Juntas Pelo Acaso
5 Hook.
Notas iniciais
– E então? — Emma disse sorridente, orgulhosa de si mesma. Regina lia atentamente o calendário que a loira havia acabado de fazer.
– Não dá. — a morena apertou os lábios e negou com a cabeça. — Tenho que estar na prefeituras às quartas também.
Emma revirou os olhos e se jogou na cadeira da cozinha, exausta. Já era a milésima vez que refazia aquilo. Estavam há horas tentando organizar e dividir os dias da semana para cuidarem de Henry e Elsa, mas ela e Regina não conseguiam conciliar suas cargas horárias de trabalho. Regina se debruçou sobre a mesa e escreveu alguma coisa no papel.
– Que tal assim? Você fica em casa às quartas e eu troco as quintas com você.
– Mas quinta tem promoção de bebidas no Rabitt Hole!
Regina cruzou os braços.
– Como é que é?
– Não! Você não entendeu. — Emma riu e sacudiu a cabeça. — Eu não quero sair pra beber. É que é o dia que mais tem confusões na cidade, principalmente com Leroy.
– Aquele anão irritante. — Regina murmurou, revirando os olhos. — Está bem. Quintas estão fora. — Disse, riscando o calendário.
– Mãe? — Henry chamou da porta da cozinha, fazendo as duas olharem para ele ao mesmo tempo.
– Eu quero jogar meu jogo novo!
– E qual é o problema, querido? — Regina perguntou sem entender a irritação do filho.
– O problema é que a Elsa quer pegar o controle! Vocês me pediram cinco minutos e estão aqui embaixo há horas.
Emma riu.
– Irmãos mais novos são assim mesmo, Henry. Vou te dar uma dica. — Ele suspirou e foi até ela. — Enquanto estiver jogando com um controle, você dá o outro pra ela.
– Mas sendo o player 2, ela vai me atrapalhar do mesmo jeito.
– Aí é que está: você não precisa conectar no console, ela não entende. Vai ficar feliz só de mexer no controle igual à você.
– Você só pode estar brincando. — Regina interrompeu. — Não acredito que está ensinando meu filho a enganar um bebê. Qual é o seu problema?
– Regina, fala sério. Todos os irmãos fazem isso. Já fizeram muito comigo, ok? E eu sobrevivi. — disse dando de ombros e então virou-se para Henry. — É sério, garoto. Tenta fazer isso pra ver se ela deixa você jogar.
Henry assentiu e subiu as escadas correndo.
– Espero que ele não se concentre demais no vídeo game e esqueça de Elsa. — Regina murmurou.
– Relaxa. Você é filha única, não sabe os truques necessários para a sobrevivência quando se tem irmãos.
Regina riu ao se sentar na cadeira ao lado dela.
– Tem razão. Mas não se esqueça que eu tive uma irmã. — Emma fez uma careta.
– Mas não conta. Vocês foram irmãs por sei lá, uma semana?
– Ela queria me matar. — Regina lembrou. Dessa vez foi Emma quem riu.
– Certo, então sua experiência como irmã conta sim. Querer matar uns aos outros: é exatamente isso que os irmãos fazem.
– Swan, as vezes eu fico realmente preocupada com sua sanidade mental. — A prefeita riu ao ver a cara de ofendida que a loira fez.
– Ok. Hilário. Vamos terminar logo isso aqui.
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Por mais que que estivesse morrendo de sono, Emma não se deixou dominar pela preguiça e resolveu acordar cedo no dia seguinte. Seria o primeiro dia que ela e Regina colocariam em prática o calendário que ficaram fazendo até de madrugada e tanto a loira quanto a prefeita estavam ansiosas para que aquilo desse certo.
Nenhuma das duas sabia explicar exatamente o porquê, mas desejavam mais do que tudo que conseguissem fazer as coisas direito. Já estavam apegadas à Elsa e em poucos dias, Emma sentia que de alguma forma ela, Regina, Henry e Elsa eram uma família. Já estava conformada com a ideia de que nunca teria uma família normal, e isso era até bom. O normal era super estimado, afinal.
Sem poder conter a ansiedade para seu primeiro dia sozinha com Elsa, Swan não se deixou vencer pelo conforto do quarto de hóspedes de Regina e se levantou.
– Bom dia. — a xerife cumprimentou ao entrar na cozinha. Deu um beijo em Henry que estava sentado à mesa e estranhou não ver Elsa. Antes que ela pudesse perguntar, Regina falou.
– Elsa ainda está dormindo. Se quiser café, faça você mesma. — Emma franziu a testa ao ouvir a acidez na voz da prefeita. Pra onde tinha ido a Regina amigável com a qual ela ficara conversando até tarde na noite anterior?
– É… Ok. — balbuciou olhando perdida para Henry que deu de ombros enquanto comia sua panqueca. Ela se levantou e foi até a cafeteira, ficando de costas para a mesa onde Regina agora estava sentada ao lado do filho.
– Então, Regina… — Emma arriscou puxar assunto. — Dormiu bem? Pronta para voltar à prefeitura?
– Estou sempre pronta, Swan. — respondeu seca. Eles ouviram um choro pela babá eletrônica e Regina já ia levantar, quando Emma se adiantou. — Eu pego ela. Termina seu café da manhã aí.
A loira saiu e pouco tempo depois estava de volta à cozinha, agora com Elsa em seu colo.
– Hey, olha quem acordou! A princesa da neve! — disse rindo antes de colocar a menina sentada em sua nova cadeira de bebê.
– Ela era mais divertida quando fazia neve mesmo. — Henry murmurou enquanto mastigava, Regina o repreendeu com o olhar e ele voltou a comer.
– Bom dia, querida! — A prefeita sorriu para Elsa, mas não conseguiu disfarçar o mau humor. Emma pegou sua xícara de café e sentou-se à mesa junto aos dois.
– Você parece bem irritada. — comentou casualmente, tomando um gole de sua bebida. Regina revirou os olhos.
– Você também estaria se tivesse um pirata no seu jardim. — respondeu dando de ombros. Emma arregalou os olhos e quase se engasgou com o café.
– Killian está lá fora? — a morena assentiu. — Porque não disse nada?
– Bem, você só perguntou agora, não foi? — Emma bufou sem acreditar naquilo.
– Meu Deus, Regina! Às vezes me esqueço o quão insuportável você pode ser, sabia? — a xerife reclamou já se levantando e indo até a porta.
– O que foi? — Regina disse com um ar inocente ao ver que Henry a encarava. — Termine logo seu café. Não quero que se atrase no seu primeiro dia de volta à escola.
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– Mãe, vamos nos atrasar! — Henry reclamou impaciente.
Regina olhou no relógio e suspirou, já estava cansada de esperar Emma entrar e realmente não queria que Henry se atrasasse. Ela pegou Elsa no colo e foi em direção a porta com Henry a seguindo. Seu mau humor só aumentou ao sair de casa e ver a xerife e Hook muito próximos um do outro. Ela bateu a porta com força, a fim de chamar atenção. Não queria que Henry visse os dois se agarrando.
– Hey! — Emma sorriu sem graça se separando bruscamente de Killian. — Já estão indo?
– Estamos atrasados. — Regina respondeu indo até ela e passando Elsa para seu colo. — Se precisar de qualquer coisa me ligue. — disse secamente saindo para entrar no carro.
– Oi pra você também. — Hook murmurou para o nada ao ver que a prefeita já havia saído.
Emma riu.
– Relaxa, ela acordou meio irritada hoje. — disse ajeitando Elsa em seu colo. Killian voltou sua atenção para a menina e sorriu para ela.
– Seus pais me falaram muito sobre ela, Swan. — ele comentou com Emma, sem deixar de sorrir para Elsa. A menina se agarrou um pouco mais à xerife tentando evitar contato com o pirata. — Acho que ela não foi muito com a minha cara.
Emma se sentiu mal ao ver a decepção dele quando Elsa começou a choramingar.
– Não é isso. Ela acabou de acordar, está com sono e ainda não comeu. — Emma sorriu tentando contornar a situação. — E também não gosta quando Regina sai de perto dela.
Hook riu ao ver a loira revirando os olhos.
– Então agora você vai estar ocupada sendo babá em tempo integral, certo?
Emma franziu a testa.
– Não. Quer dizer, sim. — ela suspirou, enquanto tentava acalmar Elsa que agora já chorava. — Não vou ficar com a Els 24h por dia, divido a semana com a Regina e também tenho que ir pra delegacia. Mas se está se referindo à encontros, então sim: estou muito ocupada.
– Posso te ajudar a relaxar se quiser. — Ele piscou de forma sedutora. Emma teria sorrido com aquilo, se não fosse por Elsa chorando em seu ouvido. Estava ficando nervosa.
– Por enquanto não vai dar, desculpe. Seja paciente, ok? — Ela esboçou um sorriso e ele assentiu. — Killian, eu realmente preciso levar ela pra dentro. Depois nos falamos melhor. Desculpe por ter ficado esperando aqui fora por muito tempo.
– Tudo bem, love. Parece que a rainha não acordou num bom dia e não me queria na casa dela. — Ele comentou rindo. — Nos vemos depois.
Hook tentou dar um selinho em Emma, mas desistiu quando Elsa ficou ainda mais nervosa no colo da xerife. Emma apenas murmurou um 'desculpe' e voltou para dentro da Mansão Mills.
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– Jesus, Elsa! — Exclamou ao colocar a menina sentada em sua cadeira. — O diabos que deu em você? Acordou estressada igual à Regina?
Já mais calma, Elsa sorriu para ela de forma tão inocente que Emma se viu completamente desarmada. Ela puxou uma cadeira e se sentou de frente para a menina.
– Ok, vamos deixar isso pra lá! Então, agora pela manhã seremos só eu e você. — Elsa riu alegre, agitando as mãozinhas.
– O que vamos fazer? Primeiro vou arranjar alguma coisa pra você comer. — disse já mexendo nos armários da cozinha. Se sentiu tentada a pegar um dos potinhos de comida industrializada, mas desistiu ao imaginar Regina a chamando de irresponsável.
– Eu posso fazer isso da forma certa. — Disse em voz alta, encorajando a si mesma.
– Vamos nos sair muito bem, não é, princesa? — Ela sorriu para Elsa que mesmo sem entender, sorriu de volta. Era o incentivo que ela precisava.
– Ótimo. Podemos começar com algumas frutas amassadas, o que acha? Me parece um café da manhã bem saudável.
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Por mais que Regina tentasse, não conseguia se concentrar nos papéis à sua frente. Não exercia seu trabalho na prefeitura desde a confusão com Zelena, então havia muito o que ser feito e muitas coisas a serem pensadas. Mas a única coisa em que a prefeita conseguia pensar era na cena que presenciara mais cedo. Como se não fosse desaforo suficiente Hook ir até sua casa procurar Emma, Regina ainda foi obrigada a ver a loira se agarrando com aquele pirata em seu jardim. Aquele mesmo pirata que ajudara Greg a capturá-la para ser torturada. Como Emma tinha coragem de sair com um homem tão asqueroso quanto Hook? Tudo o que ele sabia fazer era beber rum e beijar mulheres. Em seu jardim. O que mais irritava Regina era o fato de Emma nem se preocupar em ser vista por Henry. Na verdade, a morena não sabia dizer o que mais a irritava. O capitão a irritava e ponto. Era o suficiente.
Ela olhou mais uma vez para os papéis e começou a ler um deles, na tentativa de esquecer a raiva que estava sentindo de Emma, uma vez que veria a loira na hora do almoço e não queria estar zangada até lá. O celular vibrou em cima da mesa, tirando-a de seus pensamentos. Franziu a testa ao ver que era uma mensagem de Emma.
“Adivinha quem AMA maçã?! Acabei de descobrir isso e mal podia esperar pra te contar!”
O sorriso de Regina ficou ainda maior ao abrir a foto que a xerife enviou junto com a mensagem. Nela, Elsa aparecia com o rosto sujo de raspas de maçã enquanto lambia uma colher de plástico colorido.
A prefeita leu a mensagem de novo, demorando um pouco mais na última frase. Sem saber, Emma havia acabado de dissipar todo o mau humor da morena que agora sorria.
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