Just A Chance
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Notas iniciais
~Pensamentos de Letícia Dowell
Eu estava sentada em um banquinho esperando a Júlia e falando com Rachel em meu celular, semideuses não podem usar, mas eu uso de qualquer jeito.
Eu estava falando com a Rachel sobre sei lá o que, até que a pessoa que eu menos queria ver aparece.
Matheus ficou a minha frente, ele já era assustadoramente mais alto que eu, mas como eu estava sentada e ele em pé eu me sentia uma formiga.
Sem piadinhas com a minha altura, obrigada.
“Oi Letícia.”
“Oi Matheus.” Disse com minha cabeça levantada graças à monstruosidade do tamanho dele. “Tudo bem?”
Ele se sentou do meu lado, deve ter cansado de olha para baixo.
”Porque fugiu de mim lá na sala?”
Bingo. Ele chegou direto no ponto que nem eu havia entendido.
“Eu não fugi de você, estava com fome.” Menti e fiquei olhando para o pátio implorando para a Júlia chegar.
“Vai ficar inventando desculpas?”
Bufei. Quem ele pensa que é? Eu não devo nenhum tipo de satisfação para ele.
“Não tenho que explicar nada pra você, você não me conhece.” Juro que quase pude o sentir rolar os olhos.
"Certo, dona semideusa, mas nós realmente precisamos conversar"
Droga, eu estava certa. Esse menino irritante a minha frente era o cara com quem eu dividiria a missão. Como ser mais sortuda que eu?
"O que você quer senhor semideus?" o imitei, fazendo uma voz idiota.
Ele riu um pouco, mas ele logo voltou a sua expressão dura de sempre.
"Você não acha que precisamos de alguma estratégia para saber quem é ou não um semideus por aqui?"
Romanos e suas malditas estratégias.
"Não sei você, mas já encontrei uma." Ele ficou surpreso.
"E por acaso quem é essa tal semideusa?"
"A Júlia, aquela menina que me puxou quando você ia que nem um desesperado tentar me ajudar com a cadeira." Disse dando uma risada.
Eu notei que ele corou um pouco, mas tentei não dar tanta importância a isso, mas mesmo assim não pude deixar de corar também.
"Só queria saber se era você a semideusa da missão." Ele disse sorrindo um pouco. "a Julia? deixe-me adivinhar, filha de Venus?"
Eu sabia que era por isso, mas eu ainda não consegui deixar de ficar desapontada... O que? Não Letícia, por favor, não. Você o conheceu agora, e ele ainda é muito irritante. Foco.
Ele ainda me encarava esperando uma resposta.
"Na verdade, é Afrodite. Ela não tem jeito de romana."
Ele me olhou de um jeito estranho, eu sabia o que ele queria dizer.
“como você pode saber disso? Mal conhece a garota”.
Fiquei vermelha, odeio tocar nesse assunto. Não me lembro de ter falado nem para Rachel isso, porém acho que ela já sabia.
"Eu... Bem... Eu sou filha de Apolo, mas diferente de meus irmãos, eu posso fazer... hm, outras coisas." Cocei a cabeça, com vergonha. "Uma delas é o dom da visão, eu sei das coisas antes que elas aconteçam. Eu simplesmente sei que ela é filha de Afrodite."
Eu estranhei, ele não havia me olhado do jeito que as pessoas me olhavam quando eu falava sobre isso, ele apenas sorriu para mim.
"Ah, você é algum tipo de oráculo?"
"Não, mas minha melhor amiga é."
Eu ri me lembrando da Rachel.
"Mas isso não é nada demais, e você? Faz algo de diferente?"
Ele ficou um pouco mais severo, achei que tinha tocado em um assunto errado.
"Na verdade, eu apenas tenho um péssimo dom, meus olhos conseguem passar sofrimento e dor, igual aos de meu pai, mas eu aprendi a controla-los"
Sabia exatamente o que ele queria dizer. Não que meus olhos passem dor e sofrimento, mas eu entendo como é ser julgado e sofrer por algo que eu pai fez. As pessoas devem se afastar dele por causa do que os seus olhos traziam, e isso eu entendia muito bem.
"Quem é seu pai?"
“Marte.”
Eu olhei pra ele, ele com certeza tinha um corpo de filho de Marte, os olhos deles eram verde escuro, quase musgo, e se você olhasse bem para eles, não ia conseguir deixar de olhar.
Eu olhei para o outro lado, tentando deixar de ollhar, lembrando-me do que ele tinha me falado antes.
Eu percebi que Júlia estava voltando com Pedro, eu os olhei bem.
Pedro estava corado, e Júlia estava tentando diminuir o sorriso, com certeza algo estava acontecendo entre os dois.
Não pude deixar de sorrir também.
A Júlia estava chegando, até que algo estranho aconteceu, tudo estava ficando preto, as pessoas estavam sumindo e eu estava em um lugar totalmente diferente.
X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X
Estava em um lugar que eu nunca tinha visto antes, era uma sala de jantar enorme com um lustre quase do meu tamanho, havia comida na mesa, eu podia sentir o cheiro de carne.
Em uma parte mais escura, eu ouvia uma voz, então resolvi me aproximar.
Está na hora de você sumir eu sentia a voz dizer para mim a maldição tem que acabar filha de Hermione.
Estremeci, não sabia de onde, mas eu conhecia essa voz.
Seu fim está mais próximo do que pensa, se não me ouvir, vai acabar como os filhos de Tiestes.
“Qu- quem é você?”
Está na hora de você sumir.
Eu comecei a me afastar da parte escura, mesmo contra a minha vontade. Tudo ficou preto de novo, e eu não sentia nenhuma parte do meu corpo.
Então eu acordei.
X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X
Eu acordei e me vi na enfermaria do colégio, do meu lado Júlia, Matheus e Pedro me olhavam preocupados, quando perceberam que eu acordei Júlia quase tem um infarto.
“Letícia você está bem?” Ela me perguntou, percebi que ela estava quase chorando.
“Sim, estou, o que aconteceu?”
Matheus parecia avaliar algo, ele se encontrava muito sério.
“Você desmaiou, e o céu começou a escurecer, o sol parecia ter sumido, você não acordava de jeito nenhum, e estava bastante quente, tivemos que te levar para a enfermaria.”
Eu agradeci aos três por estarem ai e disse que podiam ir e que eu estava bem, a enfermeira me examinou e logo pude ir para casa.
Assim que cheguei a minha casa ouvi a companhia tocar, ao abri me deparei com um Matheus nervoso.
“Precisamos conversar.”
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