Notas iniciais
Demorei eu sei. A facul anda meio corrida, mas acho que semana que vem alivia a correria um pouco! Não me matem ;-; Sei que ficou meio curto, maaas... Boa leitura!

Entrei em casa batendo a porta com força e me encostei nela deixando meu corpo escorregar até o chão. Qual era meu problema? É que tinha sido tão fácil, ele estava ali tão disponível que... Aconteceu. Ouvi passos na escada e me levantei do chão. Minha mãe me olhou com um ar preocupado.

– Está tudo bem filha? Você está meio pálida.

– Só estou cansada. – Murmurei desviando os olhos. Eu sentia como se estivesse escrito na minha testa o que eu tinha feito. Geralmente eu sentia o maior orgulho por conseguir contornar uma regra, mas de alguma forma, aquilo era diferente.

Fui para meu quarto e assim que entrei me deparei com uma pilha de livros na escrivaninha, o que me lembrava que eu não tinha entregue as coisas para Justin fazer minha lição. Mas que pena, eu ia ter que ir lá, de novo. Fui pegar as coisas rapidamente e quando descia as escadas correndo, ouvi minha mãe chamar.

– Aaai, que é mãe? – Perguntei sem tentar disfarçar a pressa que tinha de sair.

– Você não estava cansada? Onde é o incêndio? – Ela perguntou sem nem ao menos olhar pra mim. – Você nem almoçou ainda.

Mães.

– Comi com o Justin, no caminho pra cá. – Apesar de saber que sorvete não contava como um almoço, propriamente dito. Quem se importa? Eu precisava ir. Eu tinha uma desculpa perfeita e não podia desperdiçar.

– Como meu garotinho está?

– Ele está bem, mãe. – Olhei para ela, que estava concentrada com o almoço e com minha mente embaralhada e confusa, acabei por lembrar da vez que eu tinha feito todos, inclusive ela e papai se esquecerem de Justin, e minha mãe sugerira que eu saísse com ele.

Na época tinha parecido nojento, eu só queria parar de ser comparada a ele, um padrão alto demais que eu sabia nunca ia alcançar; mas agora eu daria qualquer coisa para que as mesma palavras saíssem da boca da minha mãe. Mas claro que não seria tão fácil. Em vez disso eu ouvi:

– Ele está saindo com alguém? – Impulsivamente e antes que eu pudesse me conter (o que convenhamos, acontecia com uma frequência grande demais pra coisas assim serem consideradas algo normal) as palavras simplesmente saíram.

– Ele está com essa garota, e ela parece ser maravilhosa. – Egocêntrica, eu? Apenas um detalhe.

– Ah jura?! Que bom! Mal posso esperar para conhece-la. – Só então percebi o erro. Desconversei.

– Ah, ele disse que ela é meio tímida. E de qualquer forma ainda está muito no começo.

–Alex, Alex, por acaso você está com ciúmes? Não quer que ela venha aqui, é isso?

– Não. Quer dizer, não tem a ver comigo. Dane-se ela. – Eu disse, rápido, tentando voltar ao normal. Eu estava tão desequilibrada, meu deus. Tudo culpa dele. Aliás, eu tinha que ir.

– Não fale assim da namorada do seu irmão. Ela deve ser uma ótima garota, Justin sempre teve bom gosto. – Essas palavras me atingiram como um tapa.

O tempo todo eu estava pensando na minha atração, mas será que ele sentia o mesmo? Ela não tinha rejeitado meu beijo extra, é verdade, mas até onde isso tinha um significado mais profundo? Talvez eu só estivesse vendo o que queria ver.

Senti algo que nunca sentira antes, ou quase nunca: o medo da rejeição. Vinda dele ia doer mais, muito mais. Decidi fazer um teste antes de qualquer coisa. Apertei os livros contra mim e fui em direção a porta.

– Preciso sair. Até mais tarde, mãe.

– Alex, espera, que horas você-...

Bati a porta antes que ela terminasse a frase. Eu sempre voltava num horário razoável. Ok, quase sempre. Tá, eu tentava. Não importa. Apesar de não ser tão perto, fui caminhando, para aproveitar e arejar a cabeça. Imaginei que, se eu não fosse a única a sentir a atração proibida ali, Justin ia acabar deixando escapar. Ele era desajeitado com essa coisa de sentimentos, nuca soube esconder bem. Diferente de mim, é claro.

Se ele não sentisse nada eu podia simplesmente rir e dizer que era mais uma das minhas provocações e ele ia acreditar. Todo mundo acreditava. Nessas, eu já tinha dito muitas verdades. Cheguei lá, e já me deixaram subir, já que eu era conhecida. Ótimo, o elemento surpresa.

Bato na porta e esperei, e quando ele abriu, dei meu melhor sorriso sedutor. Ele abriu a boca e fechou e abriu de novo como um peixe, sem dizer nada. Eu ri e o empurrei para o lado, entrando no apartamento.

– Desculpa vir sem avisar, na... Última hora eu acabei esquecendo de entregar as coisas para você fazer minha lição de casa. – Não consegui citar o beijo que eu tinha roubado tão descaradamente. Era minha impressão ou Justin estava corando...?

Sentei no sofá e pousei os livros na mesa de centro. Ele sentou do meu lado.

– Ah... Obrigado. Eu acho.

– São duas pesquisas, um seminário e três redações. Boa sorte.

– O que?!

– Você concordou. Três meses. Eu fiz minha parte do acordo.

– Dois. – Ele me corrigiu.

– Ah, dois, pode ser. – Ele ficou olhando para a pilha de livros. Era minha deixa para sair? Resolvi fazer o tal do teste. O que eu tinha a perder?

– Justin... – Chamei baixinho. Ele não se virou.

– O que? – Me aproximei dele.

– Olha pra mim. – Eu disse com toda a firmeza que conseguia. Dois segundos depois, ele virou a cabeça lentamente e seus olhos se encontraram com os meus. Senti um calafrio com a intensidade deles, e sem conseguir esperar mais, fechei os meus, e me inclinei, beijando-o na boca, suavemente.

Estávamos tão próximos que eu conseguia sentir o calor emanando do corpo dele mesmo sem encostar nele, e eu estava pronta para me afastar e zoar, aceitar a ideia de esquecer isso, o que quer que fosse, quando percebi que ele não tinha se afastado.

Movi meus lábios devagar, testando, saboreando o momento, que eu não fazia ideia se estava prestes a acabar ou não. Ele acompanhou os movimentos correspondendo timidamente. Fiz uma pausa e me afastei um pouco, não muito, apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.

Ele não disse nada, apenas fechou os olhos como se estivesse cansado, talvez cansado de lutar contra aquilo, e voltou a me beijar, dessa vez com mais certeza, mais determinação, mais intensidade. Apesar de ter minhas dúvidas e achar que Justin era um virgem que nunca tinha beijado antes eu tinha que admitir que ele era tremendamente bom nisso. Melhor ainda do que em meu sonho. Senti ele me empurrar delicadamente, e logo estávamos deitados no sofá. Eu só conseguia pensar em como ele beijava bem, no seu corpo sobre o meu e na minha mais recente e excitante descoberta: Justin queria. Talvez tanto quanto eu.

Notas finais
Comentem! Próximo cap do Justin, vou tentar intercalar, para mostrar os dois lados da história ok? Super beijos e até o próximo!