Juntas Pelo Acaso
1 Time Travel and Fate.
Notas iniciais
— É melhor você torcer para que não tenha trazido nada mais com você.
Regina disse entre os dentes antes de sair batendo a porta da lanchonete. Não podia ficar ali, se não aguentava ver a reunião da família Hood, muito menos podia olhar para a responsável por tudo aquilo. Era melhor ir embora antes que acabasse explodindo aquela lanchonete. Como se tudo o que estava acontecendo não fosse o suficiente, Emma Swan resolveu segui-la.
— Regina, espera! — a morena apertou o passo ao ouvir a voz de Emma, sem virar para ela. Realmente, a sorte não estava ao seu lado aquele dia.
— Regina, por favor! Me escuta! — a loira gritava quase desesperada no meio da rua, enquanto tentava alcançar a outra mulher. Quando Regina parou de repente no meio da rua, Emma suspirou aliviada e deu alguns passos em direção a ela.
— Obrigada por me ouvir. Eu…
— O que é aquilo? – cortou, fazendo Emma olhar para onde ela apontava.
—Uma tempestade? – Emma piscou, sem entender. – Como pode nevar só em uma parte da cidade? Parece até…
—Magia! — Regina completou, trocando um olhar preocupado com Emma antes de saírem correndo até o local. O celeiro onde antes tinha o portal do tempo de Zelena, agora estava coberto de gelo, e a mistura de vento e neve que alimentava a tempestade deixava o frio ainda mais insuportável.
— O que diabos ta acontecendo aqui? — Emma gritou, tentando enxergar através da neblina. Viu um pequeno embrulho no chão e cutucou o braço de Regina. — Tem alguma coisa ali! O que é?
— Eu não sei! — as duas gritavam para conseguirem se entender no meio do barulho do vento. Emma colocou o braço na frente de Regina de forma protetora enquanto avançavam lentamente. Quando chegaram perto do embrulho no chão, seus olhares se cruzaram em busca de respostas. Regina voltou a olhar a criança que chorava sem parar.
— É o bebê que está fazendo isso. — concluiu, tentando falar alto sem gritar. — Eu disse que aquela mulher não seria a única coisa que você traria! Espero que esteja satisfeita!
— Ta dizendo que é culpa minha? — Emma perguntou incrédula — Um bebê tem poderes, cria uma tempestade e a culpa é minha?
— De quem mais seria, Swan? — Regina voltou a gritar, a raiva fazendo seu sangue ferver. — Você nunca faz nada direito!
— Por Deus, Regina! Eu já te pedi desculpas! E eu só queria salvar a Marian! Salvá-la da execução que você ordenaria! — acusou.
—Suas desculpas não estão aceitas! Nada do que você disser pode melhorar essa situação!
— Quer saber? Se não quer me desculpar, o problema é seu! Eu to de saco cheio. To cansada de você…
—Não! – Regina interrompeu. – Eu é que estou cansada de você! Estou cansada de você e daquela sua família sempre arruinarem tudo! Porque é isso que você tem feito desde que chegou a essa maldita cidade!
— Você sempre se faz de vítima! Isso é tão irritante, Regina!
As duas discutiam sem perceber que a tempestade estava cada vez pior, até a hora em que o vento era tão forte que Regina quase não conseguia se manter em pé. Emma gritava alguma coisa em resposta, mas já não estava recebendo atenção.
— Idiota!
— O que? Agora vai tentar me atingir com xingamentos de uma criança?
— Emma, sua idiota! — A ex rainha repetiu. — Para de gritar! Somos nós quem estamos piorando isso!
Emma franziu a testa e pousou seu olhar na criança que agora chorava mais assustada.
— Estamos assustando ela. — a loira concordou. Ela ficou parada observando, enquanto Regina se abaixou e tentava acalmar a menina. A medida que o choro cessava, a tempestade também. Quando já não tinha mais tanto vento e apenas alguns flocos de neve caiam no lugar, Emma também se aproximou.
— Calma, querida. Esta tudo bem agora… — Regina sussurrou para a menina que olhava assustada para as duas. O par de olhos muito azuis ainda marejado, o rosto branco levemente avermelhado pelo choro. Era quase um bebê, com no máximo um ano, Regina supôs.
— Regina, coloca essa criança no chão. Você não sabe nada sobre ela. Pode se machucar. – Emma se arrependeu de ter dito isso no mesmo instante em que as palavras saíram de sua boca. Porque ela não conseguia evitar se preocupar com Regina mesmo achando a mulher insuportável?
— Me machucar? – A risada baixa e carregada de sarcasmo ecoou no celeiro. – Ela não pode me machucar. Além disso, é só uma criança. Ou acha que é algum super vilão disfarçado?
Emma encolheu os ombros.
— Depois de tudo que já vi, agora não duvido de mais nada.
Regina revirou os olhos e focou sua atenção na criança. Sequer percebeu quando Emma se aproximou e recebeu um sorriso da menina. A xerife sorriu de volta, completamente desarmada. Era a criança mais encantadora que ela já tinha visto.
— Talvez tenha razão. – murmurou, não resistindo a vontade de acariciar os cabelos loiros da garotinha enquanto falava.
— O portal já se fechou. Por acaso consegue abrir outro?
— Não. – Regina respondeu. – Se pudesse abrir um portal do tempo, senhorita Swan, você nunca teria aparecido na minha vida, nem na de meu filho. – Disse com frieza, fazendo Emma revirar os olhos.
— Ok. Vou ignorar esse comentário e vou ligar pro Gold. Ele deve saber o que fazer.
Emma tirou o telefone do bolso e discou, mas não teve resposta.
— Ele não atende. Vou tentar de novo. – Avisou, olhando para as duas. Ia ligar de novo quando alguma brilhante chamou sua atenção.
— Elsa. — Regina a ouviu sussurrar.
— O que? — perguntou distraída, já rendida aos encantos daquela garotinha que brincava com a neve que ela própria criava.
— Acho que é o nome dela. — Emma explicou entregando o pingente para Regina. De um lado, era o desenho de um único floco de neve, do outro, o nome Elsa aparecia gravado em letras delicadas.
— Hey, pequena. — Emma disse, numa voz infantil. Por um momento, Regina esqueceu a raiva e se permitiu achar graça daquilo. — Seu nome é Elsa, né fofinha?
A menina riu pra ela, e quando pegou uma mecha do cabelo de Emma, ele ficou mais loiro, quase branco. Emma arregalou os olhos, assustada, mas prendeu o sorriso ao ouvir a risada de Regina.Parece que a vontade de me matar passou, a loira pensou com certo alivio.
— Vamos. — a morena disse, voltando a ficar seria. — É melhor irmos pra minha casa e ligar para o Gold.
— E porque temos que ir pra sua casa? Podemos cuidar dela na minha!
— Não seja infantil, senhorita Swan. — Regina revirou os olhos. — Você recebe muitas visitas naquele cubículo da vovó que chama de quarto. É mais prudente levarmos Elsa pra minha casa e conversar com Gold lá.
—Sei… — murmurou emburrada. — Tudo bem, então. — ela riu para Elsa que a olhava curiosa. — Vamos pra casa da tia mandona, né pequena? — Regina revirou os olhos ao ver que a menina ria das palhaçadas que Emma fazia.
—Pelo menos, a tia mandona tem uma casa decente. – retrucou. Emma bufou em resposta e as duas saíram em direção a Mansão Mills.
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Emma estava sentada com Elsa no tapete da enorme sala de Regina, enquanto a morena folheava alguns livros na mesa. Elas já haviam ligado para Gold, mas a prefeita achou melhor começar a procurar ajuda nos livros enquanto esperavam o homem chegar.
— Você tinha que se chamar floco de neve, ou algo do tipo. — Regina ouviu Emma dizer rindo e ergueu os olhos para ver o que estavam fazendo. Cada vez que Elsa ria de alguma brincadeira de Emma, ela congelava algum móvel da sala e a loira aproveitava pra treinar sua própria magia, consertando tudo.
— Nem pensar! — Regina disse de repente, chamando a atenção das duas. — Já basta sua mãe com aquele nome ridículo. Não precisamos de mais uma.
Emma torceu os lábios.
— Tem razão. — concordou voltando a brincar com Elsa. — Henry vai adorar isso. — a xerife comentou contente.
— Emma! — Regina gritou alarmada, quando um jato de gelo passou ao seu lado e congelou uma parte da parede atrás dela. Emma apenas encolheu os ombros em resposta. A campainha tocou, fazendo as duas trocarem um olhar ansioso.
— Gold. — Emma sussurrou e Regina assentiu enquanto caminhava até a entrada para abrir a porta.
— Espero que seja algo muito importante pra me separar de Belle na noite de nosso casamento. — Gold disse, entrando na casa. Regina fechou a porta e estendeu a mão, mostrando à ele o caminho da sala onde Emma estava com Elsa. Ao ver o homem parado ao lado de Regina, Emma ficou de pé na frente da menina, suas pernas instintivamente quase formando um escudo.
— OH, parece que precisam de ajuda com o clima. — ele disse com um sorrisinho, vendo a neve que começou a cair na sala.
— Acha que pode ajudá-la a controlar os poderes antes que ela congele minha casa? — Regina perguntou calmamente, cruzando os braços.
— Não. — disse apenas.
— É só isso? É tudo que tem a dizer? — Emma reclamou, tentando manter a paciência. Gold sorriu e apoiou as duas mãos na bengala, encarando a loira.
— Regina me perguntou se a menina pode controlar os poderes e eu respondi. — a morena revirou os olhos e suspirou. Aquele homem podia insuportável quando queria.
— Aliás, o que ela está fazendo aqui?
— Bem, achamos que era melhor ficar aqui na casa da Regina porque… — Emma começou a explicar, mas foi interrompida por ele.
— Não, querida. Quero dizer, o que ela faz em storybrooke?
Regina apenas arqueou uma sobrancelha, desafiando Emma silenciosamente, esperando ela confessar que era sua culpa.
— Acho que ela veio pelo portal, mas ele fechou então não conseguimos achar uma forma de mandar ela de volta. -Disse, dando de ombros.
— Simplesmente porque não podem fazer isso.
—Perdão? — Regina questionou, com a mão na cintura.
— Se a menina veio pelo portal e agora está aqui, é aqui que ela deve ficar. E se alguém tem que cuidar dela, bem, não existe alguém melhor que vocês duas.
— Diz isso por causa da nossa magia? – Emma tentou. Era a única coisa que fazia sentido.
— Por isso também, senhorita Swan. — Emma franziu a testa, esperando ele continuar.
— Veja bem, essa criança não veio por aquele portal sem motivos. Ela tem um destino aqui, uma missão. E para que essa missão se cumpra, é com vocês que ela deve ficar.
—Acho que podemos fazer isso até decidir alguma coisa. — a xerife disse hesitante, esperando uma opinião de Regina. Gold estalou a boca em negação.
— Vocês não entenderam, queridas. A menina deve ficar com vocês de forma permanente.
— Você está louco! Está dizendo que temos que dividi-la? Criá-la juntas? — Regina perguntou, já cansada daqueles mistérios.
— Não seria a primeira vez que fazem isso, não é? Além disso, destino é destino.
Gold sorriu para Emma que deu de ombros. Ele tinham razão. Afinal, as duas eram mães de Henry e de certa forma o criavam juntas.
— Era só o que me faltava. Ter outro filho com Emma Swan. — A prefeita reclamou, com ironia na voz. Emma reprimiu um sorriso involuntário, mesmo sem entender o porque. Elsa que prestava atenção na conversa dos três adultos, saiu de trás de Emma e engatinhou até Regina, erguendo os braços para a morena que a pegou no colo.
— Então, o que temos que fazer? — Emma perguntou para Gold, embora seu olhar estivesse em Elsa que descansava a cabeça no ombro de Regina. Era engraçada e estranha a maneira como a criança confiou nelas quase instantaneamente. Qualquer um diria que Elsa já as conhecia.
— Como eu disse, ela ainda não tem idade para controlar seus poderes, mas podemos ajudá-la com isso.
— Podemos? — Regina perguntou tentando não parecer muito ansiosa.
— Sim. Eu posso tentar encantar algum objeto. Como aquele cordão que dei para Henry controlar os sonhos.
A morena assentiu, lembrando-se da ocasião.
— Mas isso não parece ser rápido. Enquanto isso ela vai congelar tudo que toca e criar uma tempestade cada vez que chorar? — a voz de Emma era quase desesperada, o que fez Gold rir.
— Aí é que vocês entram. — ele afirmou. — A magia dessa menina é forte, poderosa. Mas vocês duas juntas são mais. Afinal, estamos falando da salvadora e a da Rainha Má.
— O que quer dizer?
— Os poderes dela não afetam vocês, eu suponho. — Emma lembrou-se de seu cabelo e se apressou em olhar a mecha que Elsa deixara branca, ela assentiu ao ver que já estava de volta a cor normal.
— Mas e o resto? — Regina fez uma pausa antes de continuar. E baixou o tom da voz. — E quanto ao Henry? Ela pode machuca-lo.
— Vocês podem achar uma forma de protege-lo. Regina já fez isso quando protegeu o coração dele. E acho que vocês podem lidar com um pouco de neve em casa até amanhã de manhã, que é o tempo que eu preciso.
Emma e Regina trocaram um olhar desconfiado. Será que elas podiam mesmo confiar em Gold? O homem se aproximou de Regina e segurou o cordão da menina nas mãos.
— Elsa. — ele leu em voz alta, parecia um pouco maravilhado. Emma se lembrou do dia em que chegou a cidade e como ele fizera o mesmo com ela. O que será que fazia Elsa ser tão importante? A voz de Gold a tirou de seus pensamentos.
— Esse pingente é perfeito. Posso encanta-lo e ele bloqueará os poderes enquanto estiver com ela.
— O que vai querer em troca? — Emma perguntou.
— Nada. — ele sorriu de forma misteriosa. — Considerem um presente.
— Nada é de graça com você. — Regina disse, estreitando os olhos. O homem deu de ombros.
— Não esqueçam que somos todos da mesma família agora.Considere um presente para a pequena Elsa. — brincou, pegando o pingente e indo a direção a porta. — Vejo vocês amanhã de manhã. Boa sorte e… parabéns.
— Parabéns? — Emma franziu a testa e cruzou os braços, claramente sem entender a piada.
— Bem, parece que acabaram de ganhar uma filha, não é?
Gold saiu sem olhar para trás. Nem precisava ver o pânico no olhar das duas para se divertir com a situação. Emma e Regina continuaram paradas no mesmo lugar, absorvendo tudo o que haviam acabado de ouvir. Ambas olharam para Elsa ao mesmo tempo, a menina dormia no colo de Regina e já quase não nevava mais na sala. O silêncio reinou no lugar, não havia o que ser discutido naquele momento. Se tinha uma coisa que tanto Emma quanto Regina sabiam muito bem era que ninguém pode escapar do destino. Se era o destino delas cuidarem juntas daquela criança, teriam que fazer isso.
— E agora? – A prefeita sussurrou, sem se preocupar em disfarçar seu desespero.
— Agora estamos f… — a loira recebeu um tapa no braço e olhou para Regina que apontou para a garotinha adormecida.
— Ferradas. Eu ia dizer que estamos ferradas.
Um suspiro derrotado foi tudo o a xerife ouviu em resposta
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