Juntos para sempre

1 Juntos para sempre


Notas iniciais
Se você não conhece a música que inspirou esta história, sugiro fortemente que assista ao vídeo (que é incrível, por sinal): https://www.youtube.com/watch?v=5O3wEo7CMUo Vai ter um spoiler, mas faz parte... hahaha'

­— Senhora, eu preciso chamar a polícia. A segurança do hotel está a postos, por isso peço que aguarde em seu quarto.

Acho que nunca te contei isso, mas tudo começou por causa da sua irmã, ou capuccino sem açúcar, panquecas com mel, muffin de aveia e o jornal do dia, como eu a chamava. Ela costumava rir de um jeito estranho, como se faltasse ar em seus pulmões e sobrassem caretas em seu repertório. Chata e entediante como só uma contadora consegue ser, calculando as calorias do café, o tempo até o trabalho, as moedas do troco, mas sempre errando no quanto de paciência ainda me restava. Ela me mostrou uma foto sua e me falou que você costumava puxar os cabelos dela quando sua mãe não estava vendo, em um destes dias em que ela estava particularmente falante. Ignorei a típica lamentação de irmã mais nova e olhei um pouco mais para sua foto, fingindo não perceber o tremor que ameaçava tomar conta de minhas mãos, plenamente ciente do choque em minha expressão.

Você era igual a ele.

Ela me falou da loja de discos que você frequentava, sempre buscando algo novo para ouvir, mas aparentemente alheio às ferramentas de busca da internet, o que me agradou profundamente. Foi lá que você me viu pela primeira vez, mesmo que eu já o tivesse visto outras vezes. Fingi não percebê-lo enquanto esperava na fila do caixa para pagar por um CD que eu nem sabia de quem era, só um entre tantos outros que escolhi ao acaso.

Você estava fumando, como eu já o havia visto fazer, então eu puxei um maço do meu bolso e acendi um, ainda fingindo não vê-lo. Então você veio falar comigo, sorrindo com uma pequena felicidade estampada no rosto por encontrar mais uma rebelde sem causa que ignorava a placa de “obrigado por não fumar” exposta na parede da esquerda. Você pode lembrar daquele momento pelo comentário sarcástico que eu fiz sobre o Rolling Stones, palavras decoradas de uma revista qualquer, mas eu me lembro pelo brilho de admiração no seu olhar. Se eu pudesse condensar um segundo do tempo em um potinho e vivê-lo repetidas vezes, seria aquele segundo. Aquele segundo perfeito em que você olhou para mim através da fumaça do cigarro e sorriu como se visse algo encantador.

Eu nem mesmo fumava.

No dia seguinte, fomos a um bar. Você não pediu o número do meu celular, não quis trocar mensagens ou conversar um pouco mais comigo. “Você é apressado”, comentei. Você ficou me observando rir e então apenas disse hora e local, como se não significassem muita coisa, apenas palavras à toa que caíram aos meus pés. “Eu gostei de você, você gostou de mim... é uma equação simples. A vida é muito curta para perder tempo com bobagens e voltas desnecessárias. Ela não é um compasso; nós é que temos que acompanhar o compasso da vida”. Eu nem mesmo questionei tamanha explicação. Conseguia ver em seus olhos exatamente o que você estava vendo naquele momento quando olhava para mim: meus olhos que quase não piscavam com medo de perder alguma coisa, meu sorriso que eu não conseguia controlar e minhas mãos que só pararam de se contorcer quando encontraram as suas.

Será que você também conseguia ouvir meu coração?

Cheguei no bar antes de você, é claro. Passei tanto tempo andando de um lado para o outro no meu quarto que devo ter deixado marcas no chão. Você entrou sacudindo a jaqueta, livrando-se das primeiras gotas de chuva que tocaram você antes de mim, correu os olhos pelo ambiente e veio em minha direção. Já lhe falei como eu amei o seu sorriso durante a curta distância entre a porta e a cadeira? Você sorria como se aquilo não o surpreendesse, como se tivesse ganhado uma aposta consigo mesmo. Você sorria como se tivesse certeza que eu estaria ali.

Você sorria como se eu já fosse sua.

Eu me esforcei muito naquele dia, sabia? Passei horas refazendo a maquiagem até estar perfeita, modelando as ondas de meu cabelo para que se comportassem mesmo se você corresse os dedos por elas, escolhendo a roupa que mais favoreceria meu corpo. Ainda assim, ficar perto de você naquele bar foi uma batalha completamente diferente. Eu queria que você falasse, me desse dicas do que procurava em uma garota, do que gostava e do que odiava. Eu queria ser exatamente o que você estava procurando.

Por alguma piada cósmica, você queria a mim.

Você queria saber o que me mantinha acordada à noite, qual era a história por trás da minha música favorita, como eu consegui aquela cicatriz no meu cotovelo esquerdo, se eu acreditava em alienígenas, Deus e vida após a morte, minha citação favorita do meu livro favorito e qual foi a primeira coisa que eu pensei quando acordei naquela manhã.

Eu nunca contei que pensar em você me manteve acordada durante boa parte da noite.

Eu respondi cada pergunta com lindas histórias que eu vivi, li ou imaginei, enquanto perguntava outras tantas coisas. E você sorria e me fazia sorrir, procurava motivos para tocar em minhas mãos e meu coração parava, até que você colocou aquela mecha boba de cabelo de volta no seu lugar, aproveitando a oportunidade para tocar meu rosto e eu pensei que fosse morrer naquele instante. Foi logo depois disso que você pediu licença para ir ao banheiro e um cara sentou-se no seu lugar, exibindo suas tatuagens e piercings no rosto e dizendo que eu era bonita. Pedi para que ele saísse dali, sentindo uma raiva incontrolável subindo pela minha coluna, derramando-se por minhas veias, mas ele não se moveu. Pediu se eu queria uma bebida e eu me mantive em silêncio, fingindo que ele não estava ali, tentando controlar o mar de lava quente que se espalhava pelo meu organismo, consumindo meu autocontrole. Até que você finalmente voltou e também tentou fazê-lo sair dali, mas ele decidiu te enfrentar. Foi quando a raiva explodiu pelos meus dedos e eu quebrei a garrafa na mesa, ameaçando aquele homem com o vidro cortante e mandando ele se foder.

Eu nunca quis que você visse aquilo.

Nós saímos correndo de lá, você rindo como uma criança malcriada que escapou do castigo e eu apenas tentando acompanhá-lo. Foi quando você me beijou pela primeira vez, lembra? Naquela esquina da rua do teatro, o mais longe que conseguimos chegar do bar até precisarmos recuperar o fôlego. Eu me recostei na parede e fechei meus olhos, tentando controlar a raiva que havia tomado conta de mim, tentando pensar em uma explicação plausível para ameaçar uma pessoa em um bar, quando senti suas mãos em meu rosto. Abri os olhos e você estava perto, muito perto, e disse baixinho “você foi incrível”, e me beijou com uma ternura que só você era capaz de ter, domando minha raiva e esfriando meus pensamentos, deixando-me tranquila de novo.

Você viu minha loucura e disse que era incrível.

“Você está com frio?”, pergunto, mesmo que seu toque gelado em minha mão seja uma resposta clara. Puxo o cobertor até o seu pescoço, me certificando de cobrir suas costas, esperando que isso o aqueça. Lembra-se da primeira noite que passei na sua casa? Eu não queria que você me visse com cabelos desalinhados e maquiagem borrada, então escondi meu rosto com o cobertor quando você acordou. Você puxou o cobertor, rindo, e beijou minha testa. “Você é linda”, você disse, pulando da cama e dizendo que ia preparar o café da manhã. Eu observei você se vestir, o que pareceu diverti-lo ainda mais, ao ponto que você começou a dançar, um show completo. Mas o que vai ficar gravado na minha mente para sempre será o modo como você olhava para mim enquanto comia seu cereal, o auge de sua habilidade culinária. Havia tamanha admiração no olhar, como se você estivesse diante de algo divino.

Você me olhava de um jeito impossível.

Nós voltamos àquele bar que foi o cenário de nosso primeiro encontro neste dia. Você escolheu as bebidas enquanto eu fingia prestar atenção na televisão. Quando você voltou, eu não sei o que aconteceu comigo. Estava tudo bem durante a nossa conversa, até que de repente um medo súbito e irracional tomou conta de cada célula de meu corpo, o ar se esvaiu do mundo e meu coração pareceu falhar, e eu precisei abraçá-lo para me certificar de que você continuava aqui. “Nunca me deixe, nunca”, eu sussurrava, sentindo lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto. “Nunca”, você respondia, assustado com tamanha intensidade em minhas palavras. “Promete que nunca vai me deixar?”, perguntei, quando você finalmente reencontrou minha calma perdida em meio ao caos em minha mente. “Prometo”, você disse, ainda preocupado. “Jura?”, estendi o dedinho como naquela clássica promessa que costumávamos fazer quando éramos crianças. “Juntos para sempre. Diga.”, falei. “Juntos para sempre”, você jurou, aceitando a promessa com o dedinho. “Agora você tem que beijar”, expliquei, selando nossa promessa com um beijo em nossos dedos entrelaçados, enquanto você repetia o ato, “isso é uma promessa”.

Eu nunca quebrei uma promessa.

Se minha memória não me engana, foi logo depois disso que você fez a tatuagem, não é? Meu nome escrito na sua mão direita, a mesma com a qual você fez a promessa. Era só mais uma entre tantas outras tatuagens que você trazia em seu corpo, mas ainda assim, era especial. Você disse que ficava ao lado da sua tatuagem mais importante, e que guardava aquele lugar para algo tão importante quanto.

Eu era importante para você.

Então, por favor, me diga quando foi que tudo começou a dar errado? Eu olho para trás, mas sou incapaz de encontrar o exato momento em que seu toque deixou me acalmar e passou a me provocar irritação. Não sei mais dizer quando comecei a preferir ficar sozinha com meus demônios do que ao seu lado no paraíso. Não encontrei o segundo em que eu olhei para você e não vi mais nada.

Eu só me lembro daquele maldito desenho.

Lembro-me de como você passou dias rabiscando aquele bloco grande que você costumava carregar com você a todo momento, dizendo que fazia parte do exercício da aula, não me deixando ver. “Não é bom ver a obra durante a criação”, você dizia, “você não vai conseguir apreciar a totalidade do desenho”. Eu imaginei que você estivesse me desenhando, capturando meus detalhes com aquele olhar sorrateiro que você sempre me lançava, observando-me com a atenção de um verdadeiro artista. Então você finalmente terminou e me permitiu ver. Naquele momento, eu preferi que você continuasse escondendo. Era um desenho perfeito de uma das suas colegas, tão perfeito que você até me mostrou uma foto dela em seu celular para que eu pudesse comparar.

Pensando bem, acho que foi exatamente neste momento que tudo começou a dar errado.

A raiva que eu já conhecia tão bem se apossou de mim e eu sabia que se tivesse uma garrafa por perto, eu a teria quebrado. Nós discutimos na rua, sem nos importarmos com quem estivesse vendo ou se tudo era um pouco vergonhoso. Eu só queria gritar. Gritei e gritei, até que toda a raiva se condensou em minha mão e eu bati em você. Você não revidou, é claro, incapaz de machucar uma mulher, especialmente a mim. Sua mão só me dava carinhos, nunca seria capaz de me provocar dor. Por isso, você apenas mandou eu me foder e tentou sair dali, enquanto eu percebia o que tinha feito e agarrava o seu braço, tentando impedi-lo de se afastar de mim.

Foi por isso que acabamos aqui, neste quarto de hotel.

Acho que esta foi a sua última tentativa. “Nosso primeiro dia dos namorados juntos”, você disse, “precisa ser especial”. Você reservou este quarto, em um hotel que eu nem sei como você foi capaz de pagar, e me deu um vestido para que eu ficasse bonita. “Vai ser algo elegante”, você explicou, “como um baile”. Então eu entendi que você estava fazendo isso por nós, mas muito mais por mim. Eu havia lhe contado, alguns dias atrás, que eu nunca tive uma experiência completa do tradicional baile de formatura e você disse que isso era uma lástima que deveria ser corrigida. Quando eu cheguei aqui, você tinha colocado rosas vermelhas no vaso de flores, chocolates e um ursinho de pelúcia na cama, tudo pensado para mim. Você vestia um smoking que o deixava tão lindo que eu me arrependi por não ter uma câmera comigo naquele momento. Mas quando olhei para você, só vi indignação.

“Você nem sequer tentou”, você falou, arrancando a gravata.

Você não gostou do que viu. Meu cabelo estava uma bagunça, resultado de cinco minutos tempestuosos em que eu tentei arrancá-los, minha maquiagem estava borrada por causa do choro raivoso e parecia ser o resultado de uma noite de bebedeira, e minhas roupas não passavam de uma mistura de peças que eu encontrei jogadas pelo quarto. Eu não era a princesa que você esperava. Então foi sua vez de gritar, bater nas paredes, arrancar o smoking como alguém derrotado em batalha. Você estava furioso. Eu me sentei na cama e deixei que você gritasse o quanto precisasse, enquanto comia os chocolates sem realmente sentir o gosto ou a satisfação. Não revidei, nem mesmo senti raiva. Eu só me sentia vazia.

Até que você explodiu as comportas que seguravam a raiva dentro de mim.

“Foi fácil encontrar outra”. Foi o que você disse. Só isso. E apenas com estas palavras, eu já sabia. Quando você pegou a sua gravata no chão e foi em direção à porta, eu sabia. Sabia que você iria embora sem olhar para trás. Sabia que olhava para mim com pena, não mais com amor e admiração. Sabia que você me deixaria sozinha.

Exatamente como ele.

Agora, eu estou bebendo tudo o que este quarto de hotel oferece nestas garrafas tão pequenas que fariam você rir. Ignoro a sensação de queimação em minha garganta, ainda não acostumada com o álcool, mesmo eu tendo forçado tantos goles enquanto estava perto de você. O ursinho está me olhando de maneira acusatória, mas eu decido ignorá-lo depois de oferecer um drink a ele. Deixo-o no criado-mudo, enquanto me aconchego do seu lado na cama. Encontrei o anel no seu bolso e chorei as lágrimas mais sinceras que já chorei em toda a minha vida. Eu sei o quanto você queria ir embora, e eu o amei ainda mais por tentar mais uma vez. Eu sei, bem lá no fundo, eu sei que deveria tê-lo deixado ir. Mas entenda, meu amor, nós tínhamos uma promessa.

E eu nunca quebrei uma promessa.

Por isso vesti o vestido que você me deu, tomando todo o cuidado com o tecido frágil das mangas e me maquiei com cuidado e paciência. Meu cabelo estava bem mais comprido do que costumava ser, então cortei um pouco. Olhando-me no espelho, eu fiz uma breve reverência, como se minha cabeça sustentasse uma coroa, tentando ser a princesa que você queria.

Não se preocupe, meu amor, a polícia já chegou aqui. Isso tudo vai acabar logo.

— Você é Jane Rixton? – Alvarez, o policial que derrubou seu café quando recebeu o chamado, acreditando que esta seria mais uma noite tranquila na delegacia, perguntava enquanto ela tentava proteger os olhos da luz da lanterna. – Você confirma isso?

— Pela quarta vez, sim, seu idiota. Eu sou Jane Rixton. – ela se irritou. – Agora tire essa maldita luz da minha cara.

O policial Alvarez se afastou dela e saiu do quarto, indo ao encontro do seu superior no corredor.

— Ela diz ser Jane Rixton. – ele exibiu a foto que trazia consigo. – O cabelo está diferente, e ela definitivamente emagreceu bastante, mas a semelhança está aí.

— Quem diria, não é? Ela conseguiu fugir por muito tempo. – o comandante James disse, enquanto preenchia um relatório padrão de maneira automática.

— Parece que ela tem um tio na cidade. Ele deve ter acobertado a fuga dela. – Alvarez observou a foto novamente. – Eu me lembro dela. Principal suspeita no caso Gomez, não é? Bem, ela acabou de confessar isso também.

— Matar um garoto no baile de formatura... Essas crianças estão cada vez mais perdidas. O que ela falou sobre esse aí? O gerente disse que eles não saíam do quarto a três dias, e que ele nos ligou quando reconheceu a foto dele no noticiário.

— Ela disse que eles vieram comemorar o dia dos namorados, que eles beberam, dançaram, transaram e assistiram a um filme. E depois só ficaram conversando e conversando e conversando. Ela disse, e eu cito literalmente, que “ela tinha muito a dizer”. – Alvarez inclinou a cabeça, intrigado. – Mas julgando pelo tanto de coisas quebradas no quarto, é óbvio que eles brigaram recentemente. Então, eu suponho que algo que ela disse possa tê-lo irritado.

— E em que ponto ela o matou?

— Não sei, ela parece bem confusa e cansada. Não está mais raciocinando direito. Talvez ela tenha se defendido dele, o que depois de três dias aqui, não me parece muito impossível.

— Chamem os paramédicos! – alguém gritou do quarto.

Os policiais se apressaram, encontrando Jane inconsciente no chão. Um deles chamou os paramédicos pelo rádio. Eles chegaram rapidamente no quarto, uma vez que aguardavam no saguão, caso fossem necessários. Rapidamente avaliaram o estado dela e iniciaram os procedimentos para ajudá-la.

— O que aconteceu com ela? – Alvarez questionou, assustado por vê-la inconsciente depois de interrogá-la a alguns minutos atrás.

— Sinais de overdose, senhor. – o paramédico respondeu, realizando uma massagem cardíaca. – Parada cardiorrespiratória.

Os peritos que vasculhavam o local e congelaram com a súbita queda de Jane voltaram a procurar pelos cantos ainda não explorados do quarto de maneira quase frenética, e um deles exibiu frascos vazios encontrados embaixo da cama. O paramédico leu o nome da medicação e continuou tentando, mas algo mudara em seu semblante. Ele gritava instruções para os outros paramédicos, exigindo equipamentos para ajudá-la a respirar e medicamentos injetados diretamente na veia, lutando uma batalha perdida.

— Não temos como salvá-la. – ele lamentou, depois de tentar reanimá-la pela terceira vez.

— Anote a hora da morte, Alvarez. – James falou, estendendo a prancheta para o policial e então deu um tapinha reconfortante nas costas do paramédico. – Você fez tudo o que podia.

Os paramédicos cobriram o corpo de Jane e o levaram para fora, juntamente com o corpo do homem, deixando o quarto do hotel terrivelmente vazio e silencioso.

— Agora nunca vamos saber o porquê ela o matou. – Alvarez falou, esquecendo-se da prancheta, abalado pela cena que presenciara. Dez anos como policial e ele ainda se sentia perturbado com cada morte que presenciava ou executava.

— Ed, venha cá. – James chamou o perito que examinou o corpo e preenchia seu próprio relatório no corredor, tirando um lenço de seu bolso e secando o suor em sua testa. – Em seu exame inicial, você já tem alguma noção de quando o coitado foi assassinado? Os sinais de luta são recentes, então nós achamos que alguma coisa aconteceu hoje, depois de três dias de comemoração regados à drogas e álcool, algo que a irritou profundamente.

— Hoje, senhor? – Ed pareceu confuso, consultando suas anotações. – Julgando pelos sinais de decomposição, aquele homem está morto há pelo menos três dias.

— Mas ela disse que eles...

— Ela deixou um bilhete. – disse um dos peritos, interrompendo as palavras assustadas que ameaçavam ser proferidas pelo policial Alvarez.

Utilizando luvas, ele mostrou o pequeno pedaço de papel que acabara de encontrar debaixo do travesseiro, que dizia apenas:

“Juntos para sempre”.

Notas finais
Espero que tenha gostado da leitura! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!