Percebi pela sua tensão que ele sabia o que tinha de ser feito. Vi em seus olhos que ele compreendia. Ele sabia que cabia a nós tomar a decisão que salvaria o mundo –ou o destruiria.

Cabeça-de-Alga, pensei...

E assim como eu, ele sabia que essa decisão não teria volta. Se a acatássemos salvaríamos o mundo, mas destruiríamos qualquer futuro que poderíamos ter.

Nada de nos formarmos. Nenhum casamento. Nada de filhos. Nenhum lar aconchegante. Nenhum outro passeio de mãos dadas. Nenhum outro piquenique á luz das estrelas. Nenhum outro beijo no lago. Nenhum passeio por Nova Roma. Nada, e nada mais.

Olhei o seu rosto. Queria gravar em minha memória cada detalhe de seu corpo. Os seus olhos verde-mar profundos e vívidos que apesar de todo o sofrimento que viram, ainda brilham. Seus cabelos negros desgrenhados que caiem como cascatas em sua face. Seus braços fortes que muitas vezes foram meu único consolo. Suas mãos macias e firmes que em tantos momentos enxugaram minhas lágrimas e que sempre me protegeram. Os seus lábios que já proferiram tantas palavras doces e onde encontrava refúgio.

--Temos que fazer isso... –sua voz soava fraca, como se sua mente estivesse longe e que, assim como eu, tentava gravar cada detalhe que víamos um no outro.

Segurei suas mãos como fizera tantas vezes antes. Surpreendi-me ao ver lágrimas em seus olhos e percebi que também chorava. Apertei a mão dele com força .

Olhei o pôr-do-sol na nossa frente. Vi nosso amigos se divertindo, em um dos últimos momentos de folga antes da batalha final. Façam valer a pena, pensei, pois ainda não é o fim, ainda há esperança. Virei-mepara Percy. Ele pareceu concordar com a cabeça. Assenti e disse:

--Juntos...

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