Juntos
2 "Eu nunca disse que gostava de doce."
Notas iniciais
Mitsashi nunca foi uma mulher complicada e eu admirava isso. Era sempre direta e firme com suas decisões ou emoções o que sempre adorei, dessa vez não foi diferente.
Conversamos por alguns minutos encostados naquela árvore. Ela me contou tudo o que sentia e eu aproveitei o momento para desabafar também. Foi uma conversa calma, sem gritos ou vozes altas; foi basicamente tudo sussurrado, como se se falássemos muito alto algo de ruim aconteceria. Em certo momento, da conversa, não lembro qual exatamente ela se entregou as lágrimas e me abraçou, o rosto apertado em meio peito. Posso dizer que fiquei paralisados por alguns instantes em uma confusão de sentimentos, então abracei sentindo seus soluços explodindo em mim.
Não gostava de ver a Tenten chorando, principalmente por que de alguma forma a culpa era minha e aquilo machucava. Aproveitei que estava de frente para a árvore e deixei que meus sentimentos também transbordassem. Foram lágrimas estranhas, sem soluços.
Depois que nos afastamos, minhas lágrimas já tinha secado pelo vento, sentamos no pedestal de uma estátua qualquer e ela encostou a cabeça em meu braço enquanto limpava o rastro negro deixado pela maquiagem em suas bochechas. Estávamos iluminados por uma luz verde que girava no chão ao nossos pés.
Depois de alguns segundos continuamos a conversa em nosso sussurro íntimo e eu senti que estávamos nos aproximando novamente, que logo, logo, tudo ficaria bem de novo. Em certo momento sorri e ela me encarou por alguns instantes, então sorriu. Mas que sorriso... Lindo, maravilhoso; emoldurado por belos lábios pintados com a cor da cereja, os olhos castanhos brilhavam sob a luz verde giratória e os cabelos finos balançavam junto a fraca brisa.
Parecia a mesma brisa, o mesmo cenário. Sempre senti isso quando a via sorrir daquela forma tão sincera. E aquele sorriso me deu a esperança de que nós poderíamos seguir lentamente o nosso caminho.
Aproximei-me dela sem conseguir tirar meu sorriso do rosto e abaixei para beijá-la. Ela não recuou e senti meus lábios se curvando em outro sorriso. Puxei-a para perto, colocando-a em meu colo – uma perna de cada lado — sem muitas dificuldades e enlacei sua cintura com meus braços a puxando para mais para perto. Seus dedos invadiram meu coro cabeludo e eu ignorei o fato de que meus cabelos iriam ficar iguais um ninho de passarinho; não importava, o que importava era que havíamos nos perdoado e estávamos juntos novamente, eu iria aproveitar cada momento. Cada beijo e cada toque, cada momento que ela estivesse em minha companhia, porque a amava e queria enviar a ela todo esse calor que sentia com a sua presença.
Mordi seu lábio inferior e suguei-o lentamente apreciando o leve gemido que ela soltou contra meus lábios. Levei meus beijos para seu pescoço macio, ela tinha um cheiro tão bom, de chocolate e ervas, mordi com carinho a curvatura do pescoço e fiz uma trilha de beijos de volta aos seus lábios úmidos.
Surpreendentemente senti a língua alheia roçar em meus lábios e abri minha boca deixando-a invadir como quisesse. Nossas línguas se tocaram e uma corrente elétrica desceu por minha coluna. Nos afastamos ofegantes e Tenten limpou a baba que escorria por seu queixo, então olhou para mim e corou envergonhada. Eu ri e dei um selinho seus lábios, depois em sua testa. – Eu te amo, bobinha.
Ela fez bico emburrada com o apelido, seus lábios tremiam levemente por conta do beijo e eu imaginei que os meus não estivessem em melhores condições.
— O grande Neji. – escutei a voz de Sai e Tenten se apressou em sair do meu colo. Maldito. – Desculpe atrapalhar, mas não tive como evitar, estava bom não era?
— Você é muito inconveniente, cara. – Falei passando as mãos em meus lábios molhados e provavelmente sujos com o batom cereja.
— Vocês voltaram? – escutei a voz de Naruto atrás de mim e tomei um susto, ele estava abaixado entre as pernas da estátua e exibia um sorriso bobo.
— Voltamos. – Mitsashi respondeu sorrindo e segurou minha mão. Senti meu coração dar duas explosões em minha caixa torácica.
Então ouve um barulho de algo explodindo e logo estávamos sujos de papel brilhante colorido. Olhei na direção da explosão e vi Kiba, Sasuka, Ino e Chouji rindo.
— Acho que tivemos cupidos. – Tenten falou e riu junto dos amigos.
Fiz uma cara emburrada. Odiava surpresas e coisas do tipo. Não acredito que eles fizeram tudo aquilo para nos juntar novamente. Eu ia fazer isso por mim e por ela, não acredito que precisei de ajuda.
Aqueles Idiotas!
Então Naruto se desequilibrou com um grito, e caiu no chão.
Ri e pulei do pedestal ajudando Tenten a descer também.
— Acho esse aqui já era. – Kiba falou cutucando Naruto com a ponta dos tênis. O Uzumaki tinha batido a cabeça no chão e desmaiado. – Ele bebeu demais, desse jeito faz mais merda do que o normal.
— Vamos levar ele pra cima. – Sai falou se aproximando.
Balancei a cabeça decepcionado e ajudei os garotos a levarem Naruto no quarto.
— Que péssimo anfitrião. – Sakura falou.
***
Sorri.
Abaixei o capacete e me preparei com a espada em riste.
— Lutem. – O instrutor falou cheio de animação.
Tenten correu em minha direção, desviei indo para o lado e bloquei seu ataque. Direita, esquerda; cima, baixo; coxa, barriga, ombro;
— Não vai ganhar nada apenas na defesa. –falou, a voz abafada pelo capacete.
Ela abaixou na base iniciando um aquele surpresa por baixo, desviei pulando para trás e me apoiando na ponta dos pés para não sair do tatame. Forcei minhas panturrilhas a pularem para o lado desviando de minha namorada e caí desequilibrado em um rolamento. Levantei e apontei a espada para ela, criando um espaço entre nós dois. A cada movimento que ela fazia eu apontava e espada evitando que ela se aproximasse, aproveitando esse momento para recuperar meu fôlego.
Nunca fui muito de praticar esgrima, sempre preferi lutas corpo à corpo.
— Borá Mitsashi, não vai arriscar? – instiguei me aproximando.
Ela atacou batendo sua lâmina na minha, fazendo as gritar, avançou fazendo chover metal contra mim, bloquei contraindo meus lábios e esperei uma deixa para poder abaixar em uma rasteira. Ela caiu de costas no chão, sem perder a chance de enrolar seus tornozelos nos meus, fazendo-me cair junto a ela.
Levantei o capacete exasperado pelo golpe surpresa. – Isso foi...
Ela me empurrou e sentou sobre mim colocando a espada em minha garganta. – Ganhei.
— Você caiu primeiro.
— Você não apontou nenhum golpe com a espada. Então eu tecnicamente estaria viva. Mas agora eu matei você, tuchê.
Revirei os olhos e a puxei pelo fardamento, tirando o capacete com a outra mão. Beijei-a.
Um beijo salgado pelo suor, mas eu nunca disse que gostava de doce.
“E eu quero te falar...
Como apenas este mundo
Mudou suas cores...”
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