Just A Dream
37 Capítulo 36
James e Hermione passaram duas semanas no hospital em observação. O bebê para terem certeza de que não havia sofrido traumas na barriga da mãe, Hermione para os médicos se certificarem que a gravidez correria dentro do esperado.
Porém, Gina ainda não havia acordado, e nem dava sinais de que acordaria tão cedo. O médico disse que seu corpo tinha muitos traumas para curar e precisava de toda sua energia para isso, por isso o coma.
Todas as manhãs, Harry apanhava James na maternidade e ia ao quarto de Gina, onde conversava com a esposa, falando sobre o filho. Preferia não ter que vê-la num respirador, mas os médicos disseram que era melhor não forçar seus pulmões a respirarem sozinhos até que eles demonstrassem que podiam e queriam.
A cada duas horas, uma enfermeira tirava o leite de Gina por uma bombinha especial e Harry, ou Molly, ou Hermione, ou Rony, amamentava o pequeno James na mamadeira. Apesar de os dois rapazes quererem ficar no hospital o máximo possível, tinham muito que resolver do lado de fora.
Durante o resgate de Gina, haviam eliminado grande parte dos colaboradores de Voldemort, ou Comensais da Morte, como eram chamados, por ter como missão acabar com a linhagem de Ignotus Peverell. Os poucos que sobreviveram, em sua maioria, foram condenados à prisão perpetua instantaneamente. Porém, dois fizeram acordos: Cornélio Fudge e Nascisa Malfoy.
Através de ambos, conseguiram descobrir quem ainda estava lá fora e nas duas semanas que se seguiram, quase todos foram presos. O que ainda estavam soltos eram, de acordo com Narcisa e Fudge, inofensivos e medrosos, que dependiam da proteção de Riddle.
A empresa também estava em caos com tudo que havia acontecido. Harry, Rony, Lupin, Arthur e Tonks se esforçavam para deixar tudo nos eixos. Dimitri tentava ajudar como podia, assim como Simas e Dino, que eram os colegas de maior confiança de Harry. A imprensa internacional estava em cima deles e, sem um assessor de imprensa, estava uma loucura. Até que Harry teve a ideia de Luna Lovegood ajudá-los, o que a garota fez com préstimo notável.
E agora, era hora de levar James para casa e encarar a vida real. A mansão Potter fora reformada e bem organizada para que Harry e o filho pudessem voltar para lá. Um novo mordomo chamado Prescott foi contratado para ajudar Winkie, que apesar de ainda fragilizada com o que havia acontecido, estava muito feliz por todos terem sobrevivido.
_ Muito bem Sr. Potter, seu filho está bem e pronto para ir para casa. – anunciou Madame Pomfrey sorridente, enquanto Harry ninava o bebê – E a senhora também, sra. Weasley. Espero só vê-la aqui nos exames e depois, quando for ter esse bebezinho.
_ Também espero. – garantiu Rony, beijando o topo da cabeça da mulher – E agora eu vou levá-la para casa, para ela descansar direitinho.
_ E eu vou levar o garotinho aqui para uma visita. – anunciou Harry, apontando o filho com o rosto – Até mais tarde.
Apesar dos pedidos insistentes, Harry não quis que Molly ou Hermione fossem para sua casa. A amiga porque ela precisava de muito repouso, apesar de estar bem. E a sogra, porque achava que Gina não iria permitir que a mãe enchesse o bebê de mimos.
Caminhou pelos corredores em silêncio, com James o encarando serenamente. Cumprimentou as enfermeiras já conhecidas e entrou no quarto de Gina, encontrando-o cheio de flores novas, como de costume. A esposa, ao contrário, permanecia na mesma dos outros dias. Seu cabelo havia sido escovado e arrumado pela mãe, porém o rosto ainda tinha diversos machucados cicatrizando e um tubo lhe levando oxigênio e outro lhe levando comida.
_ Oi meu amor, olha quem está aqui. – ele disse com a voz baixa e carinhosa de sempre, se aproximando da cama. Sentou-se na poltrona com cuidado, para depois encaixar o bebê no braço de Gina, como fazia todos os dias. Ao entrar em contato com a mãe, James adormeceu imediatamente – Sabia que hoje é um dia importante para ele? Hoje, James recebeu alta e eu vou levar nosso garotão para casa. E eu queria, mais do que tudo, que você estivesse indo conosco, porque eu não faço ideia de como eu vou cuidar dele sozinho.
As lágrimas começaram a correr e ele se permitiu chorar um pouco, antes de inspirar profundamente e começar a falar o que os médicos haviam lhe dito sobre a saúde de James. Não podia evitar o orgulho ao descrever como o filho havia crescido e evoluído nas ultimas duas semanas, apesar de ele ainda não fazer nada, além de comer, dormir e encher as fraldas de dejetos.
_ Agora eu preciso ir, porque logo é hora da mamada do James e eu quero habituá-lo a fazer isso no quarto dele, aquele quarto lindo que você tão caprichosamente decorou e arrumou para ele. E eu espero, de verdade, que logo você esteja lá conosco, e que seja você quem sente na poltrona para dar seu leite a ele.
Ele se levantou e beijou a testa da esposa com carinho, antes de pegar James e colar o rostinho do bebê ao da mãe. Arrumou o bebê na manta e em seus braços, enquanto virava para a porta.
_ Nós te amamos mamãe. – sussurrou, antes de sair do quarto segurando as lágrimas. Acertou com as enfermeiras que o motorista viria buscar o leite assim que fosse retirado, nos horários de sempre. Acertou o horário para a visita diária, apesar de elas recomendarem que James não fosse todo dia ao hospital.
Com certo trabalho, colocou o filho no bebê-conforto e o prendeu ao banco traseiro do carro novo, tal como Gui, Jorge e Percy haviam lhe explicado. Entrou no banco da frente da micro-van que havia comprado para os passeios em família e deu partida, com o carro dos aurores o seguindo de perto. Apesar de tudo, ainda era indicado ter alguém por perto.
Entrou na mansão Potter com James no colo e se sentiu parcialmente completo. Sabia que só se sentiria inteiro quando Gina estivesse ali, porém isso poderia demorar. Cumprimentou Winkie e Prescott e subiu as escadas com a bolsa de James.
_ Muito bem campeão, bem vindo ao seu quarto. – sussurrou, enquanto abria a porta branca. Lembrou-se da alegria de Gina quando terminou de arrumar o quarto, e na emoção de Sirius quando o viu, e se sentiu feliz e emocionado.
Foi até a poltrona de amamentação e tirou a camisa, deixando que James sentisse o calor de seu corpo, tal como o médico havia indicado. Pegou a mamadeira da bolsa e conferiu se estava na temperatura adequada, antes de dar ao pequenino.
Observou o pequeno rosto do filho, ligando os detalhes ao próprio rosto e ao de Gina. Os cabelos eram cor de cobre, mais puxado para o marrom. Seu rosto tinha poucas sardas, quase inexistentes. Tinha o mesmo formato que o de Harry, assim como o nariz, porém a boca e os olhos eram idênticos aos de Gina.
A mãozinha que agarrava seu dedo tinha dedos longos, parecidos com o de Rony na verdade, assim como o estômago esganado do menino. Ficou observando os olhos do filho se fechando e logo ele dormia pesadamente.
Suspirou, deixando a mamadeira da cômoda e levando o bebê até o berço. Colocou-o com cuidado, seguindo as recomendações de proteção que as cunhadas haviam lhe dado. Ajeitou o leão de pelúcia para que ficasse próximo e ao mesmo tempo, seguro. Enrolou a manta no filho novamente e lhe deu um beijo, antes de sair do quarto.
Foi até o próprio quarto, sentindo arrepio. Era a primeira vez que entrava ali desde que haviam sequestrado Gina. Fora todo reformado, mas não sabia como se sentiria lá. Quando abriu a porta, as lembranças boas o invadiram, tal como a primeira vez que fizeram amor, quando ela lhe disse que estava grávida, quando sentiram James chutas pela primeira vez.
Caminhou até a cama, deitando-se e puxando o travesseiro que era dela. Estava com cheiro de amaciante, e não dela, e isso o incomodou. Queria que tivesse o cheiro dela, queria que ela estivesse ali. Apanhou seu próprio travesseiro e uma manta e voltou ao quarto de James.
Ajeitou-se na poltrona, de modo a observar o bebê e foi ali que adormeceu.
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