Just A Dream
34 Capítulo 33
_ Snape. – gritou Arthur, surpreso, enquanto dois aurores o apoiavam – Tragam-no para o sofá, por favor.
Os dois homens arrastaram Snape até o sofá, onde o sentaram com cuidado. Harry correu até ele, parando ao seu lado, curioso e aflito.
_ Era você quem estava mandando os lírios? – perguntou ele e Snape concordou, virando-se para encarar Kingsley.
_ Eles descobriram que eu era agente duplo, que eu estava do lado de vocês. – contou com a voz entrecortada – Ele mandou o cachorro, Nagini, para cima de mim. É um cachorro bem treinado, atacou nos lugares certos.
_ Senhor, o pescoço dele. – apontou um dos aurores. Harry viu as marcas de presa no pescoço ensanguentado – Ele precisa ir para o hospital.
_ Não dá mais tempo. – sussurrou ele – Vocês tem que correr... Gina, o bebê, hoje a noite... – ele começou a virar os olhos, puxando a gola de Harry – Olhe para mim Potter.
O rapaz o encarou, aflito e preocupado. Snape o olhou fixamente e sorriu, o primeiro sorriso que Harry já vira.
_ Você tem os olhos da sua mãe.
E dizendo isso, Severo Snape fechou os olhos pela última vez. Harry começou a gritar a chacoalhá-lo, até que o tiraram de cima do homem morto. Ele começou a chorar em pânico.
_ E agora? – gritou Harry, voltando-se para Kingsley – Minha mulher vai morrer, meu filho vai morrer, Hermione vai morrer.
_ Não, não vou não. – eles ouviram a voz da porta e se viraram, vendo Hermione ali, amparada por Draco Malfoy – Mas nós temos que agir rápido.
_ Hermione. – sussurrou Rony, correndo até a esposa. Ela se soltou de Draco e envolveu o pescoço do marido, afundando o rosto em seu pescoço – Você tá viva, graças a Deus.
_ Eu to meu amor. – ela sussurrou de volta – E a Gina também, mas não por muito tempo.
_ Pelo amor de Deus, alguém fala coisa com coisa. – exigiu Harry, aos gritos – O que o Malfoy tá fazendo aqui? Prendam-no logo.
_ Harry, ele tá do nosso lado. – garantiu Hermione – Rony, me senta, por favor, para eu poder explicar.
O ruivo fez o que a esposa pediu, a sentando no sofá. Ele sentou ao lado dela, a abraçando carinhosamente.
_ Eles nos torturaram, Gina e eu. – contou a morena – Eu bem menos do que Gina, infinitamente menos. Eles ameaçavam James todos os dias e não nos alimentavam. Eles açoitaram a Gina, espetaram agulhas. Nem eu sei tudo que fizeram.
Conforme ela ia contando, Molly Weasley dava gritos mais desesperados. Harry se sentia enojado, com raiva e ódio daqueles malditos. Ele encarava Hermione, vendo-a enxugar os olhos, quando viu a marca no braço.
_ O que é isso? – perguntou nervoso.
_ Bellatrix Lestrange fez isso com um canivete. Por eu ser americana. – contou a morena, mostrando o braço inflamado – Mas como eu disse, isso ainda é pouco.
_ E porque você a libertou só agora? E só ela? – pressionou Harry e Draco suspirou, profundamente irritado.
_ Ouça bem Potter, eu não sabia onde elas estavam até poucas horas atrás. Meu pai está me usando como médico particular do Riddle, ameaçando Astória para isso. Eles me chamaram hoje pela manhã, porque a Granger estava passando mal. Quando cheguei lá, fui inteirado de tudo. – relatou Draco – E acredite em mim, o que eles estão fazendo é para ferir Gina e o seu filho, não sei o que estavam guardando para a Granger. Mas quando descobrissem que ela estava grávida, eu garanto, vocês iam receber dois cadáveres de criança.
_ Grávida? – guinchou Rony, apertando mais a esposa contra si. Ela apenas o abraçou mais apertando, chorando mais.
_ Eu sei que não é a melhor maneira de receber essa notícia Weasley, mas não há tempo para sutilezas. – retrucou o Malfoy – Da mesma maneira como vocês querem seus filhos a salvo, eu quero o meu. Astória já está longe, e em segurança, mas eu tenho de ir ao encontro dela. E tenho que ir logo, antes que descubram que eu forjei a morte da Granger.
Ele voltou-se para Kingsley, com o semblante extremamente sério.
_ Lhe darei o endereço e a explicação de como chegar ao local onde a Potter está, mas só. Depois, vou embora, encontrar minha família. – anunciou ele – E vocês devem correr. Riddle está doente, física e mentalmente, não tem muito tempo de vida. Mas ele faz questão de ver Harry ruir antes de morrer. E para ele, a ruína de Harry é a morte do filho e da esposa, que está programado para está noite.
Dizendo isso, saiu com Kingsley e os aurores, para dar as coordenadas da casa. Harry ficou parado, estático, enquanto as palavras do loiro ressonavam em sua mente. Foi tirado dos seus pensamentos por Molly, que falava com Hermione.
_ Você tem que ir para o hospital querida, agora mesmo. – mandou a sogra, mas Hermione negou.
_ Não até Gina ser resgatada.
_ Meu amor, pensa no nosso filho, por favor. – Harry pode ver o sorriso de Rony ao dizer “nosso filho” – Você passou por muita coisa nesses últimos dias. Precisamos ver se ele está bem e se você está bem. Isso no seu braço está feio, pode ser sério.
_ Rony está certo. – Harry se manifestou – Você aqui não vai ajudar em nada, apenas prejudicar sua própria saúde.
A morena encarou o amigo, antes de levantar vacilante em direção a ele. Ele se aproximou e a abraçou, ambos começando a chorar.
_ Ela é forte Harry, uma lutadora. Ela tá aguentando, sendo forte, lutando a cada dia pelo filho de vocês. Ela vai conseguir, eles dois vão. E você também, vai conseguir salvar os dois. Eu sei disso. – garantiu a morena, beijando o rosto do amigo. Ele apenas assentiu, antes de passá-la para os braços de Rony, que saiu com Fleur e Angelina, além de dois aurores, rumo ao hospital. Harry ligou para Madame Pomfrey e ela ia providenciar tudo para que Hermione fosse atendida bem discretamente.
_ A Hermione tá certa cara. – garantiu Carlinhos, apertando o ombro do cunhado – Eu não conheço ninguém com mais força e garra que a Gina. Se ela está aguentando tudo que a Hermione disse, ela vai aguentar mais um pouco, até nós chegarmos lá. Eu sei.
Harry concordou sem muita convicção, enquanto via Kingsley, Draco e os aurores aparecendo.
_ Temos as coordenadas, partimos em 40 minutos. – anunciou o chefe da Ordem, apertando a mão da Ordem – Dois aurores irão com você, para garantir que chegue ao aeroporto em segurança. Depois disso é com você.
_ Agradeço, mas prefiro ir sozinho, para não chamar atenção. – garantiu Draco, e Kingsley concordou. Draco voltou-se para Harry, caminhando até ele – Espero realmente que dê tudo certo, e sua mulher e filho fiquem bem.
_ Digo o mesmo a você Malfoy. – os dois apertaram as mãos – Obrigado por isso. Sei o quanto está arriscando.
_ Eu não sou um dos malvados, e nem nunca quis ser. – garantiu Draco, a expressão séria – Apenas não tive escolha, além de ceder para proteger aquilo que eu mais amo.
_ Espero que um dia, você possa voltar para Londres. – garantiu Harry – Se isso acontecer, eu espero que me procure.
_ Procurarei. – garantiu o loiro, antes de se despedir de todos e sumir pela porta da frente. Harry ficou o observando, antes de voltar-se para Kingsley.
_ Eu vou junto.
_ O que? – o guincho foi coletivo, porém Harry não se importou.
_ Eu vou junto Kingsley, e não há discussão. É minha mulher e meu filho que estão lá, é atrás de mim que esse lunático está. Não vou mais me esconder atrás da Ordem e das pessoas que eu amo. Se Tom Riddle quer acabar comigo, pode vir. Não garanto apenas que ele saia vivo dessa.
Notas finais
Comentem e tal.
Beijinhos
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