Juntas Pelo Acaso
3 Patch up.
Notas iniciais
Regina pediu licença a Henry e Emma antes de dirigir-se com Robin até o jardim. O casal sentou no banco em frente a enorme macieira, sem sequer se dar conta de que estava sendo observado por dois — ou melhor: três — curiosos.
– O que você acha que ele está dizendo? — Henry perguntou, depois de um tempo assistindo em silêncio. Emma estreitou os olhos para enxergar melhor através a janela.
– Não sei. Mas com certeza alguma coisa que ela gostou de ouvir. — assegurou ao ver Regina sorrindo. Robin continuou falando, e a loira viu o sorriso da prefeita se desfazer enquanto ela olhava para baixo.
– Essa não. — Henry disse, a decepção transparecendo em sua voz. — Acho que agora a conversa não está muito boa. — Emma suspirou, assentindo em silêncio. A conversa realmente não parecia ir muito bem. Regina falou alguma coisa e parecia um pouco nervosa, mas Robin segurou as mãos dela e disse algo que a acalmou, então os dois sorriram.
– O que? O que ele disse? — dessa vez foi Emma quem falou, um pouco ansiosa. Henry a encarou confuso. Ele franziu a testa, sem entender a reação da loira. Se não conhecesse bem sua mãe, diria que ela não gostou de ver Regina e Robin sorrindo um para o outro.
– Eles estão se abraçando! — Emma exclamou falsamente animada ao perceber que o garoto a estudava. Ele rapidamente voltou sua atenção para a janela.
– Isso é bom, não é? — disse esperançoso, ao ver que os dois ainda não haviam se soltado do abraço. Emma sacudiu os ombros, esperando o que viria a seguir. Os dois se levantaram e Robin se foi.
– Acho que não, garoto. — murmurou ao entender que o abraço era um despedida. Regina ainda ficou um tempo lá fora, olhando para sua macieira. Emma deixou escapar um longo suspiro. Ela daria qualquer coisa pra saber o que a rainha estava pensando. Regina olhou de relance para a janela e Emma sentiu o estômago embrulhar ao ver a expressão quase derrotada da prefeita.
– Vem, Henry. — Emma chamou, saindo da janela. Sabia que precisava dar um tempo a Regina.
Não haviam se passado nem cinco minutos quando Regina entrou em casa, completamente recomposta.
– E Então? Gold telefonou enquanto eu estava lá fora? — perguntou, sua inabalável postura de rainha reconstruída. Emma negou com a cabeça, mas ficou em silêncio. Trocou alguns olhares com Henry, suas expressões mostravam preocupação. Regina olhou para o filho.
– O que foi?
– Nada. Quer dizer… Eu… — Henry gaguejou, sem saber o que responder. A prefeita sorriu para tranquilizar o filho.
– Querido, eu estou bem. Adultos são complicados, mas não precisa se preocupar, ok? Está tudo bem. — Assegurou para ele, embora seu olhar estivesse focado em Emma na ultima frase. A loira assentiu, querendo acreditar naquilo.
– Ótimo. Então, o que vamos fazer agora? — o garoto perguntou. Regina sorriu, pegando Elsa do colo de Emma.
– Eu não sei sobre nós, querido. Mas a senhorita Swan vai arrumar a bagunça que fez na minha cozinha.
– Sozinha? Porque?
– Como assim ‘porque’? Porque foi você quem bagunçou, Swan!
– Mas a Elsa me ajudou! — aquilo fez Regina e Henry rirem.
– Não seja ridícula! — a prefeita disse, tentando passar seriedade, mas ainda estava rindo. Emma se sentiu bem com aquilo, ficou feliz por distrair a morena.
– Vamos, mãe. Eu te ajudo. — Emma seguiu Henry até a cozinha, mas não sem antes olhar para trás para ver que Regina ainda sorria.
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Já era quase hora do almoço, quando Gold chegou à Mansão Mills. Henry abriu a porta sorridente e convidou o avô para entrar. Regina se encontrava sentada à mesa da sala, concentrada em alguns papéis enquanto Emma assistia tv com Elsa. Elas haviam acabado de descobrir que os desenhos deixavam a menina quase hipnotizada, e Emma adorou aquela descoberta.
– Bom dia. — Gold cumprimentou, entrando na sala com Henry ao seu lado.
– Quase boa tarde. — Regina disse seca, sem tirar os olhos de seus papéis. O homem deu um sorrisinho.
– Não faz nem 24 horas que tem um bebê e já está de mau humor. A maternidade não lhe faz bem, Regina. — a prefeita revirou os olhos, lembrando-se de ter ouvido algo parecido quando adotou Henry. Ela suspirou e se levantou da mesa, na mesma hora em que Emma se levantou do sofá. Pararam de frente para ele, ambas com os braços cruzados.
– E então? Conseguiu encantar o pingente? — Emma perguntou, indo direto ao assunto. Gold tirou o cordão do bolso e o sacudiu no ar.
– Aqui está, queridinhas. — Regina estendeu a mão e pegou o objeto.
– Tem certeza que isso não irá prejudicá-la? É seguro? — a preocupação transbordou na voz da prefeita, aquilo fez Emma sorrir. Gold apenas assentiu.
– Vamos ver se funciona. — A xerife foi até Elsa e a trouxe no colo para perto de Regina. Henry desligou a tv, e a neve começou a cair quando Elsa ficou nervosa ao perceber que tiraram seu desenho. Regina e Emma trocaram um olhar ansioso, e a loira acenou com a cabeça, encorajando a outra.
A prefeita colocou o cordão nela e a neve parou instantaneamente. Eles esperaram um pouco para ver se a menina reagiria de alguma forma, se aconteceria alguma coisa, mas não. Ela estava perfeitamente bem.
– Deu certo! — Emma comemorou sorridente. Não aguentava mais o frio que estava sentindo dentro daquela casa.
– De nada. — Rumple ironizou e logo em seguida caminhou em direção a porta. — Eu preciso ir. Se precisarem de mais alguma coisa me avisem.
– Obrigada. — Regina disse sincera, enquanto Henry o acompanhava até a porta. Quando ele saiu, a morena se virou para Emma.
– Agora que não precisamos mais nos preocupar com possíveis acidentes e tempestades, o que vamos fazer?
– Meus pais estão me ligando desde ontem feito loucos. Mary Margaret está preocupada comigo e… Com você também. — Ela viu Regina arquear uma sobrancelha em surpresa, mas a prefeita não disse nada. — Enfim, eu preciso passar lá pra deixar eles mais tranquilos e contar tudo o que aconteceu.
Regina assentiu, pegando Elsa do colo de Emma.
– Tudo bem. Eu fico com ela enquanto isso.
– Valeu! Henry, você vai ficar? — O menino assentiu, fazendo Regina sorrir. Ela adorava quando ele escolhia sua companhia. Emma deu um beijo na bochecha de Elsa antes de ir até a porta. — Qualquer coisa me liga! — gritou já do lado de fora.
No exato momento em que Emma saiu, Elsa começou a chorar. A princípio, Regina não entendeu o motivo. Mas ao ver que a menina apontava para a porta e chorava mais, ela suspirou.
–Era só o que me faltava. — murmurou sem acreditar naquilo. — Calma, querida. Ela já vai voltar.
Ela tentou acalmar a menina, mas não teve sucesso.
– Elsa, querida, a Emma já vem. — disse, torcendo para que fosse verdade.
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Emma estava na casa de Mary Margaret e David quando ouviu o celular tocar. Se preocupou ao ler o número na tela.
– Regina? — ela pode escutar a voz de Henry e um choro muito alto ao fundo da ligação.
– Eu vou te dar dez minutos para estar em minha casa. — A voz de Regina era seria, Emma ficou ainda mais nervosa.
– O que aconteceu? Tem pouco mais de uma hora que eu saí daí!
– Exatamente! Tem pouco mais de uma hora que ela está chorando desesperada. Você tem que voltar.
Emma franziu a testa, sem perceber os olhares preocupados de seus pais sobre si. Eles já estavam a par dos últimos acontecimentos.
– Mas ela está sem poderes, certo?
Ela ouviu Regina respirar fundo.
– Com poderes ou não, senhorita Swan, eu estou ouvindo choro de bebê há mais de uma hora. Então agradeceria se voltasse imediatamente.
– Ok, em dez minutos estarei aí.
Emma desligou o telefone já se levantando e pegando as chaves.
– Elsa surtou e está enlouquecendo a Regina. Preciso ir, depois nos falamos. — disse ao sair, sem dar tempo de seus pais responderem.
– Até que enfim! — Henry exclamou ao abrir a porta para Emma. — Elas estão lá em cima.
A loira subiu as escadas correndo, seguindo o barulho de Elsa até o quarto de Regina, onde a prefeita andava em círculos pelo quartos enquanto cantarolava alguma coisa, e a bebê em seu colo não parava de chorar. Quando Regina se virou e viu Emma na porta, o alívio ficou nítido em seu rosto.
– Você chegou! — choramingou. Emma foi até ela e pegou Elsa no colo. Regina parecia a beira de um ataque de nervos.
– O que diabos deu nela? — a xerife perguntou assustada, nunca tinha visto uma criança chorar assim. Ela abraçava a menina enquanto conversava com Regina. — Ela simplesmente surtou porque eu não tava aqui?
Regina encolheu os ombros, se sentando na cama. Ela olhou para Elsa que agora estava mais calma e deu um sorriso triste que não passou despercebido por Emma.
– Eu não sei. Ela simplesmente não parava de chorar, não importava o que eu fizesse. — Respondeu meio aérea, sua mente vagando para alguma coisa que a xerife quis muito saber o que.
– O que importa é que já está mais calma, né? — Emma disse para Elsa que sorriu para ela. Regina sorriu também, um sorriso mais genuíno dessa vez.
– Pelo visto, serei obrigada a lhe aturar no almoço, senhorita Swan. — implicou se levantando e saindo do quarto. Emma a seguiu.
– Algo me diz que vai tentar me envenenar.
Para depois conviver com o choro de Elsa e de Henry? Não, obrigada. Por mais tentador que seja, não vou envenenar sua comida.
– Viu, Els? Você acabou de salvar minha vida! — Regina ouviu Elsa rir e prendeu uma risada também. Para sua própria surpresa, ela já não estava mais com tanta raiva da xerife.
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– Se você quiser, eu posso levar os dois pra pensão essa noite. Aí você fica com eles amanhã. — Emma sugeriu, olhando para Henry e Elsa que assistiam a um dvd, deitados no tapete da sala. Regina assentiu, abrindo uma gaveta para pegar uma agenda de capa preta.
– Pode ser. Depois do escândalo dessa manhã, eu preciso dormir. — Ela anotou alguma coisa na agenda preta e olhou para Emma. — Vou ligar para o advogado amanhã. Temos que resolver as coisas para que Elsa fique aqui legalmente.
– E pro Henry voltar pra escola, já que não vamos para NY. — Regina não respondeu. Ainda doía pensar que a loira cogitara a ideia de tirar Henry dela, mais uma vez.
– Dormiram. — Regina sussurrou, mudando de assunto e apontando para as crianças. Emma sorriu ao olhar para os dois. Henry tinha o braço em volta de Elsa, que parecia estar num sono tranquilo. Ela se abaixou para pegar a mais nova, enquanto Regina se adiantou em acordar Henry.
– Se precisar de mim, pode me ligar. — Regina disse acompanhando os três até a porta. Emma assentiu e saiu, seguida por um Henry ainda sonolento.
Regina não havia chegado nem ao segundo degrau da escada, quando a campainha tocou e ela voltou para atender.
– O que houve? — Perguntou, franzindo a testa ao se deparar com Emma, Elsa e Henry. A menina chorava no colo da xerife e Henry ria, se divertindo com a situação. Ele queria ter uma máquina para registrar a cara de suas mães naquele momento.
– Ela surtou de novo, mas dessa vez foi por sua causa. — Emma disse já entrando e passando Elsa para o colo de Regina. A loira não entendeu o sorriso da prefeita ao ouvir aquilo.
– É… — Henry disse, fechando a porta atrás de si. Ele ainda ria. — Parece que quando meu avô disse que vocês tinham que ficar juntas, ele quis dizer juntas mesmo.
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– Arrumei o quarto de hóspedes pra você. — Regina disse, parando na porta do quarto de Henry. Emma cobriu o filho e foi até a morena.
– Obrigada. E Elsa?
– Dormindo na minha cama. Emma, como vamos resolver isso?
Emma hesitou, sem saber ao que ela se referia. As duas tinham muitas coisas para resolver.
– Pode ser mais específica? — Regina revirou os olhos, impaciente.
– Elsa.
– Ah, certo. — a loira pensou um pouco, mas não conseguiu ter nenhuma ideia. Ela viu Regina apertar as mãos, parecia um pouco ansiosa.
– Eu conversei com Henry e chegamos a conclusão de que não seria tão horrível assim se você ficasse aqui por uns dias.
Emma ficou sem palavras.
– O que?
– Se você quiser, é claro. Tem quarto sobrando. E seria mais fácil dividirmos as tarefas enquanto nos acostumamos com tudo isso.
– Eu… Eu acho ótimo! — Emma disse, torcendo para não parecer feliz demais com a ideia. — Tudo bem por você? Eu sei que ainda está com raiva de mim.
Regina balançou a cabeça.
– Estou tentando esquecer isso. Pelo Henry. Ele estava gostando de ver que você eu estávamos convivendo em paz, e eu não quero tirar isso dele. — Emma assentiu, comovida pela atitude da ex-rival. Regina continuou. — Além disso, somos todos adultos. E Robin e eu já conversamos.
– Sinto muito por vocês. De verdade. — Regina sabia que era verdade, ela conhecia Emma muito bem.
– Eu também. — Confessou, com um sorriso fraco. — Mas nada é definitivo, só demos um tempo. É muita novidade.
– Entendi.
Emma respirou fundo, aliviada por finalmente ter tido uma conversa honesta com Regina. Um silêncio incomodo se instalou entre elas, nenhuma das duas sabia o que dizer. Regina foi a primeira falar.
– Amanhã, depois de ligar para o advogado, temos que sair para comprar algumas coisas para Elsa.
– Certo. E eu aproveito para pegar umas roupas na pensão.
– Ok.
– Ok.
– Eu vou dormir, estou exausta. Boa noite, Emma. Sinta-se a vontade.
– Boa noite. Obrigada, pode deixar.
Emma se virou e já estava quase entrando no quarto quando ouviu a voz de Regina.
– Só não se sinta a vontade demais, senhorita Swan. Não vá pensando que a casa é sua.
Emma notou o tom divertido na voz da prefeita e sorriu, feliz por estar de bem com a Regina implicante que conhecia.
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