Notas iniciais
Olá galera maravilhosa. Aqui está mais um capitulo da fic, ultimamente eu tenho postado de noite( madrugada, pra falar a verdade) pois está um pouco difícil conciliar trabalho, academia e marido ... e outros projetos mais eu continuarei a postar os capítulos todos os dias ( só quando não dá mesmo que eu posto no dia posterior) até o próximo Boa leitura.

–Você vai ficar bem. –disse ele como se fizesse uma promessa para mim, então se virou para sair.

–Daryl! –eu o chamei. Ele se virou para mim. –tenha cuidado.

Ele confirmou com a cabeça e saiu.

Eu fiquei ali sozinha por um bom tempo tendo por companhia apenas minha consciência que já não estava tão racional, até que Maggie surgiu com uma caneca de plástico fumejando e dela saindo um aroma muito atrativo.

–Papai mandou trazer pra você. Ele disse que é pra eu ficar de olho se você não ia dar uma escapada. –disse ela me estendendo a caneca. Eu sentei e a peguei.

Tomei um gole enquanto observava ela puxar a cadeira de madeira e sentar-se ao lado de meu leito, como se estivéssemos em um hospital.

–É, estou sendo vigiada. –eu disse sorrindo após tomar outro gole. Apesar do cheiro doce a bebida desceu por minha garganta amarga e quente. –como se e fosse sair por ai a torto e a direito... -bufei para mim mesma.

–Não é isso. –respondeu Maggie compadecendo-se de meu drama. –Todos nós só queremos seu bem. Ainda mais depois do que aconteceu... –disse ela humildemente e constrangida. –eu sinto muito mesmo, eu gostava muito dele e a Beth então... ela chorou muito e tivemos que deixar a Judith com Carl por um tempo até que ela se recuperasse.

Eu assenti, tomando outro gole de chá. Não queria conversar sobre aquilo, ainda não estava preparada.

–E você teve noticias do Daryl? –lhe perguntei tentando mostrar que a minha pergunta era só por necessidade e não interesse. –ele foi buscar umas ervas pra abaixar minha febre.

–Oh, eu só vi ele no momento em que saia pelo portão não antes de... –ela hesitou e seus olhos se tornaram suplicantes como se tivesse falado de mais e tentasse encontrar um jeito de sair daquela situação embaraçosa.

Eu a indaguei com o olhar levantando uma sobrancelha.

–... não antes de me pedir que cuidasse de você para que não fosse fazer alguma besteira. Ele disse: “você é responsável por ela até que eu volte e não deixe que ela saia, nem que seja só pra observar da grade.”.

Eu me empertiguei na cama pronta para me pôr de pé e desafiar a “soberania de seu senhor Dixon”. Quem ele pensava que era para pedir a Maggie tal coisa? Ela por outro lado evitou que eu me levantasse, dizendo que ia me algemar na cama se fosse necessário e pelo seu tom de voz e seu olhar eu acreditei.

–Estou entediada. Não quero ficar aqui morrendo de febre e muito menos deixar para depois o caso de Bryan.

–Quanto antes você se recuperar mais rápido sai de minha vigilância. –disse ela se curvando para mim e com a mão direita mediu minha temperatura. –Ainda muito alta. Eu vou avisar meu pai e você mocinha, me espere aqui. Se tiver que virar um zumbie espera eu voltar.

Eu ri com seu comentário e no momento em que ela saiu pela porta eu pousei a caneca na cadeira e fiz uma careta, pois estava muito ruim, não tinha açúcar.

Deitei na cama e passei a observar a única paisagem a minha frente, a cela de Daryl. Ergui-me de súbito e fui até a porta para certificar-me de que não havia ninguém a espreita. Ainda sentia um pouco de vertigem e tontura. Andei pelo quarto a procura de algo que eu não sabia o quê mais que com certeza ia me revelar um pouco sobre ele.

Varri a cela com o olhar e me deparei com uma mochila sobre a pia. Apanhei-a e voltei para a cama. Abri o zíper e remexi em seu conteúdo. Uma camisa, uma muqueira de pulso... Então minha mão sentiu algo duro e acolchoado. Quando meus dedos se fecharam em torno do objeto eu o puxei.

Era uma carteira de couro, provavelmente do tempo em que ainda podíamos nos consideram civilizados. Eu sabia que era errado mais meus instintos me deixaram cega para a razão. Senti muita vontade de abri-la e minhas mãos, inconscientemente, encontraram a abertura.

Ao abri-la, o rosto de Daryl me fitou. Então percebi que era sua carteira de motorista. Puxei-a para fora e observei. No canto direito estava sua foto; bem mais novo, com cabelos curtos, mas ainda a mesma expressão rude. Li suas informações como nome, idade, cidade de origem. “hum 44 anos” pensei comigo, “nem parece”. Havia alguns papeis com anotações em uma grafia muito rustica como a de uma criança aprendendo a escrever e entre os papeis encontrei a foto de um homem de cabeça raspada, com rosto militar mais ao mesmo tempo rebelde e arrogante. Reparei que os olhos eram muito parecidos com os de Daryl. Então supus que fosse seu irmão Merlin. No fundo da carteira, em uma aba oculta encontrei uma ultima foto; era de uma mulher loura, cabelos lisos e olhos claros. Sorria sinceramente de uma piada a muito esquecida no tempo em que a foto fora batida. Puxei a foto e olhei atrás. Havia uma pequena mensagem.

“Da mamãe Rachel para meus dois filhos amados”.

Aquilo me comoveu muito, então aquela era Rachel Dixon, mãe de Daryl. Uma lagrima escorreu de meus olhos. A emoção me fez lembrar de que eu também tinha família e que os deixei no Brasil e não tinha uma única noticia deles, se estavam bem, se estavam vivos.

Sequei a lagrima e me preparei para por a foto de volta na carteira da mesma forma em que estava antes de eu começar a mexer. Não fui rápida o suficiente.

– O que você pensa que está fazendo?

Eu congelei onde estava. Receei olhar para a porta mais nem precisei. Um segundo depois, ele já estava em cima de mim tomando suas coisas de minha mão e enfiando tudo na mochila com violência.

–Por que mexeu nas minhas coisas? Sua mãe não te ensinou a ter boas maneiras? Eu saio por ai pra trazer as porcarias das ervas e é assim que você me agradece, hem? RESPONDE! –gritou ele jogando a mochila no chão com força. Eu me sobressaltei ao ouvir o impacto. Tinha certeza que o seu alvo era eu.

–VAI FICAR CALADA?

Eu queria muito dizer sim, mais certamente ele me mataria se eu dissesse isso.

–ACHA BONITO CURIAR AS COISAS DOS OUTROS, HEM?

Um ponto pra ele.

–Daryl, me desculpa eu só...

–Não tinha nada melhor pra fazer do que cuidar da vida dos outros? –ele me interrompeu. Eu olhei indignada. Levantei-me da cama.

–E você entende muito bem de cuidar-da-vida-dos-outros, não é? “Cuide da Marry, não deixe que ela saía, vigie ela...- eu disse em um falsete de voz imitando Daryl e seu tom mais arrogante.

Ele me olhou fulminante.

Um ponto pra mim.

–E eu tinha toda a razão, veja só, um minuto que saí do seu lado e olha você aprontando.

Mais um ponto pra ele.

Eu abaixei a cabeça envergonhada. Daryl estava frustrado, passou as mãos no cabelo e andou pelo quarto de um lado pro outro.

–O que houve aqui? -Perguntou Hershel parando a porta. Eu estava de pé próximo o beliche com lagrimas e Daryl no meio da cela com a mochila a seus pés. –Eh, eu soube por Carl que você já havia chegado. –disse ele para Daryl. –Achou as plantas?

Daryl olhou para mim furioso ao ouvir a pergunta de Hershel. Senti-me culpada, pois ele se arriscou pela minha saúde e eu o retribui agindo como uma garota infantil e curiosa.

Daryl estendeu a mão para Hershel e eu vi pequenos galhos cheios de Folha de Oliveira em suas mãos ser entregues aos cuidados do medico.

–Obrigado, filho. Você realmente ajudou muito. –disse Hershel alegre enquanto examinava as folhas. Totalmente submerso em seu mundo para se interessar por nossa discursão.

–Por nada! –resmungou Daryl em voz alta. Olhou pra mim sério e saiu do quarto batendo pé.

–Viu Marry? –Hershel me perguntou, eu olhei desatenta. –A sorte está do seu lado, vou preparar o chá agora mesmo. –dizendo isso saiu pelo corredor mancando.

Eu sentei-me na cama e fitei amochila.

–A sorte do meu lado? – perguntei olhando para cima, para além do teto. Olhava pra o céu. Em resposta a minha pergunta um trovão muito forte pode ser ouvido ao longe rugindo pelas planícies. –Eh, acho muito difícil. –divaguei para mim mesma enquanto as gotículas de chuva começavam a bater nas paredes externas.

Notas finais
Espero recadinhos, como sempre. até a próxima.