Just Friends
32 Pov Lari
Notas iniciais
Havíamos acabado de comer, fora um pouco estranho, nem Nico, nem Hades apareceram. Estávamos andando em direção aos quartos, assobiei alto e logo as três fúrias se encontravam a nossa frente, Matheus deu um passo para trás.
– Alê, Meg, Tisa – abracei as três – porque não foram me ver?
– Sabe que não podemos entrar lá, quem é o menino? – disse Tisa.
– Matheus, preciso que o levem para um quarto – Meg sorria de canto, merda, ele não pode ir com ela, quem ele traiu? #curiosa – Tisa, ache um quarto pra ele, Meg e Alê vão comigo – saímos andando e eu abracei as duas mulheres comigo – ai que saudades de vocês – rimos – alguma novidade? – elas ficaram mais serias.
– Você sabe, seu pai está preocupado, a ultima vez que ele sentiu isso, Cronos estava se reerguendo e logo em seguida Gaia, ele está enlouquecendo, fica trancado no escritório horas e horas andando de um lado para o outro, fica preocupado quando você e Nico saem, ficou preocupado quando o menino chegou, acho que ele precisa de um descanso – Alecto me contou quando chegamos ao quarto, peguei uma blusa qualquer e fui me trocar, coloquei um shorts e voltei pro quarto. Achei estranho, quando vesti a blusa um cheiro familiar me atingiu, mas ignorei isso.
– Já tentaram trazer a Fone? Talvez ele só precise de sexo – disse ironicamente. Alecto e Megera mexeram a cabeça em negação, dei risada.
– Você não presta menina – disse Meg. Tisa entrou no quarto.
– O moleque está entregue – disse sorrindo – como está? Alguma coisa no Camp? – neguei.
– Nada demais, ninguém que tenha me chamado a atenção, uma opção seria o Matheus e a Rebeca, mas ele está aqui, não sei se acredito que ele possa ser inimigo – disse sinceramente.
– Tudo bem, descanse, já vamos indo querida – as três sorriem para mim e deixam o quarto, apaguei a luz e me deitei, sentindo novamente o familiar cheiro, não consegui identifica-lo, agarrei o travesseiro e logo adormeci.
A garotinha entrou na sala, a loirinha de 5 anos acabara de entrar na escola, as outras crianças pararam para olha-la.
– Crianças, essa é a Larissa, sua nova amiguinha – disse a bonita morena que segurava a mão da garota. Um loirinho largou o carrinho que brincava e veio até a menina, soltou a mão da professora e entrelaçou sua mãozinha com a da menina.
– Sou Matheus, vamos desenhar? – a garota assentiu e ele a puxou para uma mesinha da sala com alguns papeis e giz de cera. Os dois desenharam em silencio por um tempo e quando falaram de novo o menino mostrou seu desenho não muito claro onde um “menino” de azul e uma “menina” de rosa estavam aparentemente de mãos dadas – somos nós, e você vai ser minha melhor amiga.
Acordei me perguntando sobre o sonho, a menininha era eu? O menininho o Matheus? Esse Matheus? Olhei o horário, 9h, desci para a cozinha do jeito que estava e prendi o cabelo em um coque, abri a geladeira e procurei algo, peguei o yogurte e o cereal, sentei na bancada.
– Essa blusa é minha – pulei de susto e me virei, ele sorria e pegava algumas coisas para fazer um sanduiche – imagino que não se lembrava disso né? – neguei, ele se sentou ao meu lado – você adorava pegar minhas blusas, dormiu bem? – assenti.
– Tive um sonho, ahn – não sabia se deveria contar-lhe.
– Sim? – disse, ele queria que eu contasse?
– Ahn... Okay, eu acho que foi o dia em que nos conhecemos – disse – não tenho certeza, não me lembro, como você se lembra? – perguntei.
– Tínhamos cinco anos, eu estava na escolinha e a professora entrou segurando a mão de uma loirinha, a menina olhava tudo com os olhos negros curiosos, ela disse que o nome da garota era Larissa, nenhuma outra criança se mexeu então eu larguei o carrinho e fui até elas soltei a mão da professora e puxei a menininha, nos sentamos para desenhar e eu fiz um desenho tosco de nós dois de mãos dadas e disse que seriamos melhores amigos – disse rindo.
– Foi o meu sonho, exatamente isso – ri também.
– Você está lembrando – ele sorria largamente.
– Vou me trocar, tenho um filho de Zeus para ensinar – subi e fui me trocar, então eu realmente o conhecia todo esse tempo. Sai do quarto e esperei por ele na escada, quando ele apareceu sorriu para mim – vamos para o Olimpo hoje, a Arena dele é melhor que os campos – segurei sua mão e uma sensação boa me atingiu, aparatamos para o Olimpo.
– Eu ainda me surpreendo com esse lugar – ele disse olhando em volta – eu vou poder aparatar também? – neguei – ahh – ri da expressão de decepção.
– Vamos, por aqui, quero achar a Fone primeiro – o puxei pelo Olimpo, logo a encontrei, ela sorriu para mim.
– Lari querida, o que faz aqui? Você é o filho de Zeus certo? – Matheus assentiu lentamente, ainda atordoado pela beleza de Perséfone acredito.
– Fone, papai precisa de você, ele vai explodir, Meg disse que fica horas andando de um lado para o outro, ele precisa de sexo, só você pode resolver isso – ela deu risada.
– Já estava voltando mesmo, mamãe está me enchendo à paciência novamente – dei risada. Matheus nos encarava perdido, seu olhar vagava entre nós duas.
– Vamos ficar por aqui para usar a arena, vai pra casa e fode com ele o dia inteiro – Perséfone negou com a cabeça.
– Você não presta menina! E vocês dois, é pra treinar, não trepar, okay? – piscou e desapareceu. Eu ainda estava rindo enquanto Matheus me encarava.
– Oi? O que foi isso? – continuei rindo – Perséfone te aceita? Mesmo?
– Papai ama Perséfone, eles vivem muito bem juntos, somos o chalé dos três grandes com menos campistas – Matheus ergueu uma sobrancelha.
– Meu chalé só tem eu e o Josh – disse como se fosse obvio.
– Zeus não reclama todos os seus filhos, outro dia chegaram dois gêmeos, ambos filhos de Zeus, morreram porque seu pai não os guiou, ele só guiou você e Josh porque achou que poderiam ser uteis – disse sincera, um raio ecoou – diz que não é verdade então! Reclame todos os seus filhos, como Percy desejou que fizessem – disse olhando alem de Matheus, para o templo de Zeus.
– Vamos treinar? – perguntou me puxando, então parou – eu não sei onde fica a arena – ri alto e o puxei indo para lá. Não demorou muito e estávamos na grande área, cheia de bonecos, Ares obviamente poderia fazer aparecer quantos bonecos quisesse, mas gostava de deixar alguns ali por minha causa. O que me surpreendeu foi vê-lo ali a essa hora, em sua forma de adolescente o moreno decepava vários bonecos seguidos que se reconstruíam rapidamente, ele se encontrava sem camisa e suas costas definidas brilhavam pelo suor, a calça larga de moletom caia por seus quadris deixando a mostra a barra de sua cueca, eu definitivamente entendia o porque da Dite gostar tanto dele, se bem que Hefesto não ficava para trás. Ares parou um pouco ofegante, pelo que pude perceber ele havia acordado e vindo pra cá, fui ate ele.
– Monstrinho, ta tudo bem? – Ares virou-se pra mim e me abraçou.
– Não Monstrinha – disse com o rosto em meu pescoço. Tinha quase certeza de que era algum problema com Afrodite. Virei-me para Matheus.
– Treine com a espada obviamente, use os bonecos, como no acampamento, volto logo – peguei a mão de Ares e o puxei comigo para fora da arena. Matheus ainda me encarava com a sobrancelha arqueada. Sentamos-nos na porta – conte.
– Dite – disse e suspirou, as únicas pessoas que conheciam o lado carinhoso de Ares eram a Dite e eu – a vi com Hefesto, estavam rindo e ela estava nas costas dele, depois sentaram embaixo de uma arvore e ficaram abraçados conversando – ele deitou a cabeça em meu colo e encarou o nada.
– Você sabe como é a Dite – disse mexendo em seus cabelos – e bom... Hefesto é marido dela, ela o ama, e também ama você, acredito que terá que dividi-la – ele me encarou.
– Queria tanto ser apaixonado por você, seria tão mais fácil, cansa sabe? Ser sempre o outro, quem ela procura quando quer sexo, e não aquele que a leva pra jantar, que passeia pelos jardins – sorri para ele.
– Porem você não me ama, ama a ela, então, em vez de espera-la, sabendo que ela te procurará quando quiser uma boa transa, a chame para jantar, ela ficará radiante, tenho certeza! – nisso Matheus saiu da arena e parou a nossa frente de braços cruzados. Ares o encarava sorrindo de canto.
– Você deveria estar me treinando, como meu pai mandou, ele vai ficar muito feliz sabendo que você não está fazendo o que ele mandou para ficar com um cara qualquer – Ares que ainda sorria de canto arqueou uma sobrancelha.
– Desculpe? – perguntou, a voz transbordando divertimento.
– Alguém falou contigo? Achei que papai não deixasse qualquer um andar pelo Olimpo – respondeu grosseiramente.
– Realmente, Zeus não deixa qualquer um andar por aqui, somente deuses e deuses menores, as ninfas é claro e alguns sátiros, Larissa alem de princesa do submundo e um tipo de deusa menor, ainda é amiga de muitos deuses, a maioria na verdade, dando a ela passe livre por aqui – explicou calmamente – você está acompanhando-a, então, supondo que esteja referindo-se a mim como um qualquer, fico feliz em lhe informar, que meu pai não me negaria aqui, sendo eu o deus da guerra, e meu templo se localizando mais ali a frente, preciso andar por aqui – terminou sorrindo, os olhos de Matheus se arregalaram ao ouvir quem ele era.
– Tsc... Tsc... Você deveria tomar cuidado com o que fala e para quem fala, chamar o deus da guerra de um qualquer não é legal – disse reprimindo o riso.
– Vou deixar passar porque não gosto de torturar pessoas na frente da Monstrinha, mesmo sabendo que ela faz isso tão bem quanto eu, porem da próxima vez que for insolente comigo você vai sofrer – disse calmamente. Matheus assentiu – vou deixar você treina-lo, ele precisa – disse se virando para mim – me procure mais tarde okay?
– Okay – nos levantamos, ele beijou depositou um beijo em minha testa e aparatou, quando olhei para a cara de Matheus que ainda continha uma expressão um tanto quanto assustada meu sorriso se alargou para uma gargalhada – você não tem noção da sua cara! Foi hilário, mas não duvide, se for insolente com ele ou com qualquer deus não terá boas consequências.
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