Just Friends
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Fiquei feliz com o pedido do tal Sam. To precisando mesmo sair... E ela ta linda. Só uma coisa me incomoda: o batom vermelho! Não é bem incomodo, é que é algo que me chama muito a atenção. E na boa, não quero ficar reparando na boca dela. Melhor não arriscar cair em tentação, amem!
***
Menino nunca demora pra se arrumar, ainda bem. Ele saiu e já foi pegando as chaves. Uau, ele tava gato, tenho que admitir.
A blusa preta lisa de mangas, a calça jeans já meio desbotada e o all star também preto. Eu e ele tínhamos o mesmo estilo: simples. Ele tinha uma coleção de all star – o que era o meu sonho – enquanto eu tinha uns três no Maximo. O cabelo como sempre, despenteado, acho que mesmo que ele tentasse não conseguiria arrumar, mas até que lhe caia bem.
Descemos os dois calados até o carro, eu ainda estava de bico. O que o Sam tem na cabeça? Não que eu não queira que o Eduardo vá, mas o que me incomoda foi o jeito que ele pediu. Ele sabe muito bem que não sou uma garotinha indefesa. Nunca precisei de ajuda para me livrar de algum idiota, e sempre que me metia em alguma encrenca envolvendo algum menino, dava um jeito. Alem de que, isso não era muito comum, como o Sam disse uma vez:
“Você me dá medo Manu!”
E era exatamente isso. Os garotos tinham medo de mim. Uns ou outros se arriscavam, mas na maioria das vezes acabavam desistindo no meio do caminho. Entendam: sou complicada, e literalmente um problema pra qualquer um. Digo que sou encrenca... Quem dera eles acreditassem alguma vez...
Chegamos no lugar que eu tinha marcado com a Laura, era uma espécie de barzinho com musica ao vivo e essas coisas. Chegamos juntos, mas assim que descemos do carro ele me disse:
–Vou ficar por perto, se precisar me chama. Vá curtir garota.
Eu apenas dei um sorriso em agradecimento. Ele retribuiu.
Assim que entrei, vi a Laura acenando agitada de uma das mesas. Ela me apresentou alguns novos amigos e eu fiquei lá com outros que já conhecia da faculdade. O papo ia bem com um colega de turma meu, Rodrigo, até uma das novas garotas do grupo, Chris – não vou mentir, não gostei dela e ponto – veio toda pra cima dele, interrompendo o papo.
Revirei os olhos ao ver aquela cena na minha frente, que coisa ridícula.
–Até mais Rodrigo.
Ele abriu a boca em protesto, eu apenas acenei em um “relaxa, ta tudo bem”.
Senti alguém me puxar pelo braço e ouvi a Laura já um pouco alterada, gritando pra mim:
–Garoooooota, tem um cara babando por você ali no bar, olha.
Não contive o riso e fui até o cara depois te deixar a bêbada sentada cantando.
–Se divertindo?
–Perdeu seu homem pra piriguete?
Franzi o cenho, ele tava todo engraçadinho hoje.
–Sim e não.
–Não?
–Sim, ela é uma piriguete. Não, ele não é meu homem.
–Você tava babando por ele Manu...
Pera, o Eduardo me chamando de Manu? Gostei...
–Eu não tava babando Edu, e que negocio é esse de ficar secando as meninas do bar?
Ele riu. Me sentei no banco ao lado e pedi uma água.
–Água?
–Eu não bebo.
–Ta me surpreendendo...
Abri a garrafa e me servi.
–Ta falando do que?
–Toda certinha, veio de uma cidade menor, o orgulho da mamãe... Não bebe, não faz nenhum tipo de loucura, aplicada nos estudos... Ta perfeitinha demais pro meu gosto. O que você esconde?
Eu perfeitinha? Faça-me rir! Nunca fui santa, mas também nunca fui de aprontar.
–Sou uma santa meu querido – fiz cara de anjo e mandei um beijinho de longe.
–As santinhas são as piores, é o que dizem por ai não é?
Ele já havia baixado muito mais o tom de voz, e meio que involuntariamente, já estávamos nos encarando por alguns minutos.
–Não sei, são as piores?
Ele cortou os olhares revirando os olhos.
–Pelo visto sim.
Fale com o autor