Just Another Summer Love

23 Trick or Treat? - Parte 2


Notas iniciais
Mais um capítulo direto do forninho para vocês, amores ♥

Connor’s P.O.V.

Antes de descer as escadas, coloco minha coroa de plástico na cabeça e ajeito o pedaço de pano que passei pela cintura. Nunca fui muito fã de doces ou travessuras, mas confesso que me fantasiar de Macbeth esse ano foi inovador. Confiro o horário em meu celular: 18:25. E uma mensagem não lida.

“Onde você está? Preciso URGENTEMENTE ser resgatada dessa festa! – Bela”.

Sorrio para mim mesmo enquanto desço as escadarias de casa.

—Que horas você volta? – Liam me pergunta. Ele e minha mãe estavam terminando os detalhes finais da lanterna de abóbora que os dois planejaram deixar na varanda naquela noite.

—Volto perto das nove – Respondo, dando um beijo no topo de sua cabeça – Não durma até lá, ouviu?

Liam assente, sorrindo.

—Divirta-se, querido – minha mãe me dá um beijo suave no rosto e eu a agradeço. – E leve um casaco.

><

A entrada da casa de Riley estava decorada com 17 abóboras, esculpidas com feições diversas, e uma faixa roxa estava pendurada em cima da porta do Hall. O som que vinha do quintal ecoava alto e fazia o lustre de cristal no meio da sala vibrar. Abro espaço pelo Hall de entrada entre anjinhas, vampiros e um grupo de pessoas vestidos de uniformes de futebol americano. No quintal, a piscina brilhava com boias redondas alaranjadas e roxas, e uma mesa enorme de doces se estendia por toda a área coberta da churrasqueira. Os aquecedores externos estavam todos ligados, e o frio do Outono não atrapalhava o clima da festa. Quando passo ao lado da caixa de som, meus ouvidos começam a zunir, e eu sorrio para mim mesmo. Quem diria, Connor Jacobs em outra festa colossal.

—Ei, Rei Arthur! – Viro-me para encontrar Jason, que me cumprimenta com um toque de mão. – Roupa legal.

—Teoricamente é Macbeth, mas eu entendo a confusão.

—Pelo amor de Deus não me venha com papo literário – Ele franze o cenho e dá risada, virando-se para me guiar até o outro lado da piscina – Já bastasse a prova do professor Yusef de hoje para me tirar do sério.

Na mureta que separa a área da piscina do jardim de Riley, estão sentados Peter, Ashley e Riley.

—Uau, Henrique V, está bonitão – Ashley bate palmas.

—É Macbeth, Ashley, não está vendo? – Jason brinca com a loira, e ela mostra a língua para ele. A fantasia dos dois combinavam: ele usava uma camiseta Jersey com o sobrenome Brady, e ela vestia uma espécie de roupão cor de rosa da Victoria’s Secret. Gisele Bundtchen e Tom Brady, um casal icônico. Peter me cumprimenta com um toque. Ele tinha o cabelo desgrenhado, e um único fio de cabelo caindo pela testa. Sua camisa estava semiaberta, e ela escondia o símbolo do Super-Homem em seu peito.

—Bela está pegando bebida na churrasqueira – Riley aponta. Seus cabelos estão presos em uma maria-chiquinha, e ela tem uma maquiagem forte de Arlequina no rosto.

Ando em direção à churrasqueira, mas Bela me encontra no meio do caminho. E céus, como ela estava linda. Seu rosto tinha uma maquiagem leve, pouco marcada, mas evidente, que compunham uma obra de arte em conjunto com seus cabelos soltos caindo pelos ombros. Ela vestia uma roupa preta e um casaco de couro de mesma cor que a deixava com cara de má. Usava botas que iam até os joelhos, e que lhe davam poucos centímetros de altura. Na cabeça, usava uma tiara com orelhas felinas, e seus olhos azuis pareciam mais claros sob a luz do luar. Ela sorri ao me ver, e finge por alguns instantes tentar lembrar de algo.

—Hmmm.... Rei Arthur?

—Caramba, acho que não me esforcei o suficiente na fantasia deste ano. – A risada de Bela ecoa por meus ouvidos, e tenho vontade de beijá-la ali mesmo.

—Eu definitivamente não me esforcei – Ela olha para sua roupa – Riley quem preparou tudo.

Pego um dos copos que Bela tinha nas mãos e dou um gole. Um gosto de caramelo com Vodka invade minha boca, mas de uma forma suave, quase aveludada. Então, com a outra mão, seguro seu rosto e beijo seus lábios levemente rosados.

—Você está linda.

Apesar da escuridão da noite, consigo ver as bochechas de Bela se avermelharem. Ela morde o lábio e toma um gole do copo em sua mão.

—Vamos, Macbeth. – Ela entrelaça sua mão livre na minha. Eu sorrio para ela.

—Macbeth?

Enquanto Bela me puxa em meio aos convidados, ela olha pelo ombro e me dá seu melhor sorriso.

—Connor Jacobs, como você poderia ser qualquer outro personagem?

Tomo mais um gole de minha bebida enquanto traçamos o caminho de volta ao beiral do jardim. Aquela mulher-gato estava me deixando nas nuvens.

><

Eu não sei quantos copos de Caramelo-Alcoólico eu tinha bebido, ou que horas eram, mas eu estava dançando. Bela tinha um sorriso largo no rosto enquanto jogava as mãos para o alto ao som de Daddy Issues. Riley a abraçava pelo ombro enquanto as duas cantavam o refrão juntas. Jason e Ashley estavam abraçados ao nosso lado, balançando os corpos ritmicamente. Peter estava sentado na mureta do jardim, olhando para nós. Para Riley. Bebendo de um copo quase-vazio e sorrindo para ela. O álcool estava fazendo efeito, e eu estava começando a me sentir alegre demais. Volto minha atenção para Bela. Fato é que não sou um cara de festas, ou de danças, mas eu ficaria ali durante horas vendo ela daquele jeito. Solta, cantando, dançando, sorrindo. E céus, ela estava linda.

Quando ela percebe meu olhar, se aproxima de mim e coloca as mãos entrelaçadas em minha nuca. Seu perfume está misturado com o cheiro da bebida de caramelo, e sua boca está mais rosada que o normal. O toque de suas mãos na minha nuca me faz arrepiar.

I tried to write your name in the rain— Sua boca dizia, mas o som estava abafado pela voz de The Neighbourhood. – But the rain never came, So I made with the sun.

Minhas mãos passeiam por suas costas, e eu me movo com ela ao som da música. Ela joga sua cabeça para trás e fecha os olhos.

The shade always comes at the worst times.— Dessa vez, consigo ouvir sua voz, baixa, suave. Romântica. Então ela volta seu olhar para o meu, e sua boca se aproxima da minha. Ela fecha seus olhos enquanto a batida da música ecoa por nossos ouvidos. Mas eu ainda a observo, e a luz do luar refletindo em seu rosto angelical me fez querer beijá-la. Coloco minha boca a poucos milímetros da dela. Sinto seus lábios roçarem no meu de leve, me chamando. Suplicando. E sinto que ela está sorrindo. Um calor súbito toma conta de meu corpo, e eu não consigo culpar a bebida.

Selo nossos lábios com um beijo intenso, mas lento. Nossos corpos ainda se movem lentamente ao som do refrão, e nossas línguas também dançam. Ela segura meus fios de cabelo com força enquanto me beija e, droga, eu queria estar em outro lugar. Consigo sentir meu coração bater forte no peito, o som dos batimentos ecoando por meu corpo. Cada pedaço de seu lábio me traz uma doçura de caramelo viciante, e eu não quero parar.

Desço minhas mãos até sua cintura e a puxo para mim, o máximo que pude. Seu corpo agora está colado ao meu, e o ardor que desce pelo meu ventre me faz querer beijá-la por mais tempo. Mas então, ouço a risada de Jason vindo de trás e abro meus olhos. Bela afasta sua boca da minha gentilmente, e faz o mesmo.

—Arranjem um quarto! – Jason brinca, e Ashley lança um sorriso malicioso para Bela. Ela fica corada, mas revira os olhos em um sorriso divertido. Ela vira seu corpo para que eu a abrace por trás, e minhas mãos seguem suas ordens silenciosas. Nossos corpos voltam a se movimentar em um leve balanço que acompanha o ritmo da música. Ash e Jason voltam sua atenção para Riley, que virava seu sexto ou sétimo copo de Vodka-melo e jogava as mãos para o alto, fechando os olhos, e movendo seu quadril de um lado para o outro.

—Vamos sair daqui? – Bela me chama, sutilmente. Seus olhos brilham um pouco, e ela morde seu lábio inferior. Como posso resistir a isso?

Ela me puxa pela mão para dentro da casa de Riley, e passamos pelo Hall de entrada lotado com os jogadores de futebol, até a porta principal. O som da música já está distante, e agora tudo que ouço é o som dos meus próprios batimentos cardíacos, ecoando por meus ouvidos em um ritmo um pouco frenético. Ela para e se vira para mim.

—Podemos ir para a sua casa? -Ela pergunta. Seu olhar é enigmático, e eu não consigo adivinhar se ela estava pedindo uma carona ou querendo “arranjar um quarto”. De qualquer forma, assinto e puxo a chave do carro do meu bolso.

Durante o percurso, ela fica em silêncio. A música que tocava na rádio estava tão baixa, que não consegui identificar a letra, e a única coisa que conseguia ouvir era a respiração ofegante de Bela. Ela olhava pela janela, pensativa, e eu desejo por um momento poder ler a sua mente. Quando viro o volante para colocar o carro na garagem de casa, ela tira o cinto de segurança e respira fundo.

—Bela, está tudo bem? – pergunto, quando desligo o carro já dentro da garagem. Enquanto o portão fecha, a escuridão do ambiente começa a ficar sutil aos olhos. Bela está de olhos fechados, mordendo o lábio. Seu peito sobe e desce em um ritmo rápido e ela balança sua cabeça de um lado para o outro. Algo não está bem. De um segundo para o outro, ela passa as pernas pelo câmbio e senta no meu colo. Suas mãos envolvem meu rosto e ela me beija com urgência. Demoro para processar o que estava acontecendo, demoro a fechar meus olhos. E mesmo quando os fecho, aquilo não parece natural. Não parece certo. Suas costas batem no volante quando ela tenta me puxar para si, e eu franzo minha testa quando ouço um leve murmuro vindo de Bela. Sinto meu baixo ventre arder, e minhas mãos se contraem em volta de seu quadril.

—Bela... – murmuro, entre os beijos com gosto de caramelo. Ela prende seus joelhos em volta de minha cintura e me aperta. Seu pescoço está curvado, o topo da cabeça batendo no teto. Seu beijo é intenso, quente. Ela direciona sua mão para minha cabeça, e tira a coroa de plástico do topo. Mas sua respiração ainda é ofegante demais, e sua pressa me indicava que algo não estava certo. Com dificuldade, me afasto dela o suficiente para encará-la. Ela me olha com dúvida, quase confusa.

—Bela, pare. – Peço, em um murmuro. Ela morde o lábio mais uma vez, e passa seu dedão direito pelo meu lábio inferior. Fecho os olhos e seguro sua mão entre as minhas. Respiro com dificuldade, ainda não conseguindo processar o que tinha acontecido.

Então, Bela volta para o banco do passageiro.

—Desculpe. – Ela diz, com os olhos fechados. – Eu... não sei, achei que você quisesse alguma coisa lá na festa. – sua voz é trêmula, e sua fala é um pouco embaralhada. Penso que talvez a bebida tenha a afetado mais do que a mim.

Franzo o cenho quando olho para ela. Ela está se abraçando, e sua postura corporal me indica insegurança. Quando ela direciona seu olhar para mim, suas pupilas dilatadas brilham.

—Bela... – seguro sua mão – eu nunca vou te pedir ou te forçar a nada que você não se sinta segura fazendo. — Ela suspira, quase que em alívio, e assente. – Preciso que você pare de pensar no que eu quero. Não tente me agradar, ou nada do tipo, tudo bem? – Envolvo seu rosto com minhas mãos. – Eu não sou ele— refiro-me a William – Por favor, não me faça pensar que eu sou. Não quero, por segundo algum, pensar que estou forçando ou influenciando você a fazer coisas que não quer. Eu amo você. E vou sempre ir no ritmo que você precisar.

Ela tira minhas mãos do seu rosto e respira fundo.

—Eu sei, é só que... Eu quero você. Eu só... não sei se estou preparada...Acho que não estou. -Ela passa as mãos pelo rosto e suspira. — Não sei em que estava pensando. Você não é nada como... – ela engole a seco – Desculpe se te deixei chateado, é só que... Não quero decepcioná-lo, sei lá. – Ela balança a cabeça. – É um sentimento confuso.

—Está tudo bem, Bela – eu digo – Você não me decepcionaria nem se quisesse – Sorrio para ela. – Só peço para que deixe para fazer tudo isso – gesticulo para meu colo – quando se sentir preparada e segura consigo mesma. -Ela dá um sorriso leve. – E, Bela, eu amo você. Nunca vou te desrespeitar ou te machucar. Saiba disso.

Bela respira fundo e sorri.

— Precisamos ter essa conversa em outro momento. Não estou me sentindo eu mesma hoje.

Quebro o clima com uma risada baixa, anasalada.

—Bem-vinda aos efeitos do álcool. – Abro a porta do carro e dou a volta para abrir a do passageiro. Ela tem um sorriso leve no rosto quando sai do carro. E quando fecho a porta, ela me envolve em um abraço.

—Eu amo você. – Sua voz é sutil em meu ouvido, e um arrepio sobe pela minha nuca.

Estou prestes a responder, quando ouço batidas na porta da garagem. Liam abre a porta e a luz de dentro de casa passa pela fresta, me fazendo espremer os olhos.

—Doces ou travessuras? – Ele diz, empolgado. Então Bela vai até ele e inicia uma conversa que não consegui ouvir, levando-o para dentro de casa, deixando-me sozinha na escuridão da garagem.

Aperto o botão do controle para trancar o carro, e antes de ir para dentro, respiro fundo algumas vezes. Talvez eu estivesse mesmo ficando louco.

><

Quando passamos pela sétima casa da rua, Liam volta correndo pela calçada com sua cesta cheia de doces. Ele mostra para mim como se fosse um troféu.

—O Sr. Fulton me deu balinhas de coco – ele sorri, pegando um punhado delas na mão e devolvendo na cesta logo em seguida. Sorrio para ele e lhe entrego o boné do Hulk que ele havia pedido para eu segurar mais cedo. Ele o coloca na cabeça e sai correndo para a próxima casa, encontrando algumas crianças no caminho e parando para mostrar sua fantasia de Incrível Hulk. Bela aperta minha mão de leve e encosta a cabeça em meu ombro, agora coberto por uma jaqueta de moletom cinza.

—Como você está? – Pergunto para ela, enquanto caminhamos juntos pela calçada.

—Mais sóbria. – Ela responde, sorrindo. – E com frio.

Solto sua mão para abraça-la pelo ombro e puxá-la para perto, e beijo sua cabeça com ternura.

Viramos a esquina e vemos, no fim da rua, o letreiro da Gordon’s brilhando. Liam vai à frente, parando eventualmente nas casas para pedir mais doces. Quando entramos no café, vejo decorações de Halloween penduradas por todo o recinto. Era uma sensação estranha estar naquele café às nove e meia da noite. Sentamo-nos juntos em uma mesa no canto, e Liam coloca sua cesta em cima da mesa e começa a abrir alguns dos doces, colocando-os na boca de uma só vez.

O garçom nos traz um prato de rosquinhas de chocolate e diz que é por conta da casa. “Especial do Halloween”, disse. Peço dois cappuccinos com creme para ele antes que ele se virasse.

—Estou começando a sentir uma leve dor de cabeça – Bela diz, sorrindo.

Estico minha mão na mesa para segurar a sua, e sorrio para ela. Ela pega uma rosquinha e dá uma mordida grande, fechando os olhos e murmurando.

—Eu amo isso. – sua voz sai abafada, por causa da boca cheia. Liam dá risada.

Ouvimos um barulho no vidro do café, e quando nos viramos, duas crianças vestidas de fadas gesticulam para Liam, que sorri. Reconheço as irmãs Peterson pelos cabelos ruivos, eram colegas de escola de Liam.

—Posso brincar um pouco com elas? -ele pede, e eu faço que sim, pedindo apenas para que ele se cuide e não vá longe. Liam pega sua cesta e sai correndo pela porta de vidro.

—Ele parece muito bem – Bela comenta, antes de dar uma outra mordida na sua rosquinha. Seu olhar é sutil e aveludado. Dou uma última olhada para trás antes de voltar minha atenção para ela.

—Ele está, sim. – Respondo, em um sorriso leve. – Ele terá uma consulta essa semana para verificar o tamanho do tumor, se houve metástase e tudo mais. – Pego uma rosquinha do prato e dou uma mordida. – Mas ele se sente bem. As sessões de químio diminuíram bastante, então ele se sente mais disposto.

O garçom deixa duas xícaras amarelas na mesa e nos deseja bom-apetite. Bela puxa uma das canecas para si e suga o chantili por cima, o que a deixa com um leve bigode branco espumado. Ela passa a língua pelo buço para limpar.

—Connor. – Chama.

— Diga. – Puxo minha caneca e assopro o líquido levemente.

—Eu acho que nunca te perguntei o que você pretende fazer depois da formatura -ela franze o cenho e sorri para mim. – Qual o futuro de Connor Jacobs?

Me ajeito na cadeira e sorrio.

—Quero fazer Filosofia.

—Uau, nada surpreendente – Ela dá uma risada, e eu a acompanho. Pego dois saquinhos de açúcar do aparador da mesa e abro-os com os dentes. -Você...pensa em alguma universidade em específico? – Bela pergunta, suavemente. Ela tem os olhos fixos no café, e parece apreensiva.

Suavizo meu rosto e meu sorriso quase desaparece.

—Me inscrevi na Bishop’s. – Digo, sincero. – Sempre quis estudar lá.

Bela fica em silêncio enquanto cutuca o chantili em seu copo com o dedo. Ela sorri, mas eu sei que ela está se forçando para isso.

—Quebec, então?

Balanço a cabeça que sim, e ficamos alguns segundos em silêncio. Sinto minha cabeça pesar, e não consigo identificar se o assunto estava me deixando nervoso, ou se a bebida de caramelo estava, finalmente, fazendo efeito.

—Para onde quer ir? – pergunto.

Bela toma um gole de seu cappuccino antes de me responder. Ela tem os olhos baixos, e seu rosto está corado.

—Vou ficar por aqui. University of Toronto. – ela levanta o olhar para me encarar. E sorri. – Jornalismo.

—Uau, incrivelmente, combina com você. – Eu digo, honesto. Mas ela dá de ombros, como se não tivesse certeza do que estava falando. Estico minha mão, e ela coloca a dela sobre a minha. – Bela, 700km de distância também me assustam. Mas vou tentar dar um jeito, tudo bem?

Ela suspira, e tira sua tiara de gatinho do topo da cabeça, colocando-a sobre a mesa.

—Não gosto de pensar nisso. No meu futuro. No nosso futuro. – Ela faz uma careta – Me dá dores de cabeça.

—Ei. – Ela levanta o rosto, mas sua expressão é cansada. – Tudo vai ficar bem, ok?

Bela assente, e volta as mãos para envolver sua xícara. Ela bebe o líquido em silêncio, pensativa. E eu penso em nós. Me indago o porquê de nunca termos conversado sobre isso antes, e a resposta é simples, ingênua. Bela, para mim, era um sonho. Ela me afastava de meus problemas, de minhas angústias, e me deixava nas nuvens. Ela me trazia paz, me fazia querer viver em meu máximo, um dia de cada vez. Com ela. Por ela.

Eu nunca tive iniciativa de conta-la sobre Bishop’s. E acredito que ela sentisse o mesmo. Com ela, eu vivia em um sonho. Não me preocupava a distância que teríamos durante a faculdade, nem os problemas que isso poderia me causar. Mas, aqui, na mesa da Gordon’s, às nove e meia da noite, eu sentia que deveríamos ter conversado sobre isso há algum tempo. No fundo, sei que tudo ficaria bem, mas me sinto inseguro sobre nosso futuro. Sobre o meu futuro. Queria passar cada segundo do dia com Bela, explorando, lendo e relendo sua poesia interior. Quando eu estou com ela, não penso em mais nada. Penso em nosso momento presente, penso em como ela é linda, em como ela me faz bem.

O resto, é apenas silêncio.

E eu tentaria, de alguma forma, manter esse sentimento vivo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.