Just Friends - 2ª Temporada
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Abri o chuveiro e esperei a água esfriar um pouco. De inicio de conversa, eu já cheguei fazendo bagunça, como sempre. Eu não conseguia fazer outra coisa alem de mostrar aquele sorriso idiota, como aquelas meninas bobas de novela. Mas como nada comigo pode acontecer desse jeito, eu cai. Veja se isso não é bem minha cara mesmo?
Quando vi o Gus com a Laura no restaurante... Nossa, deu vontade de gritar de alegria por eles – e vontade de me enfiar num buraco com a indiscrição dela. Falando nisso, eu tinha que conversar com a Laura...
Voltando ao que interessa... Mesmo com pouco tempo, nós já temos um problema. Por que não podemos ser como aqueles casais que sentem ciúmes e pronto? Naaaaao, temos que morar juntos, ser praticamente casados já, temos que ter problemas de casais casados há anos. Só falta eu engordar e ele me trair com a secretaria.
Acordei cedo hoje e sai procurando por qualquer coisa que me rendesse algum dinheiro e não exigisse muito. Acabei encontrando por acaso, quando parei para comer alguma coisa. Seria garçonete – com direito a uniforme bonitinho e tudo mais – em um café ali perto mesmo, naquele estilo de lugar chique, que uma xícara é quinze reais.
E agora você me pergunta: por que você parou pra comer em um lugar desses? Eu não parei para comer lá... Quer dizer, parei, mas quando vi o cardápio, desisti. Estava me levantando pra ir embora quando vi uma plaquinha que eles precisavam de garçonete. E pronto, consegui o emprego.
O lado bom é que conversei com o dono e ele me concedeu só quatro horas de trabalho. Não dava pra ficar rica com o salário, mas dava pra se sustentar tranquilo.
Com isso eu acabei descobrindo o lado macho alfa do Edu. Mas eu só lamento, porque não sou do tipo de mulher de ficar em casa arrumando tudo enquanto ele trabalha. E mesmo assim, eu dou conta. Dá pra estudar, trabalhar e manter a casa arrumada. Milhares de pessoas fazem isso, por que eu não faria?
Além de que, eu precisava disso. Só a faculdade não era o suficiente pra ocupar minha cabeça. E tinha o Rodrigo... Que já tinha me ligado umas 70 vezes.
Desliguei o chuveiro e deixei o cabelo pingando enquanto me enrolava na toalha. Abri a porta e me deparei com o Edu sentado na minha cama.
–O que foi?
–Preferia que você arranjasse algo melhor...
–Esse é o problema? Edu, por quatro horas e com o dinheiro que vou ganhar... Melhor do que isso, só se eu fosse rodar bolsinha na esquina.
Ele me olhou feio.
–Não tem graça.
Ajeitei a toalha no corpo e fui até a cama, sentando do seu lado.
–Será que dá pra relaxar e parar com isso? Eu não sou de plástico, dou conta do que vier.
–A questão não é essa...
–E qual é a questão então?
–Você vai acabar me sustentando e...
Aaaaaah não! Sério que o ego machista dele ia falar mais alto do que a necessidade de pagar a conta de luz?
–Isso é machismo Edu.
–Não é não.
–Não quer ser sustentado por uma mulher, e sim, sustentar ela! Faça-me o favor né, isso é ridículo!
–Não é isso...
–Então o que é?
–Eu quero poder te dar uma boa vida, e não o contrario! Quero poder discutir com você pra pagar o cinema e pedir o jantar com sua comida favorita. Quero comprar alguma coisa e te dar por simplesmente querer fazer isso. Quero poder ter o luxo de te mimar e não o contrario.
Porra, ele tinha que ser tão perfeito?
–Desculpa.
–Não – ele levantou, indo para o lado oposto do quarto – ta tudo bem, não se preocupa.
–Eu não queria...
–Manu, ta tudo bem. Só esquece tá? Eu vou dar um jeito.
Ele começou a sair do quarto, mas parou quando eu o chamei de volta.
–Edu – ele se virou. Tinha uma expressão chateada — Não precisa fazer nada disso por mim, sabe disso não sabe?
Ele só fez que sim com a cabeça. Se me convenceu? É claro que não.
–Edu? – ele me olhou – Sabe que não sou de falar essas coisas mas... Não precisa me mimar ou fazer mais do que já faz por mim. Você já é perfeito ao meu ver, assim, desse jeito. Sem jantar, sem presentes... Eu não preciso de nada disso, desde que fique por perto pra me ajudar. Quer me dar um presente? Tira esse bico do rosto e se esforça na faculdade, só isso... Eu dou um jeito no resto.
Ele baixou a cabeça e mirou o chão por um tempo.
–Obrigada.
–Não agradeça, vai pagar caro por isso um dia...
Enfim consegui arrancar um misero sorriso dele.
Primeiro dia no novo emprego.
Tinha passado no dia anterior para pegar meu novo uniforme e ajeitar as ultimas coisas. Estava terminando de me vestir quando o Edu apareceu na porta, e adivinhem só? Encostou o corpo no portal.
–O uniforme podia ser mais longo, tipo... Uma burca talvez?
A saia realmente era um pouco curta. A saia era volumosa e em um tom de bege esverdeado. A blusa era social e branca, e a meia fina preta vinha até os joelhos. O avental, também preto, era obrigatório sobre o uniforme. Eu tinha que admitir que era uma gracinha.
–Vai dar uma de ciumento agora?
–Não, não sou desses idiotas que pira ao ver a menina com a pele de fora... Os outros podem até olhar, mas é comigo que você passa a noite então...
Passo a noite?
–Passo a noite? Desde quando a gente passa a noite juntos?
–É modo de dizer. Vou reformular: eles podem até olhar, mas é comigo que você namora. Melhorou?
Terminei de prender o cabelo e fui saindo do quarto, selando um beijo nele.
–Muito! Agora tenho que ir... Quero jantar pronto viu?
–Serio isso?
Vesti o casaco e parei na porta.
–Me mime meu bem.
***
Me segurei no mínimo umas dez vezes para não levantar e ir até o café fingir ser um cliente. Loucura minha? Talvez. Mas é que eu realmente não gostava da ideia de ter a Manu trabalhando naquele lugar. Por que adivinhem só? Sim, tem a Rachel no meio.
O café é da família da Rachel.
Essa menina morreu mas o espírito dela não me larga, nossa! Como pode ser possível tantas coincidências? O dono – se não me engano, o tio da Rach – deve ter achado a Manu parecida e se afeiçoou a ela. Por isso o dinheiro bom em quatro horas de serviço. E provavelmente, outras coisas viriam.
E essas outras coisas...
A Rachel podia até ser perfeita, mas a família era um pouco desequilibrada... Deus queira que eu esteja errado.
Fiquei vendo o tempo passar pelo resto do dia, até que resolvi levantar e fazer o jantar.
“Me mime meu bem”.
Era isso mesmo que eu ia fazer.
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