Just A Small Town Girl
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei chorando, novamente. Mas que demônio, esse pesadelo nunca vai acabar? Acho que eu devo ser a única pessoa no mundo que quando deito fico com medo do meu próximo sonho. Mas enfim, meu nome é Brenda Waldorf e tenho 13 anos. É, treze t-r-e-z-e t*r*e*z*e anos. Vivo na famosa cidade de New York, Upper East Side com minha mãe e sabe de uma coisa? EU ODEIO. Sim, simplesmente odeio morar aqui, seguir o padrão da filha perfeita. Odeio ter que me comportar somente apenas para louvar meu sobrenome. Minha mãe é solteira, e meu pai é um rico drogado que só me envia presentes em datas especiais. Bom, pelo menos o velho tem dinheiro.
Olhei para o relógio. Ótimo, 6:25 da manhã. Era tudo que eu queria. Pulei da cama com uma certa dificuldade e fui para o banho, me arrumando logo em seguida (http://weheartit.com/entry/33246178). Perfeito, mais um dia com um sorriso forçado no rosto. Vamos lá.
Estava ligando para Hannah, minha melhor amiga, quando vi um pouco mais abaixo o número de Harry. É, Harry Styles, meu ex melhor amigo. Um puto desgraçado que me abandonou, que nunca mais deu sinal de vida. Um vagabundo que me fez sofrer mais do que eu pensei que podia. Um filha da puta de marca que eu jurei que iria esquecer. E assim o fiz.
Despertei de meus pensamentos quando ouvi o toque de meu celular. Hannah, pontual como sempre.
– Bom dia vadia, pronta? – Hannah muito educada como sempre disse.
– Oi amiga, to sim, to saindo de casa, tomara que a velha fique quieta. Bora ir na Starbucks? To precisando de um café. – respondi.
– Ainda não sei o que tu tem contra a tua mãe, ela é uma fofa. Te pego em cinco minutos, anda logo. – Hannah como sempre defendendo mamãe, por favor.
– Para de puxar saco da minha mãe. To descendo. – falei com um tanto de raiva na voz.
Hannah tem 16 anos e já tem carteira. Nunca pensei que fosse tão bom ter uma amiga adulta.
Entrei no elevador e quando cheguei ao saguão, consegui avistar de longe o carro de Hannah. Vermelho. Bem a sua cara.
Estava me dirigindo até o seu encontro, quando ouço alguém chamar meu nome. Melhor, meu sobrenome. Já disse que odeio?
– Senhorita Waldorf, espere, um minuto. – disse Josh, o recepcionista no qual eu já havia dado uns amassos em meu quarto. Ops.
– Josh, quase transamos uma vez, não acha que me chamar de Senhorita Waldorf é meio broxante? – retruquei.
– Ah claro, só não fizemos porque você não quis. – respondeu com um sorriso no rosto.
– É, percebi que tem gente que vale mais apena. – sorri sínica. Opa Josh, 10 x 0 pra mim.
– Então, você recebeu umas cartas, quer que eu as deixe em seu quarto? – só eu percebi que havia segundas intenções nessa fala?
– Não, não precisa, me dê elas logo. – estendi minha mão.
– Aqui. – me entregou e saiu, porém, puxei seu braço.
– Josh, só mais uma coisinha, – sussurei – figurinha repetida não completa álbum, meu amor.
Ri comigo mesma e fui em direção a Hannah.
– Caralho, vai dar pro Josh dessa vez? – Hannah perguntou fumando um cigarro.
– Não, é obvio que não. Não repito, só estava pegando as cartas. – respondi pegando o cigarro de Hannah e dando uma tragada.
– Uhum, ok. Starbucks? – perguntou tirando o cigarro de mim. Por mais que ela seja louca, ela realmente não quer que eu acabe como ela.
– Pode apostar. – respondi.
Durante o caminho, resolvi ler minhas cartas. Algo como contas de cartão de crédito, limites estourados e blablabla. Essas coisas realmente não me interessavam.
Entramos na Starbucks e pedimos um cappuccino. Fui me sentar enquanto Hannah atendia ao telefone. Com certeza devia ser aquele namorado possessivo dela.
Estava guardando as cartas na bolsa quando acidentalmente uma cai no chão. Apressei-me para pegar e me deparo com algo que não fala de contas ou limites estourados. Mas sim sobre ele. Ele. Meu corpo enrijeceu na hora. Minhas pernas ficaram trêmulas, minha respiração ficou ofegante e eu não conseguia raciocinar. Tinha que abrir essa carta. Tinha que ir pra casa. Droga, Hannah. Não podia deixa-la sozinha. Mas quer saber? Que se foda. Ela que fique com o namorado porque eu tenho coisa melhor pra fazer.
Com isso, saí apressada daquele local. Fui para casa, que não era muito longe dali, torcendo para que minha mãe não estivesse em casa.
Estou quase entrando no hotel quando alguém me chama. Merda, será que não podem me deixar em paz por um segundo? Que porra.
– Pra que toda essa pressa, gatinha? – Nate. Não é possível. O bicho termina comigo e depois fica se insinuando. Olha, me vê uma dose de semancol aqui produção?!
– Vai se foder Nate. – respondo. O garoto pode ser isso ou aquilo, mas que é gato pra caralho, é. Isso sem dúvidas.
Entrei em casa ainda tremendo e fui direto pro meu quarto. Me tranquei e comecei a ler a maldita carta.
“Brenda, olá.
Bom, não sei se você ainda se lembra de mim, (mané do caralho, como eu ia me esquecer?) mas eu estou com saudades. Eu sei que a gente nunca mais se falou, mas eu nunca te esqueci. Desculpa por não te ligar, não te mandar e-mails como prometido, eu realmente sinto muito. (sente, jura? Acho que não, otário) Bom, não consigo escrever minha saudade aqui, por isso gostaria de te encontrar. Minha banda e eu vamos estar aí em New York e queria muito te ver. Ir no Nando’s, Starbucks, como nos últimos tempos. Ainda sei onde mora, portanto, não fuja de mim. Te espero no Central Park dia 22 (que por acaso é hoje, filho da puta da ovelha) às oito da noite. Não dificulte as coisas.
Te amo melhor amiga, pra sempre com você.
Terminei de ler a carta com lágrimas caindo. VIADO VIADO VIADO, SOME DESSE JEITO E QUER ME VER? FILHO DA PUTA DA CONCEIÇÃO, MORRE DIABO DEMÔNIO!
Foi quando eu a vi. Brilhando, chamando meu nome. A lâmina. Não pensei duas vezes. Quer saber? Se foda. Sou uma perdida, uma nada. Ninguém se importa.
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