Just A Dream
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Espero que apreciem o capítulo de hoje...
Não havia muitas pessoas de quem se despedir em Little Whinging, mas com certeza o Sr. Olivaras era uma delas. A caminho do hotel onde os homens estavam, Harry pediu para pararem na loja, na qual havia um puxadinho onde Olivaras vivia.
O velho senhor ficou muito feliz por Harry, especialmente depois de ter visto e ouvido algumas das barbáries as quais o rapaz era submetido ao longo dos anos. Ele só se entristeceu por ter que se despedir do rapaz, que havia se tornado sua única companhia constante e fiel ajudante, não apenas na loja, mas também em alguns aspectos da vida pessoal.
_ Acho que isso é o sinal que preciso para fechar a loja, ou vendê-la. – admitiu o homem com um sorriso triste e isso apertou o coração de Harry.
_ Por favor, Olivaras, permita que o ajudemos. – pediu Sirius – Podemos ver o quão bom com Harry você foi, e se alguém merece algo pelo que fez por esse garoto esses anos todos, é você.
_ Não foi nada demais. Harry me fez tão bem quanto eu fiz a ele. – disse o homem, mas Harry segurou sua mão.
_ Você tem algumas economias certo? Que darão para viver confortavelmente? – perguntou Harry e o homem concordou – Pois bem... Venda a loja para Burkes, ele está atrás dela há anos e pagará um preço alto. E então, vá para a Florida como sempre quis. Terá uma casa lhe esperando lá. Sirius e Remo providenciarão isso, não?
_ Claro Harry, assim que chegarmos ao hotel. – concordou Remo – Da maneira e tamanho que o Sr. Olivaras quiser.
_ Não posso aceitar rapaz. – protestou um emocionado Olivaras e Harry sorriu.
_ Não só pode, como deve. Senão ficarei ofendido.
_ Nesse caso, não tenho mais o que dizer. – concordou o velho homem, extremamente emocionado – Sou-lhe muito grato Harry.
_ E eu a você, Sr. Olivaras. – concluiu Harry – Espero que me escreva.
Se despediram emocionadamente e Remo prometeu que um dos advogados da empresa ligaria pela manhã para finalizar os acertos, especialmente em relação a uma venda segura da loja.
Já no hotel, Harry foi levado a um quarto só dele, talvez o maior que ele já vira na vida. O banheiro era também enorme e o melhor: era tudo para ele.
_ Gostou dos seus aposentos? – perguntou Sirius, enquanto os três jantavam no restaurante do hotel. Harry apenas assentiu, mais distraído em deliciar aquele banquete, o maior de sua vida.
_ E pelo visto, da comida também. – riu Remo e Sirius o acompanhou, enquanto viam Harry comer – Acho que esse silêncio quer dizer que você não tem perguntas?
_ Na verdade, tenho várias. – disse Harry, engolindo apressadamente – Mas para começar... Que tal me falarem mais sobre vocês?
_ Não há muito o que dizer... – começou Sirius – Eu me casei, pouco antes de seus pais morrerem. Na verdade, quando aconteceu, eu estava no Caribe, em lua de mel. Já lhe falei dela, Lene. Marlene na verdade. Marlene McKinnon Black. Nós temos três filhos: Dimitri, Alexa e Edward.
_ Eu sou casado com Ninfadora, prima de Sirius. Porém, ela é bem mais nova que eu. – admitiu Remo, corando sobre os risos do amigo – Temos um casal, Samantha e Roger, e ela está grávida novamente.
_ Ninfadora é um nome estranho. – disse Harry, se sentindo culpado pelo comentário.
_ Oh, é mesmo. Portanto, sempre a chame de Tonks, que é o sobrenome de solteiro. Ninfadora são só para nossas brigas. – disse Lupin, mas seu olhar indicava que havia algo mais, que Harry não iria querer saber.
_ E como vocês conheceram meu pai? – perguntou Harry e os dois amigos se entreolharam com sorrisos tristes.
_ É uma longa e bela história Harry, porém nenhum de nós ainda se sente pronto para falar sobre seus pais. – disse Sirius, mexendo a comida no prato – Quando eles morreram, Tom, um tio-avô de seu pai, não permitiu um enterro, ou ainda que víssemos seus corpos. Ele mandou cremar os dois e não nos deu a chance de nos despedirmos. E os últimos anos... Bom, basta dizer que a morte dele foi uma benção. Apesar do filho ser um mala, nos livrou de muita dor de cabeça, porque o homem jurava de pé junto que nós dois, assim como Peter, tínhamos ligação com o que acontecera.
_ Eu tenho outros parentes? – perguntou Harry surpreso.
_ Mais ou menos. – respondeu Lupin – É uma longa história, se você quiser ouvir.
O rapaz assentiu e Sirius deu um gole em sua taça de vinho, antes de pigarrear e começar.
_ Tudo começa com os irmãos Peverell: Antioch, Cadmus e Ignotus. Eles viviam aqui, nos Estados Unidos, quando perderam o pai, um rico comerciante. Para Antioch, deixou uma empresa de madeira, porém ele perdeu todo o dinheiro nos jogos e faliu a empresa, sendo assassinado logo após em um bar.
“Cadmus herdou a companhia de mineração. Porém, se envolveu com uma prostituta e com ela, gastou até seu último centavo, tentando mantê-la junto dele para sempre. Pouco depois, ela deu a luz um filho e foi-se no mundo, deixando Cadmus falido. E tinha Ignotus, ainda um rapaz jovem, que herdou a empresa de tecelagem e, com uma cabeça surpreendentemente madura, fê-la manter-se e prosperar, além de ter comprada a dos irmãos e as reerguido. Quando a mulher deixou Cadmus e ele se viu falido, matou-se, deixando o filho aos cuidados do irmão.”
_ E esse é seu tatara-tataravô Harry, Ignotus Peverell. – prosseguiu Lupin – Quando o filho de Cadmus já era jovem, Ignotus afinal se casou, tendo seu próprio filho e herdeiro, Anton. Quando Ignotus se foi, quem assumiu as empresas foi Anton, apesar de sempre ter tratado bem e dado cargos importante a Louis, o filho de Cadmus.
“Assim como Ignotus, Anton era um visionário e assim também era Michael, seu bisavô. Ele foi para a Inglaterra bem jovem e lá, com muito suor, fez o nome dos Peverell crescer, comprando e reerguendo diversas empresas, indústrias e companhias falidas.”
“Quando Anton morreu, Michael estava casado e com um filho a caminho, não havia como voltar. Então Marvolo, filho de Louis, assumiu o comando por aqui. Mas assim como o avô, não tinha muito pulso para os negócios e mal senso para o amor. Quando faliu as empresas daqui, foi levado por Michael para a Inglaterra, com os dois filhos.”
_ A filha, Merope, foi a responsável por termos convivido com o maldito do Tom. Eles tiveram um filho, Tom Marvolo Riddle, tão chato quanto o pai, mas pelo menos sabe seu lugar. O pai era um grandíssimo arrogante, um viciado em status, preso ao fato de, gerações atrás, sua família ter sido da nobreza inglesa. – disse Sirius, bufando.
_ A filha de Michael foi a responsável pela entrada dos Potter nessa história, tendo sido seu avô o primeiro Potter a comandar a empresa, já que seu bisavô não demonstrou interesse. Porém, ele o fez por pouco tempo, já que faleceu muito cedo. Foi nessa época que seu bisavô e Dumbledore se aproximaram, para juntos protegerem seu pai. – completou Remo.
_ E a família de minha mãe? – perguntou o rapaz.
_ Eram americanos. – contou Sirius – O pai foi contratado quando Lily tinha seis anos e toda a família se mudou para lá. Seus avos eram ótimas pessoas e sua mãe, logo de cara, virou a queridinha de sua avó Potter, apesar de não se dar com James. Petúnia, pelo contrário, sempre se manteve distante.
_ Então, quando chegou à idade de mandar James para um bom colégio, os Potter mandaram Lily também, mesmo os Evans dizendo que não podiam aceitar isso. – prosseguiu Remo – Tenho pra mim que sua avó queria aproximar os dois.
_ O Sr. Evans morreu de câncer quando Lily tinha 16 e a sra. Evans de ataque cardíaco dois anos depois. Um ano mais tarde, os Potter faleceram, mas desde a morte do seu avô, Lily e James haviam deixado as diferenças de lado e namoravam. – finalizou Sirius – Petúnia voltou para os Estados Unidos assim que completou 18 anos, para morar com uma tia. Conheceu Valter logo depois e se casou em segredo, porque como você percebeu, seu tio é um babaca.
_ Eu ainda tenho muitas perguntas, mas também tenho muito que pensar. – disse Harry após um curto silêncio.
_ E tem que descansar. – disse Sirius – A viagem é longa.
_ Claro. – concordou Harry, se levantando – Er... Boa noite Sirius. Boa noite Remo.
_ Boa noite Harry. – disse Sirius o abraçando apertado, talvez o primeiro abraço que Harry se lembrava de receber – Oh, e amanhã é seu aniversário, certo? Se tudo der certo, chegamos a Londres em tempo de comemorarmos.
_ Eu adoraria. – concordou o rapaz com um sorriso. O homem voltou a se sentar com o amigo e ele caminhou para seu quarto, deitando-se na cama. Olhou para o criado mudo e viu o envelope que Sirius estivera segurando mais cedo, ao falar com ele na casa dos Dursley. Abriu e sentiu os olhos cheios de lágrimas.
Ali, cuidadosamente colocada, haviam várias fotografias de Lilian e James Potter, ou pelo menos, era o que dizia o verso. Viu que, assim como Remo dissera, era extremamente parecido com James, mas algo se diferenciava: seus olhos eram de um verde tão vibrante quanto o de Lilian. Novamente, essa informação lhe era familiar de seu sonho e decidiu que não se espantaria mais cada vez que algo se assemelhasse ao sonho. Mas se tinha algo que queria, era encontrar aquela ruiva. Riu ao ver que isso era estranho, levando em conta que a mãe era ruiva.
Acomodou a foto encostada no abajur e, pela primeira vez em anos, dormiu velado pelos pais.
Notas finais
Beijinhos ;@
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