Just A Chance
14 Surto
Notas iniciais
boa leitura :)
~Pensamentos de Júlia Miller
Eu estava fragil demais, só que não poderia demostrar isso.
Entrei na casa da Letícia e aparentemente eu havia passado tempo de mais fora. Todos já haviam almoçado, mas isso pouco me importava, eu não estava com fome nenhuma. Olhando mais atentamente aquilo parecia mais com um hospício do que com a casa da minha amiga. Todos falavam ao mesmo tempo. A única que estava quieta no canto era a Letícia, o que é realmente estranho já que normalmente ela adora esse tipo de bagunça.
Eu sentei ao seu lado, mas ela não pareceu notar minha presença ali.
“Ei, tudo bem?” Perguntei e isso a fez me notar ali.
"Oi? Ah, tá tudo bem sim" e foi ai que reparei que ela estava agarrada a uma caixa. Acho que isso tem haver com a nossa missão.
“O Pedro já chegou?” Perguntei meio incerta.
“Ele esta no quarto faz um tempo. O que acon...” Não a deixei continuar.
“Não quero falar sobre isso.” Ela concordou e voltou a se concentrar na caixa.
“Júlia... você sabe alguma coisa sobre o seu pai?” Letícia me perguntou de repente.
Olhei um pouco assustada para ela. Meu pai. Esse sempre era um assunto muito doloroso pra mim. Eu engoli a seco e a encarei
"Ele morreu quando eu tinha cinco anos." falei e pude sentir meus olhos umedecendo.
Ela olhou pra mim com um olhar de culpa
"Desculpa Ju, e... eu não devia ter tocado nesse assunto com você." Ela começou há ficar um pouco desesperada.
“não tem problema, isso já faz 11 anos, eu deveria ter superado” Sequei a lagrima que caiu desajeitada pela lateral do meu rosto “Mas por que a pergunta?” Ela apontou para a caixa de ouro.
“Era da minha mãe”
“Você já viu o que tem dentro?” Ela negou com a cabeça.
“Primeiro preciso falar com os gladiadores sobre a missão” E ela apontou a cabeça para o grupo de pessoas na nossa frente. “Os chama pra mim?”
“Claro” Falei me levantando.
“Ei pessoal, a Letícia esta chamando” Tentei falar com calma. Então eu fui de um por um, mas ninguém me escutava. Serio isso? Não é possível que eu não tenha moral nenhuma. Não era pra, sei lá, com um pedido meu... Todos me obedecerem? Bem foi isso que a Letícia me falou ontem, mas não esta funcionando.
Eles só falavam alto, riam ou brigavam entre si e nem se quer prestavam atenção em mim. E isso estava no limite da minha paciência. E já que a minha paciência é menor que a Letícia (ou do mesmo tamanho.), chegar ao limite dela não é muito difícil.
"DA PRA VOCÊS CALAREM A BOCA" gritei com todo meu pulmão e recebi cinco olhares assustados em minha direção. “Obrigada pela atenção” falei e sorri com gentileza e ironia “a Letícia quer falar com a gente"
Letícia estava em uma crise de riso quando chegamos perto dela. Mas logo se acalmou e tomou um semblante serio para poder começar a falar.
“Temos que resolver a missão.” Ela começou a falar “Já sabemos que o nosso destino é Micenas” Ela disse e todos concordaram. Menos Matheus que estava ao meu lado.
“Eu ainda não concordo com isso” Ele disse sussurrando pra mim “Jú, a Letícia esta cometendo suicídio indo para lá por conta própria.”.
“Eu sei Matheus. Mas você quer que eu faça o que? Não posso impedi-la. Ela é teimosa demais. Eu queria que essa missão fosse a outro canto” Sussurro para ele de volta.
“Você deveria ter mentido”
“Você fala como se fosse fácil, Math. Eu sei que ela é uma das minhas melhores amigas, se alguma coisa acontecer com ela eu nunca vou me perdoar. Mas era ela ou o mundo todo.” A nossa conversa continuava no sussurro.
“Julia e Matheus, será que vocês podem prestar atenção?” Letícia falou olhando pra gente com certa fúria em suas palavras. Menina ciumenta.
“Como eu estava dizendo, nós precisamos nos programar. Ver como chegaremos até lá. E também o lugar exato.” Ela passou os olhos sobre todos nós. Eu sabia que poderia ajudar a indicar o lugar. Estranho? Muito. Mas além de eu saber tudo sobre Micenas de tantas pesquisas que já fiz. Eu tinha um extinto. O que segundo minha mãe era relacionado à minha avó, o que faz tudo ficar mais estranho ainda. Já que a família do meu pai era... Normal.
“Você sabe alguma coisa?” Matheus percebeu que eu estava ansiosa e me perguntou. Começando uma nova conversa em sussurros
“Talvez” Respondi
“Não fala nada então”
“Mas...” Eu ia falando, mas ele me interrompeu.
“Não quero que essa missão acabe ou de errado, só quero passar mais tempo ao lado dela.” E isso foi à coisa mais fofa que eu escutei ele dizendo. “Você me ajuda?”
“Lógico que sim, né Math? Você esqueceu que sou filha de Afrodite?” falei em tom de brincadeira e ele deu um risinho.
“Obrigado, minha cúpida.” Ele disse e me deu um beijo na bochecha.
“Julia e Matheus! É a segunda vez que chamo a atenção de vocês!” Letícia falou espumando de raiva por não estarmos prestando atenção (lê-se: Ela estava com ciúmes por ele ter me dado um beijo na bochecha.).
“Estávamos falando sobre a missão” Matheus diz, e isso não chega a ser uma mentira. Ela pareceu então entender e ficou menos possessa. “Mas então algum de vocês dois tem alguma ideia de como chegar lá?”
“Podemos ir de navio ou de avião” Rafaela sugeriu.
“Mas nem todos aqui tem grana sobrando pra poder bancar uma viagem assim de uma hora para outra.” Lucas falou. Eu sabia do que ele estava falando. Ele não é pobre, mas os pais estão passando por um momento financeiro complicado.
“Deve haver algum jeito” Rafael disse.
“Talvez Pedro tenha alguma ideia” Matheus sugeriu. Todos olharam para ele. E Letícia arqueou as sobrancelhas. “Eu não disse pra vocês?” Todos negaram. “Ele é filho de Vulcano.” Por isso o sentimentalismo exagerado.
“Disso eu já sabia” Letícia falou com voz cansada
“Mas eles não sabiam” Matheus disse
“Tá que seja. O importante é que ele tem uma grande criatividade. E talvez ele possa ter alguma ideia de como irmos do Brasil até a Grécia, sem gastar muito dinheiro.” Bom ponto. Eu não sei como que não havia pensado que Pedro era filho de Hefesto, ou melhor, Vulcano. Ele sempre teve boas ideias e férias passadas quando ele precisou de um dinheiro ajudou o tio a concertar o carro.
“Precisamos de uma ideia boa e rápida” Eu disse
“Exatamente, nós temos que partir em missão no máximo amanha de noite” Letícia falou. “Mas outra coisa que eu preciso saber antes de partir” E ela se virou para mim.
Eu sei que ela ia perguntar sobre onde era exatamente em Micenas que devíamos ir. Mas eu não podia falar.
E agora?
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