Juntos pra sempre
1 Capítulo 1
"- Nós vamos ficar juntos pra sempre!"
Eu ouvi essa frase de um garoto, na primeira noite em que nos conhecemos, no primeiro dia em que ficamos juntos. Ele tinha segurado minhas mãos e acabou dizedo essas palavras com um sorriso no rosto, como se fosse a coisa mais normal do mundo a se fazer, com uma certeza irreal. Logo depois, me envolveu em um abraço aconchegante e apertado. Depois de uns relacionamentos furados, foi a primeira vez que eu tinha me sentido amada, mas, sequer tinha uma porção de afeto por ele. Minha mente estava em outro lugar, com outra pessoa.
Lembro que, naquela noite, eu o havia conhecido horas antes na praia, no fim da tarde. Senti algo diferente entre nós no momento em que nossos olhares se cruzaram. Lembro claramente como se tivesse acontecido há alguns minutos atrás: ele não era tão alto, tinha uma estatura mediana e usava um jeans e um tênis surrado, segurava uma mochila na mão esquerda e um cigarro na mão direita.
O que chamou minha atenção foi o jeito com que fumava seu cigarro. Muitas pessoas ali também fumavam, mas, sempre que ele tragava a fumaça, seu olhar vagava pelo horizonte como se estivesse procurando por alguma coisa. Ele era como eu. Vazio.
À medida com que eu me aproximava, mais sexy ele parecia pra mim. Sem perceber, acabei chamando sua atenção de uma maneira um tanto incomum para um flerte.
— Oi. – Disse eu, levantando a mão esquerda e acenando.
— ... Oi. – Disse ele, após uma longa pausa e olhar-me de cima a baixo.
— Erh... Você está sozinho? – Perguntei, já sabendo a resposta.
— Estou. – Disse ele, colocando uma das alças da mochila e removendo os excessos de cinzas no cigarro.
— Podemos conversar em um lugar mais reservado? – Perguntei, um pouco tímida. Sem motivos, estava me sentindo meio estranha.
— Claro. – Sorriu ele, tomando a frente – Vamos por aqui.
Agora que recordo, tudo parecia tão natural. Era como se já nos conhecêssemos há um longo tempo. Era o tipo de relacionamento que eu nunca tinha tido antes, mesmo quando eram apenas aventuras de uma noite só.
Fomos para mais perto do mar e ficamos ali, de pé. Ele derrubou sua mochila, finalizou o seu cigarro e, antes de qualquer coisa, deu um longo suspiro. Cheguei a imaginar que minha presença estivesse sendo inconveniente mas, segundos depois, fui envolvida por seus braços. Ele, então, encostou sua testa em meu ombro.
— Então... Qual é o seu nome? – Perguntou sem olhar em meus olhos.
— Karol. E o seu? – Disse, retribuindo seu abraço.
— Você pode me chamar de Guto. Não se preocupe. – Disse ele, levantando sua cabeça e sorrindo levemente para mim. – Então, quer conversar?
— Quero. Poderia falar um pouco de você? – Disse, em um tom de brincadeira, aproximando meu rosto do dele.
— Karol... eu acabei de sair de um relacionamento ruim, tenho uma espécie de stalker e estou com você em meus braços. E você? – Disse ele, com o sorriso já desmanchado.
— Eu acabei de sair de um relacionamento ruim, não tenho um stalker e estou afim de você. – Ri.
“Ah-aah. Nunca pensei que, em algum momento, eu teria um relacionamento tão natural” – pensei.
Após algumas poucas palavras, nossos lábios se uniram um ao outro. Foi um beijo gentil e ao mesmo tempo uma experiência interessante. O gosto do cigarro misturado com o gosto de uma pastilha de menta fez minha mente ficar em branco. Um beijo que fluiu como uma descarga elétrica por todo o meu corpo. Era como se só existisse nós dois.
Após o beijo, sorrimos um para o outro e o abraço se desfez. Ele logo recuperou sua mochila e estendeu-me uma das mãos.
— Aonde vamos? – Disse, já sabendo da resposta.
— Vamos brincar. – Riu.
Segurei sua mão e o segui. Eu estava em transe. Nunca tinha tido uma compatibilidade tão boa com alguém. Quando me dei conta, estávamos dentro de um carro de um amigo dele nos beijando lascivamente enquanto ele acariciava meu corpo.
O cheiro do cigarro misturado com seu perfume me desnorteava. Cada toque gentil de suas mãos que passeavam pelo meu corpo faziam com que eu me arrepiasse. Eu já não ligava pra nada, só pensava naquele momento, no que aquilo me proporcionava.
Agora que me lembro, acabamos transando sem sequer uma proteção. Sorte por sorte, não tive nada e muito menos foi permitido a finalização dentro de mim. Argh. Não acredito que estou relembrando tudo isso, me sinto meio constrangida.
Mas, eu não consigo esquecer que, depois de tudo, só nos beijamos mais uma vez antes de eu ouvir aquela frase esquisita, dita com tanta convicção, ecoando na minha mente até hoje.
“Nós vamos ficar juntos pra sempre!”
Depois da nossa aventura, não mais o vi. Quando saio, ainda o procuro mas, acho melhor perder as esperanças. Já faz um mês. Talvez ele esteja me vendo de longe e me evitando, quem sabe? Argh. Vou pensar nisso depois.
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