Juntos Enquanto Pudermos
30 Um Lugar Seguro
Notas iniciais
Dezenas de zumbies estavam saindo de dentro da CCD de Fort Bening. Não dava tempo e fugir.
“Era só o que nos faltava.” Pensei comigo.
Eu saquei minha arma e Daryl protetor disse:
–Marry fique ai atrás. Atrás de mim.
–Não Dary, não é só porque posso estar gravida isso significa que me tornei inútil.
–Você não entende! –ele gritou para mim. Eu me sobressaltei, afinal já estava abalada e ver Daryl gritar comigo foi muito assustador. Vendo meu estado ele respirou fundo e completou. –Eu preciso proteger você e... a criança.
Eu respirei fundo e assenti. Eu me senti culpada. Pois se não tivesse passado mal e perdido precisos minutos sendo examinada por Hershel nós não estaríamos mais ali.
Daryl começou a atiras e Rick e os outros que também estavam para fora dos carros o imitaram. Eu mesmo de longe ainda acertei alguns zumbies que se aproximavam muito.
Eram muitos nunca iriamos dar conta.
–Rick! –gritou Daryl. –Vamos embora! –Rick concordou e deu a ordem aos outros para que voltasse ao interior dos carros.
Daryl olhou rapidamente para mim.
–Marry sobe na moto AGORA! –eu obedeci.
Daryl ainda bateu com a besta na cabeça de um andante que se aproximou perigosamente de mim enquanto subia na moto.
Então, ouvimos tiros. Muitos tiros. Eu olhei para a fonte do barulho e vi que vinha do interior do CCD: Pelo menos trinta homens bem armados com rifles, metralhadoras e pistolas saíram do centro de refugiados.
Os da frente atiravam nos andantes, dando cobertura para os que vinham mais atrás carregando computadores e caixas de metal.
Daryl se aproveitou da distração dos zumbies e subiu na moto, pronto para sairmos dali o mais rápido possível.
Ao manobrarmos a morto nos vimos cercados por outros homens igualmente armados a nos encarar apontando suas armas para nós.
–Parados! –disse o mais próximo.
Nós estacamos. Não havia como fugir, eram muitos.
Então o tiroteio parou e o que estava em nossa gente e que havia dado a ordem falou em um radio preso a sua mochila. Era um soldado. Estava uniformizado usava um capacete verde.
–Podem descer... –eu o ouvi dizer pelo radio.
–Positivo. –foi sua resposta.
Quando os zumbies foram todos mortos, os homens armados nos cercaram rapidamente e nos obrigaram a sair dos carros. Daryl me ajudou a descer da moto.
Nós fomos revistados e nossas armas tomadas. Alguns deles viravam nossas cabeças e braços atrás de feridas e mordidas. Quando constataram que não havia mais perigo, o homem que a pouco falava no radio se aproximou de nós.
Era alto, forte e de olhar severo. A princípio não disse nada. Contudo após nos analisar em silêncio ele perguntou.
–De onde vocês veem e que queriam aqui?
Rick tomou a frente e respondeu.
–Nós somos sobreviventes, estamos vindo da prisão ao norte daqui a cerca de trinta milhas. Nós só estamos procurando abrigo.
O oficial ponderou suas palavras.
–E por que deveria acreditar em vocês? –ele perguntou apontando sua metralhadora para Rick.
Rick levantou as mãos em rendição.
–Calma. Não faça isso. Nós temos crianças!
Ao ouvir isso o homem abaixou a arma imediatamente, surpreso.
–Você disse crianças? –perguntou um pouco inseguro e duvidoso.
Rick assentiu e chamou Carl e Beth que trazia Judith no colo. O homem recuou um passo para trás surpreso. Era evidente que não via uma criança há muito tempo.
–E uma gravida... –Rick completou apontando para mim que por algum motivo levei minha mão à barriga.
O soldado olhou para mim e depois para seus homens, pensativo, sem saber o que fazer. Nós aguardamos em silencio. Daryl me envolveu com um braço. E Maggie se aconchegou em Glenn.
–Abaixem as armas! –o homem disse a seus soldados.
Um por um os soldados abaixaram as armas no momento em que um helicóptero sobrevoou a área.
O helicóptero pousou lentamente e os soldados que carregavam as malas de metal entraram, sem esperar ordem.
–Vocês estão com sorte! –disse o homem se aproximando de nós, indiferente ao helicóptero. -Eu sou o sargento Jhonny do exercito, ou o que restou dele.
Ele apertou a mão de Rick e passou a mão sobre a cabeça de Judith. Depois varreu-nos com seu olhar.
–Nós estamos vindo do CCD do leste, perto do litoral. Não fica muito longe daqui. Quarenta e cinco minutos de helicóptero. Viemos em uma missão, atrás dos computadores e arquivos. –disse ele apontando para os soldados que ainda carregavam o helicóptero com os objetos.
Nós aguardamos em silencio.
–A sorte de vocês é que estamos recolhendo todos os sobreviventes para o Centro. Todos que encontramos que não esteja infectado.
–Mas todas as pessoas estão. O Cientista do CCD de Atlanta nos disse isso. –Rick respondeu.
–Sim, estávamos. Pelo menos eu não estou mais. –como Rick e nós não haviam entendido ele continuou sorrindo. –Nossos cientistas descobriram a cura e estão criando vacinas. Estamos enviando a informações via radio e Código Morse para todos os países.
Nós sorrimos e pulamos de alegria. Alexia bateu palmas.
–Vai dar tudo certo. –disse-me Daryl em um sussurro apertando ainda mais o abraço.
–Mas tem um problema. –disse o sargento com um semblante sério. –Nossa missão de hoje é só de levar os equipamento e explodir o CCD. Não podemos levar ninguém conosco.
O sorriso de Rick, Carl e dos outros sumiu imediatamente dos lábios.
–Mais nós somos poucos. Vocês não podem nos levar? –Rick perguntou desesperado.
–Eu sinto muito. –disse o sargento.
Eu me soltei de Daryl e caminhei até Jhonny. Ele desviou os olhos de Rick e olhou para mim.
–Senhor, — eu disse me aproximando. –Por favor, não faça isso conosco. Eu acho que estou gravida e não quero perde-lo e essas crianças aqui. Você não vê uma há muito tempo não é? –ele olhou institivamente para Judith e depois para mim. –Sim, eu percebi. Não é verdade?
Ele confirmou com um movimento de cabeça e depois disse.
–Sim é verdade. Eu... eu vou ver o que posso fazer... –então recuou de costa e começou a cochichar em seu radio.
Eu voltei para a presença de Daryl e Timoti sorriu para mim agradecendo minha iniciativa.
Após uns cinco minutos ele voltou. Estava indiferente e não dava pára sabermos o que passava em sua mente, se por acaso havíamos sido aceitos ou rejeitados.
–Foi autorizada a vinda de vocês. Um Caminhão do exercito já está vindo. –disse ele. Andressa correu e lhe deu um abraço e um beijo no rosto. Eu sorri, pois ela estava radiante.
O sargento sem jeito diante de seus soldados falou para ela após se soltarem.
–Acalme-se mulher, não vai me infectar de novo. –disse ele porem foi brincadeira, pois riu logo em seguida.
Eu abracei Daryl e ele correspondeu. Ficamos assim enquanto Rick contava nossa historia. O sargento ficou muito impressionado com o fato de termos tomando a prisão, sozinhos. E por termos sobrevivido há tanto tempo.
Eu ainda me sentia mal, mais os braços de Daryl me seguravam e me acolhiam. Eu fechei os olhos e beijei sua boca.
–Você está melhor? –ele me perguntou recordando-se de que a pouco eu passara mal.
–Não sei... ainda um pouco de tontura. –eu disse.
Daryl me soltou delicadamente e pediu que eu esperasse um pouco. Caminhou até o sargento e os dois conversaram em voz baixa. Após um momento os dois voltaram de encontro a mim.
O general levantou a mão e eu recuei.
–Calma. Eu sou treinado em primeiros socorros. –disse ele sorrindo, então eu cedi.
Ele passou a mão por minha testa e pegou meu pulso.
–Quantos meses? –ele me perguntou.
–Achamos que dois. –disse Daryl com as mãos sobre os quadris. Seu olhar estava mais estreito que nunca por causa do sol.
–Parabéns mamãe. –disse Jhonny. –Você só está com pressão baixa e desnutrida. Eu vou buscar uma barra de cereal que nós usamos. Você estará nova em folha em um instante.
Ele saiu e seguiu até o helicóptero. Pegou um saquinho todo prata cromado e retornou até nós me estendendo duas barrinhas. Eu sem jeito peguei só uma.
–Tome, coma as duas. –disse ele balançando-a na minha frente. –Eu sei que não é muito mais você precisa comer.
Eu assenti e peguei a segunda barrinha. As devorei em segundos. Então um ronco de motor indicou que um caminhão se aproximava.
–Ele chegou. Peguem suas coisas e abandonem os carros. –disse o general para nós.
Então rapidamente abrimos os porta-malas e pegamos nossas mochilas e cobertores e seguimos alegres para o caminhão. Era aberto e com uma lona verde por cima. Havia um banco longo de cada lado. As crianças foram as primeiras, eu logo em seguida e Daryl atrás de mim.
O general entrou no caminhão e ficou de pé perto da porta com sua arma em mãos.
A viajem foi longa, mas nós sorrimos uns para os outros. Eu meio cansada e deprimida, encostei-me ao ombro de Daryl que me abraçou.
–Podia ser um menino... –começou ele sorrindo sem jeito para mim pela primeira vez em muito tempo.
–Você quer falar mesmo disso, Daryl? –eu perguntei enquanto o caminhão sacolejava pela estrada esburacada.
–Sim, Marry. –disse ele. –Temos que encarar a realidade. Eu sei que esta é primeira vez pra você assim como é para mim... Confesso que estou muito assustado com a perspectiva de ser pai no meio deste caos, mais se o Rick conseguiu por que não nós?
Eu fiquei em silencio por um momento e me peguei imaginando em um menino assim como Daryl queria. Mais como íamos saber?
–Aí nós poderíamos chamar ele de Pietro. O que acha?
Eu fingi pensar por um momento.
–Pietro é um nome legal mais ainda falta alguma coisa... Que tal Pietro Henrique? Significa príncipe poderoso.
–Pietro Henrique? –disse Daryl. –Gostei. Ele poderia ter os cabelos negros iguais aos seus...
–...ou aloirados como os seus e de olhos azuis. Mas e se for menina? –eu perguntei. E mesmo aquele assunto de estar gravida ou não ainda me assustar muito, eu me senti descontraída com aquela conversa. Os outros nos observavam e sorriam se beneficiando de nossa conversa.
–Uma miniatura sua? –disse Daryl rindo. –Aí eu não ia aguentar. Já basta uma.
–Eí!!! –eu exclamei batendo em seu ombro. Todos dentro do caminhão riram enquanto Daryl soltava um palavrão.
–Lucia é um nome bonito. –começou Maggie olhando para mim quando os outros pararam de rir.
–Clara também. –disse Alexia.
Eu sorri para as duas.
–Clara Lucia. –refleti em voz alta. –E um nome bonito.
–Pronto já está decidido. Pietro Henrique ou Clara Lucia. –disse Daryl pondo um “ponto final” na escolha de nomes, bem humorado.
Hershel sorriu e falou.
–Mas nem sabemos se a Marry está gravida mesmo...
Então eu olhei para ver a expressão de Daryl ao ouvir o comentário de Hershel. Se ele ficaria feliz em eu não estar gravida.
–A sorte favorece os prevenidos. –disse ele e depois me beijou longamente na boca sobre as vais e vivas dos presentes.
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