Juntos Enquanto Pudermos
26 Luta De Bárbaras
Notas iniciais
Ele concordou com a cabeça e sorriu amarelo.
–Eu tenho que ir falar com ele, você vai ficar bem? –e quando ele concordou, eu me levantei. –Eu vou lá falar com ele.
Então sai da cozinha e fui procurar o meu Daryl. Ou não era mais? Caminhei determinada pelo corredor. Eu não queria fazer aquilo, mas eu ia discutir com Daryl e com certeza seria um discussão bem séria.
Tudo bem que o que o garoto fez foi errado e eu mesma tinha vontade de esbofeteá-lo, mais isso não justificava o comportamento agressivo de Daryl. Timoti beijou a mim então deixasse que eu mesma resolvesse os meus problemas, sozinha. Afinal, era dona de meu próprio nariz e podia me virar.
–Daryl! –eu saí gritando pelo corredor. –Daryl!
Não obtive resposta dele, mas em compensação, vários rostos assustados apareceram pelos vãos das grades. Todos eles me encaram.
–O que foi? –Glenn me perguntou assustado como se tivesse acabado de ser desperto de um sono.
–Nada! –eu disse-lhe um pouco ríspida. –Você viu o Daryl?
–Não, não. Mais o que você quer com ele? –ele me perguntou. Eu simplesmente virei-me para o outro lado e comecei a caminhar novamente.
–Daryl! Onde você está seu infeliz?! –eu gritei novamente. Fui a nossa cela, ele não estava lá. Procurei-o em todos os lugares possíveis e mesmo assim não o encontrei, então saí para o lado de fora, segui pelo pátio. Ele também não estava lá, mais algo chamou minha atenção.
Ela estava lá.
Carol estava parada em frente ao portão de braços cruzados. Eu esqueci de todo o resto. Esqueci que estava furiosa com Daryl, esqueci-me do beijo de Timoti, esqueci-me simplesmente de tudo. Em minha frente só havia ela.
Eu caminhei em sua direção. Quando ela viu minha aproximação sorriu para mim debochada.
–Como vão as coisas com o Timoti? –ela perguntou.
–Assim, quer ver? –eu respondi dando-lhe um tapa em seu rosto.
Ela desequilibrou um pouco e depois avançou em mim. Nós duas nos enfrentamos com tapas e puxões de cabelo até que caímos no chão. Eu subi em cima de Carol e comecei a socar sua face. Ela me empurrou com os pés e eu cai com tudo para trás. Bati meu cotovelo ao tentar me erguer, mas não tive tempo, pois Carol avançou em mim e me arrastou pelos cabelos até as grades onde havia pelo menos cinco zumbies excitados querendo nos abocanhar.
Ela pegou minha mão e a aproximou da grade.
–Eu estou farta de você ficar no meu caminho! Uma mordida só e me livrarei de você para sempre. –eu senti que minha mão era tocada por inúmeros dedos e entendi o que Carol pretendia fazer.
Eu me libertei e usei seu peso para me levantar e com as duas mãos a joguei contra as grades, imprensando-a.
–Você queria que eu virasse uma andante?! Responde, sua vadia imunda! Você é patética! Disse-me que eu devia aceitar que perdi e seguir em frente, por que você não faz isso agora? Hem?
Eu estava desvairada, estava pronta para socá-la novamente que nem me dei conta de que Rick juntamente com outros se aproximavam de nós aos gritos. Dois braços apertaram-me a barriga enquanto me afastava de Carol. Eu ainda vislumbrei Rick agarrar Carol pelos ombros e puxou a para longe de mim, eu libertei-me e avancei novamente. Contudo fui novamente repelida.
–Se controla, agora! –Daryl gritou para mim enquanto me segurava.
–Me solta, seu idiota! –eu berrei em resposta. Então o grandalhão chamado Pool se aproximou para ajudar Daryl a me conter.
–Não! –gritou Daryl. –deixa que eu cuido dela.
Quando eu e Carol finalmente paramos de fazer “barulho” Rick afrouxou o aperto e disse para nós duas, muito autoritário.
–Eu vou soltá-la e você Daryl, solte-a também. Eu quero as duas quietas. –ele olhou para Carol que assentiu e depois olhou para mim. Eu relutei um pouco mais depois assenti também. –Ótimo.
Daryl me soltou lentamente, como se eu fosse avançar em Carol a qualquer momento, mais embora essa fosse a minha vontade eu não o faria. Dei minha palavra a Rick.
–Agora vocês podem me explicar porque estavam agindo como duas bárbaras? –Rick perguntou a nós. Eu não respondi.
–Foi ela quem começou! –gritou Carol fazendo-se de vitima. –Eu estava aqui fora cuidando dos portões e ela me bateu!
Todos os olhares se voltaram para mim, esperando meu pronunciamento.
–Eu comecei? –eu lhe devolvi dando um passo a frente. –É você quem tem me perturbado desde que entrei para o grupo!
–Você me conhece Rick, sabe que eu não faria isso. –ele suplicou para ele e depois voltou seu olhar para Daryl. –Você me conhece não é Daryl?
Eu olhei para Daryl esperando sua resposta. Ele olhou para ela e depois para mim, em duvida de qual lado ele devia ficar.
–É verdade o que a Carol disse, Marry? –ele me perguntou. Eu estava tão lívida que ainda sim não respondi.
–Marry. –chamou-me Rick, eu olhei para ele. –É verdade?
–Sim. –eu respondi. Daryl me olhou tipo “eu-não-esperava-isso-de-você”. Carol sorriu para Rick.
–Está vendo agora, Daryl, com quem você está se relacionando? –ela perguntou para Daryl.
–Sua vadia! –eu gritei quebrando minha promessa e me preparei para avançar nela. Fui novamente segurada por Daryl. –Eu mato você! –gritei para ela.
–Calma, Marry. –Daryl sussurrou em meu ouvido para que eu me acalmasse. Isso funcionou, pois eu parei de resistir. Ele me soltou de novo.
–Por que você fez isso? Por que avançou na Carol? –Rick perguntou novamente em tom profissional como se tivesse voltado aos tempos de policial.
–Ela disse para o Timoti que eu estava afim dele, mesmo sabendo que eu estou com o Daryl. –eu joguei as palavras com toda a raiva que eu ainda reunia. Daryl parou de me segurar e olhou confuso para mim.
–O que? –ele perguntou pára mim ainda um pouco atordoado. Aceitando minha expressão como um “sim” ele ergueu a cabeça para Carol, seu rosto agora estava lívido. –Você fez isso?!
Eu percebi pelo rosto de Carol que ela estava arrependida, pois o jeito com Daryl perguntou mostrou que ele estava irado com ela e com certeza isso não fazia parte de seus planos.
–Daryl, eu... eu... eu achei que vocês não estavam mais juntos depois daquela história do Governador. –disse ela suplicante e seus olhos encheram de lagrimas. –Eu achei que os dois iam se dar bem juntos e...por favor me perdoa?
Daryl ficou em silencio. Sua expressão ainda estava rígida e colérica. as pessoas ao nosso redor estavam todas tensas apostando intimamente o desfecho de nossa cena. Nesse meio tempo eu senti que algo quente escorria lentamente de meu rosto. Passe ai mão pelo rosto e descobri que minha sobrancelha direita havia sido cortada na briga e agora escorria um filete de sangue. Olhei pára Carol, eu também deixei marcar nela. Sua boca estava levemente inchada, seu lábio inferior também sangrava e sua face atingida pelo tapa estava rósea.
–Eu acabei de bater no garoto por sua causa! –Daryl finalmente respondeu. –O que você tinha na cabeça pra fazer isso? Acha legal brincar com o sentimento das pessoas?
Carol não respondeu, apenas chorou mais.
–Você não é mais como antes... –ele disse, sua voz apresentava decepção. Depois Daryl pousou a mão sobre meu ombro e disse para mim. –Vem, vamos cuidar desses cortes.
Nós dois voltamos para dentro do pavilhão sobre o olhar de todos que presenciaram a cena: Rick, Pool, Andressa, Glenn, Hershel e Kary. Ainda pude ouvir Hershel se oferecer gentilmente para tratar dos machucados de Carol e ela recusar com arrogância.
Seguimos em silencio para dentro da cela. Daryl me fez sentar na cadeira. Eu fiz uma careta de dor quando sentei. Agora que a raiva passou, os efeitos colaterais começavam a me afetar. Senti dor no abdômen, nas costas e na minha cabeça.
–O Timoti está bem? –ele me perguntou finalmente.
–Sim. –eu afirmei. –Ele está mais preocupado com o que vai acontecer depois.
Daryl não entendeu então eu tratei de explicar.
–Ele está com medo de você, pelo que ele fez. Acha que você ainda vai bater nele. –eu tentei esboçar um sorriso mais minhas costas doeu, então meu sorriso se tornou em dor e eu gemi.
–Por que você não me disse sobre a Carol e sobre o que ela vem fazendo desde então? –ele me perguntou um pouco mais calmo.
–Vocês são grandes amigos e eu não queria ser a vilã da história. Chegar por ultimo e ainda tirar sua amiga.
Daryl sacou um lenço de seu bolso e passou pelo meu corte na testa. Após limpa-lo ele passou a me examinar. Tocou em meu ombro e depois em minhas costas.
–Doe quando eu faço isso? –ele perguntou tocando no meu flanco. Eu gemi de dor. –Anda, deita na cama de bruços, eu vou fazer uma massagem para alongar seus músculos. Acho que isso vai pelo menos melhorar um pouco.
Eu me deitei de barriga para baixo com dificuldade por causa da agonia, então fechei os olhos. Senti que as mãos de Daryl levantaram um pouco de minha blusa e começaram a trabalhar. Logo eu senti uma moleza em meu corpo. Após uns dez minutos ele terminou e se levantou.
–Aonde você vai? –eu lhe perguntei ainda deitada na cama.
–Vou conversar com o garoto. –ele disse.
–Vai pedir desculpas...? –eu o provoquei, pois sabia que ele sentia-se arrependido do que fez mais que ao mesmo tempo não admitiria.
–Não enche. -disse ele jogando o pano ensanguentado em cima de mim. -Espero te encontrar aqui quando voltar. –então virou as costas e saiu pela porta.
Eu sorri pela expressão que ele me fez e me movi para apanhar o pano e joga-lo no chão. O simples movimento me fez sentir mais dores.
–Ai! –exclamei.
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