Just A Favor

9 Just One More Day


Notas iniciais
Justin's POV

Encostei a testa na porta sentindo o corpo todo tremer. Tinha alguma coisa errada comigo. Não era pra eu me sentir assim, reagir assim. Um simples toque bastava pra me deixar sem controle. A poção não tinha funcionado...? Ainda era tão difícil dizer não... Talvez eu tivesse que esperar mais tempo para fazer efeito.

Eu sabia que Alex só estava tentando me manipular. Ela queria um lugar pra ficar, nada mais.

Talvez um pouco mais. Eu podia ver o desejo nos olhos dela, mas não sabia dizer se era real. Mas o meu era. Real até demais. Me afastei da porta ainda com receio de ela abrir e insistir no assunto. Eu não tinha mais disposição pra discutir ou forças pra resistir.

Peguei o colar que ela largara no chão, e ele imediatamente começou a brilhar. Ainda, depois de todos aqueles anos... Devia estar com defeito. Joguei na gaveta e a fechei com força. Não podia pensar mais nela. Eu ficava aflito de fazê-la sair no dia seguinte, mas ela simplesmente não podia ficar. Por mais forte que fosse a poção, eu não aguentaria uma tentação constante.

Coloquei um short e deitei na cama tentado não pensar. Mas claro que não consegui. A ansiedade e reocupação me corroíam por dentro, e meu sono foi entrecortado por pesadelos e excesso de pensamentos. Quando meu despertador tocou já fazia muito tempo que eu estava acordado.

Problemas à parte eu precisava ir trabalhar. Eu esperava, para meu próprio bem e o dela, que Alex já estivesse fora quando eu voltasse. Tomei um banho frio para acordar e coloquei o terno de sempre. Respirei fundo antes de sair do quarto. A sala estava mergulhada na penumbra suave da manhã.

Alex ressonava suavemente no sofá, os cabelos escuros cobrindo o rosto. Estava encolhida então puxei o lençol sobre ela. Observei-a dormindo alguns momentos tentando não sentir nada. Mas claramente a poção não tivera efeito nenhum porque o que eu mais queria fazer agora era deitar do lado dela.

Saí de casa logo, antes que perdesse o controle. De novo. Quando cheguei na empresa estava tudo caótico e bagunçado como sempre. Mas eu parecia alheio a tudo isso hoje. Fui para minha sala no piloto automático, sentindo um misto de ansiedade e preocupação. Eu sabia como Alex podia ser teimosa e orgulhosa, portanto ela não ia voltar tão cedo pra casa. E aí pra onde ela iria? Talvez eu tivesse sido duro demais, talvez se eu desse um pouco de espaço, talvez, talvez, talvez. Nada parecia certo.

Pensei em ir ver Max de novo, pedir um reforço da poção ou algum feitiço que fizesse mais efeito, mas mortais tinham um número limitado de visitas ao mundo mágico. Abri as planilhas e olhei os e-mails sem realmente prestar atenção no que estava fazendo.

Quando a dor de cabeça começou, resolvi ligar para Alex e retirar o que tinha dito. Pressionar ela assim não ia adiantar e eu nunca me perdoaria se algo acontecesse. Eu não tinha terminado de digitar a sequência quando ouvi uma batida na porta. Com um suspiro me afastei do telefone e disse que entrassem.

— Russo, meu jovem! – Meu chefe abriu a porta com um sorriso e um bom humor invejáveis. – Como estão os preparativos para a reunião de sexta? Preciso dos relatórios revisados até quarta.

Assenti, meio aéreo, me esforçando para voltar para a realidade. Ele deu a volta na mesa e bateu nos meus ombros, quase me fazendo perder o folego.

— Agora, uma surpresa agradável para você se sentir mais motivado. – Alex estava na porta. Pisquei repetidamente porque achei que talvez tivesse dormido na mesa e aquilo fosse um sonho. – Eu normalmente não permito visitas em horário de trabalho, mas ela é tão adorável que acho que vou abrir uma exceção.

Ele deu uma risada e saiu da sala, falando mais alguma coisa sobre os relatórios. Eu não ouvi, não conseguia prestar atenção em mais nada que não fosse ela. Alex estava vestida de maneira simples, uma camiseta preta e a saia roxa curta. Estava com as botas de salto e parecia pronta para ir embora. Senti um aperto no peito, ela tinha vindo se despedir?

— Oi... – Ela veio andando devagar em minha direção e eu só conseguia olhar pra ela.

— O que você está fazendo aqui? Está tudo bem? – Eu me levantei, e ela chegou até onde eu estava.

— Sim. Eu só... – Ela me fez sentar de novo, e delicadamente sentou no meu colo, de frente pra mim. Eu a olhei, tentando ignorar a adrenalina, a vontade, o desejo que pareciam querer me consumir.

Alex mergulhou os dedos em meus cabelos e eu fechei os olhos. Eu não ia conseguir resistir nunca, não tinha sentido tentar. O beijo que se seguiu foi calmo, sem pressa, leve como uma carícia. Parecia que eu estava derretendo, meu coração batia tão forte que eu temia que ela o escutasse.

Desistindo de tentar negar, relaxei e deixei que minhas mãos finalmente a tocassem, subindo pelas pernas ao meu redor, entrando por debaixo da saia, sentindo as coxas quentes contra apalma das minhas mãos. Ela me beijou de novo com mais força dessa vez, e eu me senti ficando duro, as calças ficando apertadas. Deus, não podia fazer aquilo ali, no trabalho. Desviei minha boca da dela, com muita dificuldade e arfei quando senti ela me beijar no pescoço.

— Alex... Para com isso. Aqui não. – Mas isso dava tanta margem. Se não aqui, onde então? Em casa, imediatamente pensei, sentindo um peso de culpa e excitação.

Ela suspirou, se remexendo no meu colo. Fiz o possível para pensar em coisas broxantes tipo nas planilhas que ela estava atrasando. Ela ainda estava agarrada em mim, a boca no meu pescoço. Senti os lábios dela se moverem contra mim quando ela falou:

— Eu vim pedir mais um dia. Só mais um, preciso te mostrar uma coisa. – Ah, eu sabia o que ela queria mostrar. Tentei tirar as mãos de debaixo da saia dela, mas elas subiram de novo automaticamente resultando numa carícia. Alex suspirou.

— Mais um dia. – Eu repeti, de certa forma concordando. Ela se afastou um pouco, o suficiente para me olhar nos olhos. Parecia séria, mas o rubor nas bochechas traía seus verdadeiros pensamentos.

— E não é o que esta pensando.

— O que...? – Perguntei confuso, olhando para a boca dela. Tão linda, tão macia, tão... Eu queria beija-la de novo. Agora.

— O que eu preciso te mostrar. É sério, não é o que você está pensando. Quer dizer é isso também, se você quiser. – Eu queria. Mas não devia. E o desejo e o dever de novo entravam em conflito. Tentei não transparecer nada disso e limpei a garganta, assentindo.

— Tudo bem. Em casa você me mostra.

Ela deu um sorriso meio nervoso e saiu do meu colo. Imediatamente me ajeitei para que não ficasse tão evidente o quanto eu queria que ela voltasse. Ela baixou os olhos e alisou a saia.

— Então... Eu vejo você mais tarde.

Alex se virou e saiu, e tão rápido quanto veio, se foi, e eu estava mais uma vez sozinho. Tentei ignorar o coração acelerado e meus pensamentos absurdos. Aquela era minha irmã. E por mais deturpados que estivéssemos no momento, ela sempre seria isso, só isso. Reforcei essa ideia olhando para a foto na minha mesa, a foto que causara toda essa situação.

Voltei meus olhos para o computador e terminei as planilhas e relatórios em tempo record. É incrível o que se faz com a motivação certa. Eu estava curioso, não podia negar, apesar de uma parte de mim achar que ela só tinha inventado aquilo para me enrolar por mais algum tempo. No fim do expediente meu coração voltou a acelerar, e sentia um frio na barriga conforme dirigia de volta para casa.

Quando entrei no prédio percebi que minhas mãos estavam suando. Eu era tão patético. Provavelmente não era nada. Provavelmente era só a mesma enrolação de sempre. Eu tinha certeza que-...

Fui interrompido quando cheguei no meu andar e senti um aroma delicioso de molho sugo que inundava o corredor. Algum vizinho devia estar cozinhando. Porém o cheiro ficava mais forte conforme eu chegava perto da porta, e quando destranquei, o aroma veio correndo até mim, junto com um calor aconchegante.

O apartamento estava quente e o cheiro de massa e molho ao meu redor. Poucas luzes estavam acesas, só os abajures da sala e a luz da cozinha que escorria pelo balcão de a dividia da sala. Parecia tão estranhamente normal, como um marido chegando do trabalho. E a esposa tinha feito jantar. Estremeci. Larguei minhas coisas no sofá e chamei, hesitante:

— Alex? – Ela surgiu no balcão da cozinha com um sorriso e uma colher fumegante na mão.

— Oi. – E parou. Parecia ansiosa. Estendeu a colher que tinha na mão com um pouco do molho e me aproximei. Assoprei e provei. Lambi os lábios percebendo que ela acompanhava cada movimento meu com atenção.

— Oi. Então, era isso que você queria me mostrar? Seus dotes culinários? – Ela riu, parecendo mais à vontade.

— Não. Mas achei que... Seria uma boa ideia. Sabe como uma forma de agradecimento.

Essa era nova. Alex não dizia ‘obrigado’ com frequência. Se esse era um jeito que ela tinha achado pra agradecer, devo dizer, era um jeito delicioso. Sentei num dos bancos altos perto do balcão.

— Quando foi que aprendeu a cozinhar?

— Mamãe meio que me obrigou a aprender algumas coisas. Não posso dizer que não foi útil, afinal. – Ela deu ombros e largou a colher.

— O que é então? – Ela me olhou parecendo nervosa de novo.

— ... Você iria a um lugar comigo?

— Agora? – Perguntei olhando para o relógio. Já passava das nove.

— É, agora. E as chaves do carro. — Ela estendeu a mão. — Eu dirijo.

Notas finais
Quem achou que eu tivesse desistido põe o dedo aqui, que já vai fechar. Falando sério quase larguei. Mas sei lá. Comentem aí. 3 bjos