envergonhada – foi um sonho ruim – voltei a me sentar no sofá e Perséfone se sentou ao meu lado, Hades do outro e Nico se agachou em frente a mim.
– Lari, você estava gritando “Minha filha não, Matheus!”, “Helena não vá com ele, por favor!”, coisas desse tipo – disse Nico, assenti – o que você sonhou? – contei-lhes o sonho em detalhes.
– Filha, você sabe que geralmente nossos sonhos não são apenas sonhos certo? – assenti, Hades suspirou – não consigo, Fone, diga você – Perséfone sorriu e passou a mão sobre minha barriga.
– Você está grávida, querida.
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