Just Call My Name

6 O verdadeiro poder do cristal.


O que o anjo viu assim que adentrou a porta de madeira do enorme castelo de pedras negras – o castelo de Ryosuke – fez com que sua respiração parasse por alguns instantes. Havia dois pilares de mármore negro no centro da sala. De cada um deles, pendia uma corrente. No final dessas correntes estavam os frágeis pulsos de Mio. A garota, além de acorrentada, estava seminua. Vestia apenas uma lingerie sensual demais, que não combinava com seu corpo tão frágil, nem com sua expressão de tristeza, horror e desespero. Estava ajoelhada e, atrás dela, estava Ryosuke. O demônio deixava uma das mão em sua barriga, segurando-a, deixando-a ainda mais submissa a ele enquanto a outra passeava despreocupada por dentro de sua peça íntima. Estava-a usando, torturando-a para atingir Tarou e, por mais que o anjo tentasse não se deixar afetar, estava furioso. Sua amada estava acorrentada, presa por correntes nos braços de outro homem. Estava sendo usada, tendo sua pureza corrompida. O pior é que tudo isso acontecia contra a vontade de Mio.

- Oe, Tarou. – Ryosuke começou, zombando – Tenho cada vez mais motivos para querer esse seu cristal. Ele o trouxe aqui em quase um terço do tempo previsto e ainda impediu que as almas infernais te devorassem... Não perca meu tempo, amigo. Entregue-me isso e te devolvo essa vadia sem nenhum arranhão. Agora... Se você tentar alguma gracinha, por mais idiota que seja... Vou desmembrá-la. A cada erro seu, por menor que seja, ela perde um membro. Começarei pelos dedos das mãos, depois dos pés... Acho que ela vai sofrer bastante, não é? Você decide, “amigo”.

- Não imaginei que você pudesse ser tão sujo, seu maldito. Ela é inocente. Não merece sofrer porque você é um desequilibrado invejoso. Ela não merece... – Neste momento, lágrimas – um misto de ódio, medo e tristeza – começaram a percorrer o rosto do anjo.

Mio observava-o com grande pesar, e não se conteve. Gritou:

- Tarou, fuja! Não entregue o cristal a ele! Mesmo que você o faça, ele vai me matar, não seja bobo! Corra e não deixe ele te pegar!

- VADIA! – Rosnou Ryosuke. – Farei você calar essa maldita boca.

Após proferir tais palavras, o demônio desferiu um soco na costela esquerda de Mio. Sem ar, e com uma dor terrível, ela não conseguia falar, apenas arfava, tentando respirar. A força do soco quebrou uma costela que, muito provavelmente, perfurava o pulmão da garota.

- Ryosuke... Você pediu por isso. – Murmurou Tarou.

O anjo levantou a mão direita, a qual segurava o cristal. O brilho do cristal intensificava-se mais e mais, escapando por entre os dedos compridos e finos de seu portador. À medida que o brilho da pedra crescia, Tarou começava a sofrer modificações em sua aparência. Seu cabelo – antes castanho e curto, com uma franja – cresceu e clareou, caía em fios perfeitamente lisos e brancos sobre seus ombros. Seu olhos – cor de mel – agora eram cinzas e penetrantes, ganharam tal brilho que tornava difícil de se olhar por muito tempo. Suas roupas rasgadas e acinzentadas tornaram-se uma calça de couro prateada e uma camisa de manga comprida branca. Asas enormes, ainda maiores que as de antes, saíam das costas do anjo e abriam-se esplendorosas atrás dele. O cristal que se encontrava em sua mão começou, repentinamente, a crescer. Tornou-se uma espécie de lança com formato de cristal, porém maior e muito mais pontiaguda, da qual transbordava pureza, assim como o anjo que a empunhava.

- Vejo que agora poderemos brincar decentemente, Hatori-san. – Disse Ryosuke, sorrindo presunçosamente.

“Mio estava deslumbrada. Para ela Tarou sempre foi a definição perfeita de beleza, e, no entanto, agora estava muito mais bonito. Radiante. Era verdadeiramente um anjo. Um lindo anjo, em suas vestes claras. Mas... O demônio havia-o chamado por outro nome. Um nome que sua amada desconhecia. “Hatori”. O que estava acontecendo ali?

Notas finais
Mais uma vez, agradeço a vocês, que estão acompanhando, e à minha leitora beta, que tem tido muito trabalho, porque eu erro demais! u.u UASHUA :*