Just Friends - 2ª Temporada
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Cai na cama sem nem trocar de roupa. Na verdade, não me deitei pra dormir. Deitei só por deitar mesmo. Os trechos das musicas passavam pela minha cabeça me deixando zonzo. A família dela era demais!
Acho que fiquei por horas ali, com a luz ligada, a camisa social meio aberta e os olhos vasculhando o teto.
Até que acabei dormindo.
–Ei – senti alguém cutucar meu braço – acorda.
Meu corpo era balançado freneticamente e eu quase cai da cama.
–Delicadeza ein Manuela!
–A culpa não é minha se tu não acordou quando tentei ser carinhosa.
–Claro, porque você é sempre carinhosa...
–Iiiih já vai começar a encher? Vim te fazer um convite mas se vai ficar de viadagem...
–Que foi?
Ela virou sorrindo.
–Minha mãe disse que podíamos sair, pra você conhecer a cidade. Nós dois, sozinhos.
Aaaah entendi...
–Só me dá cinco minutos pra eu escovar o dente.
–Te dou dez pra trocar de roupa também.
***
Não tinha muito o que se ver. Mas quem se importa?
Andávamos sentindo o vento e curtindo o momento. Só os dois.
Certeza que todo mundo já imaginou a gente de mão dada cheio de nhe nhe nhe. Desculpa ser realista, mas não estamos de mãos dadas! E não estamos nos chamando de “amor”, “mô”, “mozão” ou “mozinho”. Não sou muito chegada em nada disso. E o Edu também não faz questão. A gente simplesmente respeita os gostos de cada um.
–Como você pode ver, não tem muito pra ver.
–Huuuum, aqui tem cinema?
–Cara, o que mais tem aqui nessa cidade é shopping! Um cinema em cada um, pode escolher.
–Ótimo, então vamos ver um filme.
Fomos para o shopping mais próximo. Na hora de pagar a entrada, vi que meu cartão tinha ficado dentro da bolsa, que não estava comigo.
–Eu pago.
–Sabe que odeio que façam isso pra mim... Me sinto sustentada e é como se fosse...
Ele não me deixou terminar a frase, me dando um beijo rápido.
–Acha que não vou cobrar? Me paga quando chegar...
Eu sabia que ele não ia cobrar.
–Como se fosse fazer questão.
–Dá pra me deixar ter o gosto de fazer pelo menos uma coisa como seu namorado? – sua voz era como se estivesse chateado, mas não estava. Ele pedia por isso.
–Claro.
Isso era algo... Fofo? Não, se fosse fofo eu não ia ter gostado. Era... um pedido irrecusável.
Consegui ouvir ele suspirar e reclamar baixinho.
–O que foi que eu fiz pra conseguir uma garota assim ein?
Mas ele sorriu ao terminar de sussurrar.
Acabei levando como um elogio.
Eu juro que prestei atenção no filme! É serio, não fiquei só de agarração. A historia era boa, mas fiquei meio perdida no final e o Edu teve que me explicar tudo.
E ai percebi que na verdade, eu não tinha entendido nada.
–Na próxima eu escolho o filme! – falei emburrada.
–Uaaai, não gostou?
–Não entendi nada!
–Vou te explicar de novo...
Era muita coisa pra tentar entender. Ele explicou de novo. Deu na mesma pra mim. Agora sim eu sabia como era farmacologia pra Laura.
***
–Entendeu?
Não. A expressão dela já falava isso. O rosto franzido, a boca entreaberta tentando prestar atenção. Ai Manuela...
–Ta – me dei por vencido – na próxima você escolhe!
Andamos um pouco em silencio, até que ouvi ela soltar uma risadinha sem motivo.
–O que foi?
–Nada.
–Fala.
–É só... Isso é estranho. Olha os casais em volta, são tão normais. Beijinho e abraços toda hora, mãos dadas. Não gosto disso, prefiro ser assim, um casal diferente.
–Diferente?
Ela entortou a boca pensativa.
–Diferente não, confuso.
***
–Serio, como esse povo consegue andar colado desse jeito? Fazendo esse tanto de carinho e melosidade! Argh, fico até enjoada desse jeito.
–Não é todo mundo que é insuportável tipo você Manu!
–Idiota!
–Chata!
–Ridículo!
–Ignorante!
–Meloso!
–Grossa!
–Sou mesmo! Nunca neguei nada disso daí!
–Como águem pode te aguentar ein? Eu devia ganhar um premio por isso!
–Aaaaah falou o que me pediu em namoro né?
Continuei andando. Ele me puxou. Passou o braço pela minha cintura e me puxou pra mais perto.
–Ta fazendo o que?
–Maluca.
Cruzei os braços e ergui a cabeça, fazendo minha melhor cara de metida.
–Irritante!
–Teimosa!
–Sou mesmo.
–E eu não sei?
Eu nem tinha percebido, mas ele conduzia devagar para um dos corredores do shopping. O que por acaso era o mais vazio dali.
–Eduardo...
–Que é? Pode ficar dançando e andando pela casa de roupa curta, me tentar até cansar e ainda se acha no direito de me perguntar o que to fazendo?
Ele tava me olhando diferente. Já tinha me olhado assim algumas vezes, mas parecia fazer tanto tempo desde que estávamos bem para ele me olhar assim.
–Tsc tsc tsc, que coisa feia Eduardo, tentando me desviar.
–Mais desviada do que você é? Impossível!
Seu braço ainda cruzava meu corpo na altura da cintura, e ele conduzia os movimentos do meu corpo, fazendo pequenos giros, como se estivéssemos dançando uma valsa. O corpo estava reto e com postura, a cabeça erguida, com o olhar reto e a expressão seria.
As pessoas passavam nos olhando como se fossemos doidos.
Era disso que eu tava falando! Preferia muito mais ser esse tipo de casal, do que ser daquele tipo sem graça que morre de vergonha de fazer qualquer coisa em publico. Eles eram um saco!
Comecei a ficar tonta e tropecei na minha própria perna – ou no cadarço do tênis, eu não sei exatamente o que aconteceu.
Caímos de costas um sobre o outro. Eu não conseguia parar de rir – e como eu sou a discrição em pessoa, metade do shopping deve ter me ouvido.
–Algum problema?
Era o guarda daquele andar, nos olhando feio do tipo “sem bagunça no meu andar!”.
–Não, ta tudo bem. Sorry!
Consegui dizer ainda rindo, já que o Edu só baixou a cabeça,escondendo o rosto no meu pescoço.
–Vocês poderiam se levantar por favor?
–Claro!
Passei as mãos pelo peito do Edu e o empurrei para o lado, e ele caiu estatelado de costas no chão. Levantei me ajeitando e me desculpando de novo com o guarda, que continuou de cara feia para os dois.
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