POV JUNIOR

Estava muito nervoso, não queria aceitar a ideia de que minha menina havia definitivamente virado mulher. Mas estava arrependido da maneira em que tratei a Carol, ver o estado em que ela saiu de casa, chorando daquele jeito, eu realmente era um idiota. No momento que eu decidi sair de casa para ir atrás dela, um vizinho nosso entrou correndo em minha casa.

Vizinho : Seu Junior, aconteceu um acidente muito grave com a sua esposa.

Junior : O QUE ?

Vizinho : Ela estava correndo aqui na avenida da frente, parecia estar desatenta e um pouco abalada, sua filha corria atrás dela, mas ela atravessou, e um carro vindo não teve tempo de frear, ela foi atropelada e arremessada a outro carro, e o espelhinho do outro carro se quebrou inteiro sobre o rosto dela. Infelizmente parece que ela está morta.

Escutar aquelas palavras foi como se me roubassem o chão, não tive reação alguma a não ser sair correndo, sem olhar pra nada, apenas gritando o nome da Carol. Chegando lá, eles já estavam colocando ela dentro da ambulância, e a Daniela jogada no chão, com muito sangue rodeando-a , e ela chorava desesperadamente.

Junior : Carol ! Carol ! – Eu por impulso tentei subir na ambulância, mas os paramédicos me impediram – Pelo amor de Deus doutor, o que aconteceu com a minha mulher ? O que ela tem ? – Eu dizia desesperado.

Paramédico : Ela está inconsciente, tem pulso fraco no momento, foi arremessada por um carro, e bateu no retrovisor de um outro que estava estacionado. O retrovisor estourou no rosto dela, deixando muitos ferimentos, não sabemos se isso afetou algum órgão vital, temos que leva-la agora pro hospital, pois a temperatura dela está alta e não temos soro o suficiente na ambulância para estabiliza-la. Como é um estado delicado, não podemos autorizar acompanhantes na ambulância.

Junior : Meu Deus do céu – coloquei as mãos no rosto desacreditando de tudo – Tudo bem doutor, leve-a para o melhor hospital, pro que você achar que tem melhor condição de atende-la ! Mas por favor doutor, salva a vida da minha mulher ! Nós temos 3 filhos, e eu não posso viver sem ela.

Paramédico : Tudo bem senhor, levaremos para o melhor hospital da cidade, só assine aqui por favor.

Assinei e eles foram em super alta velocidade. Respirei fundo, super angustiado e com um remorso irreversível. A multidão foi se diluindo, e eu vi a Dani ali, jogada sobre o sangue da Carol, gritando de dor. Eu precisava ser forte pelo menos por ela, mesmo sentindo uma dor que não existem palavras que possam expressar.

Junior : Vem cá meu amor – Disse me ajoelhando do lado dela e a chamando.

Dani : Pai ! – Ela se jogou sobre meu colo, me apertando e chorando muito – Pai não deixa ela morrer por favor, faz de tudo pai por favor, não deixa ela ir, não deixa – Ela me abraçava agoniada.

Junior : Eu não vou deixar meu amor, não vou ! Agora vem, vamos pra casa, pra gente poder ir ao hospital ver como a mamãe está ! – Eu dizia fazendo carinho nela, e me segurando ao máximo para não chorar.

Dani : Me perdoa, é tudo culpa minha, eu que sempre entro na vida das pessoas pra estregar elas, me desculpa, você são as únicas pessoas que tenho na minha vida, não posso perder você – Ela gritava

Junior : Não meu anjo, a culpa não é sua, não pense assim minha vida, você só trás alegrias, você é um anjo na nossa vida. Vem comigo vem meu amor, precisamos ir logo para o hospital, e lá você vai poder passar força pra mamãe. – Eu disse tentando levanta-la

Dani : Não consigo pai, eu não consigo me levantar – Chorava – A dor não me deixa fazer nada !

Junior : Então eu te levo, vamos sair daqui princesa, estamos no meio da rua – Peguei ela no colo e fui pra casa, chegando lá , coloquei ela no sofá, e fui pegar todos os documentos da Carol , peguei tudo, peguei uma troca de roupa para Dani e desci – Dani meu amor, coloca essa roupa limpinha pra gente ir !

Dani : Obrigada pai – Ela pegou, e sem se importar com nada se trocou ali mesmo.

Junior : Está com fome meu anjo ?

Dani : Pra ser sincera não pai – Ela dizia soluçando

Junior : Então toma um pouquinho desse suco princesa, pelo menos pra você não passar mal – Disse entregando o copo , ela bebeu rapidamente e saímos. O choro dela não cessava, e eu tentando me manter forte. Não estava sendo fácil ver minha filha daquele jeito, e principalmente saber que minha esposa estava correndo risco de vida.

Chegando no hospital, sentei a Dani , e fui correndo para a recepção saber notícias.

Junior : Bom dia, minha esposa chegou muito mal aqui , de ambulância, eu preciso muito de notícias dela ! – Eu disse aflito.

Recepcionista : Qual o nome dela senhor ?

Junior : Carolina Correia Almeida Campos

Recepcionista : Só um minuto senhor, que vou chamar o médico responsável pelo caso.

Junior : Tudo bem – Enquanto isso me sentei ao lado da Dani fazendo carinho nela. Alguns minutos depois chegou o médico.

Médico : Senhor Junior Almeida Campos ?

Junior : Sou eu... e minha esposa doutor, como ela tá ? – perguntei ansioso

Médico : Ela continua desacordada, mas a hemorragia foi contida, a temperatura foi estabilizada, o pulso já está normal. Está fora de perigo !

Junior : Ouviu isso filha ?

Dani : Ouvi pai – Ela chorava de alívio

Médico : Só ainda não conseguimos saber se ela teve alguma sequela. Só saberemos quando ela acordar ! Já vamos leva-la ao quarto já. Só peço para não entrarem com crianças, pois a ala que o senhor escolheu é a melhor do hospital, e temos casos bem delicados lá.

Junior : Pode deixar, e muito obrigado doutor !

Médico : Por nada, vamos nos falando. Essa é filha de vocês ?

Junior : É sim !

Médico : Querida , me permite ? – Disse ele se aproximando dela para medir seu pulso.

Dani : Sim, senhor Doutor. – Disse ela estendendo-lhe o braço

Médico : Mocinha você está muito nervosa ! Assim que olhei pra esse rostinho angustiado percebi que você não estava bem. Querida sua mãe está bem tá bom ? Logo ela acorda, e você vai poder dar vários abraços e beijos. Você tem que ser forte, pra passar força pra ela tá bom ? Agora, eu posso te trazer um remedinho, pra você conseguir descansar ? Seu pai vai ficar atento a tudo, não é papai ?

Junior : Claro que sim minha princesa !

Dani : Tudo bem então ! Obrigada doutor ! – Ela tomou o remédio, e em pouco tempo dormiu no meu colo. Aproveitei para ligar para Gabi.

— ligação on –

Gabi : Alô ?

Junior : Oi minha irmã, como estão as crianças ?

Gabi : Oi Ju ! Estão ótimas, nem acordaram ainda, mas porque está falando tão baixo ?

Junior : A Dani está dormindo no meu colo.

Gabi : Ué, porque ?

Junior : Gabi, não entra em desespero ! Eu e a Carol tivemos uma briga, ela saiu correndo, foi atropelada, e está inconsciente no hospital.

Gabi : Meu Deus Junior, foi tão grave assim ?

Junior : Depois eu te explico melhor, deram um calmante pra Dani, e eu queria que você viesse aqui buscar ela, pra ela poder descansar. Está traumatizada Gabi, ela viu tudo.

Gabi : Claro, estou indo praí agora, só que depois quero saber de tudo!

Junior : Obrigado.

— ligação of –

Gabi buscou a Dani, e eu fiquei o tempo todo no hospital, sozinho conseguia chorar, desabafar, e me culpar o tempo todo pelo fato do amor da minha vida estar assim, e por minha culpa, pelo meu ciúme.

Narradora : Uma semana se passou, Júnior não saiu um só dia de dentro daquele hospital, mesmo desacordada, ele conversava com a Carol, fazia carinho, pedia a Deus para que a trouxesse de volta. Já na casa de Gabi, haviam problemas ... Dani não conseguia se alimentar, nem dormir. As crianças não entendiam o que estava acontecendo, o que fazia com que Gabi tivesse olho duplo, um em cima da Dani, e outro nas três crianças. 9 dias após o acidente, estavam no quarto, Gabi, Dani e Júnior. As crianças estavam na escola, quando finalmente Carol começou a reagir.

(QUARTO DO HOSPITAL – POV JUNIOR)

Dani : Mãezinha, volta logo, a gente tá morrendo de saudades, morrendo de saudade da sua voz – Quando ela estava segurando a mão dela, Carol a apertou – Pai a mamãe apertou minha mão.

Imediatamente corri para chamar o médico , que chegou e a examinou.

Médico : Ela está acordando ! Não façam muitas perguntas.

Bem lentamente ela começou a abrir os olhos, e ficou com eles parados, como se estivesse olhando para o ‘’nada’’

Dani : Mãe ? – Disse ela com um sorriso gigante ..

Carol : Dani ? Vem cá meu amor, me dá um beijinho – Disse ela em voz super baixa, e mesmo assim não mexia os olhos – Cadê o papai meu amor? Chama ele pra mim, fala pra ele vim aqui – Ela passou a mão no rosto de Dani , que me chamou .

Junior : Como você tá se sentindo meu amor ?

Carol : Você me perdoa ? Vem cá, chega mais pertinho !

Junior : Não tenho o que te perdoar minha vida ! – Eu encostei meu rosto no dela, ela sorriu e eu dei um beijo na testa dela.

Carol : Eu dormi quantos dias ?

Junior : 9 meu amor, 9 dias mais longos e difíceis da minha vida.

Carol : 9 dias sem ver as razões da minha vida né ? Meu amor, por favor, ascende a luz, eu quero muito ver o rostinho de vocês !

Dani : Mas mãe a luz ..... – Gabi tampou a boca da Dani, dizendo para ela não falar nada.

Carol : Não pode ascender a luz agora ?

Médico : Ainda não Carol, temos que fazer uns examezinhos antes tá bom?

Narradora : Todos estavam arrasados, Gabi tentava controlar a Dani que chorava desesperadamente, e Junior ficou na frente da sala de exames para saber logo o motivo da Carol não estar enxergando ... Algumas horas depois, o médico voltou, um pouco nervoso.

Junior : E aí Doutor ? O que houve com a minha mulher ?

Médico : Seu Junior, não podemos dizer se é permanente, mas ao que tudo indica, sua esposa está cega !

Continua ?