Juntos na Vida e na Morte
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Matt não iria perder o movimento das pernas nem nada do tipo, mas teria de ficar na cama por algum tempo, em repouso absoluto. Ficou extremamente aborrecido com o diagnóstico, mas a presença de seus diversos jogos e a companhia constante de Mello superaram isso. O loiro ficava lá o maior tempo possível, e depois daquele primeiro beijo, houveram muitos outros e várias outras ações que com certeza iam contra o " repouso absoluto ", mas eles sempre cuidavam para que aquilo tudo não prejudicasse demais o tratamento de Matt.
Em uma tarde, uma semana depois do acidente, Mello fora chamado por Roger enquanto estava com Matt. Após resmungar um " eu já vou " entediado para o inspetor que fora avisá-lo, enrolou um pouco mais com o ruivo e foi ver o que o diretor queria.
Matt estava imaginando se o loiro voltaria para lá depois quando ele adentrou pela porta, estranhamente sério.
— O que Roger queria?
Mello demorou um pouco para responder — L está morto.
Matt abriu a boca em choque. L morto? — Kira...?
Mello acenou afirmativamente.
— E o que ele decidiu? — tinha medo da resposta, mas tinha que perguntar.
— Não decidiu. Morreu antes de escolher entre Near e eu-- ele repondeu de forma tão controlada, que assustou Matt — Eu resolvi deixar o cargo para o Near. Eu nunca conseguiria trabalhar junto dele.
— Você... Vai embora? — dessa vez ele já sabia a resposta. L era o alvo da admiração de todos naquele lugar, e nem Mello nem Matt eram exceção. Mello nunca ficaria parado ao saber que L estava morto. Ele caçaria o culpado por isso, sendo o sucessor de L ou não, ele iria atrás de Kira.
— Vou. E você vai comigo — disse firme.
— O quê? Mello, eu não posso nem levantar da cama.
— Eu espero.
— Mello... — apesar de não querer, sabia o que tinha de fazer — Não.
— Não...? Como assim?! — a expressão calma, incomum na face dele, sumiu. Ele não queria ir com ele?
— Você precisa ir. E se não for agora... — aquilo doía demais em Matt. Seu coração, seu corpo, gritavam para deixar de ser idiota e aceitar logo de uma vez, mas sua mente, como o prodígio que era, mostrava-lhe que não deveria atrasar Mello.
— Eu não quero ir sem você — disse baixo, quase em confidência. Parecia até uma criança contando algo embaroçoso.
Matt riu, mas sem qualquer vestígio da alegria de sempre — E você realmente acha que eu quero deixar você ir? Caramba Mello, isso é muito difícil pra mim! Mas o melhor é você partir agora, e se tiver de ser sem mim, então que seja, e você sabe disso.
Não podia prendê-lo lá nem um dia sequer. Mello ia atrás de Kira, a pessoa que conseguiu matar L, e não podia haver hesitação. Se ia fazê-lo, tinha que começar o quanto antes. Se não fosse aquele maldito machucado! Mas fora aquele acidente que fizera Mello perceber afinal seus sentimentos para início de conversa.
— Você vai depois? — perguntou Mello, quase em súplica. Só Matt fazia ele agir daquele jeito, só Matt conhecia um Mello diferente do Mello mal-humorado que todos viam.
— Dias, meses, anos ou até décadas, você não vai se livrar de mim — e o puxou para um beijo. Esse foi diferente dos outros, mais intenso, urgente, como se para marcar a sensação na memória, até eles se reencontrarem novamente. E não importava o tempo que levasse, eles iam se encontrar outra vez.
Naquela noite Mello deixou o orfanato para nunca mais voltar.
Um ano depois Matt o seguiu.
Notas finais
Espero que gostem^^
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