Just Friends
47 Capitulo 46
Notas iniciais
Eu não tava bravo pra valer. Só fiquei preocupado.
–Vai ficar com esse bico até quando?
Ela perguntou enquanto andava/se rastejava atrás de mim, no corredor do apartamento.
–Até quando quiser.
Entramos e eu me joguei no sofá, enterrando o rosto novamente nas mãos.
–Edu...
Ela falou com a voz arrastada. Incrível como ela ainda ficava de charminho até mesmo quando ela que tinha feito merda.
–Nem tenta Manu!
Ela bufou e foi para o quarto. Voltou uns quarenta minutos depois, vestindo uma camiseta larga que batia no meio da coxa. Ela secava os cabelos com a toalha, e eu reconheci a camisa tirada da minha gaveta.
–Quem deixou?
Ela largou a toalha no braço do sofá e falou com carinha de inocente:
–Posso tirar se você quiser...
Ela era inacreditável!
–Não vai conseguir me deixar mais calmo me seduzindo.
–Então posso tentar me explicar?
Pulei um lugar no sofá, lhe dando espaço.
–Obrigada – ela sentou e cruzou as pernas — Você sabe que eu não bebo né? – seu tom agora era serio – Digo, não bebia até ontem... Resumindo, eu virei três doses de tequila seguidas praticamente porque tava puta porque a Laura me largou sozinha na festa. Mas saiba que to me sentindo horrível por isso! E... é de verdade, me desculpa? Não queria te deixar preocupado, eu só meio que quis saber como era jogar tudo pro alto pelo menos uma vez na vida. E ai exagerei... Não foi legal, não quero fazer isso de novo, mas tenho que admitir que tequila é uma delicia.
Ela ficou louca com três shots? Ela era bem fraca pra bebida então...
–Sabe que me ligou de noite?
Ela fez uma careta.
–Fiquei sabendo – outra careta – o que eu disse?
–Sabe, existem vários tipos de bêbado, e você é a bêbada sincera.
–Ah que merda, o que eu te disse?
Ela arregalou os olhos e se encolheu quando eu comecei a contar.
–Você começou a gritar e rir muito, ai eu vi que tava bêbada! Disse que tava em um jardim, com um tal de Oliver, vendo as estrelas. Disse que era um amigo seu – careta – e ai... Me disse que não via razão pra complicar tudo, já que sabia exatamente o que sentia por mim, mas tinha medo. Começou a falar sobre algo da vida te dar um biscoito, eu não entendi essa parte! Veio com uma conversa que não queria mais perder ninguém. Disse que eu derrubei tudo que você construiu a vida inteira, e que não quer um compromisso... E desligou.
O joelho tinha um curativo, e ela escondia o rosto. Falando tudo aquilo, não pude evitar de ficar um pouco feliz por ter ouvido dela.
–E agora eu tenho que te perguntar: sabe o que sente? Agora, sóbria!
–Eu não sei se sei... A minha cabeça ta rodando e eu to tão envergonhada. Me diz que não ta mais com raiva, por favor...
–Ta tudo bem...
Não olhei, mas sabia que ela estava sorrindo. Senti sua mão no meu rosto, os lábios pressionando minha bochecha.
Tinha passado a noite agoniado sem saber o que tinha acontecido. E nessas horas, só passa coisa ruim na sua cabeça. Acho que era porque eu sabia o que podia rolar em certas festas... E não queria a Manu no meio. Sentir ela por perto agora era um alivio.
Virei meu rosto, ela deixou. Fechei meus olhos, senti o gosto do brilho labial dela.
Eu tinha medo de perder mais alguém na minha vida, assim como ela tinha.
–Não faz isso de novo comigo – falei ainda sem afastar meus lábios dela.
Pude sentir ela sorrindo, e respondeu da mesma maneira:
–Pode deixar.
Ela se afastou, estendendo o dedo para mim. Eu não queria saber de promessa. Puxei seu corpo, virando ele para o lado oposto do sofá.
–Só por favor me diz que não rolou nada com esse Oliver...
Ela me olhava de baixo.
–Por favor não estraga o momento – choramingou.
–Responde...
–Eu... – ela fechou os olhos – Acho que não.
–Acha?
–Ainda não entendeu que não lembro de nada? Mas é um acho quase certeza! – parecia tentar convencer mais a si mesma do que a mim.
–Quase?
–70%.
–Como não tem certeza disso?
–Olha, eu já to me sentindo uma bitch por não ter certeza, você não precisa fazer me sentir pior.
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