Just Dont Cry
1 Just Dont Cry
Notas iniciais
Just Don’t Cry
Todos estavam em festa. Finalmente haviam salvado Karakura e derrotado Aizen. Estavam na Soul Societ, reunidos. A noite era escura, dando destaque à lua que brilhava no céu. As luzes dos fogos e das lâmpadas na cidade apagavam aquela escuridão. Estavam todos rindo, se divertindo, comendo, bebendo... Shinigamis, ryoukas e até Vaizards.
Matsumoto e Kira andavam em direção a aquela sala, ouvindo as conversas e risos que vinham da festa. Os dois permaneciam sérios e preocupados. Pararam em frente a uma porta.
- Hum... Matsumoto-san... Tem certeza de quer ir agora?
Kira olhou para baixo, ficando sem resposta por alguns segundos.
- Desculpa, você quer ir primeiro, não é? Afinal, você é o tenente do terceiro esquadrão, não eu.
- Não é isso... É que... –Ele ficou sem graça. –Você está com uma expressão estranha no rosto.
Ela surpreendeu-se com a resposta e começou a rir.
- Ora, não se preocupe. É que eu pedi pro Taichou guardar umas bebidas para mim, mas acho que não vão deixar ele pegar, já que ele se parece com uma criança, né? –Mente.
- Hum... É... Se é isso... (não acredite ¬¬)
Ele entra na sala e deixa a porta meio aberta para Unohana sair. A mesma, quando vê Matsumoto, se curva e lança um olhar triste. Fecha os olhos e sai.
Droga...
Passam-se alguns minutos e Kira sai da sala com o mesmo olhar de antes.
- Eu... Estou indo para a festa...
- Espere, Kira. Como ele está?
Ele balança a cabeça como se negasse algo. Saiu com passos lentos e curtos. Matsumoto olhou para a porta à sua frente e apoiou as mãos nela.
Por que estou me sentindo assim?
Decidiu abrir-la. A sala estava escura e possuía apenas uma pessoa, que estava deitada em uma maca, no canto da sala. Matsumoto entrou e fechou a porta. Aproximou-se da pessoa e sentou-se ao seu lado.
- Gin...
Ela olhava para os seus olhos afiados e fechados. Permaneciam imóveis. Mesmo sabendo que não funcionaria, repetiu aquele nome.
- Gin...
Sentiu-se ridícula por um momento, naquele silêncio desesperador. Gin não se mexia e respirava com dificuldade. Seu braço havia voltado graças a Inoue, mas suas feridas permaneciam graves. Não havia mais como curá-lo. Unohana sabia disso quando saiu por aquela porta, Kira sabia disso. E, infelizmente, Matsumoto também sabia.
- ...Ran...
Matsumoto alarmou-se quando Gin tentou falar.
- Gin... Gin!Você... Você está bem?!
Ele tentava abrir os olhos com dificuldade, mas não conseguiu. Era como se tivesse voltado à imobilidade de antes. O silêncio voltou e deixou o tempo mais lento.
- Gin... Você... Você está machucado por minha culpa...
Ela pôs sua mão no rosto dele e sentou-se mais perto.
- Você se tornou shinigami... Porque queria me proteger, não é?
Ela apóia a outra mão no chão, perto do rosto dele.
- Seu idiota... Eu sei muito bem me proteger... Sou até fukutaichou! –Disse, pondo a mão no peito em forma de mostrar que era durona. Olhou novamente para Gin e voltou a apoiar a mão no mesmo lugar de antes.
Ela já não ligava mais para o silêncio. Aquele momento era dela, só dela. Não havia ninguém por perto para perturbar, nem nada para impedir as palavras que ficaram presas em sua garganta desde o dia que foi abandonada por ele.
- E você... Você atacou Aizen só porque ele me machucou aquele dia, não foi?
Ela aperta os lábios, tentando conter seus sentimentos.
- Você vai morrer... Porque me protegeu, não é, Gin?
As lágrimas começaram a sair de seus olhos, passando por suas bochechas, tocando seu queixo até finalmente caírem no rosto de Gin.
- Eu não queria... Que você chorasse novamente.
Ela arregalou os olhos ao ver que Gin havia acordado. Seus olhos, que estavam sempre fechados, estavam abertos, e o seu sorriso que sempre estava lá, como se fosse uma máscara, havia sumido de sua cara. Matsumoto continuou naquela posição.
- Gin... Você está bem?!
Ele sorriu.
- Já estive melhor.
- Mas pelos menos... Você acordou...
Os dois ficaram sem ter o que falar. Apenas ficavam olhando-se nos olhos. Era como finalmente se encontrassem depois de tanto tempo. Gin, mesmo sentindo dor, estende o braço e põe a mão no rosto de Matsumoto, enxugando as lágrimas que não paravam de transbordar do rosto dela.
- Por favor... Não chore.
- É culpa minha.
- Não é não.
- Sim, é sim. Você teve que enganar todos os seus amigos para fingir que estava no lado de Aizen. Você trocou a própria vida e se machucou por causa de mim...
- Eu não tenho amigos... Ninguém nunca confiou em mim de verdade... Só você.
Ela fica corada com aquelas palavras, mesmo não tendo vergonha de quase nada na vida.
- Eu prometi a mim mesmo... Que faria um mundo... Aonde você não chorasse mais...
Ele põe a mão que estava no rosto de Matsumoto para perto de si e tapa seus olhos com ela. Dá um largo sorriso, um sorriso falso.
- Ah... Eu sou um desastre mesmo... Fiz uma bela mulher chorar. –Disse com um tom irônico.
- “Uma bela mulher”...?
- Para mim...
O sorriso falso é trocado por um verdadeiro.
- A mais bela.
Matsumoto fica sem saber o que fazer com aquelas palavras e apenas o abraça.
- Rangiku... –Ele parou de sorrir, mas por dentro estava feliz.
- Se você não quer que eu chore... Então não morra! Não faça coisas estúpidas assim por mim!
Os olhos de Gin se arregalaram e Matsumoto se separou um pouco dele.
- Nós sempre fomos amigos! Eu... Eu amo você do jeito que você é!Mesmo com este rosto de bobo e esse modo de agir e falar esquisitos... Eu amo você!
Seus olhos se encontraram de novo e os dois estavam corados a essa altura. Rangiku aproximou seus lábios aos dele.
- Eu não irei morrer até que você peça.
Aproximaram-se mais ainda.
- Eu sempre te amei, Rangiku.
E se beijaram.
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