Just A Chance
1 Missão
Notas iniciais
~Ponto de vista de Letícia Dowell.
Eu estava em meu chalé arrumando as malas para voltar para casa, mais um verão havia terminado e eu já estava com saudade daquele lugar.
Voltar para casa não era exatamente o que eu queria agora, meus pais adotivos eram muito legais, mas eu ainda tinha muito que resolver no acampamento.
Saber sobre a sua maldição nem sempre é uma boa coisa, ela acaba te destruindo, você não consegue pensar em outra coisa e acaba irritando a você mesmo e, principalmente, a sua melhor amiga ruiva de olhos verdes.
E falando nela...
Rachel Elizabeth Dare entrou no chalé de Apolo – Sem bater na porta para variar- e ficou me encarando com o olhar de raiva que ela insiste em guardar apenas para mim. Como sou privilegiada, não?
"Letícia Cristine Dowell!” Nome completo, nunca é um bom sinal. “Você esqueceu que a gente tinha combinado de ir ao campo de morangos de novo?”
Eu bufei, é isso que ganho por ser antissocial e ter praticamente só a Rachel como amiga, meu pai ficaria orgulhoso com o tamanho da minha popularidade.
“Ah Rach, você sabe eu tenho uma agenda cheia.” Agora você sente o sarcasmo. “Agora falando sério, eu estava arrumando as malas e você deveria fazer o mesmo, não é?”
Ela revirou os olhos e se sentou na minha cama.
“Claro, porque eu estou morrendo de vontade de ir para a aquela bendita academia.”
Rachel estudava em uma academia para moças que seu pai a fizera entrar na época que eles estavam na guerra contra Cronos, quando eu ainda não tinha entrado no acampamento. Ela era o by saveshare\">oráculo de delfos, então muitos dos campistas não falavam com ela, eles a respeitavam, mas também tinha um pouco de medo dela.
Apesar de não considerar uma menina de 17 anos com uma TPM diária uma coisa tão assustadora. Eu diria irritante.
“Hm, Let?” Eu olhei para Rachel que estava encarando os seus pés.
“Sim?”
“Acontece que, sobre a maldição...” Antes que ela pudesse continuar Will, o líder do meu chalé, se aproximou de nós.
O que é estranho, já que ele só fala comigo para reclamar da bagunça que está a minha parte do chalé ou para me dar o horário de alguma coisa.
“Letícia, Quíron está te chamando na Casa Grande.” Will disse e se retirou logo em seguida.
As pessoas daqui geralmente fazem isso quando se aproximam de mim, é um dom natural.
Rachel me encarou como se soubesse o que ia vir em seguida, o que não me deixou surpresa já que ela é o oráculo, mas seria um pouco gentil de sua parte ter me contado.
Murmurei um 'até mais' para Rachel e fui para a Casa Grande.
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A Casa Grande é uma grande casa branca, onde são convocados os Conselhos dos campistas. Eu só tinha ido lá uma vez, e realmente não tinha gostado da primeira reunião, então não estava tão animada para ter uma segunda.
Entrei na casa, estava cheia das fotos de sempre, lotadas com uma porção de campistas. Entre elas estavam Rachel, Percy e eu sentados no estábulo. Percy também era um dos poucos campistas que falavam comigo, acho que ele entendia o que significava ser destinado para morrer.
Quíron entrou na sala em suas cadeiras de rodas, deveria estar pronto a ir para algum colégio pegar alguns semideuses, completamente normal.
Mas ter uma maldição e ser filha do deus grego Apolo também não é uma definição muito boa de normal.
Ele se aproximou de mim e deu um sorriso fraco, quase com pena.
“Minha cara, você certamente nunca foi mandada a uma missão não é?” Ele perguntou olhando para mim ainda com aquele sorriso, eu apenas assenti com a cabeça. “Bem, você deve saber do que uma guerra está chegando, e que os dois acampamentos tem que se unir, não é?”
Ele estava falando tão pausadamente que eu estava prevendo coisa ruim, mas não comentei nada apenas assenti novamente, talvez porque aquele lugar me deixava nervosa.
“Acontece que, dois campistas, um do Acampamento Meio-Sangue e outro do Acampamento Júpiter vão ter que fazer uma pequena viajem.”
“Pra aonde?”
Ele sorriu um pouco e pegou a minha mão.
Já estava começando a ficar preocupada com esse carinho, já que ninguém por aqui me trata assim.
“Você tem poderes especiais Letícia, você já deve ter percebido que pode fazer coisas que seus irmãos não podem fazer.” Ele parou por um segundo, refletindo no que ele ia dizer. “Você consegue ter todos os dons de filhos de Apolo, coisa que ninguém nunca teve, e ainda tem o poder do Arsenal e do Imperador do Sol, seu pai nunca liberou tais poderes a nenhum de seus filhos.”
Eu quase caia da cadeira, claro que havia percebido que era diferente dos filhos de meu pai, acontece que eu nunca pensaria que ele havia me dado poderes a mais do que dos meus irmãos, nunca me considerei uma filha tão querida assim, ninguém se consideraria se estivessem em meu lugar.
“Eu? Mas eu sou... Quero dizer a minha família...”.
“Estamos cientes da sua situação, mas precisamos de alguém com poderes como os seus para essa missão.” Ele disse me cortando e provavelmente pedindo mentalmente para eu me calar. “Precisamos que você vá ao Brasil, Fortaleza para ser exato, além de seus poderes serem maiores lá por causa dos raios de sol, você conhece bem a cidade.”
Eu concordei com a cabeça e o deixei continuar a falar.
“Você tem que procurar semideuses lá, em uma das escolas foi encontrados mais de seis alunos com Dislexia e TDAH, e o exército Gaia está se espalhando, existem rumores de que eles já chegaram ao Brasil, precisamos trazer as crianças para cá.”
Tentei assimilar tudo de novo, teria que voltar para o Brasil, o lugar onde prometi nunca mais voltar, procurar um bando de semideuses junto de uma pessoa de outro acampamento que nunca vi na vida e arriscar a minha vida que com toda certeza não é uma das coisas mais seguras do mundo.
Quíron ainda olhava para mim esperando uma resposta, nesse momento fiquei mais assustada que antes, ninguém nunca havia dependido de mim antes, sempre se afastavam de mim, e por um segundo isso até me fez sentir bem.
Quer saber? Dane-se. Se eu ia morrer de qualquer jeito não seria melhor morrer como uma heroína, salvando aqueles jovens semideuses de uma morte certa?
“Eu vou” Meio automático e tão do nada que Quíron se assustou, mas não conseguiu deixar de sorrir.
Depois disso ele me explicou aonde eu estudaria, onde eu ficaria, disse que avisaria aos meus pais adotivos sobre tudo aquilo e me explicou todo o procedimento para encontrar os semideuses.
Nesse meio período eu fiquei o mais assustada possível, quero dizer, como alguém que mal consegue controlar a sua vida controlaria o destino de seis semideuses? E pior, como os convenceria de que eram semideuses? Quando foi comigo foi necessário um mostro e a presença de um deus para que eu acreditasse.
Seja como fosse, eu sabia que ia dar trabalho.
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