Juntos pelo acaso
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Todos os familiares e amigos estavam reunidos na casa dos Dias e todos ficaram felizes ao ver o pequeno Lucas bem, assim que chegaram eles foram conversar com as pessoas mais conhecidas e deixaram o menino entre os familiares porém nem todos estavam felizes com a presença deles que se tornaram o centro das atenções e dos comentários mais isso não os incomodou afinal não estavam ali por eles.
Karina foi falar com algumas amigas que tinha em comum com Fabi e percebeu que tinha uma garota que não tirava os olhos de Pedro e ele também olhava pra ela, aquilo a estava incomodando. Os dois chegaram juntos como um casal e agora tinha uma sem noção paquerando ele em um velório, que absurdo. Desde que chegou Pedro não gostou do clima pesado e das caras tristes, seu amigo não merecia uma despedida assim e com todos que conversava o papo era o mesmo, se lamentavam culpando Deus e o mundo, cansado disso ele foi pra fora e a jovem menina também, Karina que observava tudo de longe foi atrás deles. Mais encontrou ele no jardim da casa tocando violão e cantando baixinho, se aliviou e se aproximou dele, pegando um pedaço da música.
–Que música bonita
–Demais
–É sua?
–Não mais eu vou usar para homenagear o Léo, só tive que modificar um pouco
–Vai ser uma linda homenagem
–É o mínimo que ele merece, uma despedida digna
–É mais eu reparei lá dentro que você tava com uma cara diferente, algum problema?
–Não
–Sabia que tão te chamando de coração de gelo?
–Eu? -ficou surpreso- Porque?
–Por que você é o único que não tá com uma cara triste
–Eu só to fazendo a vontade do Léo
–Qual?
–Não ficar triste -ela o olhou sem entender nada- Uma vez eu e o Léo conversamos sobre esse momento e ele me fez prometer que eu não ficaria triste por ele e nem culparia Deus ou o mundo, que eu aceitaria numa boa e continuaria a minha vida normalmente porque isso faz parte da vida. Vai chegar a hora de todo mundo mais cedo ou mais tarde e eu prometi a ele
–Mais você não tá nem um pouco triste?
–É claro que tô afinal é o meu melhor amigo mais isso não vai mudar em nada
–É -ficaram em silêncio olhando o jardim até ela se levantar- Eu vou entrar e ficar de olho no Lucas, e você fica bem tá?
–Pode deixar
–Até depois
–Até
Assim que Karina entrou na casa ele voltou a tocar o violão e a garota se aproximou dele mais estava tão concentrado tocando que nem percebeu sua presença, ao vê-la se lembrou que ela era a mesma menina que não parava de encara-lo desde que havia chegado. Ela era bonita e tal mais aquele não era o lugar e nem o momento certo para paquerar alguém. Teve dúvidas se deveria mandar a real ou não porém como ela não havia feito nada preferiu ficar quieto e apenas conversar sem segundas intenções.
Karina concordava com Pedro, seus amigos mereciam uma despedida digna e chorar não mudava as coisas, ela foi até Lucas que se divertia com os priminhos e depois voltou a conversar com Pri e João. Assim que Caio chegou e a viu de longe, se aproximou dela.
–Karina
–Caio
–Tudo bem?
–Tudo e você?
–Bem também
–Esses são Pri e João meus amigos e esse é o Caio, advogado da família -ela os apresentou e eles se cumprimentaram
–E cadê o Pedro? -perguntou pra ela
–Ele tá lá fora, tomando ar
–Tem como você chamar ele, preciso conversar com vocês
–Claro
–Obrigado. Eu vou ficar esperando vocês aqui
Ela assentiu e saiu pensando no que ele teria para falar, Karina foi direto ao jardim e parou no meio do caminho ao vê-lo com uma garota, a mesma que o paquerava só com o olhar e que havia saído logo depois dele, agora os dois conversavam animadamente. A menina era morena e aparentava ser novinha, tinha um rosto bonito e usava roupas curtas, bem oferecida e sem um pingo de vergonha na cara. Tava claro pra qualquer um que ela estava dando em cima dele e ele deixando mais também, ele era homem, galinha e não podia ver um rabo de saia. Aquilo a incomodou muito e foi até eles brava
–Atrapalho?
–Karina? -ele se assustou- Não, é claro que não
–Tá assustado? -perguntou surpresa- Por que?
–Nada
–Certeza? -perguntou encarando a garota
–Claro
–O Caio quer falar com a gente
–Agora?
–Não Pedro -ironizou- Mais escuta, você não vai me apresentar sua amiguinha?
–Claro, essa é a Taty e Taty essa é a Karina
–A noiva dele -mostrou seu anel
–Jura? Porque o Pedrinho esqueceu de me contar esse pequeno detalhe -provocou
–Pedrinho? -repetiu sem acreditar
–É... Pedrinho mais não se preocupa a gente tava só se conhecendo, né?
Pedro não falou nada pois a cara que Karina estava indicava que qualquer gesto em falso dele poderia ser o último
–Se conhecendo? -ela a fuzilava com os olhos- Sabe que eu também adoraria te conhecer afinal amiga do meu noivo é minha amiga também
–Seria um prazer
–Que bom! Então deixa eu me apresentar direito -ela esticou a mão- Eu sou Karina Duarte, noiva do Pedrinho, tutora do Lucas -Taty apertou sua mão e ela apertou com força- Lutadora de muay thai, a melhor e conhecida também como esquentadinha. Quer saber porque? -deu um sorriso ameaçador
–Não -ela estava espantada com a força e o currículo daquela baixinha
–Eu sabia que não -ela a encarava vitoriosa- Mais agora é sua vez
Pedro percebendo o clima tenso que tava ficando e vendo a cara de dor da Taty, sabia que aquilo não ia acabar bem.
–Fica pra próxima, não é meninas? -interferiu e soltou a mãos delas
–E quem disse que vai ter uma próxima vez? -ela olhava sério pra Pedro e depois pra Taty- Vai?
–Não -ela estava com medo
–Que bom! É o que eu espero afina não queremos ninguém machucada aqui -ela estava gostando de causar pavor na outra
–É claro que não -ele puxava Karina- Vamos esquentadinha
–Vamos mais como eu sou educada prefiro me despedir direito
Se despediu com um beijinho no rosto e um abraço, aproveitou para falar no ouvido dela.
–Se eu te pegar se oferecendo pro meu noivo de novo, eu juro que te mostro porque era chamada de esquentadinha, tá linda -depois falou normal- Foi um prazer te conhecer fofa mais agora você vai ter que me dar licença porém antes que eu esqueça eu não sei se você percebeu mais isso é um velório e não uma balada, se conhecia o casal devia ter um pouco de respeito pela memória deles -ela piscou e saiu de mãos dadas com Pedro
Ela estava muito brava com os dois e querendo muito ter esfregado o nariz daquela oferecida no asfalto quente mais teve que se controlar. Eles se afastaram com ela apertando sua mão com força. Pararam antes de entrar na casa.
–Calma! -ele disse tentando se soltar- Pra que tanta violência assim?
–Você devia ter vergonha na cara Pedrinho -disse imitando a voz de Taty- É o velório dos nossos amigos e pra todo mundo estamos noivos. Já pensou se alguém te pega de conversinha com aquela safada?
–A gente tava só conversando
–Conversando? Ela tava se atirando nos seus braços e você deixando, safado
–Eu juro
–Olha só Pedro Ramos, eu acho bom você se segurar hein?
–Tá -ele disse com medo dela- Mais me diz uma coisa esquentadinha, tudo isso é ciúmes é?
–Que mané ciúmes? Claro que não, é só precaução por sermos noivos não pega bem você de papinho com outra, eu não quero ficar falada nem nada e outra não me chama de esquentadinha, eu tenho nome
Ela entrou na casa e Pedro em seguida sorrindo por que sabia que aquela "precaução" no fundo era ciúmes, ele também havia sentido o mesmo com relação ao médico. Foram juntos até o advogado e ele os levou até um senhor de cabelos grisalhos que estava na sala de jantar conversando com uma moça. Era o juiz Santiago e sua secretária Celina, o advogado os apresentou e depois falou:
–Eu falei de vocês pro Santiago e ele vai poder ajudá-los
–Com o que? -perguntaram ao mesmo tempo
–O casamento -o juiz disse
–Como assim? -Pedro perguntou
–Eu vou casar vocês -falou o juiz
–Oi? -falaram sem entender
–Como sou juiz posso e vou fazer isso, já falei com a minha secretária e assim que eu tiver um tempo livre que seja antes de quinta, ela avisara vocês então ponderam se casar e terão a certidão de casamento em mãos para mostrar na audiência -os dois ficaram sem reação
–Obrigada senhor -foi só o que Karina conseguiu falar
–O senhor tá no céu menina, eu sou só o Santiago -brincou
–Claro -ela falou- E porque vai nos ajudar?
–Pelo Leonardo, eu o conhecia há muito tempo. Ele era um bom rapaz e é lamentável o que aconteceu com ele e a mulher
–É, ninguém podia esperar por isso
–Perdemos um grande advogado e nem imagino como deve estar sendo pra vocês difícil pra vocês
De novo aquilo, Pedro estava realmente de cansado disso e sua cara não escondia.
–Desculpa Santiago, é uma pena mesmo o que aconteceu mais ficar lamentando não vai adiantar em nada, isso não vai traze-los de volta -Pedro falou
–Pedro -ela o repreendeu sem graça com a atitude dele
–Desculpa Karina mas é o que eu acho e você já sabe
–Você tem razão jovem -Santiago falou- Ele era um cara alegre, vivo e ver todas aquelas caras tristes lá é até um desrespeito a memória deles
–Exatamente. Eu prefiro ficar com as lembranças que ele deixou e sorri porque ele nunca vai morrer pra mim e outra isso faz parte da vida, não estamos nesse mundo pra sempre. Do pó viemos ao pó retornaremos.
–Você é um cara cabeça Pedro e gosto disso, o Léo sempre soube escolher bem as amizades dele. Gostei de você
–Idem -Pedro respondeu sorrindo
–E como está sendo a experiência de serem pais tão novos?
–Ainda estamos tentando nos acostumar afinal não é assim que queríamos começar uma família -Karina respondeu
–Logo vocês estaram manjando de tudo
–Tomara -falaram ao mesmo tempo
Eles ficaram conversando até Celina avisar que outra pessoa gostaria de falar com o juiz e o advogado, eles se despediram e saíram da sala. Só ficou os dois absorvendo o que tinha acontecido, agora era oficial eles iriam se casar e em breve.
Depois de um tempo Karina saiu para tomar um ar e se sentou no balanço que tinha na área, estava muito pensativa e nem percebeu que Pedro estava ao seu lado.
–Agora é oficial, vamos mesmo nos casar
–Parece que sim
–E como vai ser?
–O que?
–A parte de casar já está certa mais e quanto a parte... -ele olhou para os lados e falou baixinho- ...de você ser noiva de outro? Já contou pra ele que vai se casar comigo?
–Não, ele não precisa saber
–Como não?
–Ele tá nos estados unidos e só volta daqui a três meses ou mais, ele sabe de tudo menos de você
–E se ele descobrir?
–Ele só vai descobrir se você contar
–Eu não, tenho amor a vida
–Então tá de boa. Nós casamos, moramos juntos, pegamos a guarda legal do Lucas e depois separamos. Simples assim
– Se você tá dizendo mais quando você pensou nisso?
–Agora
Eles ficaram sentados por mais um tempo conversando até chegar a hora do cortejo fúnebre, todos acompanharam os caixões até o cemitério, menos Lucas que havia ficado com os empregados na casa. Os familiares foram na frente e Pedro e Karina atrás com João e Pri. Eles estavam de braços dados, ela carregava a rosa branca e ele seu violão.
A despedida foi emocionante, algumas pessoas falaram sobre o casal até ela e Pedro que por sua vez tocou uma música para expressar o que tava sentindo
Não tô atrás do certo
Não quero nem saber
Se tanta coisa errada da mais certo sem querer
Não vou perder a calma
Pois sei que sua alma
Achou melhor lugar e os anjos vão te receber
Continuo nesse mundo louco hoje só na brisa
Foi você quem me ensinou o jeito de levar a vida
Eu sou senhor do tempo
Mas dessa eu não pude prever se vai chover
O que vai acontecer
Aprendi com você que amanhã é outro dia
E o que fazemos de bom é o que vai sobreviver
Hoje eu gritei pro céu
Só pra você saber que todo mundo estava com você
O dia foi tão cruel
O sol nasceu estranho, ninguém podia prever
Hoje eu gritei pro céu
Só pra você saber que todo mundo estava com você
O dia foi tão cruel
O sol nasceu estranho, ninguém podia prever
O errado que deu certo nunca vai morrer
Me sinto muito triste, mas feliz por ter você
Imortal na nossa história
Imortal no coração
Bum, bye, bye vai com Deus, meu irmão
Dias de luta, dias de glória
Foram dias que você eternizou a sua história
E ele te levou, o motivo vai saber
Mas sei que Deus está feliz por receber você
Eu te vi no céu, dando um rolê de skate com os anjos
Deu pra perceber
Felicidade exalando, sorriso de malandro
Vai dar saudade de você
Hoje eu gritei pro céu
Só pra você saber que todo mundo estava com você
O dia foi tão cruel
O sol nasceu estranho, ninguém podia prever
Hoje eu gritei pro céu
Só pra você saber que todo mundo estava com você
O dia foi tão cruel
O sol nasceu estranho, ninguém podia prever
Depois que cantou os caixões foram abaixados com uma salva de palmas e as pessoas jogaram flores. Karina chorando beijou sua rosa e a jogou também.
–Vai com Deus amiga-falou olhando para o céu
Com lágrimas no olhos um a um as pessoas foram se retirando, sobrando apenas ela e Pedro que mesmo tendo prometido não chorar pelo amigo estava em lágrimas.
–Eu achei que ia ser fácil quando chegasse essa hora mais não é bem assim. É difícil dizer adeus
–É difícil pra todo mundo
–Eu prometi não chorar -ele tentava disfarçar as lágrimas
–Você é humano, não tem que segurar. Pode chorar eu prometo que não vou contar pra ninguém -ela tentava anima-lo
Pedro chorou como uma criança, todos as lembranças dele ao lado de Léo desde que se conheceram até o último momento que o viu com vida passaram em sua cabeça como um filme e ele caiu de joelhos, Karina se sensibilizou com aquilo e se ajoelhou ao lado dele abraçando-o e chorando. Ficaram assim por um bom tempo e aos poucos o tempo foi começando a formar.
–Acho melhor irmos, vai começar a chover -ela disse olhando pra ele e enxugando suas lágrimas
–Tá -se levantou- Descanse em paz irmão -ele sussurrou no ouvido dela limpando seu rosto enquanto saiam– Desculpa -ela assentiu sorrindo
Eles saíram abraçados com a chuva começando a cair, entraram no carro e foram buscar Lucas. Chegaram em casa já era 20H e ambos estavam cansados e exausto tanto pela viagem quanto pelo enterro.
Pedro foi dar banho em Lucas enquanto Karina fazia alguma coisa pra ele comer e depois de estar limpo e alimentado dormiu sem nenhuma dificuldade ao som da sinfonia de sua mãe. Então foi a vez deles de tomar banho, primeiro ela e depois ele, antes de irem dormir tinham que decidir onde dormiriam e Karina escolheu o quarto de hospedes deixando a sala para Pedro, que preferia dormir no sofá do que no quarto do casal mais ele pediu que pelo menos suas roupas ficassem no quarto e ela aceitou.
Na hora que deitaram ambos apagaram de tão cansados e de terem os olhos inchado e pesados.
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