Jurisdição do Amor

3 Capítulo 3: Entre o Ódio e a Profissão


Um mês depois


Jae Min estava afundado em uma pilha de processos que precisava concluir até o final do dia. Era a quinta noite consecutiva em que ele se via sentado à mesa, cercado por pilhas de papéis e processos. Não era o volume de trabalho que o mantinha acordado, mas a sensação paralisante de não conseguir focar, de ver sua carreira desmoronar a cada minuto. Ele tomou um gole de café amargo, pegou a caneta vermelha e começou a circular pontos importantes no papel, mas, no fundo, sabia que não estava realmente focado. Sua vida profissional, antes impecável, estava um verdadeiro caos.

Desde o desastre no tribunal, seu rendimento na empresa despencou. O cliente VIP exigiu que ele fosse retirado do caso. A empresa, além de sofrer um abalo na reputação, foi obrigada a pagar uma indenização pesada. Tudo isso por culpa dele.

Ou melhor, tudo isso por culpa dela.

Park Yoo Mi.

O nome dela soou como uma lâmina afiada. Jae Min apertou o papel entre os dedos, amassando-o com a força de quem queria esmagar as lembranças, as palavras dela, sua presença, tudo. A raiva que sentia era como um fogo que queimava sua garganta, e por um momento, ele pensou que poderia explodir ali mesmo, mas sabia que não podia. Não naquele momento. Não naquele lugar.

As batidas na porta o tiraram de seus pensamentos.

“Jae Min-ssi?”, chamou Im Se Mi, sua secretária, entrando na sala. “O Sr. Song convocou uma reunião de emergência.”

Jae Min franziu o cenho. “Uma reunião de emergência... agora?”

“Sim.” Se Mi olhou o relógio. “Ele quer que todos compareçam imediatamente. Também achei que isso soou um pouco suspeito, mas…”

Ele suspirou, concordando com ela. Definitivamente era suspeito, bem suspeito.

“Ele disse qual seria o assunto?”

“Não.”

Ele acenou em agradecimento.

“Obrigado por avisar, Se Mi-ssi.”

Suspirando, ele se levantou, ajeitou a gravata e seguiu pelos corredores do escritório, absorto demais em seus próprios problemas para se importar com mais uma reunião. A última coisa que queria era perder tempo com algo sem importância, especialmente depois de semanas exaustivas. Seu equilíbrio entre trabalho e vida pessoal já estava comprometido o suficiente e, ao que tudo indicava, mais uma noite em claro o aguardava. Isso o aborrecia profundamente.

Assim que entrou na sala de reuniões, seu olhar percorreu a mesa distraidamente. E então, ele congelou. Ali, sentada com os braços cruzados e uma expressão de puro desgosto, estava Park Yoo Mi.

O choque foi instantâneo.

Sua mão afrouxou, e o copo com café escorregou de seus dedos, caindo no chão com um barulho ensurdecedor. Mas Jae Min mal percebeu. Sua mente estava totalmente absorvida pela visão de Park Yoo Mi, sentada com os braços cruzados, encarando-o com um olhar tão gelado que parecia cortar o ar. Ele abriu a boca para falar, mas as palavras não saíam. O ódio, mais uma vez, borbulhou em suas entranhas.

“O que… o que essa mulher está fazendo aqui?” exclamou, apontando para Yoo Mi como se tivesse acabado de ver um fantasma.

“Eu quem pergunto!” ela rebateu, estreitando os olhos. “O que esse Ahjussi está fazendo aqui?”

Jae Min arregalou os olhos. “Ah… Ahjussi?”

Como ela se atrevia a falar isso na frente de todos? Ele quase sentiu uma onda de calor subir à sua cabeça, e o que antes era raiva, agora era pura humilhação. Ahjussi... Aquela palavra tinha o poder de destruí-lo ainda mais, e ela sabia disso.

“Aish! Você me chamou de Ahjussi?”

“Chamei.” Yoo Mi saboreou a provocação. “Não é isso que você é? Um Ah…ju…ssi…”

Ele sentiu o sangue ferver.

“Sua…”

“Chega!”

A voz firme do Sr. Song ecoou pela sala, cortando a discussão antes que saísse ainda mais do controle. Os dois se calaram imediatamente, agora sob o olhar severo do superior. O chefe suspirou, ajeitou os papéis à sua frente e finalmente quebrou o silêncio:

“Ótimo! Vejo que já se encontraram. Isso facilita as coisas para o que vou falar.” Sr. Song lançou um olhar sério para os dois antes de continuar. “Vamos direto ao ponto.”

A sala mergulhou em um silêncio tenso. Um arrepio subiu pela espinha de Jae Min e Yoo Mi. Eles não estavam com um bom pressentimento sobre o que viria a seguir.

“O motivo da reunião repentina é simples. Há um mês, nossa empresa foi obrigada a pagar uma indenização considerável por causa de um certo… espetáculo no tribunal, causado por duas pessoas que estão presentes nesta sala.”

Imediatamente, todos os olhares se voltaram para Yoo Mi e Jae Min, fazendo-os se encolherem desconfortavelmente.

“Parabéns pelo show que vocês dois deram.” Sr. Song bateu a palma da mão sobre a mesa, fazendo todos saltarem na cadeira. Sua voz carregava um tom sarcástico. “Graças a isso, nossa reputação foi abalada e nossa taxa de procura caiu.”

Um murmúrio se espalhou entre os presentes.

“Sr. Song, com todo respeito, mas por que estamos sendo cobrados por isso? Não fomos os responsáveis.” Gong Yoo, um dos advogados mais talentosos e experiente da empresa, ergueu uma sobrancelha, soltando um sorriso irônico. “Os únicos que deveriam ser penalizados são esses dois.”

Os cochichos cresceram.

Jae Min sentiu a tensão aumentar e lançou um olhar discreto para Yoo Mi. Ela parecia tão inquieta quanto ele. Yoo Mi respirou fundo, reunindo toda a coragem do mundo para perguntar o que a atormentava desde o momento em que pisou naquele lugar.

“Sr. Song, com todo respeito e se me permite a palavra… O que exatamente estou fazendo aqui?”

“O Sr. Choi não te informou?”

“Não.”

“Passamos o dia todo conversando ontem, e, no fim, firmamos um acordo.”

“Um acordo?”

Aquilo a assustava de alguma forma.

O chefe assentiu e disse com clareza: “Vocês vão trabalhar juntos.”

O ar pareceu sumir da sala.

“Por um ano.”

Yoo Mi piscou, tentando processar a informação.

“Como assim?” disse soltando um riso nervoso. “Quem vai trabalhar juntos por um ano?”

“Você e o Sr. Lee.”

O café que Jae Min havia acabado de tomar foi cuspido para fora. “O quê?”

“Juntos?” Yoo Mi franziu o cenho, incapaz de acreditar no que ouvia.

“Exatamente isso que acabaram de ouvir. Se ainda se consideram advogados de verdade, provem.”

O silêncio na sala tornou-se sufocante.

Yoo Mi abriu a boca para protestar, mas hesitou ao perceber o olhar mortal de Jae Min. Eles se entreolharam, ambos horrorizados.

Trabalhar juntos?

Não.

Isso só podia ser um pesadelo.

Mais algumas horas de reunião, que não parecia ter fim. Yoo Mi estava completamente silenciosa, o olhar perdido em algum lugar distante. Seus pensamentos estavam um caos, e ela não conseguia se concentrar em nada que fosse dito. Assim que a reunião terminou, ela saiu apressada, pegando o celular e ligando para seu chefe.

“Foi para isso que fui transferida?” perguntou, andando de um lado para o outro. “Todos os casos que ganhei até agora foram em vão?”

“Srta. Park, por favor, estou ocupado. E já discutimos sobre isso.”

“Hã? Quando discutimos que eu trabalharia por um ano na J&K Law Firm?” Sua voz saiu incrédula. “Não podem fazer isso comigo. Exijo meu retorno!”

“Você esqueceu do erro que cometeu?” A voz do chefe soou impaciente, como se estivesse falando com uma criança. “De todos os clientes, justo com um VIP você decidiu falhar? Você é uma das melhores advogadas da Seojin Law Group e ainda assim cometeu um erro fatal. Esqueceu da indenização que tivemos que pagar por sua causa? Você não está no direito de exigir nada.”

“Mas…”

“Poderia ter te demitido, Srta. Park. Mas estou te dando uma chance de redenção em respeito ao seu pai.”

O interior de Yoo Mi estremeceu.

Seu pai. Sempre ele.

A imagem dele, no final da audiência, surgiu em sua mente. O cliente que ela havia falhado em defender era, na verdade, um dos melhores amigos de seu pai. E o olhar de decepção no rosto dele dizia tudo, sem precisar de uma única palavra.

“Você ama sua profissão mais que tudo, não ama?” A voz do chefe veio cortante. “Então prove.”

Antes que ela pudesse argumentar, a ligação foi encerrada.

Ele desligou.

Falar do seu pai sempre a desestabilizava. Era um assunto delicado demais para ela. Um peso no peito que ela nunca conseguiu descarregar completamente. Yoo Mi encarou a tela do celular por alguns minutos, sentindo a frustração crescer dentro dela.

“Precisa se esforçar tanto?”

A voz masculina atrás dela fez seu corpo congelar. Quando se virou, encontrou Jae Min encostado na parede, segurando um café. Há quanto tempo ele estava ali?

“Como uma boa advogada, deveria saber que erros têm consequências,” ele disse, sem pressa. “Ainda mais quando o erro envolve um cliente VIP.”

Yoo Mi estreitou os olhos.

“Desculpe, mas, diferente de você, não consigo aceitar o fato de que vamos trabalhar juntos. E ainda mais por um ano. Nunca vou aceitar isso.”

“Eu também não queria aceitar.” Jae Min deu um gole no café, como se fosse a coisa mais trivial do mundo. “Mas, às vezes, são as cruzes da vida que precisamos carregar.”

“O que você disse?”

Ele ergueu uma sobrancelha, quase desdenhoso. “Em outras palavras, também não suporto a ideia de ter que olhar para esse seu rosto. Imagine ter que vê-lo todos os dias por um ano? Não cometi tantos pecados assim para merecer esse castigo.”

O sangue de Yoo Mi ferveu. A raiva cresceu tão rápido dentro dela que quase a cegou. Ela respirou fundo, tentando se acalmar, decidindo ignorá-lo. Não valia a pena começar mais uma guerra agora. Antes que a batalha se intensificasse, virou-se de costas e começou a caminhar para longe dali.

“Aceita um café, Yoo Mi-ssi?” Jae Min perguntou, divertido.

Ela nem se deu ao trabalho de responder. Apenas seguiu seu caminho, mas a raiva pulsava dentro dela. O acordo foi assinado e ela precisava se concentrar. Precisava aceitar a situação e encontrar um jeito de lidar com aquilo. Não era qualquer coisa que estava em jogo, era a sua carreira. Mas como ela faria isso se a pessoa que ela mais odiava na vida era o Lee Jae Min? Vê-lo todos os dias, isso a enlouquecia cada vez que pensava sobre.

Yoo Mi se viu naquele andar, perdida, sem saber para onde ir. Algumas pessoas a encaravam, tentando entender o que ela estava fazendo ali. Na verdade, o que ela mais queria era que tudo aquilo fosse um pesadelo. Ela fechou os olhos por um momento, tentando controlar o turbilhão dentro de si, até que ouviu seu nome ser chamado.

“Yoo Mi-ssi?”

Ela parou e se virou. Uma mulher de aparência amigável sorriu para ela.

“Finalmente te encontrei!” Ela parecia aliviada. “Sou Im Se Mi, sua nova secretária. E também a secretária do Sr. Lee.”

Yoo Mi piscou, surpresa. “Eu... tenho que dividir até a secretária com ele?”

“Sim!” Se Mi respondeu com um entusiasmo que Yoo Mi não conseguia entender. “E também a sala. Vou te mostrar!”

Aquelas palavras caíram sobre ela como uma sentença. Se havia alguma esperança de que o acordo não fosse tão ruim, ela acabara de ser destruída. Enquanto caminhava atrás de Se Mi, um aperto no peito a sufocava.

Um ano.

Ela podia suportar isso por um ano. Podia? Na verdade, ela não tinha escolha. Teria que suportar.

Ao entrar na nova sala, um peso se abateu sobre seus ombros. O ambiente era espaçoso, sofisticado, com uma vista deslumbrante da cidade. Mas no centro da sala, o destino parecia zombar dela: duas mesas, uma ao lado da outra.

Então é assim que vai ser... pensou, encarando o espaço que agora teria que compartilhar com a última pessoa que ela queria ver.

Ela respirou fundo, fechou os olhos por um instante, tentando se acalmar, mas suas pernas vacilaram.

Se Mi percebeu e correu até ela, segurando-a, com um olhar preocupado. “Você está bem?”

Não estou bem, não estou nada bem.

“Estou bem.”

O ano mais longo de sua vida estava prestes a começar. Yoo Mi forçou um sorriso, mas a sensação de derrota tomou conta dela.

Ela não podia fracassar. Não podia se deixar abalar.

O olhar dela se desviou para a mesa ao lado. Tudo estava organizado da maneira que ela gostava, até que algo a fez parar: uma caneca preta, com a frase “O melhor advogado de todos os tempos” estampada em dourado. A incredulidade tomou conta de seu rosto. Ela não precisava perguntar a quem aquilo pertencia.

Como se o universo tivesse decidido torturá-la, a voz de Jae Min ecoou atrás dela.

“Viu só? Já prepararam tudo para nós. Mal posso esperar para compartilhar meu brilhantismo com você.”

Yoo Mi fechou os olhos por um segundo, tentando manter a compostura. Quando os abriu, virou-se lentamente, forçando um sorriso falso.

“Se por ‘brilhantismo’ você quer dizer ‘irritação crônica’, então sim, estou animadíssima.”

Se Mi observava a troca de olhares entre os dois, piscando de um para o outro, como se estivesse assistindo a um jogo de tênis.

“Oh… então vocês já se conhecem?”

“Infelizmente.” Yoo Mi e Jae Min responderam ao mesmo tempo.

Se Mi soltou uma risadinha nervosa.

“Bem, se precisarem de algo, estarei na sala ao lado!”

Ela desapareceu pelo corredor, deixando-os sozinhos. Yoo Mi suspirou, encarando a mesa à sua frente.

“Isso só pode ser um pesadelo.”

Jae Min se virou para ela, com um sorriso autossuficiente, cruzando os braços atrás da cabeça. “Um pesadelo para você, um privilégio para mim.”

Yoo Mi não respondeu. Apenas cruzou os braços sobre a mesa e baixou a cabeça, apoiando-a ali, como se tentasse aliviar o peso que sentia. Jae Min, impassível, se levantou de repente e pegou uma pilha de papéis da sua mesa, jogando-os com rapidez na mesa dela.

Yoo Mi deu um salto com o susto, levantando a cabeça de imediato.

“Essa será sua primeira missão. Tem um dia para analisar e finalizar todos esses processos.”

Yoo Mi o olhou, uma pergunta irônica nos olhos. “E enquanto você? Vai ficar por aqui me observando? Ou já esqueceu que temos que trabalhar juntos?”

Ela disse isso sem pensar, mas logo se arrependeu. Na verdade, preferia que ele saísse de vez e a deixasse sozinha para focar no trabalho.

“Já terminei a minha parte,” respondeu ele com indiferença, apontando para a pilha de papéis em sua mesa, já organizada. “Agora é sua vez. Prove que é a advogada excepcional que todos dizem que você é.”

Sem dar tempo para uma resposta, Jae Min saiu da sala.

Um misto de raiva e alívio invadiu Yoo Mi. Só de dividir a sala com ele por alguns minutos já havia sido exaustivo. E o pior: sabia que teria que lidar com ele todos os dias por um ano. A simples ideia fazia seu estômago se apertar e sua mente se encher de frustração.

Yoo Mi olhou para a sua mesa, seus olhos se fixando nos papéis espalhados. A organização era tudo para ela; sem isso, sua mente simplesmente não funcionava. Com mãos ágeis, começou a ordenar os relatórios, separando-os cuidadosamente por data. O som suave das páginas sendo viradas preenchia o ambiente, até que, sem perceber, o tempo passou rápido. Quando finalmente levantou os olhos, percebeu que já eram 22h. O escritório, antes agitado, agora se encontrava em um silêncio quase absoluto, com apenas três pessoas ainda concentradas em suas mesas. Ela não era a única a estar ali, mas o horário nunca foi um obstáculo para Yoo Mi. Seu trabalho sempre esteve à frente de tudo, até dela mesma.

Sentindo-se desconfortável com os fios de cabelo caindo sobre o rosto, ela pegou uma fita da sua bolsa e amarrou os cabelos em um rabo de cavalo, agora mais focada do que nunca nas pilhas de papéis à sua frente. Estava pronta para passar mais algumas horas revisando os casos, quando, de repente, uma batida na porta interrompeu o silêncio.

“Yoo Mi-ssi?”

Ela olhou para a porta, confusa. O rosto do homem parecia familiar, mas ela não conseguia identificar de onde o conhecia. Teria ele estado na sala de reuniões?

“Universidade Nacional de Seul… Turma LXXIX… Isso te faz lembrar de algo?”

Os olhos de Yoo Mi se arregalaram. “Omo! Young Kwang-ssi?”

Ele sorriu, um sorriso que parecia ansioso pela reação dela. “Acertou! Você tem boa memória. Ficaria desapontado se não se lembrasse de mim.” Aproximou-se e deixou um café sobre a mesa. “Bem-vinda ao inferno.”

Yoo Mi soltou uma risada baixa, quase irônica. O peso da situação ainda pairava sobre ela, mas de alguma forma aquele momento parecia um alívio. “Então esse é o segundo nome desse lugar?”

Young Kwang piscou e se acomodou na cadeira em frente a ela, tomando um gole do café. “Quase isso. Mas, por favor, não espalhe. Pode complicar um pouco para mim.”

A presença dele foi um consolo inesperado, um respiro entre as tensões que a consumiam desde o momento em que entrou naquele escritório. Ele sempre foi uma das poucas pessoas que a acompanhava na faculdade, e por um instante ela se sentiu culpada por ter se afastado de todos. Queria perguntar sobre os outros, mas se conteve. Por um breve momento, o peso da situação aliviou um pouco, como se as palavras de Young Kwang tivessem dissipado parte da pressão.

“Meu presente de boas-vindas foi um café. Achei que você precisava disso”, disse ele, com um sorriso divertido. “Não podemos fazer uma festa, não é?”

Yoo Mi sorriu sem jeito, mas a reunião com o Sr. Song e a questão da indenização ainda estavam frescas em sua mente. “Mas não precisa se preocupar. Realmente, não me importo com essas coisas”, respondeu ela, dando de ombros, tentando esconder a frustração que ainda a consumia.

“Você trabalha aqui, então?” Ela quebrou o silêncio, tentando mudar de assunto.

“Sim, já faz uns dois anos. Apesar da competição acirrada, diria que é um lugar emocionante para se trabalhar.” Ele deu um sorriso tranquilo. Yoo Mi assentiu, ainda tentando processar tudo. “Você sumiu depois da faculdade. Posso saber para qual mundo você fugiu?”

Ela soltou uma risada baixa. Já era o segundo sorriso milagroso que ele conseguia arrancar dela. “Alemanha.”

“Alemanha?” Ele se surpreendeu. “Aigoo, isso é grande! Como conseguiu ir para lá? Não é muita burocracia?”

“E é. Entre o reconhecimento do diploma, o staatsexamen* e a influência do meu pai… levou quase um ano.”

“Seu pai?”

Era desconfortável para Yoo Mi falar sobre ele. Seu pai era uma figura importante no mundo dos negócios, um dos sócios de uma grande empresa multinacional. Era difícil não conhecê-lo. Durante a faculdade, muitos questionaram sua competência por causa da influência dele sobre ela. Ela respirou fundo antes de continuar.

“Ele tem um amigo de longa data. Então trabalhei lá por uns três anos. Mas…” Ela fez uma pausa, sentindo o peso das palavras. “Meu pai me chamou de volta.”

“Você disse isso com um tom triste…?”

“Não…” Ela balançou a cabeça, forçando um sorriso. “Na verdade, sempre quis voltar. Ir para a Alemanha foi um desejo dele.”

Ainda reflexiva, Yoo Mi olhou para as pilhas de papéis à sua frente, como se esse simples gesto pudesse afastá-la da conversa. A tensão na sala cresceu novamente, e Young Kwang percebeu, com um olhar, que ela queria ficar sozinha.

“Tudo bem, vou te deixar em paz”, disse ele, levantando-se. “Mas, olha a hora. Não se esforce demais no seu primeiro dia. Se precisar de ajuda nessa guerra, já sabe onde me encontrar.” Ele puxou o celular do bolso e, antes de sair, anotou um número no papel. “Esse é meu número. Não hesite em ligar se precisar.”

Yoo Mi assentiu, ajeitando os óculos e permitindo que ele saísse da sala. Quando a porta se fechou, ela soltou um suspiro. Pela primeira vez desde que entrou ali, ela conseguiu respirar um pouco mais aliviada. A presença dele, mesmo que breve, a fez sentir como se o peso em seus ombros tivesse diminuído um pouco.

Ela olhou para os papéis à sua frente e pegou um marcador, sentindo o peso da responsabilidade que recaiu sobre ela. A noite seria longa, mas ela precisava terminar tudo até o amanhecer. Sabia que sua carreira estava em jogo e não podia falhar novamente. O tempo passava, a tensão na sala preenchia o ar, mas havia algo mais… Algo incompleto. Uma sensação de que a guerra que ela estava prestes a enfrentar estava apenas começando.

Notas finais
E neste capítulo, tivemos a entrada de mais três dos meus atores favoritos: Im Se Mi, Gong Yoo e Kim Young Kwang. Pode ser um pouco atrevido da minha parte? Talvez. Mas, como se trata de uma fanfic, minha imaginação está voando longe, e espero que, ao lerem, consigam visualizá-los! Até o próximo capítulo <3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.