Just Friends
42 Capitulo 42
Notas iniciais
–Ah, então lembrou que tem mãe né?
Minha mãe: rainha do drama!
–Oi mãe, tudo bem?
–Sim sim, mas como vão as coisas?
–Vão bem... Mãe, tem o telefone da Laís? Queria falar sobre a Suzy diretamente com ela...
–Por quê?
–Porque o casamento é dela mãe!
–Não precisa brigar também né?
Ela me passou o numero e eu liguei.
–Laís? É a Manu.
–Manu, como você ta? Voce vem pro casamento né? Eu to tão animada e ta uma correria só...
–Aham Laís, eu imagino como deve ta sendo mas eu queria falar...
–E sua mãe me disse que você ia trazer uma amiga, e eu ficaria muito agradecida se você passasse o nome dela...
–Olha Laís – sempre adorei minha prima, mas nunca tive muita paciência com ela, porque era do tipo que não te deixa falar! – eu vou levar alguém mas não sei se é a Suzy, não dá pra colocar na lista “Manuela e acompanhante”?
–Bem, eu posso ver se dá...
–Obrigada.
Ela passou mais uns vinte minutos me contando de como estava se sentindo com a festa chegando, e que o vestido era maravilhoso e bla bla bla.
Passei o dia sem fazer exatamente nada, e depois de um semestre e meio de puro estudo e antes de uma semana de prova, era tudo que eu precisava.
O sol tava começando a baixar quando recebi a mensagem da Laura.
“Party o/”
“What???? O.o”
“Te pego em duas horas, esteja bem gata :*”
A Laura é doida mesmo... Tadinha.
Tomei um banho, vesti a roupa de baixo e comecei a procurar alguma peça mais legal no meu guarda roupas, o que foi meio difícil já que ele se resumia a jeans, camiseta e vestidinhos simples. Por fim, achei uma blusa preta larguinha e um pouco mais longa e minha adorável e amada saia de couro.
Passei o secador rapidinho, só tirando a umidade, e amassei os fios. Obviamente não ficou aquele super efeito amassado lindo divo e maravilhoso, meu cabelo NUNCA tinha esse efeito pelo simples fato de ser liso. Mas deu um charminho.
Prendi em um rabo de cavalo com o maior cuidado pra não desmanchar o efeito do secador, e quase dei pulos de alegria com como ficou. Sempre amei aqueles penteados com efeito podrinho, por isso meu corte não tinha nenhuma definição. Enfim, ficou meio soltinho e com as pontas desfiadas. Eu amei. Peguei uma mecha e prendi com um grampo, escondendo o prendedor.
Passei meu tradicional batom vermelho – acabei borrando metade – e mil camadas de rimel. Olhei no relógio: tinha passado quarenta minutos. Meu estomago roncou, e eu lembrei que ainda tava com o almoço, o que era algo raro já que sou do tipo que passa o dia comendo.
Vesti a blusa e a saia, colocando a parte da frente por dentro e ajeitando a parte de trás para cobrir meu bumbum. Super comum, e eu estava parecendo minha Irma, digo, o estilo de roupa, e só!
Separei o sapato e deixei no cantinho, perto do espelho. Era daquele estilo boneca, fechadinho e eu amava porque alem de bonito, era super confortável.
Fui até a geladeira procurar alguma coisa. Tinham vários potinhos, nenhum me atraiu. Me abaixei vendo o que tinha em cada prateleira.
–É, Manu...
Virei minha cabeça pra ver então entendi o motivo do Edu estar com um tom constrangido.A blusa que estava longuinha tinha subido com o movimento que fiz mexendo nas prateleiras. Meu corpo estava inclinado, o quadril voltado pra cima. Meu bumbum com a saia de couro, provavelmente uma cena... Constrangedora.
Me endireitei na hora, sentindo minhas bochechas corarem. O Gus estava logo atrás, prendendo o riso.
–Bela saia.
O Edu lhe deu um cutucão e ele resmungou, entrando enquanto esfregava o braço.
–Couro? – ele questionou erguendo a sobrancelha.
–Vou sair com a Laura... Aliás, fica com o telefone ligado.
–Pra que?
–Se eu precisar que me busque, porque a Laura...
–Pera – ele me interrompeu – E quem disse que eu ia te buscar ou ficar disponível pra você?
O Edu tenta controlar isso, mandar em tudo... Mas não consegue.
–Ah, então tudo bem, se você prefere me deixar por ai sozinha com essa roupa...
–Me liga se precisar — ele me cortou de imediato.
Ele bufou, fez bico e saiu, se dando por vencido.
Calcei os sapatos, coloquei o dinheiro, os documentos – só a carteira de motorista na verdade porque a Laura bebia tipo, muito, e mesmo que eu não pegue carro de ninguém, era melhor do que deixar ela dirigir — e o celular no bolso da saia. Passei o batom uma ultima vez e coloquei no bolso também.
–To indo.
Gritei já no corredor, avisando pro Edu. Como em uma cena dos filmes, ele e o Gus colocaram só a cabeça para fora do quarto, sobrepondo as posições.
–Uou – o Gus disse entre as mordidas em uma maça – bela saia.
–Cala a boca Gus – escutei o Edu resmungar.
Eu sabia que essa saia era meio assim. Era justa no meu corpo, realçava as minhas pernas e aumentava meu bumbum. Por isso eu usava com a blusa soltinha e mais longa.
–Obrigada Gus – respondi parando no corredor.
–Fica ai – ouvi o Edu resmungar de novo e empurrar o Gus – É... — Ele apoiou as mãos na nuca, meio sem jeito – Juízo com essa saia.
–Edu, vai fazer isso toda vez que eu for sair? Eu não bebo e sou completamente responsável então... Relaxa ta?
Ele só assentiu, contrariado.
Ta, pode ser uma gracinha ele ser cuidadoso e bla bla bla. Mas já me bastava o Sam sendo super protetor então... Tudo que eu não precisava agora era de outra super proteção.
Eu sei eu sei... Nossa, que frieza! O que eu posso fazer? Não gosto de ser assim também... Mas eu sou! Quer dizer, o Edu sabe exatamente como me derreter, o que não é fácil. Mas que sei lá, eu me frustro muito por não conseguir fazer o mesmo, corresponder. E sei lá, meio que me sinto na obrigação de ter esse cuidado em troca. Parece que nunca vai ser o suficiente...
E ao mesmo tempo, me sinto tão idiota ao pensar essas coisas, porque eu sei que ele não exige nada disso de mim.
Ai Manuela, que saco!
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