Juntas Pelo Acaso
7 Extra - Especial Halloween.
Notas iniciais
Regina sentiu seu corpo balançar levemente, era como se estivesse flutuando e pulando ao mesmo tempo. Se perguntou que tipo estranho de sonho serie aquela. Escutou uma voz distante, porém familiar. Aos poucos a voz parecia estar mais perto. Talvez não fosse um sonho... Apertou os olhos antes de abri-los e ver Henry pulando em sua cama como um menino de cinco anos.
– Mãe, acorda! Hoje é Halloween! Acorda!
Ela se encolheu e puxou o cobertor mais para si.
– Henry… — Regina gemeu preguiçosamente.
– Anda, mãe! Por favor!
– Querido, você já está crescido pra essas coisas, vamos dormir. — murmurou sonolenta.
Sua noite havia sido péssima, ela e Emma ficaram se revezando para acalmar Elsa que teve pesadelos. Tudo que queria era dormir até mais tarde.
Henry parou de pular, mas não se deu por vencido. O menino deitou de frente para a mãe e tirou a colcha de seu rosto.
– Por favor, mãe. Faz tempo que não nos fantasiamos juntos, sinto falta disso.
Regina sorriu de olhos fechados e então os abriu para encarar o filho. Não tinha como ela negar qualquer coisa ao ouvir aquilo, e ele sabia. O sorriso vitorioso dele dizia: Você não vai dizer ‘não’ agora. A prefeita levantou da cama, seguida pelo garoto.
– Tudo bem, o que você quer fazer? — ela perguntou se sentindo mais animada enquanto vestia um robe de seda.
– Primeiro, comer. Depois podemos pensar nas fantasias.
– Certo. Porque você não vai chamar a senhorita Swan enquanto eu pego a Elsa?
– Elas já estão na cozinha, só faltava você acordar. — ele disse acompanhando-a escada a baixo.
Regina parou na porta da cozinha que parecia estar vazia, não havia sinal de Emma ou de Elsa em lugar algum da casa. Ela adentrou o cômodo hesitante, sem saber ao certo o porque. Alguma coisa estava estranha. Tudo parecia silencioso demais.
– Você disse que elas estariam aqui embaixo. — disse para Henry. O menino encolheu os ombros, tentando reprimir um sorriso.
A prefeita olhou ao redor mais uma vez e um movimento do lado de fora da casa chamou sua atenção. Ela se aproximou da janela e ao ver algumas folhas se mexendo, foi até o quintal se aproximando lentamente do arbusto.
– Mas o que…
– Gostosuras ou travessuras! — Uma pessoa com roupas brancas e suja de sangue gritou saindo dos arbustos e quase pulando em cima dela.
O susto de Regina foi tão grande que ela deu alguns passos para trás, uma mão no coração e a outra com uma bola de fogo.
– Swan! — A rainha exclamou, um misto de raiva e alívio em sua voz. — Qual é o seu problema?
Emma tentou responder mas suas gargalhadas não deixavam que formasse uma frase completa. Henry foi até elas, seu rosto vermelho de tanto rir.
– Você tinha que ver sua cara, mãe! — ele disse ainda rindo.
– Ficou com tanto medo que quase jogou fogo em mim. — Emma deu uma risada mais controlada dessa vez. Regina cruzou os braços.
– Eu devia ter jogado mesmo. — Ela olhou Emma de cima a baixo. — Que roupa ridícula é essa? Você tentou se fantasiar de que?
Emma olhou para sua própria roupa. Vestia um pijama branco velho e todo manchado de tinta vermelha, a mesma tinta que ela tinha no rosto.
– De uma pessoa ensanguentada? — Ela respondeu encolhendo os ombros. — A ideia foi do Henry.
– Fizemos um bom trabalho se você pensar que decidimos em cima da hora. — ele sorriu orgulhoso e Emma fez o mesmo. Regina não pode deixar de sorrir também.
– Nossa, estou impressionada. — disse divertida voltando para dentro de casa. — Onde está a Elsa? Transformaram ela em abóbora?
– Não, mas gostei da ideia, precisamos decorar a casa mesmo. — Emma implicou. — Ela ta dormindo ainda.
Emma e Henry sentaram na mesa da cozinha enquanto Regina começava a preparar o café da manhã.
– E então, Henry? — a morena disse de costas para eles. — Quais são suas idéias para hoje?
– Bem, nos não temos nada pronto então há muito o que ser feito, né? — ele começou a tagarelar. — Precisamos de fantasias, doces, abóboras…
– Caixões! — Emma acrescentou empolgada. Henry a encarou confuso.
– Caixões de mentira! Para decorar o jardim! — ela explicou para ele como se fosse óbvio. Regina riu dos dois.
– Vocês querem conseguir tudo isso hoje?
– Sim! — foi a resposta que ouviu um uníssono. Lançou a eles um olhar que gritava: Impossível!
– A culpa não é minha se todo mundo estava ocupado demais para lembrar do Halloween. — Henry disse num tom triste, fazendo Emma e Regina trocarem um olhar culpado. O choro vindo da babá eletrônica chamou a atenção dos três.
– Querido, se importa de ir buscá-la? — O menino assentiu e atendeu o pedido da mãe. Regina desligou o fogo e esperou o filho subir antes de se sentar de frente para Emma.
– Emma, eu acho que entre a visita da minha irmã, a chegada de Marian e a confusão com Elsa, talvez nós tenhamos…
– Deixado o Henry um pouco de lado? — a xerife completou com um suspiro. — É, talvez.
– Quer dizer, depois do Natal, Halloween é a data favorita dele e ele gosta de preparar tudo e escolher fantasias. Agora não temos tempo para nada disso.
Emma pensou um pouco antes de falar.
– Não da tempo de comprar nada. Mas nós podemos resolver isso de outras formas.
Regina arqueou uma sobrancelha ao encara-la.
– Suas idéias são preocupantes, senhorita Swan. O que tem em mente?
– Magia! — ela sussurrou e se debruçou mais na mesa, afim de falar mais perto da morena. — A gente pode decorar a casa e nos fantasiar com um movimento tão das suas mãos.
– Achei que não gostasse disso. — a prefeita implicou, com um sorriso debochado. Elas ouviram Henry e Elsa descendo as escadas.
– Esse é um bom motivo. Você vai estar usando para fazer nosso filho feliz, não para amaldiçoar alguém.
Regina assentiu, considerando aquilo. As duas pararam de falar ao ver Henry voltar para a cozinha, segurando a mão de Elsa que dava passinhos firmes até onde elas estavam. A menina soltou a mão dele e esticou os braços para Regina que a colocou sentada na cadeira alta.
Emma ficou em silêncio enquanto observava Henry comer. Ela olhou para Regina antes de falar, e a morena assentiu. Emma sorriu brevemente, gostava de como as duas conseguiam conversar sem dizer uma palavra sequer. Se todos fossem assim...
– Hey, garoto, sabe o que eu acho? — Ele levantou a cabeça e a olhou. — Regina está certa. É impossível para qualquer pessoa normal conseguir um Halloween perfeito de uma hora para outra.
– Mas... — ele tentou argumentar, mas Regina interrompeu.
– Mas, felizmente, você não tem uma família muito normal, não é mesmo? — Ela sorriu. — Por isso, sua mãe teve uma ideia.
O olhar ansioso dele se alternou entre suas duas mães. Regina girou a mão no ar e uma fumaça roxa preencheu o comodo.
– Mãe, o que... — Henry começou, mas se calou quando o nevoeiro se dissipou, revelando uma cozinha decorada com abóboras, fantasminhas e morcegos pendurados no teto, além de falsas teias de aranha nos móveis.
Era difícil dizer quem estava mais radiante: Emma ou Henry. Regina riu quando ele se levantou e a abraçou.
– Isso é incrível! — Ele exclamou antes de soltá-la e ir até a sala. — Podemos fazer isso na casa toda?
– Sim! — Emma respondeu. — E podemos colocar caixões no jardim!
Henry riu. Regina pegou Elsa no colo e seguiu os dois, entregando a menina para Emma.
– Ok. O que vamos fazer com a sala? — a morena perguntou, se conformando com a ideia de que seu filho não terminaria o café da manhã.
Emma esperou Henry responder, mas ao ver que ele demorou para pensar, a loira se adiantou. Regina revirou os olhos ao ver a xerife erguendo o bracinho de Elsa, como se a menina pedisse para falar.
– Swan? — disse, tentando não rir.
– Caveiras! — a sugestão empolgada da loira foi seguida de um "isso!" de aprovação de Henry.
Eles esperaram ansiosos enquanto Regina fechava os olhos e agitava as mãos no ar. Em um instante a sala da Mansão Mills estava digna de um cenário de filme de terror.
Depois de seguir o filho e a xerife por todo o primeiro andar da casa, atendendo aos pedidos de decoração deles, Regina se sentou no banco do jardim. Se sentia cansada.
Ela sorriu ao ver Henry assustando Elsa com as caveiras e os caixões enquanto Emma tentava parar de rir para repreender o menino.
– Mãe! — Henry chamou, indo até ela. — E as fantasias? O que acha que a gente deve vestir?
Emma, que estava de mãos dadas com Elsa, chegou perto deles a tempo de ouvir a resposta de Regina.
– Não sei, querido. Mas Emma com certeza poderia se vestir de pirata.
A loira revirou os olhos.
– Ha-ha. Hilário. — respondeu, sem rir de verdade. Ela sentou-se na grama em frente ao banco, deixando Elsa ir até Henry.
– Você poderia se vestir de ladra, com direito a arco e flecha. — rebateu. De repente um sorriso surgiu em seu rosto. — Já sei! Você podia se vestir de Branca de Neve, Regina! Com aquele vestidinho clássico da Disney, ficaria muito bem em você.
– Você realmente não preza pela sua vida, não é, Swan? — a prefeita ameaçou.
Emma apenas sorriu de forma irônica antes de deitar no chão. Ela ficou quieta ouvindo a pequena discussão que se iniciava entre Regina e Henry.
– Super heróis! — O garoto sugeriu. Regina gemeu em negativa.
– Meu amor, acho que durante sua infância já nos vestimos de todos os super heróis possíveis. — ela argumentou. — Que tal se tentássemos imitar uma banda ou cada um se fantasiar de um cantor famoso?
– Sem chance.
– Porque nossas fantasias tem que combinar? — Emma disse, se intrometendo na conversa. — E se eu quiser me vestir de coca-cola? Vocês vão ser fanta-uva e fanta-laranja? Elsa vai ser o Dollynho?
Henry riu.
– Sem ofensas, Els. Você ficaria linda de Dollynho. — a loira acrescentou, fazendo o filho rir ainda mais.
– Claro que nossas fantasias tem que combinar, Swan! Esse é o espírito da coisa. — Regina explicou impaciente. — Por acaso nunca fez isso?
Emma deu de ombros.
– Com outras pessoas? Não. — respondeu sincera. — Sempre me fantasiei sozinha.
Regina ficou desconcertada com a resposta direta de Emma. Não pôde evitar lembrar que era em parte culpada pela vida solitária que xerife teve.
– Star Wars! — a loira disse de repente, alheia ao impacto que seu comentário causara. A sugestão chamou a atenção de Henry.
– Seria perfeito! Eu sou o Luke! — ele gritou, levantando o braço.
Emma sorriu de canto, voltando a se sentar de frente para eles.
– Claro que é. — ela afirmou antes de se virar para Regina. — Hey, você devia ser o Yoda. Ele tem mais de quinhentos anos e tal.
A morena cruzou os braços, ofendida.
– Perdão? O verdinho?! — Ela sorriu ao ver Emma arregalar os olhos. — Sim, Emma, eu conheço Star Wars. E eu não tenho oitocentos anos.
– Mas tem mais do que aparenta. — Implicou, fazendo a prefeita bufar. — Eu vou ser a Princesa Leia.
– Que original. — Regina debochou. — Acho que então serei o Darth Vader.
– Vai ficar ótimo. Preto é sua cor. — Regina se surpreendeu por dessa vez não ouvir maldade no tom de Emma. Na verdade, a xerife até sorria. Provavelmente de alguma piada interna que a morena não fazia questão de saber.
– E essa princesa? — a prefeita disse em uma voz infantil, brincando com Elsa que agora estava em seu colo. — Que tal vestirmos ela de um daqueles robôzinhos?
– Se está falando do C3PO e do R2D2, fique sabendo que eles não robôzinhos. — Emma corrigiu séria. — São dróides.
– Como eu ia dizendo. — Regina continuou, ignorando o comentário da loira. — Uma vez vi uma fantasia infantil daquele branquinho. Elsa ficaria adorável com aquilo.
– R2D2 então! — Henry exclamou. — Anda, mãe! Faz magia!
– Que tal entrarmos primeiro? — Ela sugeriu, já se levantando com Elsa em seu colo. — Seria bom ver algumas fotos antes de criar as roupas.
Emma e Henry assentiram juntos, e os quatro entraram em casa. Depois de Henry mostrar mil fotos para a mãe, na intenção de que tudo saísse perfeito, Regina se concentrou e fechou os olhos. A conhecida nuvem roxa os envolveu.
Os olhos de Henry brilharam ao olhar para o espelho e se ver vestido como um verdadeiro Jedi, enquanto Emma e Regina incorporavam Princesa Leia e Darth Vader em versões femininas e sensuais. Um pouco sensuais demais se ele parasse para pensar que eram suas mães, mas ele resolveu deixar isso para lá.
– Regina, ficou perfeito! — Emma disse radiante e então olhou para o mini R2D2 que estava de pé diante dela. — Olha a Els! Ela está muito fofa!
Regina e Henry riram da cara que a menina fez quando Emma a pegou no colo e a abraçou de forma exagerada.
– Mãe, ela não é um boneco! — a xerife ignorou o comentário do filho e continuou a apertar Elsa.
– Espero que nosso improviso tenha te agradado, querido. — Regina disse em voz baixa, fazendo Henry olhar para ela. — Sua mãe e eu tivéssemos essa ideia para você não ficar sem seu Halloween.
Henry olhou para Emma que tirava fotos de Elsa em seu celular e riu antes de se virar para a mãe. A alegria nos olhos dele fez o coração de Regina se derreter.
– Obrigada, mãe. Esse vai ser o melhor Halloween de todos! — disse antes de abraçá-la.
– Hey! — Emma chamou, fazendo os dois se soltarem e olharem para ela. — Acho que agora só falta uma coisa.
O sorriso de Henry ficou ainda maior quando ele falou:
– Gostosuras ou Travessuras!
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