Just Friends
22 Promessas.
Notas iniciais
Giulia
Sábado, oito e meia da manhã. O que eu estou fazendo acordada essa hora? Simples, hoje é o dia do casamente, o que significa que eu tenho que ir no salão me arrumar com a Larissa. E lá estou eu, sendo produzida para um dos grandes eventos sociais do ano, segundo revistas de fofocas locais. A realidade? Eu não estou nem aí para isso. Só quero ver meu pai feliz, e não acho que gastando horrores, ele fica feliz. Mas sei lá sabe... só acho.
Depois de um tempão de tortura, eu fiquei pronta e fui embora para almoçar. Larissa ficou o dia naquela estética. Eu voltaria mais tarde para fazer cabelo e maquiagem. Combinei de almoçar com meu pai.
Depois de uns 30 minutos no volante, chego no restaurante, e para minha surpresa, ele já está lá.
- Oi pai — eu digo dando um beijo nele
- Oi Giu — ele disse se ajeitando no acento — O que vai querer? — ele perguntou olhando cardápio, que eu peguei na hora. Apenas passei os olhos pelo cardápio.
- O que você pegar, para mim tá ótimo — eu disso sorrindo, e no mesmo instante que meu pai fez os pedidos, meu celular apitou. Mensagem do Lucas.
"Oi fedida. Que horas é no treco com a minha mãe? Podemos nos encontrar no Hyde Park mais tarde? X"
"Fedorento! Não dá, to almoçando com meu pai e daqui saio direto para a costureira pegar o vestido da tua mãe, fica pra próxima. X"
Meu pai estava batendo com os dedos na mesa e olhando no relógio de 4 em 4 segundos.
- Pai, ta tudo bem? — eu perguntei desconfiada, mas achando engraçada a situação
- Ta. É só que... — ele disse nervoso
- É só que... Ah pai, vai dizer que tá nervoso? — eu disse brincalhona e ele riu
- Na verdade, eu tô. Como vocês dizem agora mesmo?... Ah! Eu to cagadinho — ele disse e eu comecei a rir demais. A gargalhar mesmo e ele me acompanhou. Resultado: Pessoas nos olhando com a cara fechada.
- Calma pai, vai dar tudo certo. Vocês estão planejando essa coisa a meses... Sem contar que eu vou estar lá o tempo todo. — eu disse o tranquilizando
Depois de rir um pouco mais da cara do meu pai... Ah qual é! Não é todo dia que se vê um dos mais maiores executivos do estado todo "cagadinho" porque vai se casar. Nos divertimos bastante. Mas tudo o que é bom dura pouco, então eu fui pegar o vestido da Larissa e ir pra droga da estética que ela tava.
Assim que desso do carro e vou em direção a costureira, sou parada por um cara de óculos escuros, de braços cruzados que tranca minha passagem. Ele estava com a cabeça baixa, mas quando cheguei perto para tentar passar, eu senti o perfume dele.
- Ah, qual é Lucas? Me deixa passar, eu vou me atrasar. — eu disse cruzando os braços e o encarando
- Como sabia que era eu? — ele disse tirando os óculos, sorrindo.
- Só tu faria uma coisa idiota como essa. Agora eu tenho que ir — eu disse já saindo, mas ele segurou meu braço e me beijou.
- Sou idiota, mas tu gosta — ele sussurrou no meu ouvido e eu ri de leve
- Sério, eu tenho que ir. Nos vemos depois — eu disse e lhe dei um beijinho na bochecha, entrando no treco.
- Olá, posso ajudá-la — uma pessoa aleatória e insignificante na vida da humanidade falou comigo, sorridente.
- Oi, eu vim buscar o vestido de Larissa Telles. — eu disse e ela me olhou desconfiada
- O filho dela acabou de pegar ele. O que você é dela? — ela perguntou desconfiada
- Ai não! — eu disse apavorada. Caralho, fodeu! — Sou enteada dela. — eu disse saindo da loja indo em direção ao meu carro.
Entrei no mesmo e liguei para o Lucas.
- Ta Lucas, acabou a palhaçada, me devolve o vestido. — eu disse nervosa. A Larissa vai me matar!
- Te encontro no Hyde Park, daqui 15 minutos. Tchau Giulia — ele disse desligando
Ah, eu vou matar esse garoto! Sério mesmo! Mas acho que a Larissa me mata se alguma coisa acontecer com o vestido dela, no dia do casamento dela.
Dirigi como uma maluca para o Park. Cheguei lá e já fui ligando para Lucas. Escuto Best Of You do Foo Figthres e olho para cima, em cima da árvore. Era Lucas e seu toque super discreto.
- Lucas! Cadê o vestido? — eu digo enquanto ele desse da árvore
- Está a salvo. Mas só te dou ele, depois que o nosso passeio acabar — ele disse segurando meu braço, entrelaçando o mesmo no dele.
- Que porra é essa Lucas?! Eu tenho que ir lá com a Larissa, ela vai me matar! — eu disse nervosa, em prantos e com o coração na boca.
- Então já vai ter vivido os melhores momentos da tua vida quando morrer — ele disse me levando para algum lugar que eu não estava identificando. Ah sim, o lago!
- Nós vinhamos aqui quando éramos crianças. Tu adora atirar pedrinha no lago, eu me lembro — ele disse todo bobo
- É. E tu corria atrás das pombas. Queria uma de estimação mas a Larissa nunca deixou — eu disse e nós rimos
- E foi aqui que nos vimos pela primeira vez. — ele disse me lembrando do tal dia
"Eu estava atirando pedrinhas no lago, quando um menino maluco passa gritando: "Mas mãe, eu quero um pombo! Não um cachorro!" Aquilo soava estranho, mas engraçado aos meus ouvidos.
Depois de um tempo, meu pai estava lendo embaixo de uma árvore e eu resolvi andar de bicicleta. Estava andando, e desvio de um menino, de um pombo e BUM! Caio no chão, ralando o joelho.
- Ah, desculpa! — o garotinho disse.
- Ei, você é garoto que queria um pombo agora pouco! — eu disse me levantando e me limpando, logo estendendo minha mão para ele — Meu nome é Giulia, Giulia Lersh, mas pode chamar de Giu.
- Lucas Telles, ou só Lucas mesmo — ele disse apertando minha mão."
- É, tu queria um pombo. Parece que cachorros são convencionais demais para o super Lucas! — eu disse rindo e ele me acompanhou
- Tu foi a primeira menina que eu conheci que não chorou quando caiu, e olha que tu levou dois pontos no joelho. — ele disse rindo, indo em direção ao um banquinho embaixo das árvores, que meu pai costumava ler.
- E nossos pais se conheceram no hospital. Parece que uma menina de 5 anos não pode cortar o joelho sem chorar, que já tem que ir no hospital. — eu disse me sentando no banco.
- Vivemos cada coisa estranha. Ainda vivemos, muitas coisas estranhas. — ele disse passando o braço pelos meus ombros.
- E tenho certeza que isso é só o começo. — eu disse apoiando minha cabeça em seu ombro. — Agora Lucas, me diz qual o verdadeiro motivo de ter vindo aqui? — eu disse admirando o lago que eu tanto gostava de brincar.
- Essa história de casamento ta deixando todo mundo nervoso e irritado. E eu gosto de vir aqui pra relaxar. Coisa ótimas aconteceram aqui. E eu também queria te falar uma coisa... — ele disse se ajeitando, de modo que pudesse ficar de frente para mim.
- Pode falar. — eu disse depois de um suspiro
- Me promete que sempre vamos ser amigo? Apesar disso tudo... Promete assim como prometeu que tudo iria ficar bem e que ficaria do meu lado... aquele dia... — ele perguntou e eu sorri
- E eu não te aguento até hoje? Lucas, eu tô, pra sempre contigo! — eu disse o abraçando. Um abraço infantil e sincero. Naquele momento, éramos só a Giu e o Lucas. As crianças mais estranhas do mundo.
Fale com o autor